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sábado, 16 de janeiro de 2010

TÚMULO DE FREI CAETANO BRANDÃO

Na Capela da Sr.ª da Piedade, na Sé Catedral de Braga, encontra-se o túmulo de Frei Caetano Brandão. Inicialmente tinha sido sepultado na Capela Mór da Sé Catedral de Braga, mas em finais do século XIX foi trasladado para esta capela.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

FREI CAETANO BRANDÃO E A ESCRAVATURA

A inserção da escravatura na Amazónia aumentou com a criação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, durante o período pombalino. No Pará e no Maranhão os negros distribuíam-se pelos canaviais e pelas culturas do arroz e algodão.
Também se enraizou aqui a cultura da cana-de-açúcar, adquirindo uma enorme importância económica, recorrendo à escravatura, estabelecendo um um regime social típico.
As tensões entre senhores e escravos eram frequentes, sobretudo pela aplicação de castigos. Nas Memórias de Frei Caetano Brandão encontramos alguns depoimentos sobre o tratamento que alguns senhores dispensavam aos seus escravos:
“Muitos senhores há, que fazem tanto caso deles, como se fossem cães: como trabalham é o que importa... Sei de alguns que nenhuma missa mandaram fazer pelo pobre escravo, que talvez consumiu todas as suas forças em os enriquecer. Não falo agora na barbaridade, com que muitos os castigam, e isto, não por ofensas de Deus, que no seu conceito são faltas ligeiras (e se é escrava, que aparece com o ventre crescido, muitas vezes se estima), mas por temporalidades insignificantes. Tenho visto escravos aleijados, de mãos e pés, outros com as costas, e lugares inferiores feitos em retalhos, efeitos de castigos; que custa a compreender que haja na humanidade monstros de crueza, que tal cheguem a praticar”.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A SANTIDADE DE FREI CAETANO BRANDÃO

Frei Caetano Brandão modelou o espírito dos Bracarenses com as suas obras apostólicas e com a sua dedicação aos pobres, ficando assim no imaginário popular como exemplo de santidade.
No século XIX, havia filas, de pessoas, orando junto do túmulo de Frei Caetano, na Sé de Braga. Presentemente, na Catedral de Braga, o culto religioso está mais voltado para a Senhora de Fátima, St.ª Maria Madalena, St.º António, o Sagrado Coração de Jesus, a Senhora do Leite e o altar do Santíssimo Sacramento, “ícones” incontornáveis da religiosidade local, não figurando nessas crenças e promessas nenhum dos “Santos da Catedral”, como S. Martinho de Dume, S. Frutuoso, S. Geraldo, S. Bartolomeu dos Mártires e Frei Caetano Brandão.
O Povo compara Frei Caetano Brandão ao grandioso D. Frei Bartolomeu dos Mártires, tais são as afinidades apostólicas das suas vidas e obras ao longo do governo da Sé. Nos «Fastos» de Monsenhor Augusto Ferreira pode ler-se: “D. Frei Caetano Brandão era dotado d´uma caridade imensa, pois não só dava tudo quanto era seu, mas ainda ia pedir pelas casas dos outros para os pobres». Pouco tempo depois da sua morte, o povo “(...) começou logo a fazer romagens à sua sepultura e a venerar com culto particular os seus retratos, especialmente o que está colocado na galeria do claustro do Hospital de S.Marcos”.
Este movimento de genuína peregrinação “natural” e “espontânea”, nunca foi potenciado e, naturalmente, dissipou-se com o tempo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

AS FARPAS E A CANONIZAÇÃO DE FREI CAETANO BRANDÃO

Em 1871, apareceram nas bancas de Lisboa uns opúsculos ostentando o título As Farpas, com o subtítulo Crónica Mensal da Política, das Letras e dos Costumes, assinadas por Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão (editadas segundo coordenação de Filomena Mónica, ed. Principia, 2004).
A páginas 345 lê-se: «Abriram-se as cortes gerais no dia 2 de Janeiro. Sua Majestade tomou assento na cadeira do trono, permitiu que os representantes do país se mandassem sentar e cumpriu o sacrossanto preceito da carta constitucional da monarquia, felicitando-se por se achar ainda mais uma vez entre os dignos pares do reino e senhores deputados da nação portuguesa.
O país não tem dinheiro; os espíritos não têm instrução; as estradas derretem; a frequência das escolas diminui; o movimento da roda dos expostos aumenta; a agricultura paralisa-se; as nossas possessões revoltam-se; na Covilhã fazem-se missões; no Porto celebram-se reuniões católicas; em Braga prepara-se a canonização de Frei Caetano Brandão (v. António Vicente da Cruz); em Lisboa fazem-se leilões e compram-se bilhetes de lotaria; os únicos livros que se publicam são almanaques; os jornais insultam-se; o parlamento boceja; a civilização dorme».

RAZÃO DE UM NOME

D. Frei Caetano Brandão é reconhecidamente um “príncipe humanista”.
O nome «Caetano» foi escolhido em referência ao presbítero Caetano de Thiene, conhecido na Igreja Católica como o santo da divina providência. Contemporâneo de Martinho Lutero, São Caetano nasceu em 1480. Fundador da Ordem dos Teatinos Regulares e responsável por significativas mudanças doutrinárias na Igreja Católica.
Frei Caetano Brandão, pois o seu nome de Baptismo era diferente, adoptaria o nome «Caetano» em virtude das acções e obras do Santo Religioso que faleceu em 7 de Agosto de 1547.
Não sendo a única instituição em Portugal com o nome de São Caetano, coincidindo na missão de acolher e educar crianças e jovens em risco, certamente o nome escolhido por D. Frei Caetano Brandão para o Colégio de S. Caetano deva, também, à sua admiração pelo grande zelo que S. Caetano (1480-1547) demonstrava pela educação em geral e particularmente pelos mais frágeis da sociedade, como são as crianças e os jovens. Ter como patrono este santo, lembra-nos quotidianamente o valor singular do ministério da educação da juventude.
Ambos se dedicaram ao apostolado entre os pobres e enfermos. Ambos construíram asilos, hospitais e casas de assistência para os pobres.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

REVISTA BRACARA AUGUSTA

Bracara Augusta, artigo meu

O Jornal Correio do Minho, de hoje, anuncia a publicação do n.º 108 da Revista Bracara Augusta, toda ela dedicada a Frei Caetano Brandão, onde se publica um artigo da nossa autoria, com 55 páginas,  intitulado «Intervenção sócio-educativa de D. Frei Caetano Brandão no Pará e em Braga, no contexto do século das luzes».

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

D. FREI CAETANO BRANDÃO E A MÚSICA

Belém do Pará, na segunda metade do século XVIII, já tinha uma vida musical intensa, incluindo a ópera. Desde os Coros Infantis (Colares, Soure e Pará), desde a música no seio familiar (Vigia e Para), desde os grupos vocais e instrumentais (como o de João de Morais de Cametá), desde a utilização do canto com letras latinas, portuguesas ou espanholas.
À semelhança do que ocorria nas cidades, nas fazendas do interior e nos engenhos formaram-se várias bandas de música com escravos, que tocavam charamelas, trompas, Caixas e outros instrumentos de então que, geralmente, animavam as festas religiosas.
Frei Caetano divulgou esta arte pelas vilas, bairros, lugares e freguesias da Amazónia, criando as estruturas necessárias para o estudo e a prática musicais. Levou para o Pará um conjunto de partituras dos melhores autores musicais, da época, recolhidas no Patriarcado de Lisboa.
Também deverá ter levado de Lisboa, partituras de algumas óperas, nomeadamente, Ézio em Roma e Zenobia, representadas no teatro do Pará.
Divulgou, igualmente, a prática musical entre os negros, chegando a cantar motetes, ofícios e outras modas com tanta doçura e graça que o prelado não conseguia conter as lágrimas. Gostou muito de ouvir duas pretinhas que faziam uma admirável consonância de primeira e segunda voz e os escravos cantarem o Bendito Sejais.
Em Braga, a sua paixão pela música está descrita no nosso livro O Colégio de S. Caetano, Instituição Bracarense, 1791-1998.

sábado, 14 de novembro de 2009

FREI CAETANO BRANDÃO E O MOSTEIRO DE VILA NOVA DE MUÍA

O Mosteiro Românico de Vila Nova de Muía, em Ponte da Barca, dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho ou monges Crúzios, é pertença de duas antigas confrarias, de S. Sebastião e da Senhora do Rosário.
Relativamente à Irmandade da Senhora do Rosário sublinhamos um Estatuto datado de 20 de Outubro de 1792, do Arcebispo de Braga D. Frei Caetano Brandão, passado pelo Arcediago de Olivença na Sé Primaz, Desembargador e Provisor da Corte e Arcebispado de Braga Doutor Pedro Paulo de Barros Pereira.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

GENOVESI E FREI CAETANO BRANDÃO

Os primeiros textos portugueses onde é notória uma influência das ideias económicas de Genovesi datam da década oitenta do século XVIII.
Uma das primeiras referências que encontramos é de Frei Caetano Brandão, a propósito da usura e juro do dinheiro. Estranha o futuro arcebispo de Braga que Genovesi, enquanto autor católico de invulgar categoria, defenda a legitimidade dos juros, recorrendo às leis da natureza para a justificar ( « Um António Genuense, espirito vasto, e sublime, o qual se esforça em desentranhar esta opinião das raízes da mesma natureza». BNL, Cód. 6321, fl. 127-134v - Parecer a respeito dos juros, dado pelo ExmºSnr. D. Frei Caetano Brandão, qdº era ainda religioso(...). Copiado tudo no nano de 1806, fl. 127V.). («A difusão das ideias económicas de António Genovesi em Portugal», texto publicado in Cultura. Revista de História e Teoria das Ideias, Lisboa, 1999, Vol. XI, pp.553-576, Francisco António Lourenço Vaz).

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A PARENÉTICA EM FREI CAETANO BRANDÃO

A arte de pregar, em Portugal, encontrou eco em muitos oradores sagrados que, em seu tempo, notabilizaram o púlpito cristão em manifestações da retórica sagrada com fins de catequese, convencimento e doutrina.
No século XIII, destacam-na S. António de Lisboa, S. Gonçalo de Amarante e D. João Afonso de Azambuja.
No século XVI, com o advento do Concílio de Trento, florescem pregadores como Frei João Soares, Diogo de Paiva de Andrade, Frei João de Leite, Frei Filipe de Luz, Frei Tomás da Veiga, Francisco Fernandes Galvão e Frei Bartolomeu dos Mártires, o padre Tomás da Costa, pregador de D. João III, Frei Amador Arrais, pregador de D. Sebastião e o padre José Luís Álvares, pregador libertário contra a dominação filipina.
Entre os séculos XVII e XVIII, o padre Manuel Bernardes, os padres António de Sá, Manuel Caetano de Sousa, Bartolomeu de Quental, Francisco de Mendonça e outros.
No século XVIII os nomes que pontificam são os de Rafael Bluteau, Francisco António Rodrigues de Azevedo e os frades Alexandre do Espírito Santo Palhares, Frei Caetano Brandão, Francisco de São Carlos e Joaquim de Santa Clara Brandão.
O século XIX marca a assunção da tribuna política do púlpito, por exigência de uma época sacudida por novos regimes constitucionais e parlamentaristas. Destacam-se como oradores Silveira Malhão, António Cândido, Aires Gouveia, Manuel Eduardo da Mota Veiga, Francisco José Patrício, D. Augusto Eduardo Nunes e Santo Farinha.
Na ausência de parlamento e imprensa, o púlpito transformou-se no espaço de ressonância para veicular denúncias e desmascarar injustiças.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

FREI CAETANO BRANDÃO E A VIAGEM FILOSÓFICA

A Viagem Philosophica de Alexandre Rodrigues Ferreira (1783-1792) visava descrever o meio físico e os habitantes, bem como delinear projectos para lançar as bases de uma colonização durável e próspera.
Alexandre R. Ferreira chegou a Belém do Pará em 1783, juntamente com o novo Capitão-General do Estado do Grão-Pará, Martinho de Sousa e Albuquerque (1783-1790) e com o novo bispo de Belém do Pará D. Frei Caetano Brandão (1783-1789).
Faziam parte do grudo de Alexandre Rodrigues Ferreira os desenhadores José Joaquim Freire e Joaquim José Codina e o jardineiro-botânico Agostinho Joaquim do Cabo.
As instruções que receberam determinavam: o reconhecimento da colonização portuguesa na Amazónia; um inventário da «produção natural» da região; a reunião de colecções de história natural para o Real Museu e o Jardim Botânico da Ajuda.
Ao fim de nove anos, A. R. Ferreira havia conseguido coleccionar centenas de espécimes animais e vegetais, produzir dezenas de memória de cunho geográfico, histórico, económico, etnológico, botânico e zoológico.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A APANHA DE ALGAS ENTRE O MINHO E O DOURO

A apanha de algas, entre o Minho e o Douro, foi, durante a Idade Média até meados do século XX, uma actividade económica e socialmente importantíssima. Vários forais de diferentes localidades cristalizam esta actividade no passado.
Sobre apanha do Sargaço, salientemos a intervenção episcopal de D. Gaspar de Bragança, em 1780, na freguesia de Navais e posteriormente de D. Frei Caetano Brandão, em 1799, que determina o seguinte: «prohibimos a todos os moradores das freguesias circunvizinhas à praya do mar, principiando em Villa do Conde athe Vianna o uso de semilhante trabalho nos Domingos, e dias santos de guarda à excepção contudo daquellas ocasiões onde costuma sahir maior abundância d’argaço, e que na fraze popular se chamão grandes mariadas» (ADB, Livro dos Capítulos, 1743 a 1830).

CAPELA DE NOSSA SENHORA DA LAPA

D. Frei Caetano Brandão quando visitou a Capela de N.ª Sr.ª da Lapa, em Vila do Conde, considerou-a um templo riquíssimo pela arquitectura e tão decente no seu interior que lhe concedeu licença perpétua para nele se expor o Santíssimo Sacramento (in Em redor dos milagres da Senhora da Lapa, Vila do Conde, sécs. XVIII-XIX, Agostinho Araújo).

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

ANIVERSÁRIO DE FREI CAETANO BRANDÃO

Faz hoje 269 anos que nasceu o Pai dos Pobres, em 11 de Setembro de 1740, na freguesia de Loureiro, Oliveira de Azeméis.
Tornou-se franciscano da Província da Ordem Terceira Regular; Professor no Colégio de S. Pedro, em Coimbra; ensinou Filosofia no Colégio do Espírito Santo, em Évora; Bispo de Belém do Pará; Arcebispo de Braga.
Fundou um Hospital em Belém do Pará, colégios para meninos e meninas pobres, escreveu uma vasta obra religiosa e pedagógica.
É o Patrono do Estabelecimento de Ensino onde lecciono.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

JOSÉ MONTEIRO DE NORONHA

D. Frei Caetano Brandão parte para Belém do Pará, em Agosto de 1783 e chega à sede do seu bispado em 21 de Outubro.
Imediatamente a seguir, a 28 de Outubro de 1783, nomeia, como Vigário Geral da diocese, o Arcipreste Dr. José Monteiro de Noronha. No dia seguinte toma posse por procuração na pessoa de seu Vigário Geral.
José Monteiro de Noronha aparece, em 1768, como autor da obra Roteiro da Viagem da Cidade do Pará até às Últimas Colónias do Sertão da Província. Estudou no Colégio de Santo Alexandre. Dedicou-se à Advocacia. Foi Vereador na Câmara e ocupou grandes cargos no poder judiciário do Pará. Em 1754 enviuvou. Este facto levaria-o a abraçar a Vida Religiosa no Clero Secular.
Foi, igualmente, orador eloquente. Faleceu a 15 de Abril de 1794.

sábado, 16 de maio de 2009

FREI CAETANO BRANDÃO EM BELÉM DO PARÁ

Frei Caetano Brandao no Para-Frei Caetano Brandão ria-se daqueles que pensavam que para um bispo ser admirado pelo povo precisava de ter sedas, pratas, ricos adornos e outras ostentações de vaidade. A seguir acrescentava, aqui estou eu, sem nada disso, no entanto, tenho ganho a estima do povo.
Sem dúvida, que foi tal a admiração popular que lhe ergueu um grandioso monumento no Largo da Sé, em Belém do Pará. Nesse monumento pode ler-se a seguinte inscrição: «À memória de D. Frei Caetano Brandão. O Município de Belém. 1900».

FRESCO DE PINTOR BRACARENSE

Israel Macedo nasceu em 1916 e faleceu, este ano, com 92 anos em Lisboa. Segundo informação que colhemos junto de uma colega Rosa Sarmento haverá muito pouca informação deste pintor. É conhecida uma fotografia do pintor junto de colegas de Belas Artes Júlio Resende, Pomar e Nadir Afonso.DSC05361

Existe numa loja comercial da cidade, no número 734 da Avenida da Liberdade, outrora dependência do extinto jornal diário O Comércio do Porto, actualmente Sapataria Moda Nova, um fresco da sua autoria, datado de 1945. No fresco são visíveis a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo, pois esta obra teria sido encomendada para a «Sapataria Paris», também, desaparecida.

domingo, 1 de março de 2009

BRAGA E FREI CAETANO BRANDÃO – UMA RELAÇÃO SEMPRE EM BRASA

As relações nem sempre foram as melhores. Os interesses das diferentes classes eram absolutamente divergentes, pelo que os Beneficiados pela sorte não lhe tornaram a vida fácil.
Numa carta dirigida ao Tribunal da Relação, datada de 22 de Novembro de 1789, Frei Caetano refere-se a Braga nestes termos: «Bem sabe Elle quanto he a minha insuficiencia para suster o pezo e manejar as rodas de hua maquina tão complicada e que incomparavelmente mais que o condutor do povo hebreu, eu tinha necessidade de hum congresso de homens sizudos e illustrados que unidos comigo em hum mesmo espirito contribuissem a facilitar-me o desempenho deste critico ministerio. Não duvidem Vossas merces que se a gloria de Braga dependesse somente de meus desejos e das minhas intençoens, nada seria mais bem fundado que a lisonjeira esperança que todos se prometem na presente translação, mas em fim são desejos descarnados de eficacia e por isso talves athe agora infrutiferos» (Inácio J. Peixoto, Memórias, Manuscrito do ADB-UM).
As quezílias entre Frei Caetano e a mitra (corpo capitular) renasceram, pois estes não perdoam a perda dos seus príncipes, a falta do perfume da corte e a extinção do senhorio. A mitra não se resignava com a perda do poder temporal dos prelados, nem com a pobreza evangélica e o afã catequético imprimidos pelo arcebispo: «este prelado veio despertar Braga do letargo em que jazia (...) (pois) não sabia muito que cousa era um pastor verdadeiramente bispo. Conhecia príncipes na verdade magníficos e benignos que queriam o bem, mas não se resolviam a segui-lo» ( Inácio J. Peixoto, Memórias, Manuscrito do ADB, cf. Memórias particulares de Inácio José Peixoto, Coord. de Viriato José Capela, Braga, ADB, 1992, p.115).
Frei Caetano chegou a preferir a cela monacal ao Paço de Braga. Por isso desfiou, muitas vezes, o rosário do seu inferno privado, não obstante a sua acção como reformador social ecoar junto às portas do paraíso.
Comparou o seu múnus pastoral em Braga com o Pará, deixando transpirar algumas dificuldades: «Eu que me queixava do Pará, mas em comparação de Braga fica a perder de vista, é a cabeça a andar sempre em urgir de negócios, vendo como há-de dar providência a todos, porque todos a reclamam à porfia»…
A cidade (Braga), sempre de ferro em brasa, era uma máquina complicadíssima, que nem andava, nem deixava andar, como rodas sempre a desconjuntar-se. Vai compor-se uma roda, desanda outra: é estar sempre em contínua fadiga e sobretudo como quem tem o garrote na garganta.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

D. FREITAS HONORATO IMITADOR DE FREI CAETANO BRANDÃO

O Arcebispo de Braga D. António José de Freitas Honorato, investido na cátedra bracarense em 1883 e sucessor de D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa, faleceu em 28 de Dezembro de 1898.
Registamos a sua intenção manifestada em testamento. O finado arcebispo solicitou que o sepultassem na Capela da Sr.ª da Piedade, nos claustros da Sé Catedral de Braga, onde jazem os arcebispos D. Frei Caetano Brandão e D. Diogo de Sousa.
Lemos na Gazeta das Aldeias de 1 de Janeiro de 1899 e 8 do mesmo mês, que houve problemas porque à vontade do extinto se opunham disposições legais pelo que teve de ser o governo a intervir. Acabou por prevalecer a vontade do arcebispo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

RAMALHO ORTIGÃO E FREI CAETANO BRANDÃO


José Duarte Ramalho Ortigão (na foto) foi escritor, jornalista, polemista, bibliotecário da Biblioteca da Ajuda e Oficial da Secretaria da Academia Real das Ciências.
Natural do Porto, frequentou o curso de Direito de Coimbra e foi professor no Colégio da Lapa, dirigido pelo pai, onde teve como aluno Eça de Queirós.
Envolve-se na «Questão Coimbrã», juntou-se aos jovens da geração de 70 e é autor das famosas «Farpas».
O insuspeito e anti-clerical Ramalho Ortigão numa carta dirigida a João do Amaral exprime-se assim em relação a Frei Caetano Brandão:
«A obra liberal de 1834 – convém nunca o perder de vista – foi inteiramente semelhante à obra republicana de 1910. Nos homens dessas duas invasões é idêntico o espírito de violência, de anarquismo e de extorsão. Dá-se todavia entre uns e outros uma considerável diferença de capacidade…
Tinham tido por mestres ou por companheiros de estudo homens tais como Anatónio Caetano de Sousa, o autor da História Genealógica; Barbosa Machado, o autor da Biblioteca Lusitana; Bluteau e os colaboradores do seu Vocabulário; Santa Rosa Viterbo, o autor do Elucidário; João Pedro Ribeiro, o admirável erudito iniciador dos altos estudos da nossa história e precursor de Herculano; António Caetano do Amaral, o infatigável investigador da História da Lusitânia; D. Frei Caetano Brandão, seguramente o mais elevado espírito e a mais formosa alma que deitou o século XVIII em Portugal; o padre Cenáculo, o mais prodigioso semeador de bibliotecas; o padre António Pereira de Figueiredo, o autor do famoso Método de Estudar; Félix de Avelar Brotero, o insigne naturalista; o polígrafo abade Correia da Serra, e outros que não menciono porque teria de reproduzir um copioso catálogo se quisesse dar mais completa ideia do que foi a cultura portuguesa nessa fase da nossa evolução literária.»