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quinta-feira, 30 de abril de 2009

JOGOS SEM FRONTEIRAS

A EB 2/3 Frei Caetano Brandão realizou no Campo da Vinha, em frente à Câmara Municipal de Braga, no dia 29 de Abril, pelas 21 horas, os primeiros «Jogos sem Fronteiras».
Esta actividade foi organizada pelo Projecto Comenius da escola e obteve a colaboração de várias entidades: Synergia, Câmara Municipal de Braga, Regimento de Cavalaria n.º 6 e Associação de Pais.
Neste projecto estiveram envolvidos muitos alunos e professores de vários países europeus.



JOGOS SEM FRONTEIRAS

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

DE PÉ, NUNCA DE CÓCORAS

Vem este título a propósito do tempo que passamos em reuniões. Estamos geralmente sentados, porém raramente dialogamos e partilhamos o que descobrimos, com o que concordamos ou não, e que poderá servir aos outros.
Será que falta aquilo a que hoje se costuma apelidar de "cultura de escola": uma escola reflexiva e solidária, onde os professores se sentam, às vezes, com outros parceiros educativos, para tentar encontrar uma luz ao fundo do túnel que muitos insistem não existir.
Estou convencido que a educação escolar desempenha um papel de sociabilização, contribuindo para a interiorização pelo indivíduo dos valores da sociedade. Neste sentido a escola constitui uma instituição de primeira linha na constituição de valores que indicam os rumos pelos quais a sociedade trilhará o seu futuro. A escola é, sem dúvida, uma instituição cultural que reflecte as ideologias impressas no contexto social e político.
Que fazemos diariamente na escola, como responsáveis pela arte de educar?
- Promovemos mudanças desejáveis e estáveis nos indivíduos;
- Evidenciamos na sala de aula, apenas, uma transmissão de saberes ou através destes trocamos conhecimentos e construímos o nosso próprio saber;
- Favorecemos o desenvolvimento integral do Homem e da Sociedade;
- Aprofundamos a compreensão sobre a forma como a cultura da escola (conjunto de valores e significados partilhados) influencia os processos de envolvimento e participação das famílias na vida escolar, através de um diálogo permanente, aberto e construtivo;
-Traduzimos a abertura da escola ao meio numa lógica cívica ou como uma mera possibilidade de captação de recursos.
Tendo em conta as nossas convicções, julgo que a escola onde trabalho tem dado passos largos na construção de uma «escola cultural», ressaltam, mesmo, linhas mestras que, ao longo de 26 anos de existência, configuram a existência de uma «cultura de escola».
De pé, frente a uma turma difícil, propunha numa das últimas aulas de Formação Cívica, a abordagem do conteúdo da letra de uma canção do álbum «cabeças no ar», intitulada «O Jardim da Mocidade», interpretada por Rui Veloso, Tim, João Gil e Jorge Palma. Neste poema de Carlos Tê, pode ler-se: «É preciso tratar bem, do jardim da mocidade, o mal que se lá deixar, noutra flor há-de medrar (…). Jardineiro olha para o mundo (…), é preciso até ter sorte, com a terra onde se nasce».
De pé, ao fundo da sala, enquanto entoávamos a canção lembrava-me das sábias palavras de António Sérgio «A escola não é um torno, o professor não é um oleiro e os alunos não são barro inerte (…). A faina do professor assemelha-se à do jardineiro que não obriga a rosa a ser glicínia ou buganvília antes cuida do ambiente dela para que ela possa florir» (Ensaios VII, Paideia).
Artigo publicado na Revista Andarilho, n.º 31, Fevereiro de 2009.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

VISITA À ESCOLA FIXA DE TRÂNSITO

No âmbito da Formação Cívica, no dia 4 de Dezembro, a turma 6 do quinto ano de escolaridade, visitou a Escola Fixa de Trânsito.
Tendo em conta a Cidadania e Segurança rodoviária, esta visita impõe-se pelo cenário preocupante que por si só configura, sendo considerada pela OMS como um grave problema de saúde pública, com pesadas consequências sociais e económicas, afectando com forte incidência as camadas mais jovens da população.
A formação integral da juventude, passa pelos diversos tipos de educação, sendo mais proveitosa começar pelas idades mais tenras.




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

DEIXEM-ME VOAR, ESTOU EM GREVE

Deixem-me voar, a matéria merece revisão. O mundo mudou e estou à mercê de sucessivos ajustes pedagógicos.
Deixem-me voar, tudo é exacerbadamente intenso. É preciso estar sempre a aprender e conhecer a palavra «paciência».
Deixem-me voar, para não cair no «fosso entre gerações». Sei lidar com o que sinto, mas não convivo com os malefícios da realidade.
Deixem-me voar, pois os resultados não se definem à medida dos desejos. Necessito de inventar, correr riscos, decepcionar-me, ter tempo para encantamentos.
Deixem-me voar, já não dependo de orientações controversas. Deixem-me ser professor e ter a responsabilidade de educar.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

IMAGENS DA VISITA DE ESTUDO

VISITA DE ESTUDO AO MUSEU D. DIOGO DE SOUSA

VISITA DE ESTUDO ÀS RUÍNAS ROMANAS DA CIVIDADE E AO MUSEU DE ARQUEOLOGIA REGIONAL D. DIOGO DE SOUSA
No dia 28 de Novembro de 2008, de manhã, a turma seis do quinto ano de escolaridade, visitou as Ruínas Romanas da Cividade e o Museu D. Diogo de Sousa, no âmbito da Romanização.
Começamos por visitar as termas romanas localizadas na Colina de Maximinos, situadas junto ao Forum da antiga cidade romana (Bracara Augusta). As termas públicas eram vastos edifícios preparados para proporcionar aos habitantes ou visitantes da cidade a possibilidade de tomar o seu banho de acordo com as regras prescritas pela medicina da época.
Seguidamente passamos ao Museu D. Diogo de Sousa onde observamos, apenas, o espólio da época romana, em Bracara Augusta. O nome do Museu está associado ao arcebispo D. Diogo de Sousa (1461-1532), a quem se ficaram a dever importantes medidas de remodelação urbanística em Braga e o facto de ter reunido os testemunhos arqueológicos mais antigos desta cidade, até então dispersos.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ALUNOS VISITAM MUSEU DOS BISCAINHOS


Na semana de 10 a 14 de Novembro, todas as turmas do sexto ano de escolaridade da EB 2/3 Frei Caetano Brandão visitaram o Museu dos Biscainhos.
O Museu dos Biscainhos está instalado no Palácio dos Biscainhos, fundado no século XVII e definido arquitectonicamente na primeira metade do século XVIII. Durante cerca de três séculos foi habitação de uma família nobre (Condes de Bertiandos), transformando-se em Museu público a 11 de Fevereiro de 1978. Em 1949 o edifício e os seus jardins foram classificados como Imóvel de Interesse Público.
O palácio, os jardins barrocos e as suas colecções revelam o quotidiano da nobreza setecentista assim como numerosas referências da vida dos outros habitantes do espaço: capelães, criados e escravos.
Os alunos visitaram as várias colecções de artes decorativas (mobiliário, ourivesaria, cerâmica, vidros, têxteis, etc), instrumentos musicais, meios de transporte, gravura, escultura/talha, azulejaria e pintura, da época compreendida entre o século XVII e o primeiro quartel do século XIX, terminando a visita junto do jardim do museu, um dos mais significativos do período Barroco em Portugal.
A visita foi acompanhada de uma actividade intitulada "Sons do Palácio ". Acção desenvolvida como um jogo exploratório. A partir da audição de sonoridades que expressam o conteúdo original dos espaços e jardins do Palácio, os alunos são solicitados à respectiva identificação na sequência do percurso de visita.



VISITA DE ESTUDO AO MUSEU DOS BISCAINHOS

domingo, 9 de novembro de 2008

"DEIXEM-NOS SER PROFESSORES"

Também fui à manifestação. “ Deixem-nos ser professores”, foi o slogan do dia de luta dos professores, em 08-11-2008, em Lisboa, que envolveu 120.000 professores. Não há memória de uma união tão forte, nem nunca assisti a uma manifestação com este carisma.
A Sr.ª Ministra conseguiu unir transversalmente todos os professores: dos titulares, aos não titulares, dos novos aos menos novos, numa convergência de opiniões contra o sistema, nunca visto na história do ensino.
Foi um espectáculo bonito, ver todos os docentes, oriundos de todas as regiões do país, unidos num mesmo objectivo, sem qualquer espírito partidário, mas num esforço de melhoria do sistema educativo, contra os todos os subterfúgios de alterar o sistema administrativamente.
Só há uma solução: melhorar a qualidade do ensino só passa pelo envolvimento de todos os professores.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

NÃO HÁ CRISE DE VALORES

Dizia Santo Agostinho: «Diz-me o que amas e dir-te-ei quem és». Uma pessoa é o que, realmente, são as suas valorações.
O que define cada um destes tipos: o homem teorético, o homem estético, o homem social, o homem politico, o homem económico e o homem religioso é o facto de fazer de um valor determinado ( ciência, arte, trato humano, religião, etc.) o objecto da própria vida. Cada homem não só opta por um valor, que passa a caracterizá-Io mas, na realidade, opta por todos e cada um desses seus valores (e por muito mais ainda), de modo que cada individuo fica definido, mais pelo primeiro valor que escolhe, que pela ordem de todos os que escolheu.
Diferentes pessoas atribuem importância a diferentes valores. Uns preferem os valores teóricos (lógica, verdade), outros os valores económicos (diligência, riqueza), outros valores estéticos (beleza, harmonia), outros os valores sociais (amizade, igualdade), outros os valores políticos (poder, reconhecimento), outros os valores religiosos ( salvação), etc.
O valor, como tal, é privativo do homem. Precisamente porque o acto de valorizar é racional, não é um acto caprichoso, mas submetido a leis.
Parece, pois, que a valoração não pode ser arbitrária, mas deverá respeitar certas exigências lógicas e a ordem racional.
Para tratar este tema, devemos distinguir valores e valorações.
O valor radicaria no objecto (uma pintura, supunhamos, pode ser bela em si mesma) e a valoração («eu gosto desta pintura») seria o acto pelo qual um sujeito reconhece esse valor e o estima. E ai está todo o drama do problema dos valores, em que o sujeito, equivocando-se, pode atribuir valor ao que não tem, ou preferir um valor inferior a outro superior, e assim fazer mais valorações.
Deste modo o problema pedagógico não são os valores, mas as valorações.
O que nos leva a afirmar que a chamada crise de valores é, antes, a nossa crise. Fala-se de crise de valores como se os valores ou alguns deles deixassem de existir e dependessem só da subjectividade dos homens.
A crise de valores não existe, mas sim a crise de valorações. A crise é nossa, do homem, não dos valores.
Os valores, quer sejam normas ou princípios, organizam-se hierarquicamente. Ou seja, em cada pessoa ou grupo se dá uma escala de valores que sustenta e explica as suas opções, comportamentos.
As pessoas consideram que certos valores são mais importantes que outros e estão por isso mais dispostas, em caso de conflito, a sacrificar uns em favor de outros. Por exemplo, entre o valor da vida humana e o da propriedade de um bem material, pode existir um conflito se, por exemplo, para se salvar uma vida, for necessário roubar.

domingo, 2 de novembro de 2008

RANKING DO 9.º ANO - AS 10 MELHORES ESCOLAS

Segundo o Correio da Manhã, do dia 2-11-2008, as dez melhores escolas do Distrito de Braga, num conjunto de 95 são:






Ranking das melhores Escolas do Concelho de Braga, segundo o
Jornal Público de 3/11/2008:




sexta-feira, 24 de outubro de 2008

QUANDO AS REFORMAS DO ENSINO NÃO RESULTAM

Ocorreu-me este artigo, quando assisti a uma conferência do Professor Ivor F. Goodson, autor do livro Conhecimento e Vida Profissional, Estudos sobre Educação e Mudança, na II Conferência Internacional sobre Estudos Curriculares, no dia 24 de Outubro, na Universidade do Minho.
O título deste artigo nasce de uma questão nuclear colocada pelo conferencista. Citou países que gastam milhões em reformas educativas mas que acabam por não resultar.
Porquê? O conferencista respondeu: «pelo simples facto de os professores não serem ouvidos».
O enfoque deve ser colocado no conhecimento dos professores, nas suas «estórias», mas suas narrativas, nos seus diários, na investigação-acção e na fenomenologia. Quando os professores falam da sua prática, fornecem conhecimentos pessoais e práticas sobre o seu saber especializado e oferecem oportunidades de representação.
Quando a «estória deixa de estoriar», ela transforma-se num pedaço de história, num dispositivo interpretativo.
Os professores não são ouvidos porquê? A educação não é um processo que deve envolver todos os intervenientes no acto educativo?
Os professores, enquanto contadores de «estórias de vida» não negligenciam o contexto estrutural dessas vidas, conduzem-nos a um terreno social rico, a entendimentos sobre a natureza socialmente construída das nossas experiências.
O Ministério da Educação só ganharia em ouvir os professores, a educação avançaria se envolvesse os professores, pois só nós podemos indicar o caminho através das nossas acções.
O poder continua a ser administrado de forma hierárquica, enquanto que as «estórias individuais e práticas dos professores» oferecem um espaço para respirar e reduzem o oxigénio necessário para se conseguir uma compreensão mais abrangente.
Quando se passa por cima da opinião e do sentir dos professores, estes divorciam-se do poder e assim se liquidam novas formas de produção, colaboração, representação e conhecimento.
O poder passa a basear-se em teorias descontextualizadas, não se baseiam na pesquisa educacional e não se apoiam na experiência vivida da escolaridade e nos padrões culturais emergentes na sociedade.
Numa palavra, não estaremos a assistir a uma liquidação da contestação cultural evidenciada no discurso teórico e crítico?

domingo, 19 de outubro de 2008

A PEDAGOGIA DOS PROBLEMAS

(Artigo publicado na revista Andarilho,n.º 23, 2001)
Aprendi com John Dewey que «toda a lição deve ser uma resposta» e um encontro.
Uma resposta às inquietações, dúvidas, interrogações, perplexidades, necessidades e vazios dos alunos.
Um encontro para a construção de identidades, para a afirmação das diferenças. Um encontro com a singularidade dos nossos alunos, um ponto de encontro com a pedagogia dos problemas.
Obviamente que não vou ao ponto de vos roubar o direito ao tempo com lições de qualquer espécie. Mas a este propósito considero que é importante fazer do tempo estreita conta e não gastar sem conta tanto tempo, como refere Frei Castelo Branco num dos seus belos sonetos:
Ó vós, que tendes tempo e tendes conta,
Não o gasteis sem conta em passatempo;
Cuidai, enquanto é tempo, em terdes conta!
Os ritmos e as circunstâncias diferem. O tempo de cada aluno já não coincide com os sonhos dos adultos e o tempo de cada professor já não se compadece com o hábito de vivermos como donos exclusivos do saber.
Precisamos de antídotos para rotinas instaladas. É preciso reflectir ouvindo-nos uns aos outros. Tenho sempre presente o provérbio chinês: «o que eu ouço, esqueço; o que eu vejo, recordo; o que eu faço, aprendo». É preciso reafirmar a necessidade do aperfeiçoamento de práticas pedagógicas de modo a que todos os alunos aprendam mais, melhor, e mais adequadamente.
Mais que lições sobre precariedade, flexibilidade, currículos, polivalência, penso, sobretudo, numa pedagogia da esperança, que acredita que o futuro é possível, que as nuvens escuras desaparecerão no horizonte, que a relação pedagógica pode ser um lugar de encantamento e a base de toda a aprendizagem.
Penso nas aulas sobre substantivos, adjectivos e verbos. Como se abordássemos os conteúdos nos moldes de uma linha de montagem. A aprendizagem é sempre perfeita sendo natural e informal. A aprendizagem deve acontecer ao ritmo vital da criança. Apenas o vital é aprendido.
Penso nas vantagens dos trabalhos de casa e na preguiça. Roland Barthes tem um ensaio delicioso sobre a preguiça. Para ele há dois tipos de preguiça. O primeiro, de quem está deitado na rede de barriga cheia. O segundo, é a preguiça infeliz, de quem se arrasta sobre os trabalhos de casa. A vida o está chamando noutra direcção mais alegre. Mas ele não tem alternativas. Por isso se arrasta em sofrimento.
Penso no modo como se processa o conhecimento, como ele deve crescer a partir de experiências vividas. O conhecimento é uma árvore que cresce da vida. Boas intenções e muitos esforços esbarram com o cumprimento dos programas, muitas vezes abstractos, fixos e cegos. Ignoram a experiência que os alunos estão vivendo. É inútil produzir vida a partir de uma mesa de anatomia.
Penso em como é bom ser professor, em como é bom sentir o calor humano, em como é bom ensinar a descobrir o mistério das coisas e da vida.
É neste pressuposto que os formadores planificam e desenvolvem a formação, propondo, negociando, ajudando, avaliando e certificando valores, atitudes, comportamentos e competências.
No fundo o que um professor mais deseja é que os seus alunos (aquelas flores) cresçam confiantes nos seus êxitos. E com o decorrer do tempo possamos concluir como Saint-Exupéry, «o tempo que perdeste com aquela flor é que tornou a flor mais importante».

terça-feira, 7 de outubro de 2008

SONATA DE OUTONO

Artigo publicado na Revista Andarilho, n.º 24, Maio, p. 3, 2002.
Por muito apertados que nos vejamos pelas circunstâncias, nunca temos um só caminho a seguir.
Quando penso na liberdade, por mais rigorosa que seja a nossa programação biológica ou cultural, penso sempre na possibilidade de optar por algo que não está no programa, ou mesmo na hipótese de dizer sim ou não.
Nem sempre pergunto aonde vou, pois os caminhos nunca acabam, fico sempre entre a liberdade da dúvida e o conforto da certeza.
Nos fins do Verão, princípios do Outono, do ano lectivo de 2001-2002, a trilogia incerteza-dúvida-liberdade questionou a minha autonomia, como professor, à luz da presente reforma da flexibilização curricular.
O que tinha como adquirido que o professor não pode separar os conteúdos dos processos, que a ênfase deve ser colocada no que se ensina e no modo como se ensina, aumentou o meu cepticismo, com a emblemática criação do Estudo Acompanhado como uma área que visa promover a aquisição de métodos de estudo e de trabalho. Fico com a sensação que esta área será, para muitos docentes, um dispositivo de compensação educativa imposto a todos os alunos, precisem ou não, e instrumentalizado pelas restantes áreas curriculares.
O que tinha adquirido que um professor é um educador, que os direitos e deveres do cidadão, que a cidadania e a educação cívica deveriam estar permanentemente presentes na actuação de todos os docentes, passou a ser mais uma dúvida, com a criação de espaços próprios para alguns professores desenvolverem as ditas abordagens. A grande tarefa de todos os professores ou educadores não é a de instruir, mas a de educar o aluno como pessoa humana, como pessoa que vai trabalhar no mundo tecnológico, mas povoado de corações, de dores, incertezas e inquietações humanas.
Mas como não somos livres de escolher tudo o que nos acontece, somos, no entanto, livres de responder desta ou daquela maneira ao que nos acontece e, sobretudo, somos livres de tentar coisas novas como os nossos alunos.
Um sistema educativo que respeite a liberdade insistirá sempre na responsabilidade de cada um de nós. A minha intervenção prioritária incide no investimento das potencialidades dos alunos.
O futuro, o desenvolvimento social e económico, o progresso de um país passa pela escola, pela valorização e utilização do saber, pela visão integradora dos saberes e pela relação teoria e prática. De que adianta o conhecimento e não saber, de forma autónoma e crítica, aplicar as informações?

sábado, 4 de outubro de 2008

Nos tempos que correm… é preciso acreditar.

Artigo publicado na Revista Andarilho, n.º 27, p. 6, 2005.
«É preciso acreditar, confiar e jamais desistir. Maior que o querer, é lutar e vencer».
Nos tempos que correm, é necessário a mensagem desta canção brasileira para a educação, para o interior das escolas, para o espírito dos educadores e dos educandos, no momento em que assistimos a um pessimismo generalizado quanto ao futuro da educação.
Temos muita habilidade para mexer no acessório, no que é mais fácil mudar, no que envolve menos riscos e raramente damos resposta a questões fundamentais:
- os percursos escolares adaptados aos interesses e necessidades dos alunos e da sociedade;
- as melhores estratégias para remediar as falhas em aprendizagens anteriores;- a integração dos alunos enquanto pessoas com vidas, muitas vezes, confusas e sofridas;
- a atomização e padronização dos tempos e espaços numa lógica disciplinar.
Nos tempos que correm, somos absorvidos por inúmeras tarefas burocráticas. Muitos só pensam em papéis, no número de páginas que tem o Projecto Curricular de Turma, no tempo que demorou a elaborar (em regra durante todo o primeiro período), na duração e quantidade de reuniões e não na sua produtividade. Quanto tempo fica para trocarmos ideias sobre educação?
É preciso acreditar que, ainda, podemos reconquistar o prazer de ensinar e de ser professor.
É preciso acreditar que podemos fazer coisas em conjunto, interdisciplinarmente, sem a exigência administrativa de apresentação de projectos desincentivadores e desmotivantes.
É preciso acreditar que todas as disciplinas devem ter o seu projecto e juntando-os temos novos projectos, que podem esvaziar a Área de Projecto, herdeiro da Área Escola, que já muitos dizem, igualmente, frustrante.
É preciso acreditar que os jovens sentem que nos preocupamos com eles, que os conhecemos, que nos interessamos pelos seus problemas, que os queremos ajudar, que a nossa atitude deverá ser a «pedra de toque» que iluminará o seu futuro.
É preciso acreditar no contacto com a realidade, no impacto motivador das metodologias activas, no aprofundamento da sociabilidade interpares, na ligação da teoria à prática, na aliança da escola à vida.
É preciso acreditar que a escola do quadro e do giz precisa de uma profunda remodelação.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

NÃO DEIXAR O PASSADO NO PASSADO

Artigo publicado na Revista Andarilho, n.º 28, pág. 4, 2006
Já não há qualquer semelhança, entre a Braga de hoje e a de oitocentos retratada por Camilo Castelo Branco «com gente de tamancos e capote a correr para as igrejas chamada pelos sinos». No entanto, quer em Braga como em Portugal ou na Europa, a influência da Igreja, em todos os domínios, é decisiva, é uma matriz que não pode ser olvidada. Sobressaem, assim, figuras ilustres que exerceram um papel determinante no desenvolvimento das regiões e das pessoas.
Neste contexto, quem se propõe a comemorar algo, seja datas, ideias, lugares, pessoas, é uma grande responsabilidade.
Estamos a recordar as comemorações da passagem dos 200 anos da morte do patrono desta escola, figura que ocupa uma posição ímpar entre os prelados portugueses e, reconhecidamente, um dos maiores pedagogos, defensor da educação concebida não como um privilégio, mas como um direito de todos. Para reforçar esta ideia, basta citar Ménici Malheiro, que, no seu livro Braga Contemporânea, depois de referir que poucos são os Arcebispos de Braga que merecem o nosso respeito, acrescenta: «Dos arcebispos, só um merece o nosso aplauso, por isso mesmo não foi canonizado: - D. Frei Caetano Brandão, antigo bispo do Pará, onde fez um excelente lugar para a causa da humanidade». A esta citação, apetece-nos acrescentar: «ainda não foi canonizado».
Nos finais do ano lectivo anterior, aquando da indicação de sugestões para o Plano Anual de Actividades, propúnhamos que a escola comemorasse o bicentenário da morte do seu patrono não só com actividades viradas para o interior e que constassem dos respectivos Projectos Curriculares de Turma, mas que fosse mais além, que perpetuasse esse momento com iniciativas que integrassem a vivência colectiva dos que se seguem, não abdicando de os fazer crescer inteiros, livres e responsáveis.
Neste pressuposto, nasceu a ideia de um busto.
Passámos a congregar esforços onde a realidade comunga da utopia e o passado se enxerta no futuro. Esforços que passaram pelo Conselho Executivo, Conselho Pedagógico, e, sobretudo, pelo engenho e criatividade da professora Eugénia Fernandes. Em seguida, no âmbito da Comissão das Comemorações, encontrámos os patrocínios necessários para fazer face ao elevado custo da obra.
A inauguração do Busto foi um momento alto e emocionante que honrou e dignificou o legado do «Provedor dos Pobres».
Essas comemorações realizadas na cidade de Braga e na sua Terra Natal excederam as expectativas, traduzidas em diversas eventos: publicações, conferências, exposições, concertos, pontifical e romagem ao túmulo.
Ao verbo comemorar gostaríamos de acrescentar mais dois: conhecer e divulgar. A escola teve oportunidade de se abeirar do seu pensamento e, simultaneamente, ser promotora e defensora de causas sociais, remando contra o espectáculo que faz a apologia do imediato, do supérfluo e do efémero.




terça-feira, 2 de setembro de 2008

AOS ALUNOS DA EB 2/3 FREI CAETANO BRANDÃO

Estudar,

Desde o primeiro dia,

Um após outro,

Conscientes que estão em nós,

As armas, que hasteadas,

Rompem os obstáculos que a vida impõe.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Imagens do I Pedy-Paper «Ao encontro do Património de Braga»




































quinta-feira, 19 de junho de 2008

Centenas de Concorrentes no Peddy-Paper

A EB 2/3 Frei Caetano Brandão, em Maximinos, realizou o I Peddy-Paper, subordinado ao tema «Ao encontro do Património de Braga», no dia 19 de Junho de 2008.
Esta actividade foi promovida pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas e teve como objectivos: o fomento do convívio e das relações saudáveis entre todos os concorrentes; o fortalecimento dos laços inter-ciclos do agrupamento e entre os diferentes intervenientes do processo educativo; o desenvolvimento de iniciativas de carácter educativo, cultural e lúdico, de modo interdisciplinar; a promoção da Educação para o Património nas diversas vertentes cultural, construído e ambiental; a aplicação de conhecimentos adquiridos nas diversas disciplinas do currículo escolar.
Os concorrentes distribuíram-se por 48 equipas e eram constituídas por alunos do primeiro, segundo e terceiro ciclos, professores, funcionários e encarregados de educação.
Cada equipa, munida de um mapa da cidade e de uma bateria de questões, tomou contacto com diversos locais de interesse patrimonial, nomeadamente, o Arco da Porta Nova, a Câmara Municipal de Braga, a Arcada da Lapa, o Largo Carlos Amarante, o Largo de Santiago, o Largo de S. Paulo, a Sé Catedral e o Largo Paulo Orósio.
No final do Peddy-Paper, todos os concorrentes foram premiados com um diploma de participação e um lanche de convívio, oferecido pelo Conselho Executivo, enquanto que as três melhores equipas subiram ao palco, receberam as ovações dos restantes concorrentes e prémios significativos.
Também quatro avôs concorrentes, em representação dos encarregados de educação, receberam medalhas comemorativas dos 25 anos da fundação da escola.
Dado o envolvimento de toda a comunidade educativa e do sucesso alcançado estão lançadas as sementes para a continuação desta iniciativa no próximo ano lectivo.