sábado, 23 de fevereiro de 2008

TEATRO EM TIBÃES

CENTRO DE CULTURA RECREIO E TEATRO DA CASA DO POVO DE MIRE DE TIBÃES
Sempre conhecemos, tanto no passado como no presente, as mais diversas associações que se dedicaram à cultura, ao social e ao desporto.
Em 1970, criamos o Centro de Cultura Recreio e Teatro da Casa do Povo de Mire de Tibães, conhecido pelas siglas CCRTT.
Tudo nasceu da necessidade de arranjar dinheiro para as festividades do Cerco do ano de 1970, por proposta da comissão de festas desse ano, na pessoa do Sr. Manuel Dias. Reunimos um conjunto de jovens (José Carlos Peixoto, Manuel Raul, António Capa, António Gonçalves, Glória Gonçalves, Maria Coelho, Teresa Fernandes, Deolinda Fernandes, Ana Araújo, Jasmim Peixoto), na segunda feira de Páscoa, junto ao cruzeiro e dessa reunião nasceu a ideia de criar um grupo de teatro e de promover rapidamente um espectáculo de promoção, com base numa passagem de modelos e sketchs humorísticos. Dado o sucesso da iniciativa, estava dado o primeiro passo para a criação do CCRTT.
Os sócios deste centro eram, na sua generalidade, adolescentes que procuraram no teatro uma forma de convívio e de divulgação na região,o seu interesse por esta forma de animação artística, o Teatro.
Na sua curta duração, ainda foi possível ensaiar e levar à cena várias peças de teatro: «A Morte da Marreca», «Luz que não se apaga», «Dois casamentos à pressa», «Bêbado», «Vigésimo» e «Tribunal».
Foram muitos os espectáculos dados, tanto na Casa do Povo de Mire de Tibães, como em outras localidades do concelho: em 9 de Agosto de 1970, em Mire de Tibães; em 13 de Setembro de 1970, na Pousa; em 3 de Janeiro de 1971, em Mire de Tibães; em 25 de Abril de 1971, em Trandeiras; em 1 de Maio de 1971, em Sequeira; em 23 de Maio de 1971, em Arentim; em 5 de Junho de 1971, em Sequeira; em 20 de Junho de 1971, em S. Mamede de Este.
Todos os jovens, pertencentes ao centro, preenchiam uma ficha de inscrição, a qual era actualizada constantemente, com os espectáculos em que participou, bem como o personagem que representou.
A vida militar da maioria dos jovens e a sua saída para combater nas colónias, talvez tenha sido a razão principal da curta duração deste grupo de teatro.

TEATRO EM TIBÃES

CENTRO DE CULTURA E RECREIO E TEATRO DA CASA DO POVO DE MIRE DE TIBÃES
Sempre conhecemos, tanto no passado como no presente, as mais diversas associações que se dedicaram à cultura, ao social e ao desporto.
Em 1970, criamos o Centro de Cultura Recreio e Teatro da Casa do Povo de Mire de Tibães, conhecido pelas siglas CCRTT.
Tudo nasceu da necessidade de arranjar dinheiro para as festividades do Cerco do ano de 1970, por proposta da comissão de festas desse ano, na pessoa do Sr. Manuel Dias. Reunimos um conjunto de jovens (José Carlos Peixoto, Manuel Raul, António Capa, António Gonçalves, Glória Gonçalves, Maria Coelho, Teresa Fernandes, Deolinda Fernandes, Ana Araújo, Jasmim Peixoto), na segunda feira de Páscoa, junto ao cruzeiro e dessa reunião nasceu a ideia de criar um grupo de teatro e de promover rapidamente um espectáculo de promoção, com base numa passagem de modelos e sketchs humorísticos. Dado o sucesso da iniciativa, estava dado o primeiro passo para a criação do CCRTT.
Os sócios deste centro eram, na sua generalidade, adolescentes que procuraram no teatro uma forma de convívio e de divulgação na região,o seu interesse por esta forma de animação artística, o Teatro.
Na sua curta duração, ainda foi possível ensaiar e levar à cena várias peças de teatro: «A Morte da Marreca», «Luz que não se apaga», «Dois casamentos à pressa», «Bêbado», «Vigésimo» e «Tribunal».
Foram muitos os espectáculos dados, tanto na Casa do Povo de Mire de Tibães, como em outras localidades do concelho: em 9 de Agosto de 1970, em Mire de Tibães; em 13 de Setembro de 1970, na Pousa; em 3 de Janeiro de 1971, em Mire de Tibães; em 25 de Abril de 1971, em Trandeiras; em 1 de Maio de 1971, em Sequeira; em 23 de Maio de 1971, em Arentim; em 5 de Junho de 1971, em Sequeira; em 20 de Junho de 1971, em S. Mamede de Este.
Todos os jovens, pertencentes ao centro, preenchiam uma ficha de inscrição, a qual era actualizada constantemente, com os espectáculos em que participou, bem como o personagem que representou.
A vida militar da maioria dos jovens e a sua saída para combater nas colónias, talvez tenha sido a razão principal da curta duração deste grupo de teatro.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

HISTÓRIA SEM TEIAS

Artigo publicado na Revista Andarilho, n.º 30, pág. 7, 2008
Comemoramos em 8 de Novembro de 2007, o vigésimo quinto aniversário da EB 2/3 Frei Caetano Brandão.
O pensamento sábio do Padre António Vieira: «Palavras sem obras são tiros sem bala; entre nós teve outra versão : «palavras e obras em acção são trovões que ecoam».
Destas comemorações restam palavras: as comunicações /colóquios, as notícias, as mensagens, as intervenções.
Destas comemorações restam, igualmente, obras: um «spot» em lona, à entrada da escola; um filme sobre os 25 anos da escola; uma exposição fotográfica; um sarau de ginástica acrobática; um lanche e uma Tshirt para todos os alunos e professores; prémios aos alunos de excelência; uma brochura; uma medalha comemorativa; uma sessão solene; um concerto de cordas; homenagem aos funcionários e professores com 25 anos de carreira na escola; um jantar comemorativo; actuação do grupo «Os Sinos da Sé»; missa de acção de graças e de sufrágio pelos alunos, funcionários e professores falecidos.
Restam, também, sensações indescritíveis, momentos irrepetíveis e, fundamentalmente, ideias, para o futuro.
Ponto um, a criação de uma Associação de Antigos Alunos;
Ponto dois, a necessidade de abrir a escola à comunidade, de dar a conhecer e conservar, nos diversos formatos disponíveis, a sua história, o seu patrono.
Ponto três, a construção de uma escola com valores, onde se afirma a amizade e a solidariedade acima dos efémeros interesses passageiros, tudo isto sem receios, ou não tivéssemos um patrono que sempre enfrentava os problemas de frente: em dado passo, o Intendente Pina Manique aconselhou-o «cuidado com os padres franceses». Mas como, se o poder da convicção e a lógica do argumento eram intrínsecos a Frei Caetano Brandão?
Ponto quatro, que a tão propalada «Avaliação de Desempenho» não seja factor de instabilidade e degradação da união entre o corpo docente, mas uma forma de, em conjunto, ultrapassarmos as dificuldades individuais. Tudo deve acontecer desinteressadamente, em espírito de equipa e de colaboração.
Ponto cinco e último, sonhar com os próximos 25 anos, não para conjecturar como será, mas para começar a marcar o rumo dessa comemoração. A vida «nada mais é que o espaço entre dois sonhos, dizia William Sheakespeare. Como seria bom, onde trabalhar na escola, fosse um sonhar ininterrupto. Este é um convite, pois todos somos feitos da mesma matéria dos sonhos.
A mudança cultural responsabiliza-nos.
Só o empenho e o compromisso de todos permitirá que a Escola aconteça quotidianamente.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Tibães na TV - Cimeira Ibérica

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Festa de Nossa Senhora do Ó

Festa católica, de origem espanhola, é conhecida na liturgia com o nome de “Expectação do parto de Nossa Senhora”, e entre o povo com o título de “Nossa Senhora do Ó”.
Expectação do parto é o desejo inspirado e sobrenatural, pois foi escolhida para Mãe Virgem do Redentor dos Homens.
Esta festa, celebra-se a 18 de Dezembro e foi instituída no século VI pelo décimo concílio de Toledo. Ainda hoje é celebrada em vários locais da arquidiocese de Braga.
Desde tempos imemoráveis que o povo desta freguesia tem uma especial devoção a Nossa Senhora do «Ó» ou da Expectação, cuja imagem se venera na capela de Mire, que lhe é consagrada e celebra com muita dedicação empenho a festividade.
Esta festa tem lugar imediatamente a seguir à Páscoa, geralmente, em Maio.
Ao lembrar a Senhora-do-Ó tenho presente a figura do meu pai, Pintor e Dourador de Arte Sacra. Recordo o tempo em que meu pai procedia ao Douramento da Capela da Senhora do Ó e à pintura da Imagem da Senhora.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Rancho Folclórico de S. Martinho de Tibães



Rancho Folclórico de S. Martinho de Tibães nasce entre as velhas Paredes do Convento Beneditino de Tibães. A sua existência deve-se ao grupo de Teatro Tony e CA, cujas receitas dos espectáculos serviam para oferecer uma festa de Natal a todas as crianças da terra e não só, oferecendo diversão, brinquedos, chocolates, balões, etc.
Em 1981, este grupo ofereceu um programa de variedades muito completo e apreciado, não só pelas crianças, como também pelos seus familiares.
O entusiasmo desse dia levou a que se formasse o Grupo Folclórico de S. Martinho de Tibães, em 1982. Tem percorrido todo o país, e além fronteiras, actuando em grandes Festas, Romarias, Hotéis, Casamentos, Baptizados, levando sempre o sentido da genuinidade do povo do Baixo Minho.
Este Grupo mostra através dos trajes a cultura dos seus antepassados, apresentando os trajes da Ribeira, Vale Oeste, Vale do Cávado, à Rico, Domingueiro, do Campo. É um projecto de revitalização e sensibilização das gentes locais para a nossa cultura e tradição, contribuindo para o crescimento e preservação do património local e regional.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

ESCADÓRIO DAS VIRTUDES






A “Rua das Fontes” também é conhecida como «escadório das virtudes»: prudência, justiça, fortaleza, temperança, fé, esperança e caridade. A sua construção situa-se entre 1725 e 1734.
É um dos primeiros escadórios construídos no norte do país.
Representa uma alegoria tipicamente barroca, encenando a subida ao céu emprestando-lhe uma grande carga sensorial, jogando com os sentidos humanos como a visão, tacto, gosto, audição e olfacto.
É constituído por sete fontes trabalhadas e intercaladas por escadas e patamares, culminando na Capelinha de S. Bento.
Segundo John Bury, Late Baroque an Rococo in North Portugal, «Journal of the society of the architectural historians», Octubre 1956, vol. 15, n.º 3, pp. 10 e 11, o escadório dos cinco sentidos e respectiva escadaria de fontes do Bom Jesus do Monte ter-se-ia inspirado na escadaria do Mosteiro de Tibães.

A CERCA DO MOSTEIRO DE TIBÃES

A Cerca do Mosteiro de Tibães, com cerca de 40 hectares, localizada na encosta norte do Monte de S. Gens, é um espaço de importância fundamental para a compreensão do quotidiano monástico, delineado à luz da estética barroca.
A Cerca do Mosteiro estava intrinsecamente ligada à manutenção da comunidade religiosa beneditina. Deste espaço vinham os produtos necessários para a comunidade, os alimentos, a madeira, os moinhos, os engenhos, não deixando de ser um belo lugar de meditação e lazer. A vegetação abundante e variada, nomeadamente, de carvalho do norte, o carvalho negral, o sobreiro, azereiro, bordo, medronheiro, aveleira, pilriteiro, azevinho e amieiro negro, contribuíam, de certo modo, para o bem estar dos beneditinos.
No interior da cerca podemos admirar um lago elíptico (no sitio das Aveleiras (1795-1798) todo de cantaria em volta com cascata e bancos laterais. Era alimentado por quatro novas minas de água, que também alimentava um engenho de serra acabado de construir. Para drenar terrenos pantanosos, reduzindo-os a terrenos de cultivo, fizeram-se obras de hidráulica, modelaram-se socalcos e fizeram-se aterros, ADB FMC, Tibães, Livros do Depósito, 606), um escadório talhado no monte, a Capelinha de S. Bento (reformada em 1725, com o seu azulejo historiado, joanino; a pintura do tecto, com a balaustrada envolvendo nuvens, anjos, cartelas e plumas que envolvem a figura de S. Bento, o retábulo, infelizmente desaparecido, e as diversas imagens que a decoravam, tornavam esta capela uma pequena mas preciosa peça do barroco português), a Casa do Hortelão, as Fontes das Aveleiras, dos Tornos e do Pevidal, a Fonte de S. Beda (desconhecemos a sua localização primitiva. Em 1733, foi transferida para junto do local donde partia o escadório. Actualmente, esta fonte barroca embeleza os jardins do Museu Nogueira da Silva.
Quando nos dirigimos para a Cerca conventual, não podemos deixar de referir a construção da Fonte de S. Pedro, em 1727, que permitia aos monges observarem quer as hortas e pomares, quer o escadório, construído neste período em direcção à capela de S. Bento.
Os monges de S. Bento na sua forma de viver em consonância com a Natureza, souberam no século XVIII, associar o poder económico à estética barroca; implantaram eixos formados por sebes de buxo, muros, caminhos e ramadas, que direccionam o espaço para um ponto de água enquadrado por majestosa fonte ou tanque de pedra lavrada, ou então para a “rua das fontes”.
O Jardim da Cerca do Mosteiro de S. Martinho de Tibães, recebeu o Prémio Internacional Carlo Scarpa, atribuído pela Fundação Benetton Studi Ricerche. Este prémio, reconhece o mérito de uma década de trabalhos de manutenção e recuperação da Cerca e do Mosteiro de Tibães.
Progressivamente, ao longo dos séculos XVII e XVIII, a Cerca vai sendo arroteada, dando cumprimento a um projecto agrícola verdadeiramente notável. Reduzindo "muita terra dos muros adentro para se poder cultivar como está cultivada de tal maneira que forao semeados este ano cento e trinta alqueires de centeio fora o trigo e a cevada "( ADB., Fundo Monástico Conventual, Conv. e Most., Tibães, Livros do Depósito, 537); trazendo águas de dentro e fora da Cerca "com grande custo, para unir lameiras e rega de campos"( ADB., Fundo Monástico Conventual, Conv. e Most., Tibães, Livros do Depósito, 584) e fazendo-as circular por uma elaborada rede, de alcatruzes de barro, caleiros de pedra e canos de chumbo; secando pântanos; fazendo plantações intensivas de vinha, em latadas e em uveiras, de pomares, de olivais, de castanheiros, de sobreiros, de carvalhos e montando viveiros, prática verdadeiramente inovadora, para pomares e vinha; transformaram a Cerca numa importante fonte de riqueza, mas também num objecto de arte, subtil e delicadamente criado.
Nesta cerca encontramos uma harmonia perfeita entre o Homem e a Natureza, muito bem relatada pelos cronistas beneditinos: em 1728 sobre a transformação da Fonte do Pátio do Galo "por tal forma e arte que do pátio della se vêm,as ortas e pomares que se não viam dantes pelo que nella estava ser mto larga e tomar toda a vista"; em 1816 quando "abriu-se uma nova e larga Rua em direitura à Porta do Anjo, sustentada por um grande paredão e guarnecido pelos lados de úteis castanheiros e árvores de recreio: esta mesma Rua se continuou em volta de toda a Cerca junto ao Muro, plantando-se no lado oposto grandes quantidades de sobreiros e carvalhos em toda a sua grande extensão para o passeio dos Monges e Utilidade do Mosteiro ".
No fim do século XIX, a Cerca do Mosteiro de Tibães estava dividida em duas partes: uma pertencente à Ex.ma viúva do Sr. Comendador Manuel Joaquim Marques Murta, secretário geral do governo civil, vendida pouco tempo depois da expulsão dos frades por 2 contos de réis e a outra conjuntamente com uma grande parte do edifício pertencente ao Ex.mo Sr. Comendador José António Vieira Marques. Esta última parcela foi comprada pelo pai do comendador, o qual introduziu notáveis melhoramentos ( Correspondência do Norte, 14 de Julho de 1894.




Para quando o restauro do Órgão de Tubos de Tibães

O Órgão, construído pelo mestre organeiro Francisco António Solha, em 1784, é composto de um grande órgão, um realejo e, na fachada, 51 tubos flautados e 177 tubos de palhetas. É suportado por dois sátiros atlantes. A caixa de talha dourada foi desenhada por Frei José de Santo António Vilaça e executada pelos entalhadores Luís de Sousa Neves e João Bernardo da Silva.
Na parte superior avistamos as imagens das Três virtudes e no remate e na bacia de sustentação esculturas caricaturais.
Tem este órgão 2 teclados, mais de 1400 tubos de metal e grande número de registos, alguns de belo efeito, oboés, trombetas de batalhas, flautas transversais e napolitanas, pífaros.
Além do órgão principal um outro mais pequeno dentro de uma caixa, cujos tubos imitam os sons de rabecas, violoncelos e rabecões e sons longínquos ou ecos. Tem um bombo e um tambor muito afinado e na imitação do canto das aves.
Foi restaurado em 1889 pelo hábil organista Snr. Augusto Claro, por uma insignificante gratificação que lhe foi oferecida. Para esta restauração concorreram muitas pessoas com suas generosas esmolas («Órgão de Tibães», Commercio do Minho, 31/12/1889).
O majestoso órgão de Tibães encontra-se inutilizado pelos estragos causados pelo desuso e abandono.
Em 1998, o IPPAR lançou um concurso internacional para o restauro do Órgão, mas, segundo se diz, a obra não foi adjudicada à empresa vencedora alegando falta de idoneidade.
Entre os famosos fabricantes de órgãos de tubos, na cidade de Braga, conta-se o organeiro Lagonsinha, falecido em 1846, de nome Manuel de Sá Couto, residente junto da ponte de Lagonsinha ou Lagoncinha, na freguesia de Lousado, em Famalicão. Este fabricante de órgãos de tubos teve como mestre um frade do Convento de Tibães. A ele é atribuído o órgão do Bom Jesus, o da Igreja do Hospital de S. Marcos, que era do coreto da Capela Mor do Convento de Tibães, o da Igreja de S. Victor, o da Igreja da Lapa (Arcada), o da Igreja de Maximinos e o da Senhora-a-Branca.
Cheguei a tocar neste órgão, acompanhado pelo grupo coral, nas novenas do Menino Jesus, na Missa de Natal, na Festa do «Cerco». Não espero vir novamente a tocar nesse órgão, mas espero, ansiosamente, que o restauro esteja para breve, para que os seus sons ecoem no vasto templo da nossa freguesia.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

MULHERES EM MOVIMENTO NO CARNAVAL

Não existe uma tradição de Carnaval em Tibães.
Episodicamente, alguns grupos têm organizado alguns desfiles, que não passam de uma desorganizada exteriorização de sentimentos, um passatempo sem qualquer significado, um aglomerado de fantasias sem grande criatividade. No entanto, pode divertir, momentaneamente, a quem eles assiste.
Nos últimos anos, as Mulheres em Movimento, no âmbito de congregar os conterrâneos para as suas causas nobres, de assistência social e solidariedade, têm organizado alguns desfiles carnavalescos. Este ano, o desfile de carnaval terá lugar no dia 5 de Março, com início em Ruães pelas 15.00hs, dirigindo-se, em seguida, para a Rotunda de Seixido. O tema é o futebol. Este grupo simpático, trabalhador, criativo, de Mulheres em Movimento convidam todas as pessoas a participar, revelando os seus dotes artísticos aliados ao humor característico da quadra.
Esta festa popular tem algum significado, mais pelo feriado de terça-feira, pelos bailes de carnaval dispersos pela região e pela gastronomia típica da época (orelheira, cozido à portuguesa, enchidos), um pouco de festejo profano antes do período da quaresma, uma despedida à carne (carne+vale).

domingo, 27 de janeiro de 2008

CULTO DA MEMÓRIA - 2.º CENTENÁRIO DA MORTE DE FREI CAETANO BRANDÃO

No rescaldo das comemorações do bicentenário da morte de D. Frei Caetano Brandão, publicamos no Jornal Passo a Passo da Escola Profissional de Braga, Ano XIII, n.º 32, de 27 de Janeiro de 2006, inserto do Correio do Minho, o artigo «Culto da Memória, 2.º centenário da Morte de Frei Caetano Brandão».

sábado, 26 de janeiro de 2008

O JORNAL DA PARÓQUIA




Muitas freguesias têm um jornal, em regra, dirigido pelo Pároco, que se constituem como uma forma de comunicação entre os seus paroquianos.
Melhores ou piores, antigos ou recentes, com mais qualidade e apresentação ou simples folha A4 fotocopiada, são um instrumento ao serviço da Igreja, pois bem precisa, no tempo em que os mass-media possuem um poder avassalador.
A freguesia de Mire de Tibães também possui um Jornal da Paróquia «Os Sinos de Tibães», simples, sem grandes pretensões e distribuído na eucaristia dominical, apresentado num formato A4.
A aprtir de 1933, esta freguesia passou a ter um Boletim «A Vida Paroquial» de grande prestígio e divulgação, que, curiosamente, era também visado pela comissão de censura.
Era uma publicação mensal, editada nas oficinas gráficas da PAX e, em média, tinha 24 páginas.
Foi seu Director D. António Coelho, que fazia desta revista, também, o órgão oficial da «Opus Dei». Apresenta um carácter informativo, mas, maioritariamente, apresentava muitos artigos que visavam a formação dos seus leitores.





TOPONÍMIA DE TIBÃES


A freguesia de Mire de Tibães apresenta uma iconografia mais parecida com um rectângulo. É bastante alongada em comprimento e estreita em largura, com cerca de 5,07 km2 de área.


No passado os moradores conheciam-se por pertencerem a este ou àquele lugar, presentemente, as suas moradas reportam-se ao número da porta e nome da rua, devido, com certeza ao crescimento imobiliário, bem como ao aparecimento de loteamentos, urbanizações e bairros.


A Junta de Freguesia, para maior comodidade e facilidade, desenvolveu um Mapa das Ruas de Mire de Tibães, que, agora, apresentamos.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

TVI TRANSMITE EUCARISTIA DOMINICAL

A TVI transmitiu, no dia 20-01-2008, a missa dominical das 11 horas da freguesia, directamente do Mosteiro de S. Martinho de Tibães.
Em dia de S. Sebastião, Santo muito querido na freguesia, a TVI deu voz ao pulsar da população.
Foi uma oportunidade para ouvir o excelente Grupo Coral que solenizou a eucaristia.
No final, em directo dos claustros, a TVI transmitiu o programa «Oitavo Dia», coordenado pelo Cónego António Rego, que divulgou um pouco da cultura da freguesia, concretamente, através da exibição do Rancho Folclórico de S. Martinho de Tibães.

sábado, 19 de janeiro de 2008

REVISITAR O SÉCULO XIX



Os Directores das Turmas 1 e 2 do 6.º ano de escolaridade, organizaram, no âmbito da disciplina de História e Geografia de Portugal, uma visita de estudo, subordinada ao tema «a segunda metade do século XIX».
Esta actividade teve lugar no dia 18 de Janeiro, com o seguinte programa:
- Viagem de comboio, Braga – Porto;
- Viagem de autocarro dos STCP do Porto;
- Visita ao Museu Romântico da Quinta da Macieirinha com projecção de slydes sobre «o século XIX no Porto»;
- Visita à Exposição Leonardo da Vinci no Pavilhão Rosa Mota.

sábado, 12 de janeiro de 2008

BRAGA NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

CIMEIRA LUSO ESPANHOLA EM TIBÃES

Sócrates e Zapatero juntos em Braga, nos dias 18 e 19, na 23.ª cimeira realizada entre os dois países.
Os dois dias de Cimeira Luso Espanhola terão lugar no Mosteiro de Tibães de Braga, monumento nacional que tem sido alvo de intervenções de recuperação ao longo dos últimos anos.
"Esta cimeira vai decorrer numa momento de excelentes relações entre Portugal e Espanha". Irão assistir à apresentação do projecto do Laboratório Internacional de Nanotecnologia, sedeado em Braga e discutir temas de carácter bilateral como os projectos rodo-ferroviários entre os dois países, questões relacionados com a energia, energias renováveis, alterações climáticas, recursos hídricos, controlo de fronteiras e combate à imigração clandestina.
Espera ainda que os dois governos ibéricos discutam políticas de cooperação nas áreas da saúde, segurança social e educação.

O BOM JESUS DO MONTE NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

ROBERT SMITH EM TIBÃES

Conheci Robert Smith quando andava na antiga quarta classe. Um dia, quando brincava junto ao Mosteiro de Tibães, abordou-me no sentido de o acompanhar para carregar a sua pesada máquina fotográfica (com um grande fole e um pesado tripé). Durante vários dias, nas férias, acompanhei aquela figura simples, alta e magra. Lembro-me de algumas imagens que se encontram nos seus livros, serem tiradas, nomeadamente, o figurado da sacristia, pois, naquele dia começamos bem cedo a trabalhar para apanhar o sol que entrava pelas janelas voltadas para o Sameiro. No fim do dia era bastante generoso, oferecendo-me algumas moedas. Só o viria a encontrar, alguns anos depois, no Salão Nobre da Biblioteca Pública, por ocasião de uma conferência que produziu sobre Tibães. Lembro-me de ter referido que Tibães «era o museu do barroco em Braga».
Robert Chester Smith (1912-1975), norte-americano, da Universidade da Pensilvânia, foi um dos pioneiros da história da arte. A sua vastíssima obra, explora e documenta o património artístico e arquitectónico de Portugal e do Brasil. Os seus estudos abrangem vários géneros, da arquitectura à talha e azulejo.
Em 20 de Novembro de 1973, Robert Smith viria a ser condecorado com a medalha de mérito em ouro.
Indicamos, de seguida, uma pequeníssima amostra de toda a sua obra e vasta bibliografia: The art of Portugal, 1500-1800. London, 1968; A talha em Portugal, Lisboa, Horizonte, 1962; André Soares: arquitecto do Minho. Lisboa, Horizonte, 1973; Frei Cipriano da Cruz: Escultor de Tibães. Porto, Livraria Civilização, 1968;Frei José de Santo António Ferreira Vilaça. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1972. 2 vol.; As grades de Tibães e a sua prol. “Belas Artes”, Lisboa, 2ª série, 28-29, 1975, p. 17-44; Marceliano de Araújo escultor bracarense. Porto, Nelita Ed., 1970. Inclui um capítulo sobre a capela das Almas, em Mazagão; Três estudos bracarenses. Braga, Liv. Cruz, 1972. Inclui um estudo sobre a talha da capela mor do Bom Jesus do Monte.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

TIBÃES – EXPULSÃO DAS ORDENS RELIGIOSAS



O decreto de José da Silva Carvalho, de 5 de Agosto de 1833, viria a atingir em cheio o Mosteiro de Tibães, pois suprimia os «Conventos, mosteiros, casas religiosas e hospícios com menos de doze indivíduos professos».
Um decreto assinado por D. Pedro IV e Joaquim António de Aguiar, em 28 de Maio de 1834, conhecido por «Mata-Frades», os monges e todos os religiosos foram banidos de Portugal e tornaram-se «egressos» dos mosteiros, ou indo residir para casas de familiares ou incorporando-se nos serviços pastorais da diocese.
De nada valeu o depoimento de Francisco José do Carmo Ferreira, defendendo para a população a vantagem da conservação deste mosteiro por causa da utilidade da escola, da botica e da paróquia.
O Mosteiro de Tibães, cabeça da Congregação Beneditina, o «Monte Cassino» de Portugal foi vendido ao desbarato.
Com a extinção das Ordens Religiosas, o mosteiro é encerrado em 1833/1834 e os seus bens inventariados e vendidos. A igreja, a sacristia, o claustro do cemitério e uma parte do edifício e da cerca (passal) ficam em uso paroquial. A cerca conventual (1838) e o edificado monástico (1864) passam para mãos particulares após venda em hasta pública. O Defensor do Catholicismo de 2 de Abri de 1864 publicita esse mesmo projecto de venda.
Por portaria, de 20 de Junho de 1834, a Igreja é autonomizada e confiada às autoridades religiosas para servir de paróquia «uso que hoje se mantém e se articula com a sua fruição cultural». Ou seja, a Igreja do Mosteiro, com a sua bela talha barroca, tornou-se a matriz de Mire de Tibães.
As remissões e vendas de foros são a resultante de toda a política de então. Nesta data, foram avaliados, pelos louvados fazendeiros Manuel José Gomes e José Fernandes, segundo o «valor do actual estado dos géneros» pelo montante anual de 2.381#268 rs os foros, desse ano e foram arrematados em hasta pública, em 28 de Julho de 1834, nos Paços do Concelho da Cidade de Braga, pelo valor de 3.000#000 (três contos de reis). Foi arrematante Pedro José da Silva Ferreira da Cidade do Porto que apresentou abonados e fiados. Os pagamentos, metade em metal, metade em papel, teriam de ser feitos à fazenda pública pelo Natal e Páscoa.
Os foros arrematados diziam respeito, para além de uma quantia em dinheiro 126#040 rs; a géneros cerealíferos (segunda, trigo e cevada branca); à palha (painço, milho e trigo); ao vinho, animais mortos ou vivos (desde o «marran» ao leitão, carneiro, cabrito, galinha, frango, cepões e perdizes; ao feijão; aos alhos; ao linho e a serviços (geiras).
A existência de 370 geiras e meia (1 dia de trabalho gratuito imposto aos camponeses em actividades agrícolas directas ou noutras tarefas nas terras do mosteiro ) denota a sobrevivência, das relações de dependência servil e adscritícia (Torre do Tombo, Arq. Hist. do Min. das Fin., Lei de 30/5/1834, inv. n.º 393, Tibães).
Que lucra o Governo em vender o Convento de Tibães? A esta pergunta havemos de responder, logo que soubermos que se efectuou a venda, o modo como e por quanto (O Defensor do Catolicismo, 2/4/1864, 6/4/1864, 20/4/1864).
Em 1864 o estado entregaria, em hasta pública, este cenário de alta beleza a mãos particulares.
Quem conservaria um imóvel de tais dimensões e uma cerca de quarenta hectares, pelo que a ruína e o abandono aí se instalaram.
No entanto, o Mosteiro de Tibães com sua cerca foi vendido definitivamente em 13 de Junho de 1864, em hasta pública a António de Moura Monteiro pela verba insignificante de 3.605#000 rs, após terem sido dispersos os seus bens culturais (museu, pinacoteca, biblioteca, objectos preciosos, alfaias litúrgicas e outro recheio móvel).
Por morte de António de Moura Monteiro, o mosteiro passou para António Inácio Marques. Por falecimento deste, o mosteiro passou para seu filho José António Vieira Marques e, mais tarde, para seus netos José António Monteiro Vieira Marques e Maria Amália Monteiro Marques de Pádua.
O Decreto nº 33587, de 27 de Março de 1944, classifica como imóvel de interesse público, o conjunto formado pela Igreja e Mosteiro de Tibães, magnífico exemplar de arquitectura monástica de setecentos com as fontes e construções arquitectónicas da respectiva quinta.
Em 19 de Agosto de 1986, o Estado adquire o imóvel por cento e dez mil contos e é afecto ao Instituto Português do Património Cultural em 1987 em avançado estado de degradação.
Em 1990 foi criado o Museu do Mosteiro de S. Martinho de Tibães, estrutura como garante da conservação e preservação da memória histórica. O Mosteiro de Tibães mantendo a sua função religiosa, começa a surgir no presente como um espaço cultural. Ressurgindo do abandono de anos, começa a cumprir no presente, a sua função do passado: um espaço cultural, uma “escola”, um veículo de difusão estilística.

O COUTO DE TIBÃES (1)

No Boletim da Biblioteca e Arquivo Distrital de Braga, II volume, pág। 16, lê-se a transcrição de um documento que diz «…o pequeno Couto de Tibães, (foi) doado aos Monges Beneditinos pelo Conde Dom Henrique e Dona Teresa em 24 de Março de 1110 …», «por amor de Deus e de Pedro Pais (Escacha) e Paio Pais, filhos de Dom Payo Guterres da Sylva que sempre nos sérvio com grande sayisfação».
Este facto significa que o Mosteiro e a sua terra coutada fica imune, ou seja, o senhorio é exclusivo dos Monges de S. Bento. A existência de um couto trazia um conjunto de benefícios:
- Os limites do couto, definidos por marcos de pedra, pela orografia e linhas de água, impediam a entrada dos funcionários régios (juízes, meirinhos e mordomos);
- os seus moradores estavam isentos de cumprir serviço militar no exército do rei;
- os moradores estavam isentos de pagar multas ou imposto braçal ou pecuniário ao fisco;
- era de sua livre nomeação os juízes ordinários quer do cível, quer do crime e nomeavam, também, o capitão das ordenanças e demais funcionários do couto.
Quando os Cavaleiros da Reconquista aqui ergueram o seu cenóbio, os condes D. Teresa e D. Henrique, reconhecendo a sua importância, outorgaram-lhe a Carta de Couto aos 8 das Kalendas de Abril (25 de Março) da era de 1148 (ano de 1110). O Convento era detentor de grandes poderes, doações, senhor de bens e vastas propriedades, que se estendiam entre os Rios Cávado e o Minho. Os Pais do nosso primeiro rei coutaram o mosteiro e a sua cerca nestes termos: «Por amor de Deus e de D. Pedro Paes e Payo Paes, filhos de D. Payo Guterres, que sempre nos serviu com grande satisfação...».
D. Afonso Henriques confirmou essa concessão da carta de couto, em 1135, reunindo-lhe o Lugar de Donim, junto do Rio Ave, logo a seguir, uma vez que Mendo Bofino vendera, em 1161, por 25 maravediz as suas propriedades no Lugar da Estela, D. Afonso Henriques anexou ao Mosteiro de Tibães, na era de 1178 (ano de 1140) o Couto de Mendo ou de Santa Maria da Estela e, mais tarde, o antigo Couto de Vimieiro.
A partir de então o Mosteiro de Tibães, ou os seus monges, passaram a ter uma grande influência não só no seu couto como até em toda a zona do nascente Condado Portucalense, fomentando a agricultura e por arrastamento a revolução hidráulica com o aproveitamento da força da água dos rios e ribeiros, numerosos na região, que faziam movimentar as azenhas, serrações e lagares de azeite.
Com os rendimentos que passaram a obter, de certo que principiaram por restaurar as ruínas do antigo cenóbio visigótico que, talvez tivesse sido destruído não só pelas sevícias do tempo, como pelas invasões sarracenas, que em pleno século VIII tudo devastaram e levaram à sua frente.
Em 21 de Agosto de 1105, verifica-se uma permuta de terras entre D. Nuno, Abade de Tibães e S. Geraldo, Arcebispo de Braga e, em 1189 (ano de 1154) Pelágio Soares vendeu por 4 maravediz tudo o que possuía (uma quinta rural na Vila de Palmeira).
Pelas inquirições de D. Afonso II (1220), no que se refere aos bens das ordens monásticas, verifica-se que Tibães era detentora de um enorme conjunto de bens: uma quinta, 236 casais espalhados por 48 freguesias (do termo de Guimarães, Terras de Bouro, Penafiel de Bastuço, Prado, Neiva, Faria, Vermoim e Braga).
Em 1220 eram Igrejas do Mosteiro, as de S. Martinho de Tibães, de Santo Adrião de Padim da Graça, São Salvador de Reguela (Pousa), São Paio de Parada e Santa Maria de Panóias. Ao Couto de Tibães pertenciam as seguintes paróquias: Santo Adrião de Padim da Graça, Santa Maria do Couto de Tibães (Panoias), São Paio de Parada, S. Martinho de Tibães, Santa Maria de Mire (Senhora do Ó), São Paio de Merelim.
D. Diniz isentou os moradores do couto, em 1334, de irem ao seu serviço e mandamento ( como todos os do seu reino eram obrigados), exceptuando os que tivessem herdades fora do dito couto.
El-Rei D. Fernando, em 5 de Agosto de 1372, estando em Braga, confirmou ao D. Abade de S. Martinho de Tibães, beneditino, os seus privilégios, usos e bons costumes.
Estando D. Afonso V em Évora, no ano de 1444, isentou do trabalho os moradores deste couto, em relação às obras de barbacans da cidade de Braga, tendo nisso atenção aos seus privilégios e a pagarem anualmente 36 soldos brancos para as ditas obras.
El-Rei D. Manuel deu-lhe foral em 4 de Setembro de 1517 (Livro dos Foraes Novos do Minho, fl. 143, col.1ª), em vista do que se acha em Francisco Nunes Franquelim, na sua Memoria para servir d’indice dos foraes do reino e seus dominios, p. 147 .
D. Filipe II de Espanha e I de Portugal, confirmou este contrato, em 1582, no Dom Abade Frei Plácido de Vilalobos, natural de Lisboa, que já havia governado o Mosteiro por ordem do Cardeal D. Henrique, desde 1565 até 22 de Julho de 1569.
Ao redor do mosteiro, até aos limites da freguesia, os terrenos eram grangeados pelos monges, criados e feitores, os outros eram trabalhados pelos caseiros, mediante o pagamento de foros, rendas e pensões sobre o usufruto das terras. Do primeiro caso faziam parte, além da cerca do mosteiro, as quintas da Amieira, do Anjo, do Pedroso e de Mire. Esta última, aonde se fizeram as casas e benfeitorias, em 1623, gozava de especial predilecção. Era estância de repouso e recreio dos religiosos. O Livro das Alfayas de todas Oficinas e Quintas deste Mosteiro de S. Martinho de Tibaens feito no anno de 1750, descreve-a do seguinte modo: «É esta toda cercada de muros. Tem a sua entrada ao sul com seu pórtico de pedra e assentos do mesmo e pelo lado oriental uma fonte que se divide em dois registos de água, uma para dentro com sua taça e bocal de bronze e outra para a estrada com seu nicho e cano de ferro. Esta água tem sua nascente no Seixido, do qual vem por baixo da terra em aquedutos de barro».
O mosteiro detinha a posse total de toda a água do Rio Torto que regava as Veigas do Sobrado e Argaçal, através de uma levada , mandada construir em 1624. Pelo uso dos regos de Mire, pagava-se em 1635, 35 alqueires de milho e centeio e 11 alqueires de milho. Para além do seu papel de irrigação, as águas do Rio Torto faziam andar os moinhos, propriedade do mosteiro, de Panóias (Penelas e Pontesinhas) e de Mire (os de Sobrado).
Braamcamp Freire («Povoação d’Entre Doiro e Minho no XVI século», Archivo Historico Portuguez, III, (1905), p. 263) descreve a contagem de fogos, em 1527, determinada por D. João III: «Este couto é do Mosteiro de Tibães, o cível e o crime del-Rei nosso Senhor e tem de termo dentro de si meia légua e jaz entre os termos de Barcelos e o de Braga e o de Prado e corre o Rio Cávado ao longo dele entre Prado e o Couto e não tem povoação nenhuma junta somente por casais apartados vivem os moradores seguintes nestas freguesias, S. paio de Merelim, 38 moradores, Santa Maria de Panoias, 21, S. Paio de Parada, 17, Santa Maria de Mire, 28, Santo Adrião e o Mosteiro, 22 moradores. Somam os moradores deste couto por todos os fogos 126 moradores. Item haverá mancebos homens solteiros, 90 mancebos».
O crescimento patrimonial do mosteiro é perfeitamente constatável nos registos, tombos de 1528,1555 e, outros, livros de prazos, vedorias, recibos e sentenças.
A importância de algumas freguesias que pertenciam ao couto de Tibães:
- a freguesia da Estela é uma das terras mais antigas do concelho da Póvoa de Varzim. Foi pertença do conde Dom Mem Pais Boufinho, descendente de Azevedos e também do senhor de Vila do Conde, o qual, com seu filho Hermenegildo, venderam a freguesia da Estela a Dom Mendo III Abade de Tibães. D. Afonso Henriques, em 1140 a coutou a Dom Ordonho IV, abade de S. Martinho de Tibães e a seus religiosos por 600 alqueires de pão. A carta de couto da freguesia de Santa Maria da Estela, concedida por D. Afonso Henriques em 7 de Julho de 1140 ao referido convento de Tibães, é o documento original mais antigo até agora encontrado em que o primeiro monarca português emprega o título de Rei de Portugal. Esta carta encontra-se na torre do Tombo em Lisboa, e é elemento preciosíssimo para a história desta freguesia. A freguesia da Estela desde a concessão desta carta de couto até ao ano de 1834, data da extinção das Ordens Religiosas, em Portugal, por Joaquim António de Aguiar (mata frades), esteve na independência do Mosteiro de Tibães, o qual dela recebia todos os anos boa parte da respectiva produção agrícola. O lugar de Vila Mendo, nome pela qual foi conhecida a freguesia da Estela, durante algum tempo Villa Menendi, é muito conhecido por ali se terem encontrado importantes peças arqueológicas da época pré-romana. Elas foram o chamado “tesouro” da Estela, que no momento, está depositado no Museu Soares dos Reis. É constituído por um colar de ouro, duas arrecadas e parte partem dum torquês do mesmo metal e fragmentos de ouro e prata;
- assim, é apenas em 1220 que aparece a designação de S. Paio de Merelim. Lê-se nas inquirições de D. Afonso II o seguinte: "De Saneto Pelágio de Merlin de Couto de Tibães". Encontramos duas designações novas: S. Paio e Couto de Tibães. Pois bem, S. Paio é o Padroeiro mártir natural de Tui-Espanha, que foi martirizado com 13 anos de idade no ano de 925 por ordem do Califa de Córdova. A sua fama de mártir expandiu-se e a população de Merelim tornou-o seu Padroeiro;
- Panóias era uma freguesia importantíssima no Couto de Tibães no séc.XVI, porque era muito forte em relação à agricultura. Também tinha moinhos junto ao rio e azenhas para produzir o azeite, os moinhos produziam a farinha, as terras eram férteis porque tinham o rio perto, para se poder irrigar os campos.

BRAGA - OFÍCIOS NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

domingo, 30 de dezembro de 2007

BRAGA - O CAMPO E A CIDADE NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

BRAGA - AS INDÚSTRIAS NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

BRAGA - INOVAÇÕES NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

SANTA MARIA DE MIRE

No campo denominado do Vigário, pertencente à Quinta do Assento, na vizinha freguesia rural de Mire, um pouco além dos Doze Apóstolos (pois chamam assim a uma dúzia de corpulentos sobreiros que se agrupam à margem direita da estrada), existiu outrora a primitiva Igreja Paroquial de Mire (daí a razão do topónimo), cuja fundação é tradicionalmente atribuída a Teodomiro, rei dos Suevos, no ano de 560; se é que não é ao seu sucessor Ariamiro, chamado usualmente de Mire, nos anos de 570. (Fr. Paulo lanes, Era y Fechos de Espana, L. H, C. XXVII ).
Por apresentação do abade do Mosteiro de Tibães, Gonçalo Gomes, foi confirmado em Reitor da Igreja de Mire, João Martins, na era de 1310 (ano de 1272).
Por falecimento do Abade Pedro de Sousa Faria, o Mosteiro de Tibães tomou posse da dita Igreja de Mire, em 1558.
No entanto, Simão de Faria impetrou da Santa Sé renúncia desta Igreja, obtendo-a no mesmo ano. E como pretendesse ter direito de apresentação, fez-se-lhe um contrato de obrigação, ainda no mesmo ano, da pensão anual de 15#000 rs, imposta sobre os frutos da Igreja.
O Arcebispo D. Baltazar Limpo (1550 a 1558), num alvará escrito em pergaminho, ordenou a união da dita Igreja ao mesmo Mosteiro de Tibães, repondo-a na forma em que estava antes do comendatário, que em seu tempo a desanexara.
Mais tarde, o arcebispo D. Frei Aleixo de Meneses, por Alvará de 6 de Novembro de 1614, da ordem dos eremitas de Santo Agostinho, uniu e incorporou esta freguesia ao Mosteiro de Tibães; e foi então que se mandou demolir a antiquíssima Igreja Matriz, que estava ameaçando ruína, ficando desde logo, para todos os efeitos, estabelecida a Paróquia no referido Convento.
Os religiosos beneditinos obrigaram-se, por essa ocasião, a mandar compor os caminhos vicinais, para que os paroquianos pudessem comodamente concorrer às missas, confissões e demais actos do culto.
O D. Abade Geral de Tibães, Frei António dos Reis (digno abade geral da ordem de S. Bento em Portugal), fez construir a actual capela-igreja de Santa Maria de Mire, com seu alpendre, tudo dum gosto simples, a uns 200 ms de distância da extinta Igreja. Mandou então gravar na padieira da porta a inscrição:
ORS. AO P. F. ANTO. DOS REIS. DO. ABBE GERAL. DA ORDE. SBETO ENPORTVGAL. MANDOV FASER. ESTA. ERMIDA. POR SVA DEVAÇAM. ANNO. DOMINI. 1616.
Foi também gravada, no lado direito da mesma porta, da Capela-Igreja de S.ta Maria de Mire, actualmente mais conhecida por N.ª Sr.ª do Ó ou da Expectação, uma quadra em verso octossílabo, embora a mesma distribuída em seis linhas, estando na segunda a vozes em lugar de a vós:

TODO MUNDO EM IE
RAL S VOZES RAIN
HA ESCOLHIDA DIG
AM. QVE SOIS COMSE
BIDA SEM PECAD
OVRIGINAL 1627.
(Todo o mundo em geral,
A vós Rainha escolhida,
Digam que sois concebida,
Sem pecado original. 1627).

Também pode ler-se numa lápide na frontaria da Capela da Sr.ª do Ó «Foi reedificada com esmolas dos fiéis em 1934».
Com as ofertas do povo de Mire de Tibães, a Capela de N.ª Sr.ª do Ó foi praticamente toda remodelada e ampliada, em 1985, tornando-se mais espaçosa, para os fiéis poderem comodamente participar nos actos litúrgicos. Conservou-se o altar-mor e o arco central.
No presente ano, igualmente, com esmolas do povo, estão a decorrer obras contra a infiltração de humidades.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

«Companhia de Cartões do Cávado», Ruães, Mire de Tibães

A empresa Companhia de Cartões do Cávado requereu o processo de insolvência em Março de 2007, tendo continuado a trabalhar até 31 de Maio. No dia 1 de Junho, a EDP cortou o abastecimento de energia eléctrica e a empresa deixou de laborar.
A empresa deixou de pagar os salários a partir de Abril e há muito que havia grande irregularidade na data do seu pagamento.
A empresa tinha acumulado elevadas dívidas à Segurança Social e ao Fisco.
Ficaram no desemprego cerca de 100 trabalhadores. Esta empresa iniciou a sua actividade há cerca de 39 anos.

OS ROMANOS EM BRAGA (2)

VISITA AO MUSEU D. DIOGO DE SOUSA
No dia 12 de Dezembro de 2007, a turma 5.º1 visitou o museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa.
Foram seguidos pelo «TITUS» que viveu na Bracara Augusta há cerca de 2000 anos.
Tiveram oportunidade de ver muitas coisas. Além da dimensão do império e da influência que exerceram na Península Ibérica, os alunos debruçaram-se pormenorizadamente sobre a Romanização na Bracara Augusta, cidade romana, fundada no ano 16 A.C. no território dos Bracari pelo imperador Augusto.
Observaram duas maquetes. Numa puderam situar os diferentes espaços: pristina, atrium, tablinum, triclinium, peristylum, cubiculum, taberna, culina e a officina. Na outra (maqueta das termas) localizaram os locais onde se tomavam os banhos quentes, frios e a vapor.
Também foi do interesse geral admirar os colossais miliários, que eram colocados junto das vias romanas, que ligavam as principais cidades do império entre si bem com Roma, daí o aforisma popular «todas as estradas vão dar a Roma».
Finalmente, o companheiro da visita «Titus» não se esqueceu de lembrar aos alunos que os aguarda para novas visitas e aventuras, principalmente, acompanhados das famílias.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

AUTOBIOGRAFIA DO SER E DA TERRA











Com coragem
E determinação
Nunca resignou à liberdade.
De original e fértil imaginação,
De lealdade intensa,
Marcada pelo magnetismo e generosidade.
Com seu humor e ironia,
De cunho genético,
Aprofundou o prazer da escrita,
O entusiasmo e paixão pela aventura,
Pelo sabor da palavra, pela onírico da música.
Sempre em trânsito,
Como uma «testemunha em fuga»,
Num território
De emoções à flor da pele.
Ser de metamorfoses,
De fascínios virtuais e paraísos artificiais.
Desmentiu,
Sempre,
A fatalidade da condição humana.
Inconformista,
De equilíbrios entre a acção e a aventura,
Entre a resistência e o compromisso,
Entre o bom-senso e a ruptura.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Breve História do Mosteiro de S. Martinho de Tibães


Obra Prima do Museu do Barroco em Braga
Localiza-se a seis quilómetros a noroeste da cidade de Braga, na margem esquerda do Rio Cavado.
É um símbolo ímpar do nosso património cultural e é incontornável quando nos reportarmos à História da Igreja em Portugal e à História da Ordem beneditina no País e na Europa.
A Igreja do Mosteiro de Tibães é considerada um dos templos mais grandiosos de Portugal e a obra prima do museu da arte barroca em Braga.
Gabriel de Sousa («O Mosteiro de Tibães cabeça da Congregação de S. Bento em Portugal», Ora et labora, XXVII, 1981, p. 87) admite que tenha existido uma «fundação, anterior de séculos, dum ascetério naqueles sítios, com a observância do monaquismo Hispânico, digamos, até, suévico».
O Monarca Suevo Teodomiro possuía junto das águas do Cávado, entre os lugares de Sobrado e Mire, um luxuoso Paço, onde costumava descansar, ausentando-se dos bulícios da corte de Braga.
Talvez, por isso, tenha agradado, ao Rei Teodomiro, a ideia do seu virtuoso capelão-mor, S. Martinho, de construir nas proximidades da Serra de S. Gens, um mosteiro, aí pelos anos de 562.
Sobre o exposto, não ficam dúvidas após da leitura de Frei Leão de S. Tomás, na sua Benedita Lusitana: «A uma légua da cidade de Braga, para o lado Norte, estiveram antigamente uns Paços e casas de prazer do Rei Teodomiro entre os grandes de Sobrado e Mire vizinhos ao Rio Cávado (...). Perto destes Paços do rei, em lugar mais alto e eminente à vista do mesmo rio, ficava um sítio retirado e solitário que a S. Martinho Dumiense pareceu muito acomodado, para nele se fundar um Mosteiro de Monges. (...) O rei como era tão pio mandou logo se edificasse e se dedicasse a S. Martinho Turunense, de quem era devotíssimo devoto...».
O Sucessor de Teodomiro, o Rei Suevo Ariamiro, conhecido por Miro abreviadamente, ( Pinho Leal diz ser Adriano e Carvalho da Costa assevera ter sido Miro) enriqueceu-o com propriedades de grandíssimo valor: pois era soberano religioso e piedoso, a ponto de convocar para Braga, como sua corte que era, um concílio especial para reforma de abusos.
Alguns argumentos concorrem para confirmar a antiguidade deste mosteiro:
- a existência de uma lápide onde se encontra gravada a data de 600 da era de César (que corresponde à data de 562 D.C.);
- uma carta de Frei Drumário a Fr. Frontano ambos monges beneditinos, exarada por extenso num livro do Mosteiro de Pedroso, donde a copiara Fr. João do Apocalipse, menciona-se expressamente o Mosteiro de Tibães, entre os conventos fundados nos tempos de S. Martinho de Dume: « De fructu ventris sui (S. Martinho de Dume) possuerunt Deus et Sancttissimus Patter Noster Benedicttus, supra sedes suas, Monasterium scilicet Dumiense, Antoninum, Victorium, Tibanense, Villare, Vargense, Magnetense, Turris, Claudinum, Cabanense, Azerense, de quibus (sicut de l’ettri retibus) fas est dicere» - diz o aludido texto desta carta, escrita a 7 do mês de Outubro do ano de 591, ainda que em Fr. João do Apocalipse se lhe assinala a data de 571;
- o monge beneditino D. Bernardo, Bispo de Coimbra, na sua Vida de S. Geraldo, afirma que, para sepultura deste primeiro arcebispo bracarense, fora trazido à Sé Primaz um sepulcro de mármore, do mosteiro de Tibães, conservado ali em grande veneração desde tempos muito antigos, dando-se a tradição da vizinhança, como mandado construir para si pelo rei Suevo Miro, não obstante não chegar ao depois a sepultar-se nele: «Quod (sepulchro) à longis retro temporibus in tibianensi coenobio in magna reverentia servabatur».
O domínio árabe na península e todo o processo da reconquista causou estragos no mosterio que, por essa razão, em 1060, D. Velasquides procedeu à sua reconstrução e, em seguida, D. Paio Guterres da Silva, em 1080, continua essa reedificação (Pereira-Caldas, O Constituinte, 1640), ainda hoje a tradição atribui o Paço de D. Paio Guterres à «Quinta de Silva», atrás do Monte de S. Gens, a uma distância de 3 Kms do mosteiro». O Conde D. Pedro chega a afirmar que a «fundação do mosteiro beneditino de TIbães se deve a D. Paio Guterres da Silva».
No Livro dos Testamentos da Sé de Braga, uma devota e nobre mulher declara doar, em 1077, a esta igreja matriz uma propriedade que tinha, designando-a como situada junto do rio Cávado, no local onde então se havia fundado o mosteiro de Tibães «Et est in loco prope alveum Cávatum, ubi modo fundatum est Monasterium Tibianes».
Aos três filhos de D. Paio Guterres concedeu o Conde D. Henrique amplo couto. No tempo de D. Dinis, os descendentes de D. Paio Guterres (cerca de 200) absorviam o melhor das rendas do mosteiro do qual eram padroeiros. Depois de 1480, o mosteiro ficou liberto desses encargos e passou a ser regido por comendatários.
Nos finais do século XI foi fundado o mosteiro românico, que recebeu em 1110 Carta de Couto, doada por D. Henrique e D.ª Teresa.
O século XVI, por causa do protestantismo e do consequente Concílio de Trento, o Mosteiro de Tibães experimentou uma tentativa de reforma. Desde 1530, se fazia sentir a acção reformadora e disciplinadora de dois monges beneditinos da Congregação de Castela, Fr. António de Sá e Fr. João Chanones. Fr. João de Sá era português, tinha professado em Montserrat e fora abade de S. Vicente de Salamanca. Em 1530 recebeu missão para reformar Tibães, Arnóia e Carvoeiro. Fr. João Chanones acompanhava-o como mestre dos noviços, preparando candidatos para a vida monástica. Em Tibães não houve resistência por parte dos monges.
Em Tibães, os monges reformaram-se e descobriram o apostolado e a cultura. Tibães seria o elo de ligação de todos os mosteiros beneditinos. Era a residência do Abade geral. Era ali que, de três em três anos, se reuniam os representantes dos 22 mosteiros da congregação para fazerem a provisão trienal dos cargos directivos e decidirem sobre os problemas da mesma.
Ultrapassada a crise religiosa dos sécs. XV e XVI, a escolha, em 1567, para “Casa-Mãe” da Congregação Beneditina de Portugal e do Brasil, por bula do Papa Pio V, datada de 22 de Julho de 1569, em cumprimento da qual foi a ordem de S. Bento reformada, torna o velho edificado românico gótico exíguo e inadequado às novas funções, evidenciando a necessidade de redimensionar o espaço de forma a responder às novas exigências temporais e espirituais.
A partir de 1569, com a tomada de posse do Mosteiro de Tibães por Fr. Pedro de Chaves, este convento tornava-se a Casa-Mãe de todos os mosteiros beneditinos.
Assim, na primeira metade do século XVII, deu-se início à grande campanha de reedificação e ampliação do mosteiro, da qual resultou o conjunto hoje existente. O início das obras filia-se ainda na corrente maneirista, mas o barroco e o rococó haveriam de triunfar nas alterações desenvolvidas nos finais do século XVII e ao longo de todo o século XVIII. Entretanto, vão-se decorando os espaços, originando um longo período de criação e riqueza que só terminará no princípio do Séc.XIX.
Por Tibães passaram os melhores artistas, com as mais variadas formações: mestres pedreiros, carpinteiros, arquitectos, imaginários, enxambradores, escultores, entalhadores, pintores e douradores, que realizaram, no Mosteiro, um trabalho que atingiu níveis superiores de requinte e perfeição técnica.
Todo o seu conjunto arquitectónico está classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16-06-1910 e imóvel de interesse público pelo Decreto n.º 33587 de 27-03-1944. Este conjunto tem uma Zona Especial de Protecção fixada no Diário da República, 1.ª série, n.º 187 de 13-08-1994.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

OS ROMANOS EM BRAGA (1)

Visita de Estudo ao Museu D. Diogo de Sousa
No âmbito do Plano de Actividades do Departamento de Ciências Sociais e Humanas, as turmas do 5.º ano (no primeiro período) e as turmas do 7.º ano (terceiro período) farão visitas ao museu, como motivação, como consolidação, como desenvolvimento de novos projectos, como ensaio laboratorial, como investigador. Ao estudar a romanização em Braga, procuramos, in loco, reflectir sobre o «modus vivendi» da época e sobre a sua influência na nossa região.
Fizemos uma visita temática às instalações do museu, nomeadamente: a sala 2 onde se pode observar a Integração do Noroeste Peninsular no Império Romano e o comércio a longa distância, Bracara Augusta, a circulação monetária, produção local, as indústrias artesanais; a sala 3 onde se pode ver o Urbanismo de Bracara Augusta, Os espaços públicos, Os espaços domésticos; a sala 4 onde se observou as Vias, o Mundo dos mortos, o Sagrado, a Antiguidade Tardia, a Escavação Arqueológica, o Mosaico.
Hoje foi a vez da turma 2 do quinto ano, efectuar a visita. Percorremos todos os espaços atrás referridos, mas alguns suscitaram mais curiosidade: a sala dos mortos, a sala das maquetes, a sala dos miliários, a sala das moedas, a sala dos objectos de uso quotidiano e de decoração.
A Turma cumpriu as normas estabelecidas previamente: bom comportamento durante o trajecto, silêncio durante a exposição, questionamento quando necessário, afastamento em relação aos objectos.
Assim até dá vontade de continuar com estas visitas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

TIBÃES - Sabia que...





- Batalha de Pedroso em 18 de Janeiro de 1071. Junto a Tibães teve lugar A Batalha de Pedroso («Folhas soltas da História de Braga», O Regenerador, 5/8/1886 e 8/8/1886). Este batalha tem lugar nos Campos de Tibães entre o Rei D. Garcia e o Conde Nuno Mendes. Na partilha dos vastos estados que Fernando Magno herdara pela conquista, pertenceu a seu filho Garcia o Reino da Galiza e a parte de Portugal além do Mondego.
- Direito de padroado, 1578. D. Sebastião estabeleceu concórdia e transação com os Religiosos de Tibães, largando e demitindo de si o direito de padroado em apresentar comendatários nos Mosteiros Beneditinos deste reino; e demitiu-o com todas as suas rendas, foros, direitos, juridisções, igrejas e tudo o que legitimamente lhes pertencia, do mesmo modo que ele e os seus antecessores estavam de posse; com a condição de lhe darem anualmente cinco mil cento e cincoenta cruzados, que eram cinco partes das doze em que foram avaliadas as mesas abaciais dos oito mosteiros.
- Impedimento de Transporte de mantimentos, em 28 de Agosto de 1580. O Vigário Geral, Gregório Rodrigues expediu uma carta de interdito, para o Mosteiro de Tibães, por motivo das Justiças daquelas terras impedirem o transporte de mantimentos para Braga, prenderem e vexarem os moradores da cidade.
- Frei Bento de S. José nasceu na cidade de Braga, em 11 de Julho de 1713, o Padre Pregador Frei Bento de S. José, na Rua da Cruz de Pedra, que na época se chamava Bento de Azevedo. Na idade de 23 anos tomou o hábito do Mosteiro de S. Bento da Vitória, do Porto, aos 6 de Janeiro de 1737, sendo Geral da Congregação o Padre Mestre Dr. Frei Manuel da Graça. Faleceu no Mosteiro de Tibães a 2 de Agosto de 1790 Jaz sepultado no lanço do Claustro que corre da porta da ante-sacristia para a portaria, ao longo da igreja, na sepultura n.º 24.
- Batalha em 1759: «No terreiro da Quinta (da Madre de Deus) se postou o batalhão de Viana, que se achava nesta cidade no bloqueio dos jesuitas, com seu coronel Sebastião Pinto Rubim o qual ordenou dar tres descargas. Brandio elle e o tenente coronel D. João de Sousa os seus espontoens. Acompanharão a Sua Alteza o Geral de Tibaens, o Dom Abbade de Bouro, o reitor de Villar e finalmente todos os corpos de justiça e nobreza da cidade e de Barcelos e Guimaraens muitos. Os vivas e as aclamaçoens erão infinitas, dadas de vontade por todos. Elle logo deu beije mão e foi comprimentado por seis conegos mais. Seguirão os tres dias de illuminação na cidade. Outeiros em todos elles, na dita quinta, com boas orquestras» (Memórias particulares de Inácio José Peixoto, ADB/UM, Coord. de José Viriato Capela,, Braga, 1992, p. 41).
- Ainda hoje, ao passarmos na cerca do convento, somos surpreendidos por buracos, antigas minas de volfrâmio, onde os trabalhadores, como dizia Aquilino Ribeiro, pareciam toupeiras insaciáveis arrancando à terra o pó mineral, negro e denso que endurecia os canhões que incendiavam a guerra, bem como para a fabricação de ferramentas cortantes e perfurantes, balas e granadas. Esta actividade era bem visível em 1916. Os trabalhos de pesquisa nas minas de volfrâmio, ultimamente registadas pelos Srs. Herculano de Matos Braga, inspector de finanças, deste distrito, Manuel Joaquim de Paiva, estimado farmacêutico desta cidade e Luís Augusto Correia da Cunha, abastado capitalista, animou, também, o contrabando deste mineral.
O grande impulso destas minas acontece no início da segunda guerra mundial. Américo Costa, no Dicionário Corográfico de Portugal (vol. X, Porto, 1948, p. 885) regista em S. Gens uma mina de volfrâmio em Mire de Tibães, cuja concessionária é a Sociedade de Minérios de S. Gens, com alvará datado de 3 de Dezembro de 1947.
- Camilo Castelo Branco celebrizou a lenda do «Túnel de Tibães» na obra A Bruxa do Monte Córdova. Nesta lenda, um frade provocou graves conflitos em cabeceiras de Basto. Chamado a Tibães é julgado e condenado em capítulo. No entanto, muitos dos seus continuaram a considerá-lo inocente, construíram um túnel que iria da Sala do Tronco até extra-muros do mosteiro por onde ele se pudesse evadir.
- No dia 30 de Agosto de 1874, festejou-se a festividade em honra de S. Gens, situado no cume da montanha sobranceira ao Convento de Tibães, com brilhante iluminação, fogo de ar, a Banda da Música da Graça, e sermão pelo Padre Joaquim José Gomes de Oliveira da freguesia da Graça (O Commercio do Minho, 03 de Setembro de 1874).
- Celebrou-se em Tibães a expensas da Associação das Filhas do SS. Coração de Maria, a festividade em honra da Virgem. No dia 3 houve confissões, no dia 4, 6.ª feira, primeira comunhão para as meninas daquela associação e para os meninos da freguesia. No púlpito esteve o Reverendo Padre José Coura da Costa da freguesia de Cervães. De tarde, houve exposição, sermão e procissão com os meninos incorporados em duas alas dirigidos pelo reverendo padre Joaquim Fernandes Lopes. Fechava a procissão a Banda de Música da Graça. No domingo 6 houve lugar a um convívio (O Commercio do Minho, 10 de Junho de 1875)».
- Pelo recenseamento de 1878-1880, Mire de Tibães tinha 161 eleitores (Diário do Minho, 20 de Março de 1879)».
- O Sr. Manuel José da Silva Graça, da freguesia de Tibães, irmão do Sr. Domingos José da Silva Graça fez exame de farmácia no passado dia 29, na Escola Médico Cirúrgica do Porto, ficando plenamente aprovado. In Cruz e Espada, 5 de Abril de 1884.
- O Presidente da Junta de Freguesia, Sr. Domingos José G. Veiga, fez uma petição ao governo a favor do Convento de Tibães («O Convento de Tibães», Commercio do Minho, 2/7/1885).
- A Câmara nomeou dois cidadãos em cada freguesia para informar acerca das congruas paroquiais. Para Mire de Tibães foram nomeados: Manuel Gomes e Paulo José Gonçalves (Commercio do Minho, 14/1/1893).
- Além doutros claustros há-os do Tronco e o do Cemitério, de arcaria elegante. Foi no primeiro, que um incêndio se manifestou, pelas três horas da tarde do dia 11 de Julho de 1894, numa porção de centeio e trigo que o pobre do caseiro tencionava malhar no dia seguinte. A coragem dos rurais, as bombas dos Bombeiros Voluntários da Fábrica de Ruães, dos Bombeiros Voluntários e Municipais, e energia do operariado da Fábrica de Ruães, polícias civis e uma força de Regimento de Infantaria 8 foram fundamentais no auxílio e combate ao incêndio (O Progressista, 13 de Julho de 1894). O Caseiro estava para a Romaria de S. Bento da Várzea (Commercio do Minho, 12 de Julho de 1894), orago do mosteiro. O fogo derrubou parte da arcaria do claustro do tronco, introduziu-se na capela das culpas, carbonizou magníficas telas, riquíssimas imagens, molduras, estalava e destruía o soberbo azulejo verde onde se desenhavam cenas da vida dos Santos. No dia 13 de Julho de 1894, o jornal O Folião traz um desenho sobre o incêndio do convento, que teve lugar em 11 de Julho de 1894.
- Vai proceder-se à reparação de uma parte deste convento, casa mãe dos beneditinos, que ultimamente sofreu grandes danos resultantes de um incêndio. Para essa reparação o governo concedeu o subsídio de 500#000 rs e o Sr. Comendador José António Vieira Marques, proprietário do convento, concorre para o mesmo fim com 100#000 rs ( Commercio do Minho, 18 de Setembro de 1894).
- Convento de Tibães (curiosidades históricas) 19 de Julho de 1894. O jornal A Voz da Verdade, neste dia, e em 26/7/1894, 9/8/1894, 16/8/1894, insere alguns artigos com este título.
- Nomeado regedor efectivo o Sr. Joaquim Machado Duarte (ainda se mantinha em 1908); Substituto - Francisco José Dias.
- Foi inaugurada festivamente uma nova escola na freguesia de Tibães, em 5 de Fevereiro de 1902 (Correio do Minho, 7 de Fevereiro de 1902).
- Domínios directos e foros da freguesia de Mire de Tibães, em 1904 (Correio do Minho, 4/3/1904, 8/3/1904, 25/3/1904).
- O governo concedeu um subsídio de 180#000 rs para as obras de restauro do zimbório da escada principal do Mosteiro de Tibães ( Correio do Minho, 24 de Maio de 1904 ).
- Elias José da Silva, depositário da Caixa Postal, em 1906.
- D. Angélica de Jesus e Silva, professora do ensino primário em 1906.
- Faleceu 4ª feira, em 15 de Dezembro de 1915, na freguesia de Parada de Tibães, o Sr. José António Coelho, abastado proprietário, pai do Rev.do Manuel Joaquim Marques Coelho, abade de Tibães e do Padre José Marques Coelho, capelão do Sameiro (Commercio do Minho, 18/12/1915) .
- Minas de Tibães (Prosseguem com grande actividade os trabalhos de pesquisa nas minas de woltram ultimamente registadas pelos Srs. Herculano de Matos Braga, inspector de finanças, deste distrito, Manuel Joaquim de Paiva, estimado farmacêutico desta cidade e Luís Augusto Correia da Cunha, abastado capitalista (Commercio do Minho, 22 de Junho de 1916).
- Pelas 9 horas da noite, declarou-se na Companhia Fabril do Cávado, um grande incêndio. O fogo teve início num depósito de lenhas e originado por faúlhas que saltaram caldeiras, não atingiu proporções assustadoras devido à prontidão dos Bombeiros (Correio do Minho, 23 de Dezembro de 1926)».
- No dia 26 de Março de 1933 processou-se à trasladação das ossadas de Frei Miguel da Ascensão, Frei António da Piedade e Frei Leão de S. Tomás, de Coimbra para a Igreja Paroquial de Mire de Tibães.
- Visita pastoral de Sua EX.ª Reverendíssima em 18 de Julho de 1934 (Diário do Minho de 18/7/1934.
- Inauguração da Escola do Carrascal, em 23-11-1958.
- Inauguração da Escolas de Ruães, 20-12-1959.
- Uma fonte (fontanário) oriunda do Mosteiro de Tibães foi colocada na Arcada da Lapa, em Braga, por compra da Câmara Municipal, em 1979.

A Capela de S. Gens em Tibães






No século VI, em 562, dezanove anos após a morte de S. Bento, Teodomiro, Rei Suevo, pediu ao seu capelão S. Martinho, primeiro Bispo de Dume, que construísse em Tibães um mosteiro num lugar ao pé do monte de S. Gens. Segundo afirma Avelino de Jesus Costa, o culto a S. Gens tenha entrado na Diocese de Braga já em tempo de S. Martinho de Dume (550-579). Deste modo, esta ermida, onde se venera a imagem do santo, é anterior à construção do Mosteiro dos Monges beneditinos, pelo menos, o culto ao santo.




Há muitos, muitos anos, quando a nossa nacionalidade ainda era menina, o Monte de S. Gens, a que hoje todos chamam Monte de S. Filipe, na freguesia de Mire de Tibães, era tão densamente arborizado que, dizem os cronistas beneditinos, "do alto do Monte de S. Gens se ia até ao Rio, distancia de meia légua, por cima das árvores sem ser necessário descerem delas » (Ascensão, Marceliano da,Crónica do Antigo Real e Palatino Mosteiro de S. Martinho de Tibaens desde a sua primeira fundação athe ao presente, Mosteiro de S. Martinho de Tibães, 1745, Ms do Mosteiro de Singeverga, Santo Tirso, fl. 383.) e nele teriam existido "Ermidas e choupanas, em que viviam recolhidos alguns Monges de mais Espírito, acudindo ao Convento às Horas do Ofício Divino "(Frei Leão de São Tomás, Benedictina Lusitana, Introdução e notas críticas de José Mattoso, Tomo II, Lisboa, Imprensa Nacional, Casa da Moeda, 1974, 378). Destas existências apenas perdurou a vivência religiosa na capela do cume do Monte, a Capela de S. Gens, a qual não há memória da fundação, mas que já existia em 1553, e, que, no nosso século, mudou o culto para S. Filipe.




Na padieira da capela actual deparamos com a data de 1196, cuja estudo sobre esta data pode ser consultado em António de Sousa Araújo, Tibães e a Ermida de S. Gens, 2004, p.34).




Por portaria n.º 6199, de 7 de Junho de 1929, o Governo manda entregar à Corporação encarregada do culto da freguesia, a Capela de S. Gens e respectivo cruzeiro.




Encimado pela Capela de S. Filipe, o Monte de S. Gens, recebe nas suas fraldas, na sua encosta norte virada ao rio Cavado, a Cerca e o Mosteiro de S. Martinho de Tibães. É ocupado, a meio, pela capelinha de S. Bento e, ao fundo, pelo Mosteiro. Dominado, actualmente, por pinhal e Eucaliptal só dentro da Cerca do Mosteiro a vegetação climácica consegue ir recuperando o seu espaço secular, servindo de refúgio e habitat a centenas de espécies da nossa Fauna e Flora. Podemos aqui observar entre outras plantas da associação do Carvalho do Norte (Quercus robur), o protegido Azevinho (llex aquifolium), o Loureiro (Laurus nobilís), a Aveleira (Coryíus aveliana), o Medronheiro (Arbutus unedo), a Gilbarbeira (Ruscus aculeatus) e o Bordo (Acerpseudoplatanus).




terça-feira, 27 de novembro de 2007

POSTAIS DE NATAL

ALUNO DO 6.º1 VENCE CONCURSO
André Manuel G. Lopes, aluno do 6.º 1, da EB 2/3 Frei Caetano Brandão, vence concurso.
Os Transportes Urbanos de Braga promoveram a 1.ª edição do Concurso de Postais de Natal, iniciativa dirigida a todas as escolas do 2.º e 3.º ciclos de Braga.
O primeiro e terceiro prémios foram atribuídos a alunos da EB 2/3 Frei Caetano Brandão, respectivamente, André Gomes Lopes e João Costeira Gomes (Consultar Diário do Minho e Correio do Minho de 27-11-2007).
Os prémios serão entregues no dia 11 de Dezembro próximo. O aluno será premiado com uma TV e material de desenho e a escola com uma impressora.
Parabéns.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

TIBÃES entre 1790 e 1797





Recepção a D. Frei Caetano Brandão, 1790
«Muitas pessoas de distinção o forão cumprimentar. Elle (D. Frei Caetano Brandão) vinha acompanhado com alguns parentes e pessoas de distinção da sua terra, mas a fallarmos verdade o que mostrarão não era mais que hum acompanhamento de hum esposado da aldeia. Em Villa Nova estava o terço da Companhia de Auxiliares que o salvou. Partio da Villa pelo meio dia; no couto de Vimieiro foi salvado pelas Ordenanças; às tres e meia chegou a Ferreiros e ahi foi cumprimentado pello Geral de Tibaens, Geral do Carmo e Reitor de Villar de Frades» (Memórias particulares de Inácio José Peixoto, ADB/UM, Coord. de José V. Capela).
Morte de João Dias, 1791
«No couto de Tibaens faleceo hum velho chamado João Dias, no lugar de S. Vicenço, freguesia de Panoias que sendo de hua vida simples regular e christão vestio muitas vezes a mortalha. Foi em hum dia a sua cozinha, despedio-se de seus netos e familia e oferecendo-lhes elles de comes, respondeu: - Não, agora já não quero mais comer porque vou morrer. Subio para sima, pôs as maons em crus e deu a alma ao creador. Este homem recebia com frequencia o Santissimo Sacramento. Eu o conheci muito bem. Havia neste couto o costume de se elegerem dous juises ordinarios e hirem ambos no dia de S. Martinho, depois de darem hum jantar aos amigos, ao mosteiro, para hum delles receber a vara sem saber qual seria. Hião ambos e o Geral ou seu ouvidor escolhia hum e o outro ficava publicamente rejeitado. O novo corregedor de Braga abolio este costume» ( Memórias particulares de Inácio José Peixoto, ADB/UM, Coord. de José Viriato Capela,, Braga, 1992, p. 127).
Encanamento do rio Cávado, 20 de Fevereiro de 1795
A Rainha D. Maria I concedia alvará autorizando o Plano de Encanação e Navegação do Rio Cávado, desde a foz até ao Vau do Bico. Por sua vez o «Regulamento da Fazenda e Economia por que Sua Magestade é servida mandar proceder ao Encanamento do Rio Cávado», no seu artigo I se refere à contribuição que as Câmaras e respectivos Povos acordaram um real em cada arrátel de qualquer carne e em outro real de cada um quartilho de vinho. O artigo XLI, do mesmo regulamento, especifica o nome de todos os contribuintes: Braga e seu termo; o concelho da Póvoa de Lanhoso; o de S.ta Marta do Bouro; o de Amares; o de Terras de Bouro; o de Pico de Regalados; os de Portela de Penela, de Vila Chã e de Larim; a Vila de Prado; os Coutos de Tibães, Manhente, Moure, Pedralva, Freiriz, Farelães e Apúlia; as Vilas de Barcelos e de Esposende e seus termos (...).
Aquartelamento de tropas, Setembro de 1797
«Em Setembro, o general Fourbes veio a esta cidade fazer revista as tropas: aquartelou-se a sua custa. O general da Provincia, David Kalder, veio cumprimenta-lo, apozentou-se no mosteiro de Tibaens. O Arcebispo, cumprimentou e vesitou a ambos. Continuava a carestia» (Memórias particulares de Inácio José Peixoto, ADB/UM, Coord. de José Viriato Capela,, Braga, 1992, p. 249).
Botica, 1797
Montada em 1797 «para o gasto da caza e dos Pobres com manifesta utilidade pela promptidão dos remedios e ainda pela diminuição do gasto» (A. S., Livro das Alfayas de todas as officinas e quintas deste Mostrº de S. Martinho de Tibaens feito no anno de 1750, fl. 74). Esta botica foi comprada, quando se procedeu à venda em hasta pública do Mosteiro, por 26#100 réis, pelo boticário de Barcelos José Moitinho de Carvalho.


domingo, 11 de novembro de 2007

IMPRENSA E COMEMORAÇÕES

A imprensa regional fez eco das comemorações do 25.º aniversário da EB 2/3 Frei Caetano Brandão. Celebrar um quarto de século é algo que significa muito não só para as pessoas como para as instituições, por isso deveria merecer mais atenção dos meios de comunicação social, já não falo em espaços televisivos ou nos media nacionais. Merece, por vezes, mais atenção um «fait-divers» do que aquilo que se faz em prol das actuais gerações na construção de condições para aumentar os índices de qualidade ao nível da educação e ensino. Além de uma entrevista que demos à Rádio Voz do Neiva, no dia 8 de Novembro de 2007, também os jornais e revistas fizeram algum eco das comemorações:


Revista Braga Cultura, Novembro de 2007, p.49;


Diário do Minho, 4 de Novembro de 2007;


Correio do Minho, 8 de Novembro de 2007;


Diário do Minho, 9 de Novembro de 2007;


Diário do Minho, 10 de Novembro de 2007;


Correio do Minho, 11 de Novembro de 2007.











sábado, 10 de novembro de 2007

25 ANOS AO SERVIÇO DA EDUCAÇÃO E ENSINO

EB 2/3 FREI CAETANO BRANDÃO - 8 DE NOVEMBRO DE 2007 - COMEMORAÇÕES

COLÓQUIOS COM EX-ALUNOS
E PROJECÇÃO DE UM FILME SOBRE A HISTÓRIA DA ESCOLALANCHE: BOLO DE ANIVERSÁRIO, DANCAKES, SUMOS

SARAU DE GINÁSTICA ACROBÁTICA
ENTREGA DE PRÉMIOS AOS ALUNOS DE EXCELÊNCIA
SESSÃO SOLENE

CONCERTO PELO QUARTETO DE CORDAS DO CONSERVATÓRIO DE MÚSICA C.G.
HOMENAGEM AOS FUNCIONÁRIOS E PROFESSORES COM 25 DE SERVIÇO NA ESCOLA


INAUGURAÇÃO DE UMA EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA

JANTAR COMEMORATIVO


ACTUAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO «OS SINOS DA SÉ»