quinta-feira, 31 de julho de 2008

O COUTO DE TIBÃES (2)

Transcrição do Livro Corografia Portuguesa: «No tempo, que Braga era Corte dos Reys Suevos, e reynava Theodomiro, tendo por seu Capellao mór a S. Martinho, Bispo de Dume, o incitou o Santo a que fundasse o Mosteiro de Tibaens de Monges Bentos, tres quartos de legoa da Cidade de Braga para o Poente ao pé da Serra de S. Gens, nome que tomou de huma Ermida antiga, que esta no alto della, da invocação deste Santo Representante, famoso Martyr' Romano, & entendemos ser edificada quando aquella nação nos dominava: fundou El-Rey o Convento no anno de 562 como consta de huma pedra que nelle se achou em nossos tempos, reedificando-se de novo, e se dedicou a S. Martinho de Turon. Succedeo a Theodomiro na Monarquia dos Suevos, El-Rey' Miro, que ornou este Convento com huma ­grande mata de arvores, que não perdião a folha, e para este efeito as con­duzio do Alentejo. Presume-se erao sobreiros, de que hoje he bem provida toda aquella ribeira, de huma, e outra parte do Cavado; e que este Mosteiro estivesse em ser, e com Frades ainda pelos annos de 1070, e, consta de huma doação, que de ametade delle fez à Sé de Tuy a Infanta Dona Urraca, filha d'el-rey Dom Affonso o VI, chamando a este Convento Palatino; e como por tempos devia arruinar-se, o reedificou pelos annos de 1080. Dom Payo Guterres da Sylva, sendo Rico homem, e Adiantado neste Reyno por ElRey Dom Affon­so o VI, de Castella, por cuja causa entendemos vivia em Braga, centro desta Provincia, e por detraz do monte de S. Gens fez huma quinta, a que deu o no­me de Sylva má, donde hia assistir à fabrica do Mosteiro, e em fórma o ampliou, que muitos o tiverão por fundador, e nelle está sepultado; & como com o sangue herdou o zelo do pay seu filho Dom Pedro Paes Escacha, devia largar ao Mosteiro algumas terras, que alli tinha, de que lhe fizerão Couto o Conde Dom Henrique, e a Rainha Dona Theresa em 24 de Março de 1110, dizendo que o fazião por amor de Deos, e de Pedro Paes, e Payo Paes, filhos do Dom Payo Guterres da Sylva, que sempre nos servio com grande satisfaça; e em 26 de Fevereiro de 1135, sendo ainda Infante o nosso Rey Dom Affonso Henriques, lhe coutou o lugar de Donim junto ao rio Ave entre Braga e Guimarães.
Teve este Mosteiro desde o anno de 1086, dezasseis ou dezasete Abbades per­petuos, sendo o primeiro Dom Payo, e o último D. Gonçalo pelos annos de 1480 em que entrou por Abbade Commendatario o Cardeal D.Jorge da Costa, Arcebispo de Braga; acabarão-se estes no ultimo Commendatário Dom Bernardo da Cruz, Frade de S. Domingos, Bispo de S. Thomé, e Esmoler Mór DelRey Dom João 0 Terceiro, que faleceo dia de Pascoa de 1565, em que entrou a re­forma de Abbades, e foy a primeiro por dez annos, por nomeação do cardeal Dom Henrique, o Padre Frey Pedro de Chaves, a quem vierão as Bullas Aposto­liças em 22 de Julho de 1569, sendo-o entretanto o Frey Placido. Foy Frey Pedro Dom Abbade de Tibães, Reformador, e Geral da Ordem, de que fi­zerao Cabeça a este Convento. No fim dos dez annos o tornarão a eleger por hum triénio, e foy o primeiro Abbade triennal: succedeo-lhe Fr. Placido de Villalobos, o qual mandou Frades para o Brasil, que fundarao la aquella Provincia de Bentos. Este he o principio deste Couto, e deste Convento, de que são senhores os Frades, e o Geral Ouvidor, faz o povo com elle eleição de tres em tres annos, por pelouro, de dous Juizes ordinarios do Civel, e Crime para cada anno: escolhe o Geral hum, que tambem serve nos Orfaõs, dous Ve­readores que de mais saõ Almotaceis, Meirinho, que faz o Geral, dous Tabe­liaens do Judicial, e Notas; a hum anda annexo o dos Orfaõs, e Camara, e ao outro o das Sizas, Dlstribuidor, Enqueredor, e Contador: todos data delRey, he terra fria, recolhe, pouco paõ, vinho, muita fruta, algum azeite, caça, muitos gados, e quantidade de lenha, e pescas no Cavado. Tem huma Companhia, e o Geral he Cpitão Mór; compõem-se o termo das freguesias seguintes.
S. Martinho de Tibães, Mosteiro, e Cabeça da Ordem de S. Bento em Portugal, de que he Geral o Abbade desta Casa, rende quatro mil e quinhentos cruzados com sabidos, e annexas, apresenta Cura secular, tem trinta e cinco visinhos. He fermoso Templo com maravilhoso retabolo, e o primeiro, que na Provincia se inventou, tem grandes, e apraziveis claustros com muitas fontes, assim nos corredores altos, como nos pateos baixos, dilatada cerca com bons pomares, olivaes e matas: he neste Convento huma reliquia de S. Bento, e nelle estão sepultados muitos Varoens de exemplar virtude.
Nossa Senhora da Graça, que antigamente se chamou a Igreja de Paadim, Abbadia de Mitra, rende com a Pousa sua annexa em Barcellos duzentos e cincoenta mil reis, tem cento e vinte visinhos.
Santa Maria de Mire, Curado do Convento Tibaens, tem vinte e cinco vi­sinhos. Aqui teve ElRey Theodomiro hum Paço, e quinta de recreação, que dou o nome à freguesia.
S. Payo de Parada, vigararia annexa a huma Conezia de Braga, rende trin­ta e. cinco mil reis, e para o Conego oitenta mil reis, tem trinta visinhos.
S. Payo da Ponte, vigararia annexa a huma Conezia, renderá sessenta mil reis e para o Cónego cento e dez mil reis, tem cincoenta visinhos.
S. Pedro de Merlim, a quem o livro da Ordem de Christo chama Merim, foy Mosteyro de Frades bentos e depois de extinguido, apresentação a Tibães, a quem inda conhece com certo foro: passou a Commenda de Christo e he Reytoria da Mitra, rende cem mil reis e para o Commendador mais de mil cruzados: tem cento e dez vizinhos».

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Tibães na Chronica dos Eremitas de Santo Agostinho

Lê-se na Chronica dos Eremitas de Santo Agostinho o seguinte:
«Anno 1070 – Morto de uma lançada D. sanho (filho do Rei D. Fernando de Castella) no cerco de Samora, sucedeu seu irmão, D. Affonso, em todos os reinos, que por seu pae D. Fernando gozara em vida, que foram Porugal, Galliza, Leão e Castella, sendo Pontífice romano Alexandre II. E ordenando logo governadores para os em que não residia, pôz no nosso Portugal, sobre a Provincia de Entre Douro e Minho, com este cargo, a D. Payo Guterres da Silva, o qual pela devoção que tinha aos religiosos de S. Bento, lhes edificou, não longe da cidade de Braga, onde chamam Tibães, um mosteiro da invocação de S. Martinho de Touron, como refere o Conde D. Pedro, no seu livro das gerações».


terça-feira, 29 de julho de 2008

Frei Caetano Brandão e as relíquias de S. Torcato

Para a Igreja Bracarense, este santo não é o discípulo de Santiago, mas S. Félix Torquato, Arcebispo de Braga, no séc. VIII, eleito em 693 e martirizado pelos Mouros em 719.
O corpo deste mártir foi abandonado e escondido entre pedras e matos, mas descoberto milagrosamente alguns anos depois. Foi achado incorrupto por um monge. Nesse local ergueu-se uma ermida que se chamou S. Torquato o Velho.
Mais tarde foi trasladado para o mosteiro e posteriormente para o santuário com o seu nome.
Em 1637, D. Sebastião de Matos e Noronha visitou o corpo do santo, tendo provocado um tumulto popular, pois pensava-se que o queria levar para a catedral. Por esta ocasião foi depositado num túmulo onde se gravou: «hoc tumulo illesis conduntur carnibus ossa Torquati D. pignora chara».
Em 1805, por mandado de D. frei Caetano Brandão se abriu e reconheceu o Corpo do Santo e, em 30 de Junho, na presença do mesmo prelado bracarense, se fez a solene elevação de tão preciosa Relíquia.

domingo, 27 de julho de 2008

EMPRESA DE TIBÃES VENCE CAMPEONATO DE FUTSAL

Socimorcasal vence Jmmsroc Futsal League
A Socimorcasal venceu o campeonato de futebol de salão, promovido pela JMMSROC, num conjunto de grandes empresas da região: Bragalux, Cantinhos, DST, F3M, Ferreira & Américo, Fonseca & Alves, Hidra IT, J. Gomes, jamarfel, Jmmsroc, Perfilnorte, Posterede, Ricap, Rodel, Socimorcasal, Sá Machado, Sá Taqueiro e Urnanop.
Na final, realizada no dia 26 de Julho, no Pavilhão Gimnodesportivo da Universidade do Minho, a Socimorcasal venceu a Empresa Ferreira e Américo por 5 golos contra dois. Em terceiro e quarto lugares classificaram-se, respectivamente, a Ricap e a perfilnorte.
































quarta-feira, 23 de julho de 2008

FREI CAETANO BRANDÃO, 6.º BISPO DO PARÁ

OS PRIMEIROS BISPOS DE BELÉM DO PARÁ
Primeiro Bispo do Pará - Dom Frei Bartolomeu do Pilar de Bettencourt
Foi um religioso português o primeiro Bispo do Pará da Ordem de Nossa senhora do Monte Carmo.
Nasceu na Vila das velas, Ilha de São Jorge, em 21/9/1667 e faleceu com 65 anos em Belém do Pará a 9/4/1733.
Professou no dia 1 de Novembro de 1687, com 20 anos de idade.
Estudou no Colégio de Coimbra, onde ingressou em Outubro de 1691.
Foi docente de Filosofia e Teologia em Pernanbuco por doze anos.
Retornou a Portugal para o Convento do Carmo em Lisboa, onde se doutorou em teologia no dia 16/3/1702. Recebeu o grau académico das mãos do Cardeal Conti, então Núncio Apostólico em Portugal, futuro Papa Inocêncio XIII.
Foi nomeado qualificador do Santo Ofício a 4 /12/1704, sendo depois comissário em Pernambuco.
Frei Bartolomeu foi apresentado à Santa Sé para ser o primeiro Bispo do Pará pelo rei de D. João V. Foi nomeado Bispo de Belém do Pará no di 4/3/1720, aos 52 anos. No dia 22/12/1720 foi ordenado Bispo pelas mãos de Dom Tomás Cardeal de Almeida, primeiro Patriarca de Lisboa, Dom João Castel Branco, Arcebispo de Lacedemonia, e de Dom Manuel Álvares da Costa, Bispo de Angra.
Tomou posse da diocese por procuração no dia 13/7/1721, por meio de Frei Victoriano Pimentel. Chegou a Belém no dia 29/8/1724, fazendo a entrada solene e inaugurando o sólio episcopal paraense no dia 21/9/1724.
Segundo Bispo do Pará - Dom Frei Guilherme de São José António de Aranha
Nasceu em Lisboa no dia 28/12/1686. Era religioso da Ordem de Cristo de Tomar. Ordenou-se sacerdote no dia 7/9/1716.
Foi eleito Bispo de Belém do Pará no dia 3/9/1738 com 51 anos.
Terceiro Bispo do Pará - Dom Frei Miguel de Bulhões e Sousa
Nasceu em Verdemilho, Aradas, Aveiro, no dia 13/8/1706. Era religioso da Ordem dos Pregadores (Dominicanos) onde professou no dia 24/11/1723. Ordenou-se sacerdote no dia 12/371730.
Com a renúncia de Dom Gulherme de São José no dia 15/11/1747, ficou vacante a sé de Belém do Pará, para a qual Dom Miguel foi nomeado bispo coadjutor no dia 8 de Dezembro.
Dom Miguel chega ao Pará no dia 9/2/1749, tomando posse no dia 14 do mesmo mês.
No dia 17 de Junho Dom Miguel reabre o Seminário de Nossa Senhora das Missões e confia a direcção ao padre Jesuíta Gabriel Malagrida.
Em Maio de 1753 o rei Dom José I manda que Dom Miguel de Bulhões assuma o governo da Província quando Mendonça Furtado partir para as fronteiras.
No dia 23 de Dezembro de 1755 Dom Miguel procede à bênção da nova Catedral de Belém, obra de António Landi.
Dom Miguel viverá o episódio da expulsão dos jesuítas dos domínios portugueses em 1759.
Quarto Bispo do Pará - Dom João de São José de Queirós da Silveira
Monge da ordem de S. Bento, OSB, nasceu em Matosinhos em 12/8/1711, e faleceu no Convento da Alpendurada, Marco de Canaveses em 115/8/1764.
No dia 10/10/1759 o Papa Clemente XII confirma Frei João de São José e Queirós como quarto bispo do Pará. Foi ordenado Bispo no dia 4 de Maio de 1760, na cidade do Porto. Dom João de São José chega a Belém no dia 31/8/1760. No dia 4 de Setembro toma posse pelo arcediago Dr. João Rodrigues Pereira. A sua entrada solene na catedral deu-se a 11 de Setembro.
Quinto Bispo do Pará - Dom João Evangelista Pereira da Silva
Nasceu em Gouvães do Douro, no dia 23/8/1708. Era religioso da Ordem dos Terceiros Franciscanos Regulares, onde foi ordenado presbítero no dia 20/9/1732, com 24 anos de idade.

No dia 11/6/1771 El Rei D. José I apresenta Frei João Evangelista para o Bispado do Pará. Foi ordenado Bispo do Pará no dia 28/10/1771, aos 62 anos de idade, pelas mãos de Dom Bartolomeu Manuel Mendes dos Reis (1720-1799), bispo de Macau.
Sexto Bispo do Pará - Dom Frei Caetano Brandão
Em 1782 foi nomeado Bispo do Pará pela Rainha D. maria I, confirmado pela Bula de Pio VI datada de 16/12/1782. Recebeu a bula de confirmação em Janeiro de 1783. No dia 2/2/1783 foi ordenado Bispo pelas mãos de Dom Francisco da Assumpção e Brito, OSA, Arcebispo de Goa e Damão, e de Dom Bartolomeu Manuel Mendes dos Reis, Bispo Emérito de Mariana, Minas Gerais.
Parte de Lisboa em Agosto de 1783, chega à Região Amazónica do Pará no dia 21 de Outubro deste ano.
Sétimo Bispo do Pará - Dom Manuel de Almeida de Carvalho
Nasceu em Viseu, no dia 1/1/1747. Era padre secular, ordenado em 8/9/1773, com 26 anos.
O Padre Manuel Carvalho, doutor em Direito Canónico pela Universidade de Coimbra, é apresentado, no dia 5/5/1790, pela Rainha de Portugal, D. Maria, a piedosa, para suceder a Dom Frei Caetano Brandão que fora designado para a Arquidiocese de Braga. O Papa Pio VI confirma no dia 26/&/1791 a nomeação do Padre Dr. Manuel de Almeida de Carvalho para bispo do Pará. É ordenado bispo em Lisboa, no dia 15/8/1791.
Oitavo Bispo do Pará - Dom Romualdo de Sousa Coelho
Nasceu em Cametá, em 7/271762 e faleceu em Belém no dia 15/2/1841.
Dom Romualdo foi ordenado presbítero pelas mãos de seu bispo, D. frei Caetano Brandão a 19/2/1785.
D. João VI, teve um papel decisivo na ascenção de D. Romualdo na hierarquia social e da Igreja: em 15/11/1806 convida-o para ser o arcipreste do cabido do Pará e a seguir, em 22 de Janeiro de 1819, apresenta-o à Santa Sé para ser o 8º Bispo do Pará.
A sua nomeação chegou em 1820 a 29 de Agosto , após o papa Pio VII confirmar essa indicação.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Presbítero Ordenado por Frei Caetano Brandão foi 8.º Bispo do Pará

Dom Romualdo de Sousa Coelho, oriundo de Cametá, onde nasceu em 7 de Fevereiro de 1762 e faleceu em Belém do Pará, no dia 15 de Fevereiro de 1841, onde está sepultado na Catedral.
Dom Romualdo foi ordenado presbítero pelas mãos de seu bispo, D. frei Caetano Brandão em 19 de Fevereiro de 1785.
D. João VI, teve um papel decisivo na ascenção de D. Romualdo na hierarquia social e da Igreja: em 15 de Novembro de 1806 convida-o para ser o arcipreste do cabido do Pará e a seguir, em 22 de Janeiro de 1819, apresenta-o à Santa Sé para ser o 8º Bispo do Pará.
O Papa Pio VII confirmar essa indicação e nomeou-o em 29 de Agosto de 1820.
Em 1 de Janeiro de 1821, o arcipreste Romualdo Coelho é eleito presidente da Junta Provisória do Governo da Província do Pará.
Foi o primeiro paraense e um dos primeiros brasileiros a ascender ao episcopado.
Veio a Portugal e tomou assento nas “Cortes Gerais, Extraordinárias, e Constituintes da Nação Portuguesa”.
No dia 15 de Agosto de 1823, depois de solene Te Deum na Catedral, Dom Romualdo proclamou a adesão do Pará ao Império do Brasil.
Durante a cabanagem (1835-1840) terá papel de destaque.
Governou a diocese de Belém do Pará durante 20 anos, enfrentando graves problemas sociais e políticos.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

ASSOCIAÇÃO DOS «AMIGOS DO BOM JESUS DO MONTE»

Em 1952 era criada a Associação dos «Amigos do Bom Jesus do Monte», com a aprovação dos respectivos estatutos publicados pela Tipografia da Oficina de S. José.
D. António Bento Martins Júnior escrevia sobre esta associação: «é o Bom Jesus do Monte, no seu conjunto, um oásis encantador, maravilhosamente apropriado ao repouso e ao restauro das forças do espírito e do corpo… Nasceu assim a Pia União dos Amigos do Bom Jesus do Monte, que vai dedicar-se de alma e coração a colaborar com a confraria no engrandecimento da formosa estância e no rejuvenescimento da devoção à Paixão e Morte do Senhor».
Os estatutos compõem-se de seis capítulos e dezassete artigos.
Para além de definir no Capítulo I as finalidades da Associação, passa a descrever as cinco categorias de amigos no Capítulo II: simples amigos, amigos benfeitores, amigos insignes, amigos honorários e amigos remidos.
As diversas categorias de amigos terão escapulários próprios, usando as direcções distintivo especial.
Os estatutos referem, ainda, um cerimonial da admissão aos «Amigos do Bom Jesus do Monte», com um acto de consagração e bênção e imposição do escapulário da Pia União.
Fizeram parte da comissão fundadora da associação os seguintes cidadãos: Cónego José Martins Gonçalves, Cónego António de Castro Mouta Reis, Padre Hilário Veloso de Barros, Ricardo da Conceição Amorim, Carlos Fernandes Almeida, António Alberto de Sousa, José Francisco Pinheiro da Costa, António Leitão de Carvalho, Dr. Manuel António da Assunção Sardinha, António Vieira Marques Pereira, António Pereira de Magalhães.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Noviço em Tibães e 4.º Bispo de Belém do Pará

Dom João de São José de Queirós da Silveira, monge da ordem de S. Bento, OSB, nasceu em Matosinhos em 12 de Agosto de 1711, e faleceu no Convento da Alpendurada, Marco de Canaveses, em 15 de Agosto de 1764.
Era filho de Francisco Gonçalves Dias e Joana Dias de Queirós. Com dezoito anos recebeu o hábito de noviço em Tibães, professou no dia 19 de Janeiro de 1729 nas mãos do Dom Abade Frei José de Santa Maria. Estudou Filosofia no Mosteiro de S. Miguel de Refojos de Basto. Ordenou-se Padre no dia 18 de Setembro de 1734 com 23 anos.
Em 10 de Outubro de 1759 o Papa Clemente XII confirma Frei João de São José e Queirós bispo do Pará. Foi ordenado Bispo no dia 4 de Maio de 1760, na cidade do Porto. Dom João de São José chega a Belém do Pará no dia 32 de Agosto de 1760. A entrada solene na Catedral de Belém do Pará deu-se a 11 de Setembro.
As suas viagens pastorais estão descritas em Memórias de Fr. João de São Joseph Queiroz, publicadas em 1868, com uma extensa introdução e notas ilustrativas de Camilo Castelo Branco.
No dia 25 de Novembro de 1763 Dom Frei João de São José segue para Portugal, chamado por uma ordem régia, após ter caído em desgraça aos olhos do Marquês de Pombal.
Camilo Castelo Branco refere-se em primeiro lugar ao quarto bispo do Pará, Dom João de São José, para em seguida se referir ao 6.º Bispo do Pará D. Frei Caetano Brandão: «Da fluente e desempeçada conta de sua vida, transluz, se não me engano, virtude sem blocos, espírito de christão e bispo, certo não propenso a sanctidades nem ageitado para milagres, mas o bastante para não macular a mitra que, dobados annos, assentará na fronte Caetano Brandão, o mais glorioso vulto das christandades lusitanas» (obra citada, p.32).

terça-feira, 8 de julho de 2008

FREI CAETANO BRANDÃO E PADRE ANTÓNIO VIEIRA.

Comemora-se este ano 400 anos do nascimento do missionário Padre António Vieira. Nasceu em Lisboa em 1608, mas com 6 anos partia para o Brasil. Em 1934 é ordenado Sacerdote Jesuíta. Entre 1641 e 1658, depois de regressar a Portugal, desempenha as funções de pregador da corte real. De volta ao Brasil, mais propriamente para o Maranhão, torna-se um missionário, um defensor da causa dos Índios e um combatente contra a escravidão. Morre, em 1697, com 89 anos de idade na Baía.
Também D. Frei Caetano Brandão, embora tendo nascido 132 anos depois, se tornou missionário em terras brasileiras, continuando na defesa dos Índios e dos escravos, embora sem aquele firmeza do Padre António Vieira, pois em muitas situações Frei Caetano mostrou-se mais contemporizador.
Mas ambos lutaram contra os excessos e desmandos dos colonizadores e exploradores brancos, em terras do Maranhão, em canoa pelas margens do Amazonas

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Viagens e Contratempos

Em pleno mês de Junho, era normal encontrar o rosa pálido dos campos, o verde dos prados e das encostas das montanhas, o espectáculo do despertar da natureza que convidam a passear tranquilamente pela praia, a desfrutar de novos perfumes e sabores, a rasgar a espuma das ondas mediterrânicas, a parar em qualquer bar de tapas para refrescar e recuperar. Mas, desta feita, o tempo deu-me as voltas e os pingos de chuva foram superiores aos raios de sol.
Volvidos 14 anos, regressei à maior ilha das baleares, pois quando se guardam gratas recordações há sempre ensejo para revisitá-las.
Deixei as habituais zonas de C´an Pastilla e Arenal e fixei amarras na Baía de Alcudía, na Praia de Muro, local agradável, tranquilo e reconfortante. Os Ingleses e Alemães invadiram esta estância, pelo que se nota uma abordagem turística discriminatória, pois, a título de exemplo, um passeio pela ilha só para Ingleses de Sua Majestade fica por 19 euros, enquanto que para os restantes se situa nos 49 euros.
Mesmo assim, apesar da chuva e da discriminação, foi agradável pois quando o corpo e o espírito anunciam debilidades é preciso reforçá-los com novos projectos com mais cor, luz e ambiente.

domingo, 29 de junho de 2008

FESTA DE S. BENTO

Nos dia 11 e 12 de Julho, a Direcção Regional da Cultura do Norte e o Mosteiro de São Martinho de Tibães organizam a Festa de S. Bento.

No primeiro dia terá lugar um conto infantil e atelier sobre a vida de S. Bento; a inauguração da instalação «Labor e Assombro»; e um Jantar de São Bento. No segundo dia, uma prova de doces conventuais com animação musical.
S. Bento viveu em princípios da Idade Média. Nasceu em 480 e morreu em 547.
S. Bento foi grande pela fundação da ordem dos beneditinos e pela redacção da sua Regra Monástica de Oração e Trabalho. Bastará citar a Abadia de Cluny, a de Fontanelle na Normandia, a de Saint-Sur-Loire, todas em França; Monsarrate no Rio de Janeiro, de São Sebastião na Baía, e da Assunção em São Paulo.
Em Portugal, a partir da segunda metade do século VI, as Abadias de Lorvão, Arouca, Tibães e Tarouca. A partir de 1170 a de Alcobaça e a seguir a de Bouro.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Imagens do I Pedy-Paper «Ao encontro do Património de Braga»




































quinta-feira, 19 de junho de 2008

Centenas de Concorrentes no Peddy-Paper

A EB 2/3 Frei Caetano Brandão, em Maximinos, realizou o I Peddy-Paper, subordinado ao tema «Ao encontro do Património de Braga», no dia 19 de Junho de 2008.
Esta actividade foi promovida pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas e teve como objectivos: o fomento do convívio e das relações saudáveis entre todos os concorrentes; o fortalecimento dos laços inter-ciclos do agrupamento e entre os diferentes intervenientes do processo educativo; o desenvolvimento de iniciativas de carácter educativo, cultural e lúdico, de modo interdisciplinar; a promoção da Educação para o Património nas diversas vertentes cultural, construído e ambiental; a aplicação de conhecimentos adquiridos nas diversas disciplinas do currículo escolar.
Os concorrentes distribuíram-se por 48 equipas e eram constituídas por alunos do primeiro, segundo e terceiro ciclos, professores, funcionários e encarregados de educação.
Cada equipa, munida de um mapa da cidade e de uma bateria de questões, tomou contacto com diversos locais de interesse patrimonial, nomeadamente, o Arco da Porta Nova, a Câmara Municipal de Braga, a Arcada da Lapa, o Largo Carlos Amarante, o Largo de Santiago, o Largo de S. Paulo, a Sé Catedral e o Largo Paulo Orósio.
No final do Peddy-Paper, todos os concorrentes foram premiados com um diploma de participação e um lanche de convívio, oferecido pelo Conselho Executivo, enquanto que as três melhores equipas subiram ao palco, receberam as ovações dos restantes concorrentes e prémios significativos.
Também quatro avôs concorrentes, em representação dos encarregados de educação, receberam medalhas comemorativas dos 25 anos da fundação da escola.
Dado o envolvimento de toda a comunidade educativa e do sucesso alcançado estão lançadas as sementes para a continuação desta iniciativa no próximo ano lectivo.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Peddy-Paper «Ao Encontro do Património de Braga»

A EB 2/3 Frei Caetano Brandão, em Maximinos, vai realizar o I Peddy-Paper, subordinado ao tema «Ao encontro do Património de Braga», no dia 19 de Junho de 2008, com início às 9 horas.
Para além do convívio e das relações saudáveis entre todos os concorrentes, do fortalecimento dos laços inter-ciclos do Agrupamento Vertical de Escolas a Oeste da Colina, pretende-se promover a Educação para o Património nas diversas vertentes e a aplicação de conhecimentos adquiridos nas diversas disciplinas do currículo escolar.
Cada equipa envolve 10 elementos, alunos do primeiro, segundo e terceiro ciclos e dois adultos (professores, funcionários e encarregados de educação).
Neste momento estão constituídas 49 equipas, que envolvem 490 pessoas.
Cada equipa, munida de um mapa da cidade, irá contactar com oito locais diferentes, com interesse patrimonial, onde terão de realizar determinadas actividades: Arco da Porta Nova, Câmara Municipal de Braga, Arcada da Lapa, largo Carlos Amarante, Largo de Santiago, Largo de S. Paulo, Sé Catedral, Largo Paulo Orósio.
No final do Peddy-Paper haverá um lanche de convívio, oferecido pelo Conselho Executivo. Trinta minutos após o termo do peddy-paper serão entregues os prémios às três melhores equipas. Todas as equipas concorrentes terão um diploma de participação.
Dado o envolvimento de toda a comunidade educativa, esperamos que a prova se revista de sucesso para que no próximo ano possamos realizar o II Peddy-Paper e com objectivos mais ambiciosos.

domingo, 15 de junho de 2008

GRANDE CORTEJO DE ANGARIAÇÃO DE FUNDOS


A chuva não estava na previsão da organização. O ambiente morno motivado pela chuva miudinha e persistente não arrefeceu os corações dos habitantes desta freguesia para a angariação de verbas para a Construção do Centro Social Paroquial de Mire de Tibães.
Neste dia 16 de Junho, teve início às 14.30 horas no lugar de Ruães com chegada ao Mosteiro de São Martinho de Tibães, um animado cortejo cuja receita reverterá para o Centro Social, em construção, com as seguintes valências: 15 lugares para mini-lar, 30 lugares para centro de dia, 30 lugares para apoio domiciliário. O custo desta obra é de 800.000 euros. O Estado, através do Programa Pares (Segurança Social) comparticipa com 388.000 euros.
Felicito as Mulheres em Movimento que dão voz a estes anseios e tudo fazem para erguerem esta obra, ao serviço dos mais idosos, um verdadeiro hino à solidariedade.

A EDUCAÇÃO NO ESTADO NOVO

O Departamento de Ciências Sociais e Humanas e o Grupo Disciplinar de História, da EB 2/3 Frei Caetano Brandão, no âmbito do seu plano curricular, propõe uma abordagem ao Estado Novo, fazendo um retrato do regime, com um conjunto de actividades: uma conferência; uma exposição e a publicação de uma brochura.
Aproveitamos esta excelente iniciativa, para apresentar algumas ideias-chave da política educativa do Estado Novo, política fundamental num Poder Executivo forte e autoritário que não depende de partidos políticos.
A “Educação” numa cidadania livre e solidária deve contribuir para a formação de indivíduos com espírito crítico que defendam os princípios de vivência democrática. Nesta sociedade são fundamentais os deveres e os direitos dos cidadãos: liberdade de opinião, de expressão, de associação e de reunião.
Mas nem sempre a «educação» foi utilizada no âmbito destes princípios, antes, pelo contrário, no Estado Novo, regime que vigorou entre 1926 e 1974, a Educação limitava e castrava o espírito criador, democrático e libertador e subordinava-se a uma ideologia que afirmava:
- o mestre como um modelador de almas, para educar politicamente;
- o livro escolar como principal ordenador da cultura, da memória e da acção escolares;
- a utilização de estratégias de endoutrinação de valores;
- a Trilogia da Educação Nacional «Deus, Pátria, Família», como síntese da pedagogia e da educação moral do regime;
- a apologia de um lar perfeito, rústico, humilde, analfabeto, patriarcal, cristão;
- a simples vida do campo, por oposição aos vícios gerados pela vida urbana;
- a mulher submissa, que cumpre a sua missão de esposa e mãe;
- o pai, chefe de família, que chega do campo onde labuta para angariar o sustento da casa;
- o crucifixo, o pão e o vinho sobre a mesa.
Nessa tela, ou retrato do regime, a escola figura como um palco privilegiado para a inculcação, para a endoutrinação moral, para a imposição de lições, princípios e valores.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

«O Mocho» De Tibães e « O Problema de Deus » (8)

É sobre o capítulo III do livro de Diamantino Martins O Problema de Deus, que António Gonçalves expõe, abertamente, o seu pensamento sobre «Que é Deus?».
Uma vez que o Sacerdote Jesuíta introduz este capítulo com uma citação de Heidegger «Ser e Deus não são idênticos», também António Gonçalves parte deste pressuposto. Diz A. Gonçalves que Heidegger tem razão porque uma pedra também é, o que é, mas não é Deus. Uma coisa é ser, outra coisa é existir. «Penso, logo, existo». Para existir é necessário o pensamento e a consciência.
Não é Deus que tem de ser pensado e demonstrado em função do ser: é o ser que tem de ser demonstrado em função de Deus.
Continua A. Gonçalves, é possível que nisto Heidegger tenha razão. Porquanto, sendo Deus idêntico ao ser, ou à síntese de todos os seres, talvez esta identidade equivalesse ao panteísmo. Em vez de ser idêntico ao ser, Deus é criador do próprio ser e de todos os seres passados, presentes e futuros. Numa palavra, Deus é a fonte do ser. Deus é supra ser. Deus é a fonte viva do ser, de tudo o que é. Nada se adianta com identificar Deus com o ser, porque o verbo ser, sem predicado algum, é vazio de sentido, não é nada. Ser é um verbo substantivo. Identificando Deus com a substância, cairíamos no panteísmo de Espinosa. Concordo, escreve A. Gonçalves, com Heidegger, nas suas reservas: o ser, sem qualquer predicado, não é nada.
Deus não tem natureza porque não nasceu: é eterno e sobrenatural. Os seres nasceram. Quantas vezes, desabafa ele, eu tenho dito a mim mesmo, que a existência do homem constitui uma prova profunda da existência de Deus e que a ciência do homem seria impossível sem a existência de Deus.
Não será o Ser uma abstracção de todos os seres? Se assim é, tem Heidegger razão, porque Deus não pode ser uma abstracção.
Sabemos que Deus existe (problema da existência), mas não sabemos o que Ele é (mistério da essência de Deus).

quinta-feira, 29 de maio de 2008

TIBÃES GOLF

Lemos no JN que Tibães vai receber o primeiro campo de golfe do concelho de Braga, cujo projecto contempla uma área de intervenção de 350 mil metros quadros. O promotor é a RAR Imobiliária que, junto ao Mosteiro de Tibães, pretende arrancar, no segundo semestre deste ano, com a construção de um campo de nove buracos, além de 29 moradias e club-house. O empreendimento está orçado em 30 milhões de euros.
A RAR pretende avançar com os trabalhos até ao final do mês de Setembro, após a desafectação dos terrenos agrícolas para área de equipamentos. De resto, o projecto foi já aprovado pela Câmara Municipal de Braga.
"Tibães Golfe" é um projecto para ficar concluído até ao final do ano de 2009.

terça-feira, 27 de maio de 2008

«O Mocho» De Tibães e « O Problema de Deus » (7)

Outro livro repetidamente lido foi O Problema de Deus de Diamantino Martins, Sacerdote Jesuíta, editado pela extinta Livraria Cruz de Braga em 1956.
António Gonçalves inicia os seus comentários a este livro pelo prólogo, pois o autor refere «este livro, embora perigoso, pode ser lido por todos». Comenta o habitante de Tibães: segundo um velho ditado, presunção e água benta, cada qual toma a que quer… não nos mete medo este perigo, o que de facto desejamos é encontrar Deus, sem lhe poder fugir.
Em minha opinião, António Gonçalves faz, nas margens deste livro, observações muito profundas. Segundo António Gonçalves o Génesis diz que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, e Cristo ao ensinar-nos que Deus é o nosso supremo Pai, o «único» a quem devemos dirigir as nossas orações, dão testemunho de que existe entre Deus e o Homem um inegável parentesco espiritual, uma verdadeira afinidade entre o Criador e a Criatura. Ainda no prólogo faz outros comentários: substitui a expressão «há-de vir a cair um dia» por «poderá vir a cair um dia» e acrescenta à frase de Diamantino Martins «é um mistério incompreensível a passagem do finito para o infinito», nem o infinito pode caber no finito, nem Deus pode caber nas premissas de um silogismo. Mais à frente Dimantino Martins escreve «Deus oculta-SE», reage A. Gonçalves desta maneira: se Deus se oculta, como podemos encontrá-lo? Não será possível iludirmo-nos, quando pensamos falar-lhe? Não. Pelo contrário, Deus revela-se misteriosamente à humanidade e é dessa revelação confusa que procedem as religiões. Corrige algumas palavras do autor: controle por comprovação e, logo a seguir, necessariamente por habitualmente.
Quando no livro se lê «Tudo vem de Deus, tudo vai para Deus» ele aprofunda «tudo vem do Nada pela vontade criadora de Deus. O que for desnecessário ao desígnio divino, ao Nada voltará. Só terá a vida eterna quem amar a Deus sobre todas as coisas e cumprir como puder a vontade divina».
Relativamente ao último parágrafo do prólogo, escreve que embora haja aqui exagero, é certo que o conhecimento, implicando uma assimilação espiritual, aumenta e transfigura o ser que conhece e assimila.
Quando na página 61 se lê «Como Deus é a causa do Universo…», ele observa: Deus, causa do universo, é uma maneira de falar. Há um nexo de necessidade entre a causa e o efeito. Ora o Universo é contingente; e, se existe é somente por vontade graciosa de Deus. Em vez de dizermos que Deus é causa do Universo, melhor será dizermos que Ele é o criador e conservador da natureza, que só existe pela sua graça e pela sua vontade.
A cultura vasta de António Gonçalves permite-lhe todos os relacionamentos. Quando na página 64, Diamantino Martins exprime «Tudo se tornava compreensível para o pequenito…», , ele aconselha a ler a Teoria do Conhecimento de J. Hessen, página 107. Quando na página 70, Diamantino Martins alude a Paul Claudel, António Gonçalves acrescenta que Claudel rendeu-se ao catolicismo pelo coração antes de se render pelo intelecto.
Na página 81, Comenta duas afirmações:«Deus, termo lógico de um silogismo existencial…dois problemas fundamentais temos de separar, aceitação e justificação». Relativamente à primeira afirmação, conhecer a existência de Deus mediante um silogismo não equivale a conhecê-lo intuitiva e imediatamente como presença pessoal? A escolástica medieval fazia da fé em Deus a premissa maior de muitos silogismos que aceitavam como certa a existência de Deus. A filosofia moderna é mais escrupulosa nesses pontos. Quanto à segunda, vemos o mundo e vemos o nosso corpo, mas a Deus não o vemos… Só as almas ingénuas podem aceitar directamente a existência de Deus, sem qualquer intervenção do próprio entendimento.
A propósito da afirmação de Diamantino Martins, na página 84, «Ao instituirmos a reflexão filosófica encontramo-nos com o outro em nós, com o Mundo e com Deus». Questiona A. Gonçalves, quem é esse «outro» com quem nos enconramos, a não ser o género humano? Ninguém jamais viu a face de Deus. Quando tão altos espíritos coo Santo Agostinho e Unamuno proclamam a sua fome de Deus, é legítimo duvidar de que deveras O tenham encontrado. Se o tivessem encontrado, sentir-se-iam saciados.

terça-feira, 20 de maio de 2008

GRUPO CASAIS, COM SEDE EM TIBÃES, COMEMORA 50 ANOS

No próximo dia 23 de Maio, este grupo, fundado por António Fernandes da Silva, mais conhecido por Mestre Casais (1924-2006), comemora 50 anos de existência.
Para celebrar a efeméride, o dia inicia-se com uma missa solenizada, pelas 12.30 horas, no Mosteiro de São Martinho de Mire de Tibães, seguida de almoço na sede do grupo.
Ao fim da tarde, no Teatro Circo, o programa continua:
- 19.00 hs, Cocktail de Boas Vindas;
- 20.00 hs, Jantar volante;
- 21.30 hs, Discurso do Presidente do Conselho de Administração;
- 22.00 hs, Apresentação do livro Mestria;
- 22.30 hs, Espectáculo Mestria.
No prefácio ao Livro Mestria, Dom Jorge Ortiga escreve: «O mundo foi criado, numa harmonia encantadora, mas confiado aos homens com o encargo de o embelezar e tornar mais consentâneo com as necessidades dos mesmos».
Juntamos uma foto do Livro Mestria, com todos os membros da Família Casais, que trabalham nas diversas empresas do grupo.


segunda-feira, 19 de maio de 2008

NOITE UP'S A PARTIR DE TIBÃES

Uma «directa com Deus» é uma iniciativa dirigida aos jovens da arquidiocese de Braga. A noite UP'S (Upa para o Sameiro) acontece no próximo dia 23 de Maio, tem como ponto de partida o Mosteiro de S. Martinho de Tibães. Depois da eucaristia, pelas 22 horas, os jovens iniciam a caminhada em direcção ao Sameiro, passando pela Rodovia, Bom Jesus do Monte, estando prevista a chegada ao Sameiro pelas 8 horas da manhã.
Nesta peregrinação podem participar os jovens com mais de 15 anos de idade, através de uma inscrição por e-mail ups.directacomdeus@gmail.com.

domingo, 18 de maio de 2008

OUTDOOR 2008 – SOCIMORCASAL - EMPRESA COM RAÍZES EM TIBÃES

Esta empresa bracarense, no culminar de um plano de formação, iniciado em 2006, promoveu um convívio, em Diverlanhoso, no passado dia 17 de Maio. Este projecto de formação foi elaborado com a colaboração da Process Advice. Este Outdoor foi integrado no módulo «Gestão de tempo, comportamentos e conflitos.
Tive o prazer de ser convidado para este convívio, daí o meu reconhecimento, divulgando esta iniciativa.
Foi um momento inesquecível para todos os participantes, pelo ambiente criado, pelas actividades colaborativas realizadas, pelo almoço e lanche, pelo tempo que ajudou à festa, pela camaradagem e trabalhos de equipa. Tudo isto foi colocado em prática nas actividades desenvolvidas ao longo do dia. Depois de um brieffing, todos os participantes divididos em grupos, que se distinguiam pelas cores das camisolas, fizeram slyde, caça ao tesouro e paintball.
Houve vencedores, mas os prémios foram distribuídos da mesma forma por todos.


































































«O Mocho» de Tibães e «António Sérgio» (6)

Outro livro absorvido, sublinhado e comentado pelo Sr. António Gonçalves «O Mocho» foi Confissões de um Cooperativista de António Sérgio, editorial inquérito, datado de 1948.
Quando António Sérgio, na página 11, do livro citado, refere a supressão da guerra para a conquista da côdea e o advento de uma democracia que não há-de ser fictícia, António Gonçalves concorda com ambas as afirmações, em tempo de ditadura, pois segundo ele não deveria ser necessária a guerra para a conquista do pão de cada dia e reafirma o seu sim a uma democracia não fictícia, pois as actuais são fictícias. Portugal, fiel à sua história, não pode desinteressar-se de nada do que se passa no universo.
Quando na página 17, António Sérgio afirma « é dever nosso tratarmos a natureza humana … como um fim em si mesmo», António Gonçalves não podia estar mais de acordo, pois o Homem deve ser considerado como um fim em si mesmo e não como um meio, se não queremos cair na mais hedionda das tiranias, a tirania totalitária, que despe dos seus direitos humanos o cidadão, para fazer dele, apenas, uma máquina ao serviço do Estado Omnipotente.
Elogia António Sérgio por sublinhar o lado concreto dos problemas e acredita que o cooperativismo integral de produção e de consumo constituiria a resposta natural aos males do capitalismo e do comunismo. O cooperativismo deveria ser um complemento da economia actual e nele o Estado deveria exercer um papel de colaboração e de coordenação, deveria ser o cérebro federador dos cooperatistas (António Gonçalves prefere o termo cooperatista a cooperativista), excluir o Estado da organização cooperativa seria uma aventura destinada ao malogro.
Não concorda com António Sérgio em algumas das suas afirmações: página 31, quando diz «tudo é provisório na evolução do mundo … o socialismo de estado é uma solução passageira em relação ao socialismo cooperativista» e chega a corrigir o seu português, quando substitui «mais bem» por melhor, na página 27.
António Gonçalves tem uma reacção veemente e hilariante em relação a observações que António Sérgio produz na página 13 «o rumo geral que têm tomado as coisas no maior país socialista do mundo pode servir de apoio ao que estou dizendo… na União das Repúblicas Socialistas, a pesca é inteiramente cooperativa, e não do Estado; e a Agricultura, hoje em dia, é quase inteiramente cooperativa, realizada por sociedades que se nomeiam colcozes…». Responde «o Mocho»: merda e mais merda, António Sérgio está muito pouco informado do que se passa na Rússia, fala-nos dum suposto cooperativismo soviético com uma ingenuidade que faz rir. Então não pode haver cooperativismo sem passar por Moscovo?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Tibães perde um dos habitantes ilustres


Bateu, no dia 14 de Maio de 2008, à porta do Senhor, um sacerdote que viveu grande parte da sua vida na freguesia de Mire de Tibães, o Padre David José Antunes.
Era um Padre do Povo, que viveu com o povo e para o Povo do Senhor.
Possuía uma memória prodigiosa. Qualidade que era reconhecida por todos quantos privaram com ele.
Cultivou sempre a simplicidade. Nunca deixou o hábito, o fato preto; nunca adquiriu uma viatura; andou sempre nos transportes públicos e misturava-se com os trabalhadores.
Nasceu a 6 de Janeiro de 1912 na freguesia de Pedralva. Ordenado sacerdote a 11 de Julho de 1937. Pároco de Semelhe e Gondizalves de 1937 a 1947. Pároco de Mire de Tibães de 1947 a 1967. Pároco de S. Mamede de Este de 1967 a 1987.
A partir de 1987, optou por viver na freguesia de Mire de Tibães, na casa de uma sobrinha, onde viria a falecer em 14 de Maio de 2008. Jaz sepultado, igualmente, nesta freguesia.

domingo, 20 de abril de 2008

CENTRO SOCIAL E PAROQUIAL DE SÃO MARTINHO DE TIBÃES

O Centro Social e Paroquial de Mire de Tibães, tendo sido já registado como IPSS, em 6 de Abril de 2004, no Diário da República nº 82, III Série, reunindo por isso condições para realizar acordos ou protocolos de cooperação com qualquer Instituição.
O Centro Social e Paroquial de Mire de Tibães, nasceu a partir de um grupo de mulheres constituídas informalmente por “Mulheres em Movimento”, que tendo a percepção das necessidades a nível de acompanhamento e de alguns cuidados, da população idosa de Mire de Tibães iniciou essa actividade com visitas aqueles cuja situação merecia uma atenção mais urgente.
Com a chegada do Sr. Padre José Morais para pároco de Mire de Tibães, este grupo de mulheres sentindo-se com apoio mais institucional, aceitou o desafio e foi constituído formal e legalmente o Centro Social e Paroquial de Mire de Tibães.
Actividades – O Centro mantém aberto todos os dias úteis de tarde um Centro de Convívio a funcionar provisoriamente na Escola E.B1 de Ruães dispondo para isso de uma carrinha de para transporte dos utentes entre a residência e o Centro de Convívio, com cerca de 20 utentes acompanhados por 3 voluntárias das “Mulheres em Movimento”, aconselhadas por 2 técnicas de acção social, que asseguram um programa de actividades, para motivação dos utentes.
No dia 1 de Maio de 2008 terá lugar a bênção da 1.ª Pedra do Centro Social e Paroquial, com o seguinte programa:
- 14.30 hs concentração e recepção às autoridades;
- 15.30 hs cerimónia da bênção da 1.ª pedra do Centro Social e Paroquial;
- 15.30 hs tarde cultural animada pelos diversos grupos da freguesia.

sábado, 19 de abril de 2008

Bom Jesus do Monte - As 7 maravilhas de Braga

Em 2007, a ASPA, Associação para a defesa, estudo e divulgação do Património Cultural e Natural, promoveu um concurso subordinado ao tema, Maravilhas e Pesadelos de Braga. Os resultados referentes às maravilhas foram os seguintes:
Bom Jesus do Monte – 86,5%
Sé Catedral – 69,9%
Mosteiro de Tibães – 66, 8%
Conjunto Largo do Paço / Biblioteca – 61,9%
Jardim de Santa Bárbara – 47%
Capela de Santa Maria Madalena – Falperra – 40,1%
Casa e Capela do Coimbras – 33,2%

sábado, 12 de abril de 2008

JOVEM COM ORIGENS EM TIBÃES ORDENADO DIÁCONO

Tiago André Fernandes Freitas, da paróquia de S. Lázaro, filho de José Auspício Freitas, natural de Mire de Tibães, falecido, neto da Senhora Maria Leça a residir na freguesia de Mire de Tibães, vai ser ordenado Diácono na Basílica do Sameiro, no dia 13 de Abril de 2008, pelas 15.30 hs, no Dia do Bom Pastor, juntamente com mais seis diáconos.
Até nos apetece dizer que Tibães tem sido um viveiro de sacerdotes, onde as sementes do Evangelho caíram em bom terreno.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Uma Visita ao Bom Jesus do Monte

O Programa Ecclesia, da RTP2, que emite de Segunda a Sexta-feira, às 18 horas, passou uma reportagem sobre o património do Bom Jesus do Monte, no dia 1 de Abril, incluído numa emissão mais vasta sobre a Arquidiocese de Braga, com intervenções de Dom Jorge Ortiga, Padre Cândido Pedrosa, Dr. José Carlos G. Peixoto e Cónego Tinoco.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

UM MILAGRE NO COUTO DE TIBÃES

O livro de 1721 do Padre António de Mariz Faria, intitulado Peregrino Curioso da Vida e Morte, Trasladação e Milagres do Glorioissimo Senhor S. João Marcos, na Augusta Cidade de Braga, no capítulo XIX, faz a relação dos milagres, que Nosso Senhor obrou por intercessão do glorioso Mártir São João Marcos. A páginas 193, relata :«Antonia solteyra, da freguesia de Parada, Couto de Tibães, não podendo mover hu braço, o meteo no tumulo do glorioso santo, em 13 de Mayo de 1718 & logo ficou saã».

terça-feira, 1 de abril de 2008

Corpo Nacional de Escutas – CNE - Tibães

50 ANOS AO SERVIÇO DA COMUNIDADE
O Escutismo nunca parou de crescer desde que foi fundado em 1907, tendo duplicado o seu efectivo nos últimos 30 anos. O Escutismo complementa a acção da escola e da família, preenchendo necessidades específicas dos jovens de ambos os sexos e desenvolve o conhecimento individual, a necessidade de explorar para descobrir, para saber. Também proporciona aos jovens uma educação global, de modo a prepará-los para serem cidadãos participativos e responsáveis nas suas comunidades.
Em Mire de Tibães, o escutismo nasceu em 27 de Abril 1957, sendo a mais antiga instituição de juventude existente na nossa comunidade. Tem a sua sede na Casa do Povo de Mire de Tibães.
O Escutismo tem promovido a educação dos jovens a partir do contacto com a natureza, podendo afirmar-se que as preocupações ecológicas e ambientais fazem parte da sua matriz fundacional.

domingo, 30 de março de 2008

«MOCHO» DE TIBÃES, O «POETA» (5)

Quando regressava diariamente da cidade, a pé, depois de catorze quilómetros percorridos (ida e regresso), era abordado à entrada da aldeia pelos miúdos que lhe pediam: «Sr. Gonçalves queremos uma poesia?». Na hora e, de improviso, soltava alguns versos que enchiam de satisfação a rapaziada. Terminada a sessão dispersavam e o Sr. Gonçalves lá se dirigia para casa enfarinhar-se nos livros.
A prosa, modo de apresentar uma arquitectura do próprio pensamento, pode ser uma forma de poesia horizontal. Por sua vez, a forma curta de métrica poética, representaria uma nova forma de libertação da poesia, ou seja, António Gonçalves estava consciente da dicotomia entre poesia e prosa poética e exemplifica:
Um par de noivos,
Num carreiro escuro,
Ambos agarrados,
Como a hera ao muro.
Sente-se em António Gonçalves uma angústia existencial, uma busca ontológica da providência. Isso é evidente na sua poesia:
Enquanto meus olhos, num rezar ausente
Tristemente pousam numa sombra em cruz…
Uivos, alarido, silvos de serpente,
É Satam que passa em seu domínio ardente
Meu achar doente, sem achar Deus.
Mal fujo aturdido deste antro de treva,
Lá vem nova leva de escravos sem luz,
Vagamente buscam na distância a cruz.
Os habitantes da freguesia conhecem-no, fundamentalmente, por ser um poeta popular, que tinha sempre uma estrofe na ponta da língua:
Eia, pois, avante,
Santo Coração…
Porque a vida é «sim»,
porque a morte é «não».
Estes artigos foram possíveis pela amabilidade do Sr. Avelino Ribeiro da Silva por nos ter disponibilizado algum do seu espólio. O nosso reconhecido agradecimento.

quinta-feira, 27 de março de 2008

EAU VIVE – EM TIBÃES

Lemos no Primeiro de Janeiro de 26 de Março de 2008, que o restaurante a instalar no Mosteiro S. Martinho de Tibães terá a designação Eau Vive - Água Viva, à semelhança dos restantes restaurantes explorados (em Paris e em Roma), pela comunidade que virá para Tibães.
As monjas francesas vão explorar o restaurante e a hospedaria, construídos no que resta das ruínas do noviciado e do antigo hospício do Mosteiro de Tibães.
A vinda desta comunidade deve-se ao arcebispo primaz D. Jorge Ortiga que, na impossibilidade de trazer de novo beneditinos pela escassez dos que ainda existem, conseguiu que esta comunidade de religiosas leigas aceitasse o convite de se implementar pela primeira vez em Portugal.
A filosofia que vai ser seguida pelas religiosas leigas já é conhecida nos restaurantes explorados em Roma, perto do Panteão, e em Paris, próximo do Moulin Rouge. Depois de uma refeição confeccionada pelas monjas, elas disponibilizam-se para conversar com os clientes e para no final rezar em conjunto caso essa seja a vontade dos clientes.

quarta-feira, 26 de março de 2008

MESTRE CASAIS

António Fernandes da Silva, N. 10-04-1924, F. 14-11-2006. Casado em com Conceição da Silva Gomes, N. 12-06-1924. António Fernandes da Silva também conhecido por Mestre Casais, à semelhança do seu progenitor. O nome «Casais» não figura em nenhum nome próprio dos seus antepassados. Já a sua Trisavó, Maria Rosa da Cunha era, igualmente, conhecida por Maria Casais, como se pode constatar pelo Assento de Baptismo (a seguir) de Maria (Teresa) da Silva, mãe de José Gonçalves da Silva. Certidão onde aparece pela primeira vez o nome «Casais».
«Casais» terá origem na profissão dos antepassados de António Fernandes da Silva. Muitos deles foram rendeiros de terras pertencentes aos Beneditinos de Tibães. Esses rendeiros eram vulgarmente designados por «Casales». Que daria, posteriormente, e, por evolução da língua, origem ao nome «Casais». Este facto é, igualmente, constatável em localidades próximas de comunidades conventuais. António Fernandes da Silva era filho de:


José Gonçalves da Silva, N. 26-4-1901, F. 14-12-1998. Casado em 30-3-1923 com Deolinda G. Fernandes, N. 11-8-1873, F. 4-3-1956. José Gonçalves da Silva era filho de:


António José Gonçalves (da Silva), N. 7-8-1858, em Tibães, Prof. Ferreiro. Casou em 14-5-1883, em Tibães, com Maria (Teresa) da Silva, N. 26-7-1862, prof. Jornaleira. Sepultada na Campa 11 dos Claustros do Convento. Filha de:


José Ferreira da Silva e Inácia da Cunha, N. 16-8-1832, em Padim da Graça, prof. contratadeira de pano. Filha de:


Maria Casais ou Maria Rosa da Cunha, N. 10-3-1796, em Padim da Graça. Casada em 18-12-1823 com António José da Cunha, N. 16-3-1795. Filho de:


Ana (Maria) Gonçalves, N. 3-6-1765. Casada, em 16-6-1791, com Manuel José da Cunha, N. 12-5-1769. Filho de:


Feliciano Francisco Pereira, F. 11-12-1824. Casado, em 18-3-1774, com Teodósia Francisca da Cunha, N. 11-12-1747, F. 23-5-1824. Filha de:


Ana Francisca, N. 27-3-1711, F. 1-2-1787. Casada com António da Cunha, N. 29-12-1717, F. 12-6-1801. Filho de:


João Vieira e de Gertrudes da Cunha, F. 5-6-1724. Filha de:


João Osório da Cunha, F. 12-3-1708, Casado em 30-5-1698 com Mariana Ferreira, baptizada em 4-9-1678.

terça-feira, 25 de março de 2008

O «MOCHO», FILÓSOFO E HOMEM DE FÉ (4)

«Mocho» era alcunha de António Gonçalves. Na sua casa havia, mesmo, um mocho em bronze no interior de um nicho.
Sobre a Ciência tinha uma perspectiva interessante. Para ele, a Ciência brinca com as ideias, como as crianças brincam com as areias na praia. A Ciência, em seu entender, é irmã gémea da arte, ou, como dizia Platão, a beleza é o resplendor da verdade.
Como foi em artigo anterior, embora não frequentasse a Igreja era, no entanto, um homem de fé.
Quando B. Kuznetsov comenta a vida privada de Einstein, recordando que era um espírito continuamente activo pois nem mesmo às horas da refeição descansava, por esta razão o seu casamento começou a desmoronar-se e o desacordo com Mileva intensificou-se. Sobre esta atitude de Einstein, António Gonçalves, escreve que isto lhe faz lembrar Bertrand Russell e vai mais longe: «tal, como eu, dificuldades matrimoniais … Que me sirva de consolação…».
Na sua ilustrada biblioteca figuravam os dois volumes de B. Kuznetsov sobre Albert Einstein. Nos comentários que produziu nas margens destes livros, podemos sintetizar as suas ideias:
- a consciência da humanidade que a base das religiões superiores expressas nas várias civilizações revela a cada passo a sua origem divina;
- Cristo é o símbolo da fusão de Deus e da humanidade;
- era preciso «canonizar» o materialismo;
- nem espaço, nem tempo, nem causalidade são materialidades puras, mas são provavelmente atributos da omnipotência divina, criadora do universo e das leis que o regem;
- o espaço e o tempo não podem adicionar-se, por serem categorias de natureza distinta: o espaço do mundo é finito; mas o tempo é infinito;
- o critério Einsteineano de «perfeição interna» e de «confirmação externa» são equivalentes à revelação transcendental de origem divina;
- a fé íntima de Einstein na harmonia de um mundo cognoscível era uma fonte das intuições internas, que lhe alimentaram o espírito.
Os seus comentários aos dois volumes de Kuznetsov sobre Albert Einstein terminam com uma afirmação surpreendente: «o erro de Einstein consiste fundamentalmente em atribuir ao espaço e ao tempo uma estrutura atómica, como se houvesse átomos de espaço ou átomos de tempo. É aqui que naufragam as teorias da relatividade de Einstein e o seu princípio da causalidade».
Outro livro objecto da sua análise, era da autoria de João Ameal intitulado São Tomaz de Aquino. Também aqui abundam as suas proposições:
- a inteligência busca a presença da causa em tudo, excepto em Deus, mas Deus não podia ser nosso Pai, se Cristo não fosse nosso irmão desde a eternidade;
- é provável que a razão humana seja uma revelação natural do criador;
- maior e menor são termos relativos às coisas extensas, isto é, a coisas existentes no espaço.
Deus não é maior nem menor, porque não é extenso nem existe no espaço nem no tempo, como a natureza, mas é eterno e imenso, isto é, preexistente ao espaço e ao tempo;
- enquanto a natureza, ou Universo, não foi criada, embora já existisse no projecto divino, faltava-lhe a perfeição da realidade objectiva;
- não nos é vedado, em absoluto, o conhecimento da essência de Deus, visto que sabemos que é essencialmente activo, criador, eterno e imutável, etc, o que já não é pouco e nos prepara para um conhecimento melhor;
- a propósito da expressão «primeiro motor imóvel» de São Tomaz de Aquino, argumenta que não gosta da designação de «motor» aplicada a Deus. Deus não é motor de qualquer tipo preexistente da matéria, mas sim Criador do Universo a partir do zero… é da omnipotência divina que dimana a potência e o acto de criar o universo, a partir do zero;
- para António Gonçalves é inequívoca a expressão «Deus existe na eternidade». Não há nenhuma eternidade distinta de Deus. Deus é que tem necessariamente o atributo da eternidade;
- se houvesse vários Deuses, nenhum deles seria infinito… e nenhum deles seria Deus;
- comentando a solução dos maniqueus, adianta que sem a experiência do bem e do mal, não haveria consciência humana, nem humana liberdade.
Quando comenta uma expressão que vem no livro Fernando Pessoa, Páginas Íntimas e de Auto-Percepção, textos estabelecidos e prefaciados por Jacinto Prado Coelho e Georg Rudolf Lind, «Regresso aos Deuses», ele comenta: ao contrário, comungo com Erasmo no Regresso a Cristo».

domingo, 23 de março de 2008

O COMPASSO EM TIBÃES




Nesta noite de Páscoa, escrevo para muitos emigrantes, que longe lutam pelo pão, mas com o espírito presente na sua aldeia, no seu lugar, nas Páscoas anteriormente vividas, mas que, agora, o tempo não permite.
Na Páscoa (do hebraico Pessach, passagem) comemoramos a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação que teria ocorrido nesta altura do ano em 30 ou 33 d.C.
O Compasso Pascal é, com certeza, a maior manifestação da festa da Páscoa no Minho, sendo aproveitado para a reunião das famílias.
O Norte está recheado de tradições como o “compasso”, que de porta em porta à espera do anúncio da “aleluia”, ao som do toque das campainhas e o olhar sempre caído nas doçarias tradicionais.
O compasso anda na rua! Familiares, vizinhos e amigos apressam-se a desejar as "Boas Festas", enquanto que o Padre, de casa em casa, leva a mensagem: Cristo Ressuscitou / Aleluia … Aleluia …
Este ano, em Tibães, o compasso saiu à rua pelas 08.00 horas, já o sol envergonhado cobria esta terra com os seus doces raios, em contraste recolheu, com uma pequena procissão a partir do cruzeiro, pelas 19.30 com gotas de chuva, quais pingos de mel.
Durante todo o dia, cinco cruzes, duas presididas por padres e três por leigos, mais os mordomos da cruz e da cera, convidados com os saquinhos para as ofertas, com a caldeira da água benta, rapazes das sinetas, entraram em todas as casas da freguesia, recebidos com alegria por uns, com foguetes por um ou outro, com uma mesa farta por alguns, com esperança que a dor desapareça, ainda, por outros.
A Páscoa, nesta terra, é preparada e vivida com muita fé, embora a tradição tenha sofrido algumas alterações, até já não se estreia a roupa nova como era antigamente.

sexta-feira, 21 de março de 2008

A ÁGUA E O BOM JESUS DO MONTE

A água como recurso natural, sendo simultaneamente um bem comum, indispensável e esgotável, deverá ser respeitada, porque é essencial à vida. Segundo alguns cientistas, «O berço da própria vida».
Após o nosso planeta ser observado e fotografado por várias missões espaciais, foi dito que, ao invés de Terra, o mesmo deveria ser chamado de Água. Quando olhamos a fotografia do planeta, percebemos que a água ocupa a maior parte. O que vemos em branco são nuvens e em marrom os continentes.
Assim dar valor á água é preservar a vida, porque ela é, em si mesma, fonte de vida. Sendo um “bem público”, é património de todos os seres vivos.
A Água está na origem do mundo: o “Espírito de Deus pairava sobre as águas”; A arca de Noé; as águas do dilúvio; a travessia do mar Vermelho; a travessia do Rio Jordão que leva o Povo de Deus à Terra Prometida; no alto da cruz, do seu coração trespassado jorram sangue e água, é fonte das águas vivas “Quem beber desta água não terá mais sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”.
A água é um elemento constantemente presente a quem visita o Bom Jesus do Monte: nas suas fontes cristalinas, no jorrar abrupto por entre a vegetação, na elevação do ascensor, nos escadórios dos cinco sentidos.
As fontes são constantes no santuário e representam, além de saciar a sede, a possibilidade de retemperar forças. Simbolicamente beber «a água viva» significa purificar o corpo e o espírito e estão disseminadas ao longo de toda a estância do Bom Jesus, ora ladeando capelas, ora ornamentando os escadórios, ora isoladamente para ir de encontro às necessidades do devoto.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Semana Santa e Páscoa em Tibães

Procissão de Ramos



A celebração da Semana Santa e da Páscoa constituem o momento culminante de todo o ano litúrgico.
É a manifestação clara de que somos uma comunidade que vive o mistério central da sua fé e que, no meio de tanta azáfama, sabe encontrar tempo para o essencial.
O programa destas celebrações é muito rico:
- Dia 15 de Março, sábado, Via-sacra pelas Ruas da paróquia, organização do Grupo de Jovens;
- Dia 16, bênção de ramos, junto do Cruzeiro, seguida de Missa;
- Dia 20, Missa com lava-pés, às 20 hs, no Mosteiro;
- Dia 21, Celebração da Paixão do senhor no Mosteiro, pelas 20 hs;
- Dia 22, Vigília Pascal, pelas 21 hs, com a bênção do lume novo, junto do cruzeiro;
- Dia 23, Domingo de Páscoa, com a visita do Compasso Pascal, constituído por cinco cruzes.

sábado, 15 de março de 2008

Conselheiro Leonardo Caetano de Araújo e o Bom Jesus do Monte

O Conselheiro Leonardo Caetano de Araújo nasceu em Parada de Gatim, a 11 de Maio de 1818,
Quatro anos antes da independência (1822, 7 Set.) do Brasil e faleceu no Rio de Janeiro, aos 85 anos, como 0 mais antigo membro da Colónia Portuguesa, a 5 de Junho de 1903.
O seu pai nasceu, em 1761, chamava-se António Jose da Silva e casou, em Parada de Gatim, duas
vezes. Ala em 1792, aos 31 anos, com Maria Joana (do lugar de Aldeia Nova, filha de Tomás Francisco e Catarina Fernandes), a qual, nove anos depois, 0 deixou viúvo com um filho e urna filha, de 7 e 3 anos.
Em Junho de 1802, já com 41 anos, contraiu matrimónio, com uma jovem de apenas 17 anos, chamada Maria Caetana de Araújo, havia nascido em 1785, no lugar do Monte, em Cabanelas, no seio de uma família numerosa. Deste casamento nasceram pelo menos cinco rapazes e seis raparigas. Foi póstuma a ultima rapariga, que nunca viu 0 pai nem 0 pai a ela. O futuro Conselheiro foi 0 penúltimo filho e contava, em 13 de Novembro de 1820, quando o pai faleceu, apenas dois anos e meio.
Fixou-se no Rio de Janeiro, onde angariou tal fortuna que lhe permitiu ser plenamente notável Português no Brasil e admirado Brasileiro em Portugal. O Conselheiro assegurou à sua custa 0 funcionamento total do Hospital da Real Sociedade da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, durante o mês de Fevereiro de 1865.
Alargou a sua benemerência ao seu pais de origem, contribuindo para obras diversas de Coimbra, do Porto, de Braga (Colégio da Regeneração, Colégio dos Órfãos de S. Caetano, e Santuário do Bom Jesus do Monte.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Camilo Castelo Branco no Bom Jesus do Monte

Camilo Castelo Branco (1825-1890), autor do livro NO BOM JESUS DO MONTE, foi um amante da estãncia do Bom Jesus do Monte. Desde muito cedo conviveu com este lugar de repouso e de lazer. Tinha dez anos quando visitou, pela primeira vez, este lugar sagrado e irradiador de fé.
A sua serviçal teve de passar pelo Bom Jesus para cumprir uma promessa: «Tinha dez anos e estava ajoelhado na capela onde se venera a imponente escultura» escreve Camilo em Memórias do Cárcere.
Também na Brasileira de Prazins, o Padre Luís refere-se a Braga para dizer que umas «bestas de Braga, de apelido Botelhas, tinham enviado uma importante quantia em dinheiro a D. Miguel que está escondido em Portugal».
Em 1850 encontra-se no Bom Jesus do Monte com D. João de Azevedo, que era jornalista, poeta, romancista e dramaturgo. Foi aqui que Camilo diz ter ouvido D. João Azevedo falar da espiritualidade, literatura e nas Senhoras de Braga.
Em 1858, Camilo e Ana Plácido encontraram-se no Bom Jesus do Monte, tornando-se aí amantes para o resto da vida. Encontraram-se várias vezes nesta estância, onde, por vezes, Ana era acompanhada pela irmã Maria José Plácido, procurando saúde na pureza dos montes.
O isolamento despertava-lhe uma sensibilidade mórbida, que se converteu em nevralgias, que o não deixavam demorar-se num sitio, ora em Braga, no Bom Jesus do Monte, ora na Povoa de Varzim, no Porto, na Foz, tendo apenas um único alivio, o trabalho mental.
Em Agosto de 1868 escrevia a Castilho: «A doença faz-me andar de terra em terra, como quem anda a fugir da morte. Amanhã vou para o Bom Jesus do Monte e depois não sei para onde irei». Esta expressão é reveladora do seu estado de espírito «em toda a parte estou bem ou não estou bem em parte nenhuma».
Quando deambulamos pelos locais frequentados por Camilo, no Bom Jesus do Monte, espaço amplo onde sobressai a geometria dos seus jardins, quase o imaginamos a escrever as suas "Novelas Minhotas".

segunda-feira, 10 de março de 2008

ANTÓNIO GONÇALVES - «O MOCHO» (3)

ANTÓNIO GONÇALVES - «O MOCHO» (3)
António Gonçalves frequentou Direito em Coimbra. Quando faz uma abordagem ao livro O Homem esse desconhecido, de Alexis Carrel, (ed. Educação Nacional, Porto, 1942), afirma, a deformação profissional é evidente nos advogados, outro erro dos advogados é suprimir do inventário uma parte da realidade.
No que toca a Coimbra, Fidelino de Figueiredo na História Literária de Portugal (1944), cita o livro Murmúrios de Couto Monteiro, popular autor de Cabulogia, pretexto para António Gonçalves «O Mocho» expressar-se: «muitos dos poetas Coimbrãos, formados em cabulogia, pagaram tributo honroso à nossa literatura e à nossa arte. A sua sabedoria foi, por vezes, fecunda».
Outro Livro História da Ciência de William Cecil Dampier foi objecto de uma análise profunda de António Gonçalves. Começou esta análise pela afirmação «a aplicação do cálculo matemático às mais altas Ciências da Natureza por sábios como Newton e Einstein, dá razão aos inspirados fundadores da escola pitagórica. Sem tal cálculo não pode haver medida e a medida é o primeiro requisito da ciência». Relativamente à descontinuidade do tempo, levantada na pág. 28, do citado livro, expõe: «se o tempo não é nada substancialmente, mas é a medida do movimento, o “quantum” de acção conduz-nos à descontinuidade do movimento e consequentemente à descontinuidade do tempo». Segundo ele, da teoria de Demócrito deriva o materialismo clássico, de que o materialismo dialéctico é derivado. Há uma única maneira de refutar qualquer materialismo, é demonstrar que a matéria não é eterna e foi criada, dando origem ao tempo, como com os acontecimentos em que a matéria intervém.
O espaço e o tempo, na opinião de A. Gonçalves, não são propriedades da matéria, são propriedades do pensamento, sem as quais o Homem não pode pensar.
A propósito de uma afirmação de Newton que Deus é imanente na natureza, ele contra-argumenta, creio que é a Natureza que está imanente em Deus.
A propósito da filosofia evolucionista, comenta: «a sobrevivência do mais apto? E quando os mais aptos, em vez de buscarem sobreviver, lutam até à morte em defesa da Pátria e daqueles que amam? Há até animais que sacrificam a vida por aqueles que amam…» e acrescenta «a Teoria da Evolução pretende ser uma explicação geral do desenvolvimento da vida na terra, mas não sabe como a vida começou… e esse mistério das origens leva-nos inevitavelmente até Deus».

domingo, 9 de março de 2008

ANTÓNIO GONÇALVES - «O MOCHO» (2)


Era um católico, crente em Deus, mas não praticante. Recebia sempre o compasso em sua casa, pela Páscoa, reservando sempre algum tempo para junto do pároco lhe indicar ou ler alguma passagem de um dos seus livros.
Tinha uma caligrafia bonita e uma escrita fluente, própria de quem domina os assuntos.
Nas Confissões de Santo Agostinho, anotou ele na contracapa do livro: «S.to Agostinho nasceu em Tagaste, na África do Norte, no ano de 354 e foi baptizado aos 33 anos de idade por S.to Ambrósio, então Bispo de Milão. Morreu em 420, como Bispo de Hipona, cuja sede ocupou durante 25 anos.
Foi uma alma muito penetrante por vezes, mas também foi contraditório e falho de serenidade. A ele se devem estas frases: - Não acreditaria nos Evangelhos se não mo ordenasse a autoridade da Igreja Católica …; Fora da Igreja não hà salvação…
As dificuldades de Santo Agostinho quanto á criação ex nihilo são evidentes nos livros onze e doze. Entretanto, como a criação ex nihilo faz parte do Credo de Nicéia, obrigatório na Igreja desde o ano da graça de 325, o Bispo de Hipona aceita ex professo a criação do mundo a partir do nada», ou seja, quando S.to Agostinho diz «Do nada, pois, Senhor, fizestes o céu e a terra», é, na opinião do «Mocho» , para não incorrer no anátema da igreja que, no Concílio de Niceia, formulara o dogma da criação ex nihilo.
No Livro décimo, ponto 12, A Memória e as Matemáticas, escreve S.to Agostinho: « Mas os números são uma coisa e as ideias que exprimem, outra». Relativamente ao pensamento de S.to Agostinho contrapõe o «Mocho» de Tibães: «As ideias que exprimem os números são abstracções algébricas. Embora as ideias matemáticas sejam abstractas elaborações do entendimento, parece muito provável que elas derivam de sensações concretas dos números, como diz William Dampier na sua História da Ciência: « Para nós, o conceito de número é-nos familiar».
No Livro onze, ponto 15, As três divisões do tempo, escreve, igualmente, S.to Agostinho: «Logo o tempo presente não tem nenhuma extensão». Acrescenta António Gonçalves, «o Mocho» de Tibães: «O mesmo acontece ao ponto geométrico, é inextenso». Mais à frente esclarece o seu pensamento: «se o presente não tem extensão, também a não tem, nem o passado nem o futuro, o passado já foi presente e o futuro há-de sê-lo. Mas será assim? O ponto geométrico é inextenso e, no entanto, a linha e a superfície já são extensas».
Também no Livro onze, ponto 24, O Tempo não é o Movimento dos Corpos, Escreve S.to Agostinho: «Portanto sendo diferentes o movimento do corpo e a medida da duração do movimento, quem não vê qual destas duas coisas se deve chamar tempo?» Responde o Sr. Gonçalves: «O tempo é a meu ver um reflexo da eternidade. Se a matéria e a energia se conservam, porque não há-de conservar-se o espírito, assegurando-nos o acesso à vida eterna? Os materialistas, positivistas, ou relativistas consideram o tempo, o espaço e a vida, como propriedades da matéria, no que se enganam. Dizer que o espaço é propriedade dos objectos que o ocupam é dizer que o mar é propriedade dos peixes».
Para rematar o livro Onze de S.to Agostinho, o «Mocho» desenvolve o seu pensamento: «É verosímil que antes da criação da matéria, do tempo e do espaço, Deus criasse os seres espirituais. Orígenes, que Augusto Messer (História da Filosofia) apresenta como o maior sábio da sua época, ensinava que a criação do mundo foi feita a partir da eternidade, como a geração de Cristo, porque o poder e a bondade de Deus não poderiam existir sem um mundo onde se manifestassem. De acordo com isto, Orígenes, acredita na preexistência das almas».
Relativamente ao Livro doze, capítulo 6, O Conceito de Matéria, S. Agostinho concebia um meio termo entre a forma e o nada, que não fosse nem forma nem nada, mas um ser informe próximo do não-ser. António Gonçalves acrescenta esta nota, a distinção entre o nada absoluto e o nada relativo é artificial. O nada é nada, por abstracção de tudo, embora seja impensável.
Nesta análise, António Gonçalves deixa transparecer, por fim, o seu pensamento: « eu até creio na supereternidade do criador…; Acaso, possibilidades, probabilidades, futuridades, tudo foi criado por Deus.