domingo, 29 de março de 2009

ARQUITECTO DO BOM JESUS DO MONTE E DA PONTE DAS BARCAS

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Ao comemorarmos, em 29 de Março de 2009, duzentos anos do desastre da Ponte das Barcas, na Ribeira do Porto, por ocasião da segunda invasão francesa, onde a população desta cidade viveu momentos de verdadeira tragédia, ocorre-nos recordar o projectista bracarense da referida ponte.

O Arquitecto Carlos Amarante, natural de Braga, além de projectar o actual templo do Bom Jesus do Monte foi o autor da Ponte das Barcas, inaugurada em 15 de Agosto de 1806, constituindo-se como a primeira travessia a unir as duas margens do Rio Douro.

Esta ponte era constituída por 20 barcaças unidas por cabos de aço, ligadas entre si por uma plataforma de pranchas. Podia abrir ao meio para permitir o tráfego fluvial.

sábado, 28 de março de 2009

SOCIMORCASAL INAUGURA NOVAS INSTALAÇÕES


A SOCIMORCASAL, empresa com raízes na freguesia de Mire de Tibães, inaugura, hoje, as novas instalações na Rua 5 de Outubro, n.ºs 502 a 510, 4700-260, Frossos, Braga.
Com 30 anos de actividade, transformou-se, em poucos anos, numa das maiores empresas de prestações de serviços, do ramo da construção civil, da região e do país.
Orgulha-se por merecer a confiança e de colaborar com as maiores empresas de construção civil portuguesas, tendo, igualmente, conquistado uma posição de referência junto dos consumidores individuais.

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A Socimorcasal cresceu simultaneamente para áreas de negócio adjacentes, integrando um leque alargado de soluções das quais se destacam Socimor Pavimentos, Socimor Carpintarias, Socimor Pisos Radiantes, Socimor Painéis Solares, Socimor Materiais de Construção, Socimor Bricolage, Socimor Jardim.
A SOCIMORCASAL é uma empresa que presta serviços de excelência e desenvolve soluções inovadoras. Procura estimular relações de confiança e duradouras com clientes e parceiros. A qualidade dos serviços prestados está sempre em primeiro lugar.
Esta empresa bracarense possui sucursais no Porto, Lisboa e Algarve.




POLÍTICA EM VERSO (14) - Zezão - 25-11-1923.

Por causa do novo aumento
Da bela da circulação
Em notas do dinheirinho,
Tudo anda em movimento,
Em tremenda exaltação,
Contra o velhinho!

É que ninguém abre o bico
P’ra soltar duas piadas,
Ou na cidade ou na aldeia,
Que não pinte o mafarrico,
Em frases indignadas,
Contra o Correia!

Té mesmo no parlamento
Onde não há quem não meta
O nariz e o focinho,
Por causa do tal aumento,
‘stá todo o bicho careta
Contra o velhinho!

Vem o Carvalho e o desanca
Vem o Cunha e o aperta
E o amigo Silva o enleia…
Até o procópio o arranca
Do fundo este brado «alerta»!
Contra o Correia!

Ora bolas! Por favor;
Não façam tanto barulho!
Põem o homem tolinho
Ou o fazem morrer de dor!
Não peguem mais no estadulho,
Contra o velhinho!

Cá por mim, não vou na fita!
Salvo o devido respeito,
Não levem a mal que eu creia
E aqui o diga e repita:
Que tudo isto é fingido
Contra o Correia!

Pois tenho a convicção
Que ele a isto fim poria
Se das notas um massinho
Lhes fosse meter na mão…
Então tudo gritaria:
Viva o velhinho!
Zezão

segunda-feira, 23 de março de 2009

II CENTENÁRIO DA SEGUNDA INVASÃO FRANCESA

Não podíamos deixar passar este dia sem uma alusão ao segundo centenário da segunda invasão francesa.invasões francesas
Braga comemora este dia com uma mostra "Operações militares no Norte de Portugal durante as Invasões Francesas, conhecimento geográfico e defesa"; inauguração de uma lápide evocativa e um colóquio sobre esta temática.
Nestes dias de Março, de há 200 anos, os acontecimentos sucederam-se vertiginosamente: no dia 17, O general Bernardim Freire de Andrade foi massacrado perto de Braga, por populares que o acusavam de traição, trágico incidente provocado pelo falso rumor que se espalhou de que a vítima, que era um brilhante militar, estaria secretamente ao serviço dos franceses, nos dias 18 e 20 de Março, o corpo de exército de Soult vence as forças portuguesas que defendiam Braga em Carvalho d'Este.
Juntamos uma petição, em que se pede ao Comandante Ordenanças de Braga, Boaventura José da Cota, um atestado, em como os alunos e professores do Colégio de S. Caetano, trabalharam numa fábrica de fazer cartuxame e mosquetaria para a resistência aos franceses.

POLÍTICA EM VERSO (13) - Zezão - 18-11-1923.

Meio mundo, impaciente,
Há muito, pergunta em vão,
Quando se encontra co’a gente:
- Quando sai a revolução?

E a gente que anda às aranhas,
Mas que sabe, quer mostrar,
Responde, com artimanhas:
- Está aqui… está a rebentar…

E o meio mundo, contente,
Vai contá-lo ao outro meio,
Que o vem contar à gente
Com ares de certo receio…

Mas passam-se meses, dias,
Passa-se um ano até,
E quero que tu te rias!
Diz-nos incrédulo o Zé…

P’ra acabar co’esta encrenca,
Mandei ao meu secretário
Que fosse meter a penca
No meio… revolucionário.

Da missão no desempenho
Com pouca sorte ele andou
E, por isso, estampar venho
A nota que me enviou:

-«Obedecendo ao mandado
De você, Senhor Zezão,
Fui procurar apressado
O chefe da revolução».

- Seu Procópio Radical,
Diga-me lá, co’a maleita,
Se a cousa não corre mal,
Se a cousa sempre se ajeita!

- Não sei o que quer dizer
Na sua pergunta audaz!
Se quer que o possa entender
Fale claro, meu rapaz!

- Pois ponho os pontos nos is,
… A cousa… é a revolução!...
- ‘steve a sair por um triz,
Hoje mesmo, esta minhão!

Porém julguei mais prudente,
Eu que sou o chefe d’ela,
Adiá-la mais p’ra frente,
Por causa de certa aquela…

Mas juro, não esteja a rir!
Embora a demora enfade,
A cousa que há-de sair
Quando eu… tiver vontade…

Que tal ‘sta o da rabeca?
Ao ler isto, estive em risco
De apresentar ao careca
As armas de… S. Francisco!
Zezão

quarta-feira, 18 de março de 2009

VASCO DA COSTA MOREIRA (1950-2009)

VascoConheço o Mestre em Educação, Vasco da Costa Moreira, desde os meus 11 anos. A partir daí, raro foi o ano em que não tivemos oportunidade de conviver. Mas subitamente saiu do nosso meio. Ficamos privados do Homem Justo, Humanista e Bom Educador.

No nosso círculo era conhecido pelo «cronista mor», dada a excelência da sua escrita.

Já não me refiro ao seu notável percurso profissional, como professor da Escola Secundária

D. Sancho I, em Famalicão, como formador e escritor. Hoje, dia 18 de Março, juntamente com um mar de amigos, acompanhei-o até à sua última morada em S. Paio de Antas.

segunda-feira, 16 de março de 2009

POLÍTICA EM VERSO (12) - Zezão - 15-11-1923.

As últimas notícias dizem que, se o Sr. Catanho Menezes conseguir formar ministério, nele tomarão parte os seguintes snrs: Catanho de Menezes, Joaquim Ribeiro, Afonso Cerqueira, Ferrão Mendes e Rego Chaves (dos Jornais).

Se o Menezes das Castanhas
Levar a missão ao fim,
Com as costumadas manhas,
Que falham, contudo, às vezes,
Razão é, penso p’ra mim,
De a Republica se saudar
Por de certo ir remoçar
Co’as Castanhas do Menezes.

No ministério apontado,
Caso ele vá a galheiro,
Eu vejo realizado,
Duma maneira formal,
O nobre, o fim altaneiro,
Que tanto almeja a nação
- A feliz resolução
Do problema nacional.

Porque, leitores, a verdade
É que dos homens citados,
Por força concluir-se há-de,
Com todo o rigor da lógica,
Pelos seus significados,
Que para a nação salvar
Tudo se pode encontrar
Na gentinha demagógica.

- Agoniza a agricultura
Por haver muitos terrenos
Incapazes de cultura
Durante o ano inteiro
E sem poder ser por menos
Por falta da regasinha?
Pois água com farturinha
Pode lha dar o… Ribeiro.

- Não se faz em Portugal
A justiça desejada
Para castigo do mal,
Quer seja a Pedro ou a Sanches?
Pois isso é contada fava!
Para a justiça fazer
Respeitada e a valer,
Basta o Ferrão do Abranches…

-‘sta a Marinha num fio
E é preciso aumentá-la.
Pois a que temos, num rio,
Inda que, pequeno e esconso,
Possível é encerrá-la?
Não faltam materiais
P’ra aumentá-la muito mais
Na… Cerqueira do Afonso.

- Mas o preciso dinheiro
P’ra o orçamento equilibrar,
Não ficará no tinteiro?
- Mau caro leitor, não sabes
Que o há-de canalizar
Do tesouro p’ra o aconchego
O Sr. Chaves do Rego
Ou o seu Rego do Chaves?...

Não há, portanto, razão
P’ra gente desanimar!
‘sta salva a lusa nação!
Por ela, leitor, não rezes!
‘sta bem longe d’expirar!
E salva pelos democratas,
Como do Afonso as batatas
E as Castanhas do Menezes!

As batatas do Afonso?!
Ai! Filho, não digas mais!
Não faças de mim Alonso!
- Pois é verdade, leitor!
São aquelas, são as tais
Com que, terça, no Rossio,
Brindá-lo, com garbo e brio,
Quiseram os radicais…

Zezão

terça-feira, 10 de março de 2009

ANTÓNIO CÂNDIDO, EX-ALUNO DO COLÉGIO DE S. CAETANO

 

António Cândido Ribeiro da Costa, nasceu em Candomil, concelho de Amarante, a 30 de Março de 1852, foi Doutor em Direito pela Universidade de Coimbra e lente catedrátpd_antcandidoico da mesma faculdade, deputado, par do reino, conselheiro de Estado, ministro de Estado, procurador geral da coroa, sócio efectivo da Academia Real das Ciências e Ministro da Instrução Pública. Mas o nosso realce vai para a sua qualidade de antigo aluno do Colégio de S. Caetano.

Um dia, ao recordar a sua entrada nesta instituição, ele definia a felicidade como o sonho da adolescência realizado mais tarde na vida adulta: «N’um dos melhores dias da minha vida, sim. Reconheço-a agora mais uma vez, comparando o dia de hoje com outro da minha remota infância, em que saí daqui para iniciar em Braga os meus estudos».

segunda-feira, 9 de março de 2009

APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA

No Jornal Espanhol ABC, de 8 de Março de 2009, lemos que o navegador Cristóvão Colombo se chamava, afinal, Pedro Scotto, segundo o historiador espanhol Alfonso Enseñat de Villalonga.

A maioria dos especialistas acredita que Colombo (1451-1506), teria descoberto a América em 1492, era filho de um tecelão genovês enquanto que outros dizem que eracolombo português, catalão, galego ou corso.

Mas, como as novidades aparecem todos os dias, agora surge o trabalho de Enseñat, que o dá como filho de um comerciante e foi baptizado como Pedro e nasceu em Génova .

Por estas razões, também posso divulgar que, segundo a tradição, Cristóvão Colombo terá residido na Casa do Esmeraldo, na Ilha da Madeira. Julga-se ter vindo para o nosso país por volta de 1470 e sabe-se que decorrido algum tempo terá casado com Filipa Moniz, filha do primeiro donatário da Ilha de Porto Santo, Bartolomeu Perestrelo. Dominado pela febre dos descobrimentos terá feito algumas viagens às costas africanas. Talvez tenha visitado os Açores e a Madeira.

Sinth do Templo do Bom Jesus do Monte

quarta-feira, 4 de março de 2009

SINTH DO MOSTEIRO DE TIBÃES

domingo, 1 de março de 2009

BRAGA E FREI CAETANO BRANDÃO – UMA RELAÇÃO SEMPRE EM BRASA

As relações nem sempre foram as melhores. Os interesses das diferentes classes eram absolutamente divergentes, pelo que os Beneficiados pela sorte não lhe tornaram a vida fácil.
Numa carta dirigida ao Tribunal da Relação, datada de 22 de Novembro de 1789, Frei Caetano refere-se a Braga nestes termos: «Bem sabe Elle quanto he a minha insuficiencia para suster o pezo e manejar as rodas de hua maquina tão complicada e que incomparavelmente mais que o condutor do povo hebreu, eu tinha necessidade de hum congresso de homens sizudos e illustrados que unidos comigo em hum mesmo espirito contribuissem a facilitar-me o desempenho deste critico ministerio. Não duvidem Vossas merces que se a gloria de Braga dependesse somente de meus desejos e das minhas intençoens, nada seria mais bem fundado que a lisonjeira esperança que todos se prometem na presente translação, mas em fim são desejos descarnados de eficacia e por isso talves athe agora infrutiferos» (Inácio J. Peixoto, Memórias, Manuscrito do ADB-UM).
As quezílias entre Frei Caetano e a mitra (corpo capitular) renasceram, pois estes não perdoam a perda dos seus príncipes, a falta do perfume da corte e a extinção do senhorio. A mitra não se resignava com a perda do poder temporal dos prelados, nem com a pobreza evangélica e o afã catequético imprimidos pelo arcebispo: «este prelado veio despertar Braga do letargo em que jazia (...) (pois) não sabia muito que cousa era um pastor verdadeiramente bispo. Conhecia príncipes na verdade magníficos e benignos que queriam o bem, mas não se resolviam a segui-lo» ( Inácio J. Peixoto, Memórias, Manuscrito do ADB, cf. Memórias particulares de Inácio José Peixoto, Coord. de Viriato José Capela, Braga, ADB, 1992, p.115).
Frei Caetano chegou a preferir a cela monacal ao Paço de Braga. Por isso desfiou, muitas vezes, o rosário do seu inferno privado, não obstante a sua acção como reformador social ecoar junto às portas do paraíso.
Comparou o seu múnus pastoral em Braga com o Pará, deixando transpirar algumas dificuldades: «Eu que me queixava do Pará, mas em comparação de Braga fica a perder de vista, é a cabeça a andar sempre em urgir de negócios, vendo como há-de dar providência a todos, porque todos a reclamam à porfia»…
A cidade (Braga), sempre de ferro em brasa, era uma máquina complicadíssima, que nem andava, nem deixava andar, como rodas sempre a desconjuntar-se. Vai compor-se uma roda, desanda outra: é estar sempre em contínua fadiga e sobretudo como quem tem o garrote na garganta.

Política em Verso (11) - Zezão - 08-11-1923.

No correio da Manhã,
Um dos jornais lisboetas,
Em letras mui miudinhas
Vem umas noticiasinhas
Que, às vezes, p´ra mim eu julgo
Seriam bem metidinhas
No calhamaço das petas.

Imaginem os leitores
Que nele acabo de ler,
Nos tais caracteres usados,
E com olhos duplicados
Esta notícia d’arromba
Que, por mal dos meus pecados,
Vos sou forçado a dizer:

O Bernardino, pedreiro,
(onde mora, não aumenta)
Na polícia se queixou,
Num dia que já passou,
De que lhe tinha roubado
Alguém que não nomeou
A querida ferramenta.

Quem será Bernardino?
Se a minha mente não erra,
Creio já tê-lo matado…
Não será ele o Machado?
Deve ser! Embora haja,
Segundo afirma o ditado
Muitas Marias na terra…

O facto de ser pedreiro
Em ninguém confusão mete
Pois, sendo ele mação,
Pedreiro livre é, e, então,
Não espanta lhe roubasse
Qualquer esperto ladrão
O compasso e o malhête…

Por isso motivos tem
De ver a alma em tormenta
E o coração machucado.
Pois vê-se impossibilitado
De trabalhar – coitadinho!-
O Bernardino Machado,
Por falta de ferramenta…

Até, leitores, me parece
Que ele assim se não aguenta
Co’o testo no seu lugar;
Que, enquanto a não encontrar,
Noite e dia, o bom do homem,
Não deixará de berrar:
Que é da minha ferramenta?

E, daí, talvez quem sabe
É esta a opinião minha,
Se ela seria roubada?
Não ficaria arrumada
Como já tem sucedido,
E no avental embrulhada,
Na loja da … Viuvinha?
Zezão

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

D. FREITAS HONORATO IMITADOR DE FREI CAETANO BRANDÃO

O Arcebispo de Braga D. António José de Freitas Honorato, investido na cátedra bracarense em 1883 e sucessor de D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa, faleceu em 28 de Dezembro de 1898.
Registamos a sua intenção manifestada em testamento. O finado arcebispo solicitou que o sepultassem na Capela da Sr.ª da Piedade, nos claustros da Sé Catedral de Braga, onde jazem os arcebispos D. Frei Caetano Brandão e D. Diogo de Sousa.
Lemos na Gazeta das Aldeias de 1 de Janeiro de 1899 e 8 do mesmo mês, que houve problemas porque à vontade do extinto se opunham disposições legais pelo que teve de ser o governo a intervir. Acabou por prevalecer a vontade do arcebispo.

Política em Verso (10) - Zezão - 01-11-1923

Quem é o «Correia?». Foi o Ministro das Finanças a partir de 13 de Agosto de 1923. Chamava-se Francisco Gonçalves Velhinho Correia e pouco tempo lá esteve pois foi substituido por Vitorino Guimarães nas finanças em 24 de Outubro de 1923. Sendo assim certas palavras e expressões ganham outro sentido: velhinho, inflação, largar a correia, notas, dinheirinho.

Por ‘star tudo consternado
Co’o enterro do velhinho
Não vão Foguetes nem bichas,
Vai o Fado Choradinho.

Triste sorte a do velhinho
Um mau fado o perseguiu…
Quis largar a Correia
E a Correia… partiu!

Por causa da inflação
Das notas, do dinheirinho,
Deu com as ventas no chão,
Triste sorte a do velhinho!

Foi por qu’rer encher as burras
Dos amigos, que caiu.
Toda a gente lhe deu turras,
Um mau fado o perseguiu.

Tendo uma boa moela,
Não via a barriga cheia,
Para dar-lhe uma fartadela,
Quis alargar a … Correia.

Mas a pança tanto inchou,
Tão aflita se viu
Que o velhinho arrebentou
E a … Correia partiu.

Chorai, fadistas, chorai!
Seja o pranto maré cheia
E um Padre Nosso rezai
Pelo Velhinho Correia.

Morreu o nosso velhinho
Sem ter de dar um ai
Sofreu tanto coitadinho!
Chorai, fadistas, Chorai!

Por bem fazer, mal haver!
Deram-lhe tanta tareia…
Quem não se há-de enternecer?
Seja o pranto maré cheia!

Sobre a lousa funerária
Goivos, saudades ‘sfolhai,
Ponde os joelhos em terra
E um Padre Nosso Rezai.

Não ouvis o som plangente
Dos sinos, em légua e meia,
Soluçam em tom dolente,
Pelo Velhinho Correia!

Coradas, novas coradas,
P’ra o fastio é bom a urtiga!
Lhe meteram faca em costa,
E a bengala em barriga.
Zezão

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

DE PÉ, NUNCA DE CÓCORAS

Vem este título a propósito do tempo que passamos em reuniões. Estamos geralmente sentados, porém raramente dialogamos e partilhamos o que descobrimos, com o que concordamos ou não, e que poderá servir aos outros.
Será que falta aquilo a que hoje se costuma apelidar de "cultura de escola": uma escola reflexiva e solidária, onde os professores se sentam, às vezes, com outros parceiros educativos, para tentar encontrar uma luz ao fundo do túnel que muitos insistem não existir.
Estou convencido que a educação escolar desempenha um papel de sociabilização, contribuindo para a interiorização pelo indivíduo dos valores da sociedade. Neste sentido a escola constitui uma instituição de primeira linha na constituição de valores que indicam os rumos pelos quais a sociedade trilhará o seu futuro. A escola é, sem dúvida, uma instituição cultural que reflecte as ideologias impressas no contexto social e político.
Que fazemos diariamente na escola, como responsáveis pela arte de educar?
- Promovemos mudanças desejáveis e estáveis nos indivíduos;
- Evidenciamos na sala de aula, apenas, uma transmissão de saberes ou através destes trocamos conhecimentos e construímos o nosso próprio saber;
- Favorecemos o desenvolvimento integral do Homem e da Sociedade;
- Aprofundamos a compreensão sobre a forma como a cultura da escola (conjunto de valores e significados partilhados) influencia os processos de envolvimento e participação das famílias na vida escolar, através de um diálogo permanente, aberto e construtivo;
-Traduzimos a abertura da escola ao meio numa lógica cívica ou como uma mera possibilidade de captação de recursos.
Tendo em conta as nossas convicções, julgo que a escola onde trabalho tem dado passos largos na construção de uma «escola cultural», ressaltam, mesmo, linhas mestras que, ao longo de 26 anos de existência, configuram a existência de uma «cultura de escola».
De pé, frente a uma turma difícil, propunha numa das últimas aulas de Formação Cívica, a abordagem do conteúdo da letra de uma canção do álbum «cabeças no ar», intitulada «O Jardim da Mocidade», interpretada por Rui Veloso, Tim, João Gil e Jorge Palma. Neste poema de Carlos Tê, pode ler-se: «É preciso tratar bem, do jardim da mocidade, o mal que se lá deixar, noutra flor há-de medrar (…). Jardineiro olha para o mundo (…), é preciso até ter sorte, com a terra onde se nasce».
De pé, ao fundo da sala, enquanto entoávamos a canção lembrava-me das sábias palavras de António Sérgio «A escola não é um torno, o professor não é um oleiro e os alunos não são barro inerte (…). A faina do professor assemelha-se à do jardineiro que não obriga a rosa a ser glicínia ou buganvília antes cuida do ambiente dela para que ela possa florir» (Ensaios VII, Paideia).
Artigo publicado na Revista Andarilho, n.º 31, Fevereiro de 2009.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O ZEZÃO NO SEU TEMPO

Os escritos políticos, assinados por Zezão, entre 1923 e 1924, no Jornal O Dumiense, enquadram-se num período politicamente agitado. Os governos sucediam-se, não dando tempo a que as medidas sugeridas fossem aplicadas.
Entre 1910 e 1925, o país assistiu à tomada de posse de 45 governos e 8 presidentes da República. Estes números demonstram bem a instabilidade governativa de então.
Este ambiente tornou-se favorável à intervenção do exército que, em 28 de Maio de 1926, através do General Gomes da Costa, acabou com a primeira República e instaurou a ditadura militar. Os militares conservadores partiram de Braga, passaram pelo Porto e avançaram sobre Lisboa. Dissolveram o parlamento, suspenderam a constituição e entregaram a chefia do governo a um militar.

Política em Verso (9) - Zezão - 11-10-1923

Acabo de ler agora,
Num dos jornais da invicta,
Uma notícia catita
Mas que inspira dor e mágoa,
Das tais de molde e de jeito
A pôr-nos o testo em água!

Na Lisboa marmória e bela,
Os presos do limoeiro
Pensam levar a galheiro,
E querem que a sério os tome
Todo o mundo, uma parede,
Chamada greve de fome.

Valha-nos Nossa Senhora!
Neste mundo sublunar,
Por onde se anda a penar
A sorte mofina e dura,
Existem certos meninos
Que tem cada lembradura!...

Que se lembrassem da greve
Com a sua objectiva
De, na cama paparriba,
Soecar como uma catita…,
Ai, filhos! Não digo nada,
Era uma ideia bonita!...

Mas ir p´ra greve da fome,
Isto é, pôr em descanso,
Como um qualquer manipanso,
Os queixos que Deus nos deu,
É uma ideia dos diabos…
Nessa não caio eu!

E demais no Limoeiro
Onde há o limão a rodos,
Limão que faz fome a todos,
Afugentando o fastio…
Era de, passado algum tempo,
Pôr-nos o corpo… num fio!

Nada! Nada! Cebolório!
Se os tais presos a mania
Não perdem, passado um dia,
Hão-de sentir tal larica
Que depois engolem tudo
Nem té a marmita fica!

Deixem-se disso, senhores!
Comam-lhe bem, como dantes,
Mas não comidas picantes
Para não lhes suceder,
Por reservados motivos,
Andarem sempre… a correr…
Zezão

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A ESTÁTUA DE D. PEDRO V



Pelo meio-dia, de 31 de Julho de 1879, inaugurou-se, em Braga, a estátua levantada em honra de D. Pedro V.
Esta obra ficou a expensas do Barão da Gramosa e seu irmão o Cónego Costa Rebelo para o que deixaram um legado.
Levantado inicialmente no Campo de Santa Anna foi modelado pelo distinto escultor Teixeira Lopes.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

RAMALHO ORTIGÃO E FREI CAETANO BRANDÃO


José Duarte Ramalho Ortigão (na foto) foi escritor, jornalista, polemista, bibliotecário da Biblioteca da Ajuda e Oficial da Secretaria da Academia Real das Ciências.
Natural do Porto, frequentou o curso de Direito de Coimbra e foi professor no Colégio da Lapa, dirigido pelo pai, onde teve como aluno Eça de Queirós.
Envolve-se na «Questão Coimbrã», juntou-se aos jovens da geração de 70 e é autor das famosas «Farpas».
O insuspeito e anti-clerical Ramalho Ortigão numa carta dirigida a João do Amaral exprime-se assim em relação a Frei Caetano Brandão:
«A obra liberal de 1834 – convém nunca o perder de vista – foi inteiramente semelhante à obra republicana de 1910. Nos homens dessas duas invasões é idêntico o espírito de violência, de anarquismo e de extorsão. Dá-se todavia entre uns e outros uma considerável diferença de capacidade…
Tinham tido por mestres ou por companheiros de estudo homens tais como Anatónio Caetano de Sousa, o autor da História Genealógica; Barbosa Machado, o autor da Biblioteca Lusitana; Bluteau e os colaboradores do seu Vocabulário; Santa Rosa Viterbo, o autor do Elucidário; João Pedro Ribeiro, o admirável erudito iniciador dos altos estudos da nossa história e precursor de Herculano; António Caetano do Amaral, o infatigável investigador da História da Lusitânia; D. Frei Caetano Brandão, seguramente o mais elevado espírito e a mais formosa alma que deitou o século XVIII em Portugal; o padre Cenáculo, o mais prodigioso semeador de bibliotecas; o padre António Pereira de Figueiredo, o autor do famoso Método de Estudar; Félix de Avelar Brotero, o insigne naturalista; o polígrafo abade Correia da Serra, e outros que não menciono porque teria de reproduzir um copioso catálogo se quisesse dar mais completa ideia do que foi a cultura portuguesa nessa fase da nossa evolução literária.»

Política em Verso (8) - Zezão - 04-10-1923.

Anda tudo em sobressalto
Por causa dos ratoneiros
Que, à laia de cães rafeiros,
Assaltam os viandantes
E as casas dos cidadãos
A roubar os mealheiros
E as carnes dos fumeiros
E os pingues dos porrões.

E é tanto o seu descaro,
Sua audácia e impudor
Que, seja lá onde for,
Quer de noite, quer de dia,
Os figurões nem sequer
Sentem o menor horror
Em atentar contra o pudor
Da indefesa mulher.

E, o que é mais de estranhar
É o que dizem os jornais
Que autoridades locais
Não tomam as providências
Devidas, o que é urgente,
Dizendo uma das tais,
Entre muchas cosas mais:
- Nada quero com tal gente!

A resposta é das de arromba
De quem tem um fino tacto!
Entorna um carro de mato,
É um assombro de esperteza,
Causa pasmo à terra, ao céu!
Não a inventaria o rato
P´ra ver-se livre do gato!
É de tirar-lhe o chapéu!

Visto isto, que fazer?
O andar-se sempre armado
De escopeta e apetrechado
E o olho sempre alerta
E cá na mente este fito:
Logo que eu seja assaltado,
Por um qualquer desalmado
Largo-lhe logo um tirito…

Mas se um tiro não bastar
Para na ordem o meter
Que é que eu hei-de fazer?
Ora leitor, caro amigo,
Bem mostras que pouco vês!
Em lugar de só dar-lhe um,
Puxa o gatilho: Pum…Pum!
E larga-lhe duas ou três…
Mostra-lhe a ordem… a fugir!
Zezão

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O COLÉGIO DE S. CAETANO - A PRIMEIRA ESCOLA SALESIANA EM PORTUGAL

Em 31 de Janeiro de 1989 a família salesiana celebrou o primeiro centenário da morte de D. Bosco, sacerdote de Turim, beatificado em 1928 e canonizado em 1934. O Padre João Bosco funda a Sociedade de S. Francisco de Sales, ou simplesmente a Sociedade Salesiana, em 1859, sendo aprovada pela Santa Sé dez anos depois.
Os seguidores do legado educativo, vulgarmente apelidado de «Sistema Preventivo», celebraram, em 1994, o primeiro centenário da entrada em Portugal da Congregação Salesiana, estabelecida em Braga, no Colégio de S. Caetano.
O Padre João Cagliero, em Abril de 1881, após ter participado na abertura da 1.ª Casa Salesiana em Utrera, próximo de Sevilha, deslocou-se ao nosso país para fazer um levantamento das possibilidades de implantar aqui a Obra Salesiana. Nesta deslocação encontrou-se com a Rainha D. Maria Pia, filha do Rei de Itália, Vítor Manuel II e com Caetano António Masella, Núncio Apostólico.
Enquanto esta primeira comunidade salesiana se dedicou ao ensino e à recuperação da juventude transviada, de acordo com o espírito humanístico do seu fundador, o Colégio de S. Caetano teve a oportunidade de ver implantada uma educação exemplar, onde cada padre foi um pedagogo e um pai, onde cada professor foi um educador, onde o obediência passou a ser substituída pelo prazer de conviver, aprender, estudar, ser alguém.
O carisma salesiano foi implantá-lo, pela primeira vez em Portugal, no Colégio de S. Caetano, entre 1894 e 1911. A partir de Braga, alargou-se a outras zonas do continente e ilhas: Oficinas de S. José, em Lisboa (1896); Orfanato do Beato João Baptista Machado, em Angra do Heroísmo (1903); Real Oficina de S. José do Porto (1909); Seminário do S. Coração de Jesus, de Poiares da Régua (1924-56; 1975); Escola Técnica e Liceal Salesiana do Estoril (1932); Colégio Salesiano S. João Bosco, Mogofores (1938); Oratório S. José, Évora (1941); Convento de Santa Clara, em Vila do Conde (1944); Escola Salesiana de Artes e Ofícios, da Madeira (1950); Colégio dos Órfãos do Porto (1951); Colégio Salesiano de Manique do Estoril (1953); Externato N.ª S.ª do Rosário, Cascais (1960).

Política em Verso (7) - Zezão - 06-09-1923.

Depois de tão grande alarme,
Em que Lisboa se viu,
Voltou de novo o sossego,
Porque tudo entrou no rego,
Tudo nos eixos caiu.

A greve-revolução
Que prometia feroz
Derrubar este governo,
Já deu a alma ao inferno,
Foi mesmo de catrapóz!

É que o António Maria
Que nestas cousas, é um alho,
Abrindo o público erário
Conseguiu que operário
Voltasse todo ao trabalho.

Calou-se, pois imponente
A voz da bomba infernal
E o Lisboeta coitado,
Já a ela acostumado,
Tem saudades, passa mal…

E, para dar-se a ilusão
De, a cada passo, a ouvir
E com seu som se embalar,
Trata até de as fabricar
Em casa p’ra as não pedir!

Mas em vez do clorato,
Metralha, pregos e tudo,
Que mata e faz explosão,
Mete na bomba o ratão
… Cebola e feijão miúdo…

Efeito prodigioso!
De manhã, mal rompe o dia,
Não há palácio ou tegúrio
Onde não se ouça o murmúrio
De confusa bateria!

É nas salas, às janelas,
No pátio, no saguão
E nos quartos de dormir,
Onde se faz mais sentir
O estrondo da explosão!

Forte mania, leitores,
Que na loucura já tomba!
De alguns dias p’ra cá
Já alfacinha não há
Que não deite a sua bomba!

Nisto, afinal vem a dar,
Inda que alguém se quisil,
A arma preconizada
E pelo mesmo alcunhada
De… artilharia civil.
Zezão

domingo, 25 de janeiro de 2009

Política em Verso (6) - Zezão - 23-08-1923

Ai! Pobre Bernardino!
Cantou vitória bem cedo!
Andava mesmo num sino,
Pensava ser Presidente,
Mas, por um fatal destino,
Ficou a chuchar no dedo!

E daí todo espinhado,
Despeitado, furibundo,
Esquece que é cordeal,
Lambisgóia e et coetera,
E desata a dizer mal
Do Afonso e de todo o mundo.

Do Afonso por ter escrito
Aos vassalos democratas,
De bem conhecidos nomes;
- Votai no Teixeira Gomes!
Não voteis no Bernardino,
Mandai-o sachar batatas!

E dos outros deputados
Por não reconhecerem nele
O homem da situação
Que os ossos da votação
Lhe deram, aqueles míseros,
Já esburgados, sem pele…

Coitado do Bernardino,
Grande herói da Lusa Asneira
Isso foi chão que deu uvas:
Infeliz, velha criança,
Vai p´ro colo da viúva,
Pede chucha e mamadeira!...

domingo, 18 de janeiro de 2009

O SANTO PADRE CRUZ E O COLÉGIO DE S. CAETANO

Uma das grandes honras do colégio é, com certeza, a de haver tido como Director Interno o Dr. Francisco Rodrigues da Cruz, a quem Portugal inteiro carinhosamente chama o Santo Padre Cruz.
O magistério docente no Seminário de Santarém, como Professor de Filosofia, era deveras preocupante para a sua débil saúde. Por esta razão se afastou para gerir o Colégio dos Órfãos de S. Caetano, em Braga.
Viria a presidir aos desígnios desta instituição, durante oito anos (1886-1894), tendo grande influência nesta chamada D. António José de Freitas Honorato (1883-1898).
Vários episódios ilustram a sua preocupação pela educação dos alunos: as visitas à Falperra, seguidas de almoços melhorados e uma merenda, paga com as suas economias; as lágrimas que lhe corriam pelas faces, ao suplicar-lhes que se não deixassem escravizar pelos maus hábitos e os exemplos do Mestre, que correspondiam às virtudes que pregava. A educação que ministrava era um desafogo do braseiro de piedade que sempre ardeu no seu coração, dizia o Sr. P. Fernando Leite, sacerdote jesuíta. Cada manhã, antes da missa quotidiana, punha em evidência, durante quinze minutos, pontos nodais de reflexão sobre alguma passagem evangélica. Estimulava os alunos ao estudo e à aprendizagem dum ofício. Um dos maiores sucessos do Santo Padre Cruz consistiu nos 12 jovens que foram ordenados sacerdotes.
A sua actuação era discreta, eficaz e o seu zelo ia de sol a sol, do levantar ao deitar. As actas da CA descrevem, somente, os seus bons serviços e indicam a gratificação que durante anos usufruiu: 50$000 rs.
Mas a sua saúde não estava à altura das exigências de uma direcção eficiente. As continuadas dores de cabeça, associadas a um esgotamento cerebral, forçavam-no a permanecer no leito de dor dias seguidos. Desta forma o Director Interno Dr. Francisco Rodrigues da Cruz, atendendo ao seu estado de saúde, pede a exoneração do cargo, em 17 de Dezembro de 1894.
Nestas circunstâncias, apoderaram-se dele muitos escrúpulos por as forças não o ajudarem a desempenhar o lugar convenientemente. Dirigiu-se, assim, ao Superior dos Salesianos, entregando a Direcção aos filhos de S. João Bosco.
Alguns anos volvidos, seria o Provedor Dr. António Brandão Pereira a afirmar que «raro era o aluno que saía do colégio, que não derramasse lágrimas na despedida e que não ficasse escrevendo cartas sucessivas ao digníssimo director Dr. Francisco Rodrigues da Cruz». Um dos seus alunos, mais tarde sacerdote, testemunha: «Toda a sua santa vida era uma inspiração para todos nós».

Política em Verso (5) - Zezão - 09-08-1923

Os amigos democráticos
Da Lisboa marmória e bela
Revelaram-se uns fanáticos!
Armaram p’ra lá tal tenda
Que do Governo Civil
Arrancaram a gamela
Ao doutor Pedro Fazenda!

Quem é que pode entendê-los?
São uns turrões, uns nabiças,
(Também os há em Barcelos
E entre eles mui boa prenda)
Que nem conhecem que o Pedro,
No fumeiro, entre as chouriças,
É sempre a melhor… Fazenda!

Mostram bem ser uns telhudos,
Obstinados, teimosos
E, em suma, uns abelhudos,
Aliás podiam bem
Gramar do Doutor Fazenda
Os palos apetitosos
E até o Pedro também.

Pois que dizem os p’riódicos,
Que por hi andam à venda,
Que, em faro, são diabólicos
Nem deixam nada em tinteiro,
(E em termos categóricos),
Que do tal Pedro Fazenda
É bem sortido o fumeiro.

Pois, meninos, que vos preste
A vós e à vossa gente!
Em vós mesmo quinau deste,
Querendo o Filipe Mendes,
Que é mesmo um osso esburgado!
Pois aflui lá o dente
Que agora na boca o tendes…

Post-Scriptum
Nas Bichas ou nos Foguetes
Do número da «Acção» passado,
Do Cardinas General
Veio o nome estropiado.

Os tipógrafos que são
Amigos de brincadeiras,
Lá por sua conta e risco,
Arvoraram-no em Cardeiras.

Influência do nome
Que lhes subiu ao toutiço?
Não, leitores, são bons rapazes
Que nunca apanharam …
Zezão

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

CAI NEVE - 09 DE JANEIRO DE 2009

CAI NEVE - 09 DE JANEIRO DE 2009

MANTO BRANCO




Por volta das nove horas do dia 9 de Janeiro de 2009, um manto branco cobriu a região e a escola. Começou a cair intensamente e estendeu-se até ao fim da manhã. Para a maioria dos alunos, em idade escolar, foi a primeira vez que tiveram contacto com os flocos de neve, que erraticamente iam caindo e sobrepujando o chão de uma tonalidade mais branca de pálido. (A whiter shade of pale).
Difícil foi retirar o espírito dos alunos para os conteúdos programáticos. Era absolutamente normal, deixá-las cheirar, apalpar, visualizar e interiorizar sensações que raramente acontecem. Outros afoitaram-se a brincar aos bonecos de neve.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

75 ANOS DA PRESENÇA DE LA SALLE EM BRAGA


Em 24 de Janeiro de 2009, terá lugar a abertura oficial dos 75 anos de presença La Salle em Portugal. João Baptista de La Salle, filho de família nobre, nasceu em 1651 na cidade francesa de Reims. O Educador e Cónego de Reims, além de brilhar no céu da literatura francesa, foi beatificado e canonizado por Leão XIII. Este jovem cónego do tempo de Luís XIV, despojando-se de suas ricas prebendas e distribuindo os seus bens aos pobres, fez-se pobre com os necessitados e humildes. Para o efeito, em 1680, quase sem o pretender, viu-se embarcado na magna empresa da fundação duma congregação religiosa a que deu o nome de IRMÃOS DAS ESCOLAS CRISTÃS, hoje, também, mundialmente conhecidos por IRMÃOS DE LA SALLE.
Em Portugal, a presença dos Irmãos de La Salle, fez-se sentir em algumas localidades: em Abrantes, no Colégio La Salle, que funcionou de 1959 a 1975; em Lisboa, na Rua da Madalena, 89, 5.º, como residência de Irmãos estudantes universitários, entre 1970-71; no Porto, nas Oficinas de S. José, desde 1951 até 1975; em Leiria, no Externato D. Dinis, por espaço de dois anos, 1953 e 1954 e como noviciado, de 1954-60; em Lamego, durante três anos, onde deram apoio à Escola de Formação Social Rural; em Barcelos, onde funcionaram os Serviços Gerais de Formação entre 1954-57, 1966-69, 1975, o aspirantado em 1952, o escolasticado de 1956-58, o noviciado de 1960-66 e presentemente como externato misto.
Os Irmãos das Escolas Cristãs de João B. de La Salle entraram pela primeira vez em Portugal, através do Colégio de S. Caetano, em 7 de Setembro de 1933, a convite do Cónego Dr. José Martins Gonçalves e com as pertinentes diligências de D. António Bento Martins Júnior e D. Manuel Vieira de Matos. Os primeiros contactos para a entrada desta congregação em Portugal, mais concretamente, em Lisboa, remontam a 1854.

No entanto, só decorridos setenta e nove anos chegaram a Portugal.


Política em Verso (4) - Zezão - 02-08-1923

Em redor do Presidente,
Que Nosso Senhor fará,
Tem, por aí, toda a gente
Bordado mil conjecturas
Sobre quem ele será…

Uns dizem que é o Sr. Fulano,
Outros que Cicrano é;
Uns que é Paulo ou fabiano
Outros crêem que é o Rodas
E outros que é o Pirolé.

No mister de Jornalista,
Que me preso de o ser,
Inda não dei c’uma pista
Segura nem c’um indício
Que me deixe o véu romper!

Os ilustres pataratas
Que, na feira de S. Bento,
Só sabem vender batatas,
Não se entendem na escolha
E tem d’olho mais dum cento!

Eu, se fosse consultado,
Escolheria à feição
Candidato abalizado
P’ra cada um dos partidos
Inteiros da situação.

Diria aos nacionalistas
Que, da comida no tacho,
Mas só p’ra fogo de vistas,
Pusessem, sem mais delongas,
O senhor Limpo Camacho.

Aos radicais, que da breca
São levadinhos – qu’agouro!...
Não indicava uma careca,
Mas um de pelo na venta,
O honrado… Dente d’Ouro.

Aos sidonistas, se os há,
- E creio que não, por mim…
Diria assim, p…á, pá:
- Quem vos serve p’ra tal cargo
É o Barbosa Canarim.

Se eu fosse dos democratas,
Olha, leitor, vê se furas…
Em quem, votava? Não matas!...
- No ilustre parlapatão
Do Bernardino Mesuras.

Mas aos Talassas que são
Mesmo umas pombas sem fel,
Diria em voz de pregão:
- «P’ra Presidente, Senhoras,
Votai em… D. Manuel!».

- E aos amigos do Sá Pereira
Quem aconselhas, Zezinho?
- Ai, filhos, que pagodeira!
Que votem no predilecto…
No Senhor… Copo de Vinho!
Zezão

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

LEONARDO COIMBRA E O COLÉGIO DE S. CAETANO

José Leonardo Coimbra (1883-1936), figura proeminente da Renascença Portuguesa, que fundou juntamente com António Sérgio, Teixeira de Pascoaes e Raul Proença.
Nasceu na Lixa, em 29 de Dezembro de 1883, estudou em Penafiel, na Universidade de Coimbra, a Escola Naval de Lisboa, a Academia Politécnica do Porto e o Curso Superior de Letras.
O Anarquista, após uma experiência mal sucedida no Liceu Central do Porto, concorreu ao lugar de Director do Colégio dos Órfãos de S. Caetano, sob a protecção do Dr. Manuel Monteiro (Governador Civil) e do Dr. Domingos Pereira (Presidente da Câmara e Ministro do Interior), cargo a que foi provido.
A comissão administrativa do colégio decidiu em reunião efectuada em 16 de Setembro de 1911 pôr o cargo de Director Interno a concurso. Para o efeito, fez publicar dois anúncios, no Notícias do Norte, em 24 de Setembro de 1911 e 1 de Outubro de 1911.
Sendo o único concorrente, foi nomeado em 9 de Outubro de 1911 pela Comissão Administrativa. Foi recebido pelo corpo docente e pela Banda de Música do Colégio, pelas 14 horas do dia 27 de Outubro de 1911, na Estação dos Caminhos de Ferro. Segundo ele, foi recebido optimamente, como o Grande Elias do monólogo.
Implementou neste colégio a escola neutra e uma feição mais humanista (um colegial tinha sempre presença na sua mesa). Esta experiência, mal sucedida, foi muito curta.
Foi deputado, Ministro da Instrução Pública. Em 1913, filia-se no Partido Republicano e adere à Maçonaria.
A sua obra conduz-nos ao conceito de criacionismo, uma filosofia da liberdade que procura dar ênfase à capacidade criadora do pensamento.
Em 1935 adere à Igreja Católica e morre em 1936.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

FREI ANTÓNIO JOSÉ DA COSTA (FREI JOÃO DE S. MIGUEL)

Era irmão da minha pentavó. Filho de João José Gomes e de Ana Maria Peixoto, nasceu na Freguesia de São Miguel de Frossos, em 22 de Outubro de 1813. Neto paterno de Pedro Gomes Pereira do Lago e Teresa Maria da Silva, ambos naturais de Santa Cristina da Pousa. Neto Materno de António José da Costa e de Maria Peixota, naturais de Frossos. Foi baptizado pelo vigário António José da Ponte a 24 do mesmo mês e ano.
Ingressou na Ordem de S. Francisco.
Faleceu a 11 de Dezembro de 1888, com setenta e cinco anos. Foi sepultado na Igreja Paroquial de Frossos, quando era pároco o Padre Boaventura da Silva.

Política em Verso (3) - Zezão - 17-07-1923

Como é costume em gazetas,
Logo a gente ao começar
A escrever duas tretas,
Bem ou mal se apresentar,
Vou seguir na mesma esteira…
Direi quem sou, o que quero,
Embora faça uma asneira,
Em versos… a coxear…

Eu sou o tais… o que aqui,
Na nossa «Acção Social»,
Uma secção preenchi
E, por motivo da qual,
Leitor, só a ti to digo,
À traição e a cacete,
Me puseram como um figo…
Atrapalhado me vi!...

Tive uns cálc’los furados,
Saiu-me uma esp’rança morta,
Quis castigar uns malvados,
Deitei-lhes Bichas à porta…
Rabiaram, sim senhor,
Mas, oh céus, oh terra, oh nuvens!
Sempre apanhei … um calor…
Deixemos factos passados!

Olaréla! Eu sou teimoso!
Por isso continuarei
No mesmo trilho escabroso…
Mas, como agora já sei
O que a mim pode advir-me,
Vendo o caso mal parado,
Sempre deles hei-de rir-me!
De que modo? Eu bem sei…

Quando os vir muito exaltados
A esses perliquitetes,
Com ares de endemoninhados
Ou empunhando cacetes,
Fujo apressado e lampeiro…
E, na fuga, mostro meus brios,
Que, além de fogo rasteiro,
Largo-lhes mais uns… foguetes.

sábado, 3 de janeiro de 2009

POLÍTICA EM VERSO (2) - ZEZÃO - 10-07-1923

Tem-se esfalfado a «Verdade»
E o «Barcelense» também
A gritar – e com razão –
Contra essa imoralidade
Que do hospital da vila
Se chama a administração.

É uma vergonha! Diz um
Que à frente de casa tal
‘steja quem brios não tem!
(E eu torço o nariz… hum, hum…)
- Olho da Rua! Diz outro
(Anda por aí… que andas bem!...)

Caros colegas, olhai!
O que vos diz quem nos anos
A experiência bebeu,
- Isto a palavras não vai!
Quem não tem vergonha, julga
Que todo o mundo é seu…

Quereis cobrir-vos de glória
E já, já sem tardança,
Que tudo entre nos eixos?
Dos fracos não reza a história…
Tretas não adubam sopas…
Arrumai-lhes para os queixos!

Que, ao ver a pancadaria,
A rir-se como um perdido
- Vê lá bem na que te metes!...
Cá o Zé não resistia
A deitar-lhes umas bichas
E lhes largar uns foguetes…
Zezão

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

PARA A HISTÓRIA DO COLÉGIO DE S. CAETANO

ARTIGOS PUBLICADOS NOS JORNAIS, RELACIONADOS COM OS «NEGÓCIOS DA QUINTA DA MADRE DE DEUS» DO COLÉGIO DE S. CAETANO:
- Diário do Minho, 1 de Janeiro de 2009;
- Diário do Minho, 2 de Janeiro de 2009;
- Diário do Minho, 27 de Dezembro de 2008;
- Diário do Minho, 24 de Dezembro de 2008;
- Diário do Minho, 01 deNovembro de 2008;
- Diário do Minho, 06 de Agosto de 2008;
- Diário do Minho, 02 de Agosto de 2008;
- Diário do Minho, 26 de Julho de 2008;
- Diário do Minho, 13 de Julho de 2008;
- Correio do Minho, 28 de Fevereiro de 2007;
- Diário do Minho, 29 de Maio de 2008;
- Diário do Minho, 01 de Junho de 2008;
- Diário do Minho, 16 de Junho de 2008;
- Diário do Minho, 20 de Junho de 2008.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

POLÍTICA EM VERSO (1) - ZEZÃO - 03-07-1923

Há dias, uns jornalistas,
Uns monstros d’informação,
Diziam admirados,
Num local expremido,
Três mortos serem achados,
Depois duma exploração,
Sem darem… sinais de vida…

E, vai d’aí, uns maduros,
Querendo dar-se ares de finos,
Saltam logo p’ras gazetas
Com arrelias picantes,
Chamando-os homens de pêtas,
Bêstas, cavalos, suínos
E… nomes injuriantes!

Que ignorância tão crassa
Vieram denunciar!
Mostram bem ‘star atrasados
Nos progressos da ciência!
Pois não sabem, os coitados,
Que os mortos podem falar,
Que está feita a experiência?

Não sabem que nas Américas,
Aqui há uns anos p’ra trás,
Uns sábios d’envergadura
Conseguiram obrigar
Um falecido rapaz
A ir para a sepultura
Por seu pé e a conversar?

Olhem que inda, o outro dia,
Um magarefe do Porto,
Por sinal um desalmado,
Deu cabo dum cordeirinho
E, passando um bom bocado,
Reparando, viu o morto
A bulir c’o seu rabinho!
Zezão

Sou um lírico...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

VOTOS DE ANO NOVO


Votos de um Ano Novo pleno de realizações. Que seja o ano da concretização de todos os sonhos.
Que 2009 traga a todos os amigos PAZ, AMOR, SAÚDE.

PADRE BOAVENTURA JOSÉ RODRIGUES

Nasceu em Parada de Tibães em 14 de Julho de 1881, na casa da Família Mário Sequeira e faleceu em 28 de Dezembro de 1956. Filho de António José Rodrigues e Rosa Maria Duarte.
Em 19 de Maio de 1905, recebeu a inquirição de génere.
Foi Capelão do Pópulo e da Capela do Guadalupe.
Dava aulas particulares, na Casa do Rasteira, no lugar de Agrafonte, em Tibães, aos moradores que o solicitassem.
Vivendo na cidade, deslocava-se três vezes por semana a Tibães, às segundas, quartas e sextas, para a Casa do Rasteira, onde descansava. Numa destas viagens, que eram sempre feitas a pé, foi colhido mortalmente por uma lambreta.




PADRE JOSÉ PEIXOTO DE OLIVEIRA (ZEZÃO)

Era irmão do meu bisavô. Nasceu em 11 de Novembro de 1878, na Rua de Baixo, em Frossos. Foi baptizado pelo Padre Francisco José Pereira, em 13 de Novembro de 1878 e faleceu em 6 de Abril de 1957.
Filho legítimo de João José Peixoto de Oliveira, Padeiro e de Maria Duarte. Neto paterno de Domingos José de Oliveira e de Mariana Peixoto e materno de Domingos Alves e de Francisca Duarte.
Pediu a Inquirição de Génere, no 2.º ano de Teologia, em 17 de Novembro de 1898. Ordenou-se sacerdote em 1896, tendo celebrado as Bodas de Ouro, em 28 de Julho de 1946.
Foi pároco de Martim, Encourados e S. Romão de Milhazes ( a partir de 1905) do Concelho de Barcelos.
Era considerado um bom professor de Português, no Colégio de S. Quitéria, em Felgueiras, onde leccionou. Numa carta de recomendação, o Director de Colégio escrevia: «Se quiserem um bom professor de Português, contratem-no, por que melhor não encontram».
Era igualmente um grande poeta, orador e político. Escreveu no Jornal «Dumiense» muitos versos contra a política de então. Assinava por Zezão e tinha uma coluna intitulada «Bichas e Foguetes». Este Jornal, no suplemento ao número 35, ano II, de 17 de Maio de 1905, traça um perfil, incluindo uma foto, do Padre José Peixoto de Oliveira.
Era, igualmente, um monárquico. Teve de refugiar-se contra alguns juízes influentes de Barcelos que lhe fizeram a vida dura.




PADRES DE TIBÃES

Costuma-se dizer que as sementes germinam em boa terra. Talvez por influência dos beneditinos em Tibães, o que é certo é que esta freguesia gerou muitos sacerdotes e freiras à sombra do Mosteiro de Tibães.
A minha família conta com três consagrados: Padre José Peixoto de Oliveira, a Irmã Maria dos Anjos que faleceu em Fall River nos Estados Unidos e Frei António José da Costa ou Frei João de S. Miguel, da Ordem Franciscana, falecido em 11 de Dezembro de 1888 em Frossos.
Da minha aldeia também são vários os que subiram ao altar: Padre Boaventura José Rodrigues, Padre Severino Pereira Fernandes (nasceu em Tibães em 10-03-1933, missa nova em 19-07-1959, Coadjutor da paróquia de Prado desde Outubro de 1960 até 1968 e pároco desde essa data até aos nossos dias), Padre João Cardoso de Oliveira (Pároco da Areosa, Viana do Castelo), Padre António Esteves, Padre Zeferino Esteves, Padre Delfim Coelho.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

IMAGENS - PRESÉPIO DE TIBÃES - 2008

PRESÉPIO DE TIBÃES - 2008

O presépio é uma referência do mundo cristão que simboliza o nascimento de Jesus na gruta de Belém, na companhia de José e Maria.
O Presépio de Tibães mantém-se e continua a mostrar aos visitantes a criatividade e a sua história. Um grupo de jovens, anualmente, congrega-se para manter bem vivas as tradições da freguesia.
A Tibães acorrem nestes dias milhares de forasteiros. Tibães é, assim, um lugar de encontros, de partilha onde nos apetece sempre voltar. Porque há cheiros e aromas a invadir-nos os sentidos, um mar onde desaguam os nossos pensamentos, uma foz que nos embala as memórias.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

GLOBALIZAÇÃO DA SOLIDARIEDADE (Natal de 2008)

A lógica do mercado, de estatura alta e imponente, de palavra fácil, com ar de desafio e voz tronitoante, instalou-se no pódio e no poder.
A resistência digna e sofrida dos indigentes faz-nos repensar a história, faz-nos reconhecer o protagonismo e o direito dos excluídos.
Os movimentos populares, que crescem de baixo para cima, tecem a malha donde emerge o exercício da cidadania, assumindo a causa dos pobres.
É um exercício de solidariedade, juntar a nossa voz, onde cresce a indiferença e a rejeição, onde se jogam os valores tradicionais e a idolatria do dinheiro.
É preciso juntar forças, favorecendo a globalização, como uma cultura da inclusão.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

AOS LEITORES DO BLOG

NASCER NOVAMENTE NESTE NATAL
Nascer na alegria, na abertura aos outros, no perfume sedutor, no gesto acolhedor, no perdão e na capacidade de amar. Boas Festas e Feliz Ano Novo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Frei Cipriano da Cruz

Monge beneditino, nasceu em Braga na segunda metade do século XVI e faleceu em Tibães, em 17 de Fevereiro de 1716. É considerado o expoente máximo da arte da «talha», enriquecida com o trabalho do ouro, criando um estilo que ficou conhecido como o “barroco nacional”.
Como produções de Cipriano da Cruz, em Tibães, destacam-se: o primeiro retábulo da Capela-Mor, as esculturas da Visitação, de São Bernardo e São Gregório; no retábulo da primeira capela do lado do Evangelho, dedicada a Santa Gertrudes e São Miguel e o cadeiral do Coro. No triénio 1680/1683, decorou a sacristia, onde se destaca um retábulo contendo um grupo em talha sobre a Visitação e doze figuras em barro policromado representando as Virtudes, a Alegoria da Igreja e os quatro Santos Beneditinos. A segunda etapa da talha de Tibães, corresponde à introdução do primeiro estilo barroco ou estilo nacional (1692/1695), com a capela de Santa Estugarda, e ainda o retábulo da Assunção de Nossa Senhora, na Capela de Santa Ida e a talha da Capela de Santa Ana, onde figura o grupo da Sagrada Família.
Frei Cipriano da Cruz é, com certeza, o mais destacado “imaginário” bracarense dos finais do século XVII e princípios do XVIII.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

FREI JOSÉ DE SANTO ANTÓNIO VILAÇA



Frei José de Santo António Vilaça, escultor e entalhador beneditino, nasceu em Braga a 18 de Dezembro de 1732, no Terreiro de São Lázaro, tendo dedicado grande parte da sua vida ao embelezamento das igrejas beneditinas das dioceses de Braga e Porto. Viria a falecer em 30 de Agosto de 1809, encontrando-se enterrado no claustro principal do Mosteiro de Tibães.
Tudo indica que o monge era o principal discípulo de André Soares, sob orientação de quem trabalhou na capela-mor de Tibães.
Em Tibães – verdadeiro museu do barroco em Braga ou santuário do rocócó bracarense - desenhou os enquadramentos dourados dos seis janelões, que depois entalhou com tanta virtuosidade; as voluptas torcidas e folhagens emulando plumas, que pairam por cima da dupla fila de bancos da capela-mor; as duas cadeiras-de-braços, pintadas de encarnado e ouro, para a visita do abade geral de Tibães; as esculturas de São Bento, Santa Escolástica, São Martinho, a Tribuna do Mosteiro, as sanefas da igreja, o pé do órgão, o oratório do coro e a cabeça de Cristo, no crucifixo.
Escreveu um diário, chamado «Livro de Rezam», onde anotava, triénio por triénio, a necrologia beneditina. Este manuscrito inclui, igualmente, elementos biográficos juntamente com uma longa lista de trabalhos nos mosteiros de Tibães, Refojos de Basto, Pombeiro, Pendurada, Miranda, Paço de Sousa, Santo Tirso e Cucujães.

PADROEIRO DE BRAGA

No dia 5 de Dezembro comemorou-se o Dia do Padroeiro da Cidade de Braga, S.Geraldo.
Este santo é conhecido, genericamente, por duas facetas: como primeiro arcebispo de Braga e pela lenda (milagre) dos frutos.
Refere a lenda que: « encontrando-se S. Geraldo muito doente, às portas da morte, em Bornes, refugiado da neve que abundantemente caía pediu, nos ardores da febre, que lhe trouxessem algumas peças de fruta. Um familiar seu respondeu-lhe que, com aquele tempo, as árvores estavam despidas de frutos. Ao que ele retorquiu: Ide e procurai. Foi, então, que repararam que, no exterior, as árvores estavam carregadas de fruta».
Na Sé Catedral podemos visitar a Capela de S. Geraldo, onde encontramos um conjunto de azulejos que retratam o milagre das frutas, atribuídos ao pintor António de Oliveira Bernardes (1662-1731).

VISITA À ESCOLA FIXA DE TRÂNSITO

No âmbito da Formação Cívica, no dia 4 de Dezembro, a turma 6 do quinto ano de escolaridade, visitou a Escola Fixa de Trânsito.
Tendo em conta a Cidadania e Segurança rodoviária, esta visita impõe-se pelo cenário preocupante que por si só configura, sendo considerada pela OMS como um grave problema de saúde pública, com pesadas consequências sociais e económicas, afectando com forte incidência as camadas mais jovens da população.
A formação integral da juventude, passa pelos diversos tipos de educação, sendo mais proveitosa começar pelas idades mais tenras.




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

DEIXEM-ME VOAR, ESTOU EM GREVE

Deixem-me voar, a matéria merece revisão. O mundo mudou e estou à mercê de sucessivos ajustes pedagógicos.
Deixem-me voar, tudo é exacerbadamente intenso. É preciso estar sempre a aprender e conhecer a palavra «paciência».
Deixem-me voar, para não cair no «fosso entre gerações». Sei lidar com o que sinto, mas não convivo com os malefícios da realidade.
Deixem-me voar, pois os resultados não se definem à medida dos desejos. Necessito de inventar, correr riscos, decepcionar-me, ter tempo para encantamentos.
Deixem-me voar, já não dependo de orientações controversas. Deixem-me ser professor e ter a responsabilidade de educar.

domingo, 30 de novembro de 2008

TIBÃES E AS INVASÕES FRANCESAS

Brevemente passarão dois séculos após a passagem dos invasores franceses pela nossa região. Em Março de 2009, 0 General Nicolas Jean de Dieu Soult (1769-1851), comandante da segunda invasão francesa, entrava no Bom Jesus, na Falperra e em Braga, depois de vencer as serranias do Alto Douro, Trás-os-Montes e Minho, onde, pela estrada de Chaves, chegava à Serra Amarela.
Comandava a defesa do norte do País, o General em chefe Bernardim Freire de Andrade que tinha como seu Quartel Mestre, o capitão Custódio José Gomes de Vilas Boas, mais tarde, segundo o seu assento de óbito, tenente-coronel.
O General Bernadim Freire de Andrade (1759-1809), face à desvantagem das forças que comandava, retirou para Braga, onde poderia melhor estabelecer a defesa da cidade, mas esta estratégica retirada, não foi bem vista pelo povoléu, que amotinado julgou Freire de Andrade, como jacobino e francesismo. Freire de Andrade, como Governador Militar do Norte em 1809, recebe a missão de defesa do Minho, na segunda invasão francesa. Consegue impedir a passagem de Soult por Caminha, mas sem condições para montar uma linha de defesa na região de Braga, optou por retirar para o Porto, o que foi considerado pela população como uma atitude colaboracionista e de entrega do país aos franceses. Acabou linchado pela populaça no dia 18 de Março de 2009, perto de Braga.
Este mal entendido viria a recair, também, sobre Custódio José Gomes de Vilas Boas. Um e outro pagaram, com a vida, o seu patriótico exemplo.
Primeiro, em 17 de Março, é assassinado Bernardim Freire.
Em consequência do avanço das tropas napoleónicas, avanço que, na região atribuíam a traição dos chefes militares portugueses, temendo pela sua segurança, Custódio José Gomes Vilas Boas, refugia-se no Convento de Tibães, tendo ali sido procurado pela enraivecida, turbulenta e desorientada turba. Trazido para Braga, é assassinado, também a tiro, no Campo de Santa Ana, no dia seguinte ao da morte de Bernadim Freire de Andrade.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

IMAGENS DA VISITA DE ESTUDO

VISITA DE ESTUDO AO MUSEU D. DIOGO DE SOUSA

VISITA DE ESTUDO ÀS RUÍNAS ROMANAS DA CIVIDADE E AO MUSEU DE ARQUEOLOGIA REGIONAL D. DIOGO DE SOUSA
No dia 28 de Novembro de 2008, de manhã, a turma seis do quinto ano de escolaridade, visitou as Ruínas Romanas da Cividade e o Museu D. Diogo de Sousa, no âmbito da Romanização.
Começamos por visitar as termas romanas localizadas na Colina de Maximinos, situadas junto ao Forum da antiga cidade romana (Bracara Augusta). As termas públicas eram vastos edifícios preparados para proporcionar aos habitantes ou visitantes da cidade a possibilidade de tomar o seu banho de acordo com as regras prescritas pela medicina da época.
Seguidamente passamos ao Museu D. Diogo de Sousa onde observamos, apenas, o espólio da época romana, em Bracara Augusta. O nome do Museu está associado ao arcebispo D. Diogo de Sousa (1461-1532), a quem se ficaram a dever importantes medidas de remodelação urbanística em Braga e o facto de ter reunido os testemunhos arqueológicos mais antigos desta cidade, até então dispersos.

S. MARTINHO DE TOURS - PATRONO DE TIBÃES

Como Patrono da Freguesia de Mire de Tibães, o interesse por este grande monge, bispo, apóstolo e evangelizador do ocidente é redobrado. Nascido na Panónia, actual Hungria, no século IV, é venerado e recordado todos os anos no dia 11 de Novembro.
O seu culto, na Península Hispânica, desenvolve-se, sobretudo, após a conversão dos suevos, no tempo de Bispo Bracarense S. Martinho de Dume.
Quem não conhece o milagre de Amiens, quando deu metade do rico manto ao mendigo.
Quem pode deixar de associar os frutos secos da terra a S. Martinho. Castanhas, pão, vinho novo, bem como ligado ao provérbio «no dia de S. Martinho vai à adega e prova o teu vinho».
Quem não aguarda o dia de S. Martinho para aumentar o celeiro. A Sala do Recibo, no Mosteiro de Tibães, é bem uma amostra desta afirmação. Nesta sala, no dia de S. Martinho, os caseiros do couto de Tibães depositavam os produtos agrícolas que se destinavam ao sustento da comunidade. Lá se encontravam os cereais, as balanças, os pesos, as medidas (a rasa e o alqueire) e os livros de assento.



domingo, 23 de novembro de 2008

O CINEMA E O BOM JESUS DO MONTE

Faz hoje 112 anos (23-11-1896), que chegou ao Teatro S. Geraldo, o Kinetógrafo português. Um dos primeiros filmes registados com o Kinetógrafo foi «O Zé Pereira nas Romarias», exibido pela primeira vez em 12 de Novembro de 1896 no Porto.
Por volta de 1908, a Invicta Film, marca da empresa Nunes Matos e companhia, inicia uma actividade mais regular no norte do país, com documentários e filmes panorâmicos produzidos em celulóide. De entre as películas produzidas pela Invicta Film nomeamos: «Bom Jesus do Monte», «Viana do Castelo» e «Barcelos».

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

AZULEJOS DO CONVENTO DO PÓPULO




A recuperação do revestimento azulejar da escadaria nobre do Convento do Pópulo, vem mostrar a salvaguarda deste interessante e valiosíssimo património arquitectónico e contribuir para a divulgação do património recuperado, promovendo a valorização e dinamização do edifício onde se insere – o Convento do Pópulo, classificado como Imóvel de Interesse Público.
As dependências conventuais do conjunto edificado são compostas por diversos espaços, de que se destaca o claustro e a escadaria nobre. Esta é composta por dois pares de lanços de escadas laterais, simétricas que conduzem a um patamar intermédio, amplo e rectangular, de onde irrompem dois lanços centrais opostos e que terminam nos corredores de acesso às alas laterais, respectivamente da frontaria e das traseiras.
A escadaria nobre apresenta revestimento em silhar de azulejo, composto por uma série de painéis de azulejo de contorno recortado, datado do século XVIII. (imagens retiradas do Blog - http://municipiobraga.blogspot.com)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

TEMPLO ROMANO E NECRÓPOLE EM BRAGA

As obras que decorrem na Avenida da Liberdade colocaram a descoberto um Templo Romano, do século I, junto da Necrópole recentemente descoberta.
As escavações arqueológicas, efectuadas no quarteirão dos antigos Correios e na zona onde decorrem as obras de prolongamento do túnel, trouxeram à superfície valiosos vestígios que enriquecem a nossa já vasta herança romana.
Com certeza que estas descobertas vão merecer de todos a preservação e a dignidade de tratamento que o assunto releva.
Longe de nós pensar que este assunto merecerá o mesmo tratamento que o património teve no passado desta «Cidade dos Arcebispos».

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

TIBÃES E O ESCADÓRIO DOS CINCO SENTIDOS

O escadório dos Cinco Sentidos, construído por iniciativa de D. Rodrigo de Moura Teles, exemplar de um barroco exuberante, para além da Fonte das Cinco Chagas, é composto de mais cinco fontes representando cada um dos cinco sentidos humanos.
John Bury e Germain Bazin levantam a hipótese deste escadório se ter inspirado em idêntico existente nos jardins do Mosteiro de Tibães, construído durante o século XVII e reformado posteriormente.
Mónica Massara defende que «as fontes de Tibães não poderiam ser classificadas como barrocas, mas sim como típicos exemplares do maneirismo português”.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ALUNOS VISITAM MUSEU DOS BISCAINHOS


Na semana de 10 a 14 de Novembro, todas as turmas do sexto ano de escolaridade da EB 2/3 Frei Caetano Brandão visitaram o Museu dos Biscainhos.
O Museu dos Biscainhos está instalado no Palácio dos Biscainhos, fundado no século XVII e definido arquitectonicamente na primeira metade do século XVIII. Durante cerca de três séculos foi habitação de uma família nobre (Condes de Bertiandos), transformando-se em Museu público a 11 de Fevereiro de 1978. Em 1949 o edifício e os seus jardins foram classificados como Imóvel de Interesse Público.
O palácio, os jardins barrocos e as suas colecções revelam o quotidiano da nobreza setecentista assim como numerosas referências da vida dos outros habitantes do espaço: capelães, criados e escravos.
Os alunos visitaram as várias colecções de artes decorativas (mobiliário, ourivesaria, cerâmica, vidros, têxteis, etc), instrumentos musicais, meios de transporte, gravura, escultura/talha, azulejaria e pintura, da época compreendida entre o século XVII e o primeiro quartel do século XIX, terminando a visita junto do jardim do museu, um dos mais significativos do período Barroco em Portugal.
A visita foi acompanhada de uma actividade intitulada "Sons do Palácio ". Acção desenvolvida como um jogo exploratório. A partir da audição de sonoridades que expressam o conteúdo original dos espaços e jardins do Palácio, os alunos são solicitados à respectiva identificação na sequência do percurso de visita.



VISITA DE ESTUDO AO MUSEU DOS BISCAINHOS

domingo, 9 de novembro de 2008

CENTRO SOCIAL PAROQUIAL DE MIRE DE TIBÃES

No próximo dia 11 de Novembro, pelas 20 horas, tomará posse a direcção do Centro Social Paroquial de Mire de Tibães, por Provisão do Ex.mo Sr. Arcebispo Primaz de Braga, D. Jorge Ortiga.
Direcção:
Presidente – Padre Luís Gonzaga Marinho Teixeira da Silva,
Vice-Presidente – Gentil Ferreira do Fundo Oliveira,
1.º Secretário – Hermínio Veiga da Silva,
2.º Secretário – Maria da Conceição Rodrigues Quintas Veiga,
Tesoureiro – Jorge Manuel Dias Gomes.
Conselho Fiscal:
Presidente – José Carlos Gonçalves Peixoto,
Vogais – Laura da Conceição Gomes Igreja e Ana Maria Correia Dias Costa.
Órgão de Vigilância:
Padre Luís Gonzaga Marinho Teixeira da Silva.
Após aprovação pelo Senhor Arcebispo de Braga, os Estatutos foram publicados em Diário da República em Abril de 2004, por iniciativa das «mulheres em movimento».
Em Maio de 2004, encontrou-se o terreno para a construção do Centro Social, no valor de 19.952,00 € e Compra de Carrinha no valor de 19.900,00€.
Receitas de 2004 – 47.580,00€
Receitas de 2005 – 46.500,00€
Receitas de 2006 – 42.425,00€
Receitas de 2007 – 58.623,65€
Principais actividades:
Em 2006:
– Pedido à CMB para elaboração do projecto,
- Concurso ao financiamento do Programa PARES,
- Financiamento de 360.000,00€ para Infra-estruturas e 28.800,00€ para equipamentos do projecto de candidatura ao programa PARES.

Em 2007:
- assinatura do contrato de financiamento do programa PARES,

- abertura de concurso para construção do centro social.
Em 2008:
- Adjudicação da obra por 745.745,12€,
- Benção da primeira pedra,
- Concerto com «Just Girls»,
- Cortejo para angariação de fundos,
- Início do grande sorteio de um automóvel.

IRMÃS MISSIONÁRIAS DONUM DEI EM TIBÃES

A partir do início de 2009, uma comunidade de missionárias, pertencente à Ordem Carmelita, vai instalar-se no Mosteiro de Tibães.
A família Donum Dei sempre se dedicou à actividade hoteleira e à exploração de restaurantes, como um meio privilegiado para a Evangelização.
Esta comunidade foi fundada em Saint Denis, no Norte de Paris, imediatamente a seguir à 2.ª Grande Guerra, em 1947, pelo Padre Marcel Roussel-Galle.
Esta família encontra-se dispersa por cinco continentes.

"DEIXEM-NOS SER PROFESSORES"

Também fui à manifestação. “ Deixem-nos ser professores”, foi o slogan do dia de luta dos professores, em 08-11-2008, em Lisboa, que envolveu 120.000 professores. Não há memória de uma união tão forte, nem nunca assisti a uma manifestação com este carisma.
A Sr.ª Ministra conseguiu unir transversalmente todos os professores: dos titulares, aos não titulares, dos novos aos menos novos, numa convergência de opiniões contra o sistema, nunca visto na história do ensino.
Foi um espectáculo bonito, ver todos os docentes, oriundos de todas as regiões do país, unidos num mesmo objectivo, sem qualquer espírito partidário, mas num esforço de melhoria do sistema educativo, contra os todos os subterfúgios de alterar o sistema administrativamente.
Só há uma solução: melhorar a qualidade do ensino só passa pelo envolvimento de todos os professores.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

NÃO HÁ CRISE DE VALORES

Dizia Santo Agostinho: «Diz-me o que amas e dir-te-ei quem és». Uma pessoa é o que, realmente, são as suas valorações.
O que define cada um destes tipos: o homem teorético, o homem estético, o homem social, o homem politico, o homem económico e o homem religioso é o facto de fazer de um valor determinado ( ciência, arte, trato humano, religião, etc.) o objecto da própria vida. Cada homem não só opta por um valor, que passa a caracterizá-Io mas, na realidade, opta por todos e cada um desses seus valores (e por muito mais ainda), de modo que cada individuo fica definido, mais pelo primeiro valor que escolhe, que pela ordem de todos os que escolheu.
Diferentes pessoas atribuem importância a diferentes valores. Uns preferem os valores teóricos (lógica, verdade), outros os valores económicos (diligência, riqueza), outros valores estéticos (beleza, harmonia), outros os valores sociais (amizade, igualdade), outros os valores políticos (poder, reconhecimento), outros os valores religiosos ( salvação), etc.
O valor, como tal, é privativo do homem. Precisamente porque o acto de valorizar é racional, não é um acto caprichoso, mas submetido a leis.
Parece, pois, que a valoração não pode ser arbitrária, mas deverá respeitar certas exigências lógicas e a ordem racional.
Para tratar este tema, devemos distinguir valores e valorações.
O valor radicaria no objecto (uma pintura, supunhamos, pode ser bela em si mesma) e a valoração («eu gosto desta pintura») seria o acto pelo qual um sujeito reconhece esse valor e o estima. E ai está todo o drama do problema dos valores, em que o sujeito, equivocando-se, pode atribuir valor ao que não tem, ou preferir um valor inferior a outro superior, e assim fazer mais valorações.
Deste modo o problema pedagógico não são os valores, mas as valorações.
O que nos leva a afirmar que a chamada crise de valores é, antes, a nossa crise. Fala-se de crise de valores como se os valores ou alguns deles deixassem de existir e dependessem só da subjectividade dos homens.
A crise de valores não existe, mas sim a crise de valorações. A crise é nossa, do homem, não dos valores.
Os valores, quer sejam normas ou princípios, organizam-se hierarquicamente. Ou seja, em cada pessoa ou grupo se dá uma escala de valores que sustenta e explica as suas opções, comportamentos.
As pessoas consideram que certos valores são mais importantes que outros e estão por isso mais dispostas, em caso de conflito, a sacrificar uns em favor de outros. Por exemplo, entre o valor da vida humana e o da propriedade de um bem material, pode existir um conflito se, por exemplo, para se salvar uma vida, for necessário roubar.

FESTA DO PADROEIRO


terça-feira, 4 de novembro de 2008

ACDT


segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A CASA DA NAIA




A Casa da Naia, também conhecida como Casa da Quinta da Naia é um imóvel de arquitectura civil, inserido em contexto rural e considerado Imóvel de interesse público. D. L. n.º 129/77 de 29 de Novembro.
São escassas as informações acerca da casa e dos restantes elementos construídos que a rodeiam e que com ela, formam um interessante conjunto arquitectónico; no entanto, é possível situar a sua edificação entre os finais do século XVII e princípios do Século XVIII. Apesar dos evidentes sinais de degrada­ção, a Casa da Naia possui uma grande beleza e equilíbrio, proporcionados pela fachada principal composta por três corpos, integrando o central, uma varanda alpendrada à qual se acede a partir de uma escadaria de lanços convergentes.
A estes motivos de grande interesse, somam-se no espaço envolvente, fontes de jardim, um tanque, esculturas, azule­jos e terreiros, bem como um impo­nente portal encimado por uma pedra d'armas com motivos eclesiásticos, sendo este, o único elemento visível a partir do exterior dos muros em granito que delimitam a quinta.
Lamentavelmente é mais um caso de negligência e de falta de respeito pelo património bracarense, pois esta casa encontra~se há vários anos em estado de degradação completa.

domingo, 2 de novembro de 2008

RANKING DO 9.º ANO - AS 10 MELHORES ESCOLAS

Segundo o Correio da Manhã, do dia 2-11-2008, as dez melhores escolas do Distrito de Braga, num conjunto de 95 são:






Ranking das melhores Escolas do Concelho de Braga, segundo o
Jornal Público de 3/11/2008:




S. MARTINHO EM TIBÃES

Três entidades (junta de freguesia, paróquia, Mosteiro de Tibães) vão celebrar dignamente a festa do padroeiro, com o seguinte programa:
1- No dia 8 de Novembro, pelas 18 horas, Requiem de Fauré;
2- No dia 8 de Novembro, pelas 20 horas, jantar com receitas monásticas;
3- Dia 11 de Novembro, pelas 20 horas, missa solene seguida de magusto;
4- Dia 15 de Novembro, pelas 15 horas, espectáculo de Marionetas «S. Martinho, a vida e a lenda»;
5- Dia 16 de Novembro, pelas 15 horas, Conferências: «A difusão do culto de S. Martinho no Norte do País»; « A cartografia das paróquias de S. Martinho na diocese de Braga».

sábado, 1 de novembro de 2008

A CASA DA ORGE


Situada em Maximinos, a Casa da Orge é um palacete todo murado, com uma frente majestosa, do século XVIII. Foi construído em 1735, cujo portão de entrada nos oferecia uma bonita roseta talhada em pedra.
Recentemente, foi tentatada a classificação deste edifício setencentista - a Casa da Orge - de indiscutivel valor patrimonial, embora não figure como tal no cadastro mandado fazer pela Câmara.
Ultimamente o IPPAR, em 15 de Maio de 2003, tomou a decisão de considerar a viabilidade de "classificação da Casa da Orge" (Processo nº03/03/24(001)CLS/2002), na Freguesia de Maximinos à saída da estrada para Barcelos, por esta casa setecentista, "merecendo protecção específica, se inscreveria na categoria de Imóvel de Interesse Municipal".
Mesmo salvaguardada por medidas cautelares, mesmo em pleno século XXI, onde se afirmam as elevadas responsabilidades políticas do nosso tempo em matéria de cultura, mesmo assim foi demolida em 2007, para dar lugar a outro edifício sem história, sem arte, sem autor e sem futuro.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

500 ANOS AO SERVIÇO DA VIDA



Em postagem anterior, demos conta do contributo de alguns arcebispos de Braga para a fundação do Hospital de S. Marcos (1508-2008), hoje queremos dar conhecimento das comemorações em curso, que se estendem entre 27 de Abril e 20 de Novembro e, sobretudo, informar da publicação de duas obras: A Igreja de S. João Marcos do Hospital do Cónego António Macedo e A Misericórdia de Braga - A assistência no Hospital de São Marcos, de Maria de Fátima Castro.