domingo, 20 de abril de 2008

CENTRO SOCIAL E PAROQUIAL DE SÃO MARTINHO DE TIBÃES

O Centro Social e Paroquial de Mire de Tibães, tendo sido já registado como IPSS, em 6 de Abril de 2004, no Diário da República nº 82, III Série, reunindo por isso condições para realizar acordos ou protocolos de cooperação com qualquer Instituição.
O Centro Social e Paroquial de Mire de Tibães, nasceu a partir de um grupo de mulheres constituídas informalmente por “Mulheres em Movimento”, que tendo a percepção das necessidades a nível de acompanhamento e de alguns cuidados, da população idosa de Mire de Tibães iniciou essa actividade com visitas aqueles cuja situação merecia uma atenção mais urgente.
Com a chegada do Sr. Padre José Morais para pároco de Mire de Tibães, este grupo de mulheres sentindo-se com apoio mais institucional, aceitou o desafio e foi constituído formal e legalmente o Centro Social e Paroquial de Mire de Tibães.
Actividades – O Centro mantém aberto todos os dias úteis de tarde um Centro de Convívio a funcionar provisoriamente na Escola E.B1 de Ruães dispondo para isso de uma carrinha de para transporte dos utentes entre a residência e o Centro de Convívio, com cerca de 20 utentes acompanhados por 3 voluntárias das “Mulheres em Movimento”, aconselhadas por 2 técnicas de acção social, que asseguram um programa de actividades, para motivação dos utentes.
No dia 1 de Maio de 2008 terá lugar a bênção da 1.ª Pedra do Centro Social e Paroquial, com o seguinte programa:
- 14.30 hs concentração e recepção às autoridades;
- 15.30 hs cerimónia da bênção da 1.ª pedra do Centro Social e Paroquial;
- 15.30 hs tarde cultural animada pelos diversos grupos da freguesia.

sábado, 19 de abril de 2008

Bom Jesus do Monte - As 7 maravilhas de Braga

Em 2007, a ASPA, Associação para a defesa, estudo e divulgação do Património Cultural e Natural, promoveu um concurso subordinado ao tema, Maravilhas e Pesadelos de Braga. Os resultados referentes às maravilhas foram os seguintes:
Bom Jesus do Monte – 86,5%
Sé Catedral – 69,9%
Mosteiro de Tibães – 66, 8%
Conjunto Largo do Paço / Biblioteca – 61,9%
Jardim de Santa Bárbara – 47%
Capela de Santa Maria Madalena – Falperra – 40,1%
Casa e Capela do Coimbras – 33,2%

sábado, 12 de abril de 2008

JOVEM COM ORIGENS EM TIBÃES ORDENADO DIÁCONO

Tiago André Fernandes Freitas, da paróquia de S. Lázaro, filho de José Auspício Freitas, natural de Mire de Tibães, falecido, neto da Senhora Maria Leça a residir na freguesia de Mire de Tibães, vai ser ordenado Diácono na Basílica do Sameiro, no dia 13 de Abril de 2008, pelas 15.30 hs, no Dia do Bom Pastor, juntamente com mais seis diáconos.
Até nos apetece dizer que Tibães tem sido um viveiro de sacerdotes, onde as sementes do Evangelho caíram em bom terreno.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Uma Visita ao Bom Jesus do Monte

O Programa Ecclesia, da RTP2, que emite de Segunda a Sexta-feira, às 18 horas, passou uma reportagem sobre o património do Bom Jesus do Monte, no dia 1 de Abril, incluído numa emissão mais vasta sobre a Arquidiocese de Braga, com intervenções de Dom Jorge Ortiga, Padre Cândido Pedrosa, Dr. José Carlos G. Peixoto e Cónego Tinoco.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

UM MILAGRE NO COUTO DE TIBÃES

O livro de 1721 do Padre António de Mariz Faria, intitulado Peregrino Curioso da Vida e Morte, Trasladação e Milagres do Glorioissimo Senhor S. João Marcos, na Augusta Cidade de Braga, no capítulo XIX, faz a relação dos milagres, que Nosso Senhor obrou por intercessão do glorioso Mártir São João Marcos. A páginas 193, relata :«Antonia solteyra, da freguesia de Parada, Couto de Tibães, não podendo mover hu braço, o meteo no tumulo do glorioso santo, em 13 de Mayo de 1718 & logo ficou saã».

terça-feira, 1 de abril de 2008

Corpo Nacional de Escutas – CNE - Tibães

50 ANOS AO SERVIÇO DA COMUNIDADE
O Escutismo nunca parou de crescer desde que foi fundado em 1907, tendo duplicado o seu efectivo nos últimos 30 anos. O Escutismo complementa a acção da escola e da família, preenchendo necessidades específicas dos jovens de ambos os sexos e desenvolve o conhecimento individual, a necessidade de explorar para descobrir, para saber. Também proporciona aos jovens uma educação global, de modo a prepará-los para serem cidadãos participativos e responsáveis nas suas comunidades.
Em Mire de Tibães, o escutismo nasceu em 27 de Abril 1957, sendo a mais antiga instituição de juventude existente na nossa comunidade. Tem a sua sede na Casa do Povo de Mire de Tibães.
O Escutismo tem promovido a educação dos jovens a partir do contacto com a natureza, podendo afirmar-se que as preocupações ecológicas e ambientais fazem parte da sua matriz fundacional.

domingo, 30 de março de 2008

«MOCHO» DE TIBÃES, O «POETA» (5)

Quando regressava diariamente da cidade, a pé, depois de catorze quilómetros percorridos (ida e regresso), era abordado à entrada da aldeia pelos miúdos que lhe pediam: «Sr. Gonçalves queremos uma poesia?». Na hora e, de improviso, soltava alguns versos que enchiam de satisfação a rapaziada. Terminada a sessão dispersavam e o Sr. Gonçalves lá se dirigia para casa enfarinhar-se nos livros.
A prosa, modo de apresentar uma arquitectura do próprio pensamento, pode ser uma forma de poesia horizontal. Por sua vez, a forma curta de métrica poética, representaria uma nova forma de libertação da poesia, ou seja, António Gonçalves estava consciente da dicotomia entre poesia e prosa poética e exemplifica:
Um par de noivos,
Num carreiro escuro,
Ambos agarrados,
Como a hera ao muro.
Sente-se em António Gonçalves uma angústia existencial, uma busca ontológica da providência. Isso é evidente na sua poesia:
Enquanto meus olhos, num rezar ausente
Tristemente pousam numa sombra em cruz…
Uivos, alarido, silvos de serpente,
É Satam que passa em seu domínio ardente
Meu achar doente, sem achar Deus.
Mal fujo aturdido deste antro de treva,
Lá vem nova leva de escravos sem luz,
Vagamente buscam na distância a cruz.
Os habitantes da freguesia conhecem-no, fundamentalmente, por ser um poeta popular, que tinha sempre uma estrofe na ponta da língua:
Eia, pois, avante,
Santo Coração…
Porque a vida é «sim»,
porque a morte é «não».
Estes artigos foram possíveis pela amabilidade do Sr. Avelino Ribeiro da Silva por nos ter disponibilizado algum do seu espólio. O nosso reconhecido agradecimento.

quinta-feira, 27 de março de 2008

EAU VIVE – EM TIBÃES

Lemos no Primeiro de Janeiro de 26 de Março de 2008, que o restaurante a instalar no Mosteiro S. Martinho de Tibães terá a designação Eau Vive - Água Viva, à semelhança dos restantes restaurantes explorados (em Paris e em Roma), pela comunidade que virá para Tibães.
As monjas francesas vão explorar o restaurante e a hospedaria, construídos no que resta das ruínas do noviciado e do antigo hospício do Mosteiro de Tibães.
A vinda desta comunidade deve-se ao arcebispo primaz D. Jorge Ortiga que, na impossibilidade de trazer de novo beneditinos pela escassez dos que ainda existem, conseguiu que esta comunidade de religiosas leigas aceitasse o convite de se implementar pela primeira vez em Portugal.
A filosofia que vai ser seguida pelas religiosas leigas já é conhecida nos restaurantes explorados em Roma, perto do Panteão, e em Paris, próximo do Moulin Rouge. Depois de uma refeição confeccionada pelas monjas, elas disponibilizam-se para conversar com os clientes e para no final rezar em conjunto caso essa seja a vontade dos clientes.

quarta-feira, 26 de março de 2008

MESTRE CASAIS

António Fernandes da Silva, N. 10-04-1924, F. 14-11-2006. Casado em com Conceição da Silva Gomes, N. 12-06-1924. António Fernandes da Silva também conhecido por Mestre Casais, à semelhança do seu progenitor. O nome «Casais» não figura em nenhum nome próprio dos seus antepassados. Já a sua Trisavó, Maria Rosa da Cunha era, igualmente, conhecida por Maria Casais, como se pode constatar pelo Assento de Baptismo (a seguir) de Maria (Teresa) da Silva, mãe de José Gonçalves da Silva. Certidão onde aparece pela primeira vez o nome «Casais».
«Casais» terá origem na profissão dos antepassados de António Fernandes da Silva. Muitos deles foram rendeiros de terras pertencentes aos Beneditinos de Tibães. Esses rendeiros eram vulgarmente designados por «Casales». Que daria, posteriormente, e, por evolução da língua, origem ao nome «Casais». Este facto é, igualmente, constatável em localidades próximas de comunidades conventuais. António Fernandes da Silva era filho de:


José Gonçalves da Silva, N. 26-4-1901, F. 14-12-1998. Casado em 30-3-1923 com Deolinda G. Fernandes, N. 11-8-1873, F. 4-3-1956. José Gonçalves da Silva era filho de:


António José Gonçalves (da Silva), N. 7-8-1858, em Tibães, Prof. Ferreiro. Casou em 14-5-1883, em Tibães, com Maria (Teresa) da Silva, N. 26-7-1862, prof. Jornaleira. Sepultada na Campa 11 dos Claustros do Convento. Filha de:


José Ferreira da Silva e Inácia da Cunha, N. 16-8-1832, em Padim da Graça, prof. contratadeira de pano. Filha de:


Maria Casais ou Maria Rosa da Cunha, N. 10-3-1796, em Padim da Graça. Casada em 18-12-1823 com António José da Cunha, N. 16-3-1795. Filho de:


Ana (Maria) Gonçalves, N. 3-6-1765. Casada, em 16-6-1791, com Manuel José da Cunha, N. 12-5-1769. Filho de:


Feliciano Francisco Pereira, F. 11-12-1824. Casado, em 18-3-1774, com Teodósia Francisca da Cunha, N. 11-12-1747, F. 23-5-1824. Filha de:


Ana Francisca, N. 27-3-1711, F. 1-2-1787. Casada com António da Cunha, N. 29-12-1717, F. 12-6-1801. Filho de:


João Vieira e de Gertrudes da Cunha, F. 5-6-1724. Filha de:


João Osório da Cunha, F. 12-3-1708, Casado em 30-5-1698 com Mariana Ferreira, baptizada em 4-9-1678.

terça-feira, 25 de março de 2008

O «MOCHO», FILÓSOFO E HOMEM DE FÉ (4)

«Mocho» era alcunha de António Gonçalves. Na sua casa havia, mesmo, um mocho em bronze no interior de um nicho.
Sobre a Ciência tinha uma perspectiva interessante. Para ele, a Ciência brinca com as ideias, como as crianças brincam com as areias na praia. A Ciência, em seu entender, é irmã gémea da arte, ou, como dizia Platão, a beleza é o resplendor da verdade.
Como foi em artigo anterior, embora não frequentasse a Igreja era, no entanto, um homem de fé.
Quando B. Kuznetsov comenta a vida privada de Einstein, recordando que era um espírito continuamente activo pois nem mesmo às horas da refeição descansava, por esta razão o seu casamento começou a desmoronar-se e o desacordo com Mileva intensificou-se. Sobre esta atitude de Einstein, António Gonçalves, escreve que isto lhe faz lembrar Bertrand Russell e vai mais longe: «tal, como eu, dificuldades matrimoniais … Que me sirva de consolação…».
Na sua ilustrada biblioteca figuravam os dois volumes de B. Kuznetsov sobre Albert Einstein. Nos comentários que produziu nas margens destes livros, podemos sintetizar as suas ideias:
- a consciência da humanidade que a base das religiões superiores expressas nas várias civilizações revela a cada passo a sua origem divina;
- Cristo é o símbolo da fusão de Deus e da humanidade;
- era preciso «canonizar» o materialismo;
- nem espaço, nem tempo, nem causalidade são materialidades puras, mas são provavelmente atributos da omnipotência divina, criadora do universo e das leis que o regem;
- o espaço e o tempo não podem adicionar-se, por serem categorias de natureza distinta: o espaço do mundo é finito; mas o tempo é infinito;
- o critério Einsteineano de «perfeição interna» e de «confirmação externa» são equivalentes à revelação transcendental de origem divina;
- a fé íntima de Einstein na harmonia de um mundo cognoscível era uma fonte das intuições internas, que lhe alimentaram o espírito.
Os seus comentários aos dois volumes de Kuznetsov sobre Albert Einstein terminam com uma afirmação surpreendente: «o erro de Einstein consiste fundamentalmente em atribuir ao espaço e ao tempo uma estrutura atómica, como se houvesse átomos de espaço ou átomos de tempo. É aqui que naufragam as teorias da relatividade de Einstein e o seu princípio da causalidade».
Outro livro objecto da sua análise, era da autoria de João Ameal intitulado São Tomaz de Aquino. Também aqui abundam as suas proposições:
- a inteligência busca a presença da causa em tudo, excepto em Deus, mas Deus não podia ser nosso Pai, se Cristo não fosse nosso irmão desde a eternidade;
- é provável que a razão humana seja uma revelação natural do criador;
- maior e menor são termos relativos às coisas extensas, isto é, a coisas existentes no espaço.
Deus não é maior nem menor, porque não é extenso nem existe no espaço nem no tempo, como a natureza, mas é eterno e imenso, isto é, preexistente ao espaço e ao tempo;
- enquanto a natureza, ou Universo, não foi criada, embora já existisse no projecto divino, faltava-lhe a perfeição da realidade objectiva;
- não nos é vedado, em absoluto, o conhecimento da essência de Deus, visto que sabemos que é essencialmente activo, criador, eterno e imutável, etc, o que já não é pouco e nos prepara para um conhecimento melhor;
- a propósito da expressão «primeiro motor imóvel» de São Tomaz de Aquino, argumenta que não gosta da designação de «motor» aplicada a Deus. Deus não é motor de qualquer tipo preexistente da matéria, mas sim Criador do Universo a partir do zero… é da omnipotência divina que dimana a potência e o acto de criar o universo, a partir do zero;
- para António Gonçalves é inequívoca a expressão «Deus existe na eternidade». Não há nenhuma eternidade distinta de Deus. Deus é que tem necessariamente o atributo da eternidade;
- se houvesse vários Deuses, nenhum deles seria infinito… e nenhum deles seria Deus;
- comentando a solução dos maniqueus, adianta que sem a experiência do bem e do mal, não haveria consciência humana, nem humana liberdade.
Quando comenta uma expressão que vem no livro Fernando Pessoa, Páginas Íntimas e de Auto-Percepção, textos estabelecidos e prefaciados por Jacinto Prado Coelho e Georg Rudolf Lind, «Regresso aos Deuses», ele comenta: ao contrário, comungo com Erasmo no Regresso a Cristo».

domingo, 23 de março de 2008

O COMPASSO EM TIBÃES




Nesta noite de Páscoa, escrevo para muitos emigrantes, que longe lutam pelo pão, mas com o espírito presente na sua aldeia, no seu lugar, nas Páscoas anteriormente vividas, mas que, agora, o tempo não permite.
Na Páscoa (do hebraico Pessach, passagem) comemoramos a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação que teria ocorrido nesta altura do ano em 30 ou 33 d.C.
O Compasso Pascal é, com certeza, a maior manifestação da festa da Páscoa no Minho, sendo aproveitado para a reunião das famílias.
O Norte está recheado de tradições como o “compasso”, que de porta em porta à espera do anúncio da “aleluia”, ao som do toque das campainhas e o olhar sempre caído nas doçarias tradicionais.
O compasso anda na rua! Familiares, vizinhos e amigos apressam-se a desejar as "Boas Festas", enquanto que o Padre, de casa em casa, leva a mensagem: Cristo Ressuscitou / Aleluia … Aleluia …
Este ano, em Tibães, o compasso saiu à rua pelas 08.00 horas, já o sol envergonhado cobria esta terra com os seus doces raios, em contraste recolheu, com uma pequena procissão a partir do cruzeiro, pelas 19.30 com gotas de chuva, quais pingos de mel.
Durante todo o dia, cinco cruzes, duas presididas por padres e três por leigos, mais os mordomos da cruz e da cera, convidados com os saquinhos para as ofertas, com a caldeira da água benta, rapazes das sinetas, entraram em todas as casas da freguesia, recebidos com alegria por uns, com foguetes por um ou outro, com uma mesa farta por alguns, com esperança que a dor desapareça, ainda, por outros.
A Páscoa, nesta terra, é preparada e vivida com muita fé, embora a tradição tenha sofrido algumas alterações, até já não se estreia a roupa nova como era antigamente.

sexta-feira, 21 de março de 2008

A ÁGUA E O BOM JESUS DO MONTE

A água como recurso natural, sendo simultaneamente um bem comum, indispensável e esgotável, deverá ser respeitada, porque é essencial à vida. Segundo alguns cientistas, «O berço da própria vida».
Após o nosso planeta ser observado e fotografado por várias missões espaciais, foi dito que, ao invés de Terra, o mesmo deveria ser chamado de Água. Quando olhamos a fotografia do planeta, percebemos que a água ocupa a maior parte. O que vemos em branco são nuvens e em marrom os continentes.
Assim dar valor á água é preservar a vida, porque ela é, em si mesma, fonte de vida. Sendo um “bem público”, é património de todos os seres vivos.
A Água está na origem do mundo: o “Espírito de Deus pairava sobre as águas”; A arca de Noé; as águas do dilúvio; a travessia do mar Vermelho; a travessia do Rio Jordão que leva o Povo de Deus à Terra Prometida; no alto da cruz, do seu coração trespassado jorram sangue e água, é fonte das águas vivas “Quem beber desta água não terá mais sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”.
A água é um elemento constantemente presente a quem visita o Bom Jesus do Monte: nas suas fontes cristalinas, no jorrar abrupto por entre a vegetação, na elevação do ascensor, nos escadórios dos cinco sentidos.
As fontes são constantes no santuário e representam, além de saciar a sede, a possibilidade de retemperar forças. Simbolicamente beber «a água viva» significa purificar o corpo e o espírito e estão disseminadas ao longo de toda a estância do Bom Jesus, ora ladeando capelas, ora ornamentando os escadórios, ora isoladamente para ir de encontro às necessidades do devoto.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Semana Santa e Páscoa em Tibães

Procissão de Ramos



A celebração da Semana Santa e da Páscoa constituem o momento culminante de todo o ano litúrgico.
É a manifestação clara de que somos uma comunidade que vive o mistério central da sua fé e que, no meio de tanta azáfama, sabe encontrar tempo para o essencial.
O programa destas celebrações é muito rico:
- Dia 15 de Março, sábado, Via-sacra pelas Ruas da paróquia, organização do Grupo de Jovens;
- Dia 16, bênção de ramos, junto do Cruzeiro, seguida de Missa;
- Dia 20, Missa com lava-pés, às 20 hs, no Mosteiro;
- Dia 21, Celebração da Paixão do senhor no Mosteiro, pelas 20 hs;
- Dia 22, Vigília Pascal, pelas 21 hs, com a bênção do lume novo, junto do cruzeiro;
- Dia 23, Domingo de Páscoa, com a visita do Compasso Pascal, constituído por cinco cruzes.

sábado, 15 de março de 2008

Conselheiro Leonardo Caetano de Araújo e o Bom Jesus do Monte

O Conselheiro Leonardo Caetano de Araújo nasceu em Parada de Gatim, a 11 de Maio de 1818,
Quatro anos antes da independência (1822, 7 Set.) do Brasil e faleceu no Rio de Janeiro, aos 85 anos, como 0 mais antigo membro da Colónia Portuguesa, a 5 de Junho de 1903.
O seu pai nasceu, em 1761, chamava-se António Jose da Silva e casou, em Parada de Gatim, duas
vezes. Ala em 1792, aos 31 anos, com Maria Joana (do lugar de Aldeia Nova, filha de Tomás Francisco e Catarina Fernandes), a qual, nove anos depois, 0 deixou viúvo com um filho e urna filha, de 7 e 3 anos.
Em Junho de 1802, já com 41 anos, contraiu matrimónio, com uma jovem de apenas 17 anos, chamada Maria Caetana de Araújo, havia nascido em 1785, no lugar do Monte, em Cabanelas, no seio de uma família numerosa. Deste casamento nasceram pelo menos cinco rapazes e seis raparigas. Foi póstuma a ultima rapariga, que nunca viu 0 pai nem 0 pai a ela. O futuro Conselheiro foi 0 penúltimo filho e contava, em 13 de Novembro de 1820, quando o pai faleceu, apenas dois anos e meio.
Fixou-se no Rio de Janeiro, onde angariou tal fortuna que lhe permitiu ser plenamente notável Português no Brasil e admirado Brasileiro em Portugal. O Conselheiro assegurou à sua custa 0 funcionamento total do Hospital da Real Sociedade da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, durante o mês de Fevereiro de 1865.
Alargou a sua benemerência ao seu pais de origem, contribuindo para obras diversas de Coimbra, do Porto, de Braga (Colégio da Regeneração, Colégio dos Órfãos de S. Caetano, e Santuário do Bom Jesus do Monte.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Camilo Castelo Branco no Bom Jesus do Monte

Camilo Castelo Branco (1825-1890), autor do livro NO BOM JESUS DO MONTE, foi um amante da estãncia do Bom Jesus do Monte. Desde muito cedo conviveu com este lugar de repouso e de lazer. Tinha dez anos quando visitou, pela primeira vez, este lugar sagrado e irradiador de fé.
A sua serviçal teve de passar pelo Bom Jesus para cumprir uma promessa: «Tinha dez anos e estava ajoelhado na capela onde se venera a imponente escultura» escreve Camilo em Memórias do Cárcere.
Também na Brasileira de Prazins, o Padre Luís refere-se a Braga para dizer que umas «bestas de Braga, de apelido Botelhas, tinham enviado uma importante quantia em dinheiro a D. Miguel que está escondido em Portugal».
Em 1850 encontra-se no Bom Jesus do Monte com D. João de Azevedo, que era jornalista, poeta, romancista e dramaturgo. Foi aqui que Camilo diz ter ouvido D. João Azevedo falar da espiritualidade, literatura e nas Senhoras de Braga.
Em 1858, Camilo e Ana Plácido encontraram-se no Bom Jesus do Monte, tornando-se aí amantes para o resto da vida. Encontraram-se várias vezes nesta estância, onde, por vezes, Ana era acompanhada pela irmã Maria José Plácido, procurando saúde na pureza dos montes.
O isolamento despertava-lhe uma sensibilidade mórbida, que se converteu em nevralgias, que o não deixavam demorar-se num sitio, ora em Braga, no Bom Jesus do Monte, ora na Povoa de Varzim, no Porto, na Foz, tendo apenas um único alivio, o trabalho mental.
Em Agosto de 1868 escrevia a Castilho: «A doença faz-me andar de terra em terra, como quem anda a fugir da morte. Amanhã vou para o Bom Jesus do Monte e depois não sei para onde irei». Esta expressão é reveladora do seu estado de espírito «em toda a parte estou bem ou não estou bem em parte nenhuma».
Quando deambulamos pelos locais frequentados por Camilo, no Bom Jesus do Monte, espaço amplo onde sobressai a geometria dos seus jardins, quase o imaginamos a escrever as suas "Novelas Minhotas".

segunda-feira, 10 de março de 2008

ANTÓNIO GONÇALVES - «O MOCHO» (3)

ANTÓNIO GONÇALVES - «O MOCHO» (3)
António Gonçalves frequentou Direito em Coimbra. Quando faz uma abordagem ao livro O Homem esse desconhecido, de Alexis Carrel, (ed. Educação Nacional, Porto, 1942), afirma, a deformação profissional é evidente nos advogados, outro erro dos advogados é suprimir do inventário uma parte da realidade.
No que toca a Coimbra, Fidelino de Figueiredo na História Literária de Portugal (1944), cita o livro Murmúrios de Couto Monteiro, popular autor de Cabulogia, pretexto para António Gonçalves «O Mocho» expressar-se: «muitos dos poetas Coimbrãos, formados em cabulogia, pagaram tributo honroso à nossa literatura e à nossa arte. A sua sabedoria foi, por vezes, fecunda».
Outro Livro História da Ciência de William Cecil Dampier foi objecto de uma análise profunda de António Gonçalves. Começou esta análise pela afirmação «a aplicação do cálculo matemático às mais altas Ciências da Natureza por sábios como Newton e Einstein, dá razão aos inspirados fundadores da escola pitagórica. Sem tal cálculo não pode haver medida e a medida é o primeiro requisito da ciência». Relativamente à descontinuidade do tempo, levantada na pág. 28, do citado livro, expõe: «se o tempo não é nada substancialmente, mas é a medida do movimento, o “quantum” de acção conduz-nos à descontinuidade do movimento e consequentemente à descontinuidade do tempo». Segundo ele, da teoria de Demócrito deriva o materialismo clássico, de que o materialismo dialéctico é derivado. Há uma única maneira de refutar qualquer materialismo, é demonstrar que a matéria não é eterna e foi criada, dando origem ao tempo, como com os acontecimentos em que a matéria intervém.
O espaço e o tempo, na opinião de A. Gonçalves, não são propriedades da matéria, são propriedades do pensamento, sem as quais o Homem não pode pensar.
A propósito de uma afirmação de Newton que Deus é imanente na natureza, ele contra-argumenta, creio que é a Natureza que está imanente em Deus.
A propósito da filosofia evolucionista, comenta: «a sobrevivência do mais apto? E quando os mais aptos, em vez de buscarem sobreviver, lutam até à morte em defesa da Pátria e daqueles que amam? Há até animais que sacrificam a vida por aqueles que amam…» e acrescenta «a Teoria da Evolução pretende ser uma explicação geral do desenvolvimento da vida na terra, mas não sabe como a vida começou… e esse mistério das origens leva-nos inevitavelmente até Deus».

domingo, 9 de março de 2008

ANTÓNIO GONÇALVES - «O MOCHO» (2)


Era um católico, crente em Deus, mas não praticante. Recebia sempre o compasso em sua casa, pela Páscoa, reservando sempre algum tempo para junto do pároco lhe indicar ou ler alguma passagem de um dos seus livros.
Tinha uma caligrafia bonita e uma escrita fluente, própria de quem domina os assuntos.
Nas Confissões de Santo Agostinho, anotou ele na contracapa do livro: «S.to Agostinho nasceu em Tagaste, na África do Norte, no ano de 354 e foi baptizado aos 33 anos de idade por S.to Ambrósio, então Bispo de Milão. Morreu em 420, como Bispo de Hipona, cuja sede ocupou durante 25 anos.
Foi uma alma muito penetrante por vezes, mas também foi contraditório e falho de serenidade. A ele se devem estas frases: - Não acreditaria nos Evangelhos se não mo ordenasse a autoridade da Igreja Católica …; Fora da Igreja não hà salvação…
As dificuldades de Santo Agostinho quanto á criação ex nihilo são evidentes nos livros onze e doze. Entretanto, como a criação ex nihilo faz parte do Credo de Nicéia, obrigatório na Igreja desde o ano da graça de 325, o Bispo de Hipona aceita ex professo a criação do mundo a partir do nada», ou seja, quando S.to Agostinho diz «Do nada, pois, Senhor, fizestes o céu e a terra», é, na opinião do «Mocho» , para não incorrer no anátema da igreja que, no Concílio de Niceia, formulara o dogma da criação ex nihilo.
No Livro décimo, ponto 12, A Memória e as Matemáticas, escreve S.to Agostinho: « Mas os números são uma coisa e as ideias que exprimem, outra». Relativamente ao pensamento de S.to Agostinho contrapõe o «Mocho» de Tibães: «As ideias que exprimem os números são abstracções algébricas. Embora as ideias matemáticas sejam abstractas elaborações do entendimento, parece muito provável que elas derivam de sensações concretas dos números, como diz William Dampier na sua História da Ciência: « Para nós, o conceito de número é-nos familiar».
No Livro onze, ponto 15, As três divisões do tempo, escreve, igualmente, S.to Agostinho: «Logo o tempo presente não tem nenhuma extensão». Acrescenta António Gonçalves, «o Mocho» de Tibães: «O mesmo acontece ao ponto geométrico, é inextenso». Mais à frente esclarece o seu pensamento: «se o presente não tem extensão, também a não tem, nem o passado nem o futuro, o passado já foi presente e o futuro há-de sê-lo. Mas será assim? O ponto geométrico é inextenso e, no entanto, a linha e a superfície já são extensas».
Também no Livro onze, ponto 24, O Tempo não é o Movimento dos Corpos, Escreve S.to Agostinho: «Portanto sendo diferentes o movimento do corpo e a medida da duração do movimento, quem não vê qual destas duas coisas se deve chamar tempo?» Responde o Sr. Gonçalves: «O tempo é a meu ver um reflexo da eternidade. Se a matéria e a energia se conservam, porque não há-de conservar-se o espírito, assegurando-nos o acesso à vida eterna? Os materialistas, positivistas, ou relativistas consideram o tempo, o espaço e a vida, como propriedades da matéria, no que se enganam. Dizer que o espaço é propriedade dos objectos que o ocupam é dizer que o mar é propriedade dos peixes».
Para rematar o livro Onze de S.to Agostinho, o «Mocho» desenvolve o seu pensamento: «É verosímil que antes da criação da matéria, do tempo e do espaço, Deus criasse os seres espirituais. Orígenes, que Augusto Messer (História da Filosofia) apresenta como o maior sábio da sua época, ensinava que a criação do mundo foi feita a partir da eternidade, como a geração de Cristo, porque o poder e a bondade de Deus não poderiam existir sem um mundo onde se manifestassem. De acordo com isto, Orígenes, acredita na preexistência das almas».
Relativamente ao Livro doze, capítulo 6, O Conceito de Matéria, S. Agostinho concebia um meio termo entre a forma e o nada, que não fosse nem forma nem nada, mas um ser informe próximo do não-ser. António Gonçalves acrescenta esta nota, a distinção entre o nada absoluto e o nada relativo é artificial. O nada é nada, por abstracção de tudo, embora seja impensável.
Nesta análise, António Gonçalves deixa transparecer, por fim, o seu pensamento: « eu até creio na supereternidade do criador…; Acaso, possibilidades, probabilidades, futuridades, tudo foi criado por Deus.




ANTÓNIO GONÇALVES - «O MOCHO» (1)

António Gonçalves nasceu a 19 de Maio de 1883 e faleceu a 8 de Janeiro de 1972, mais conhecido na aldeia pela alcunha «o mocho».
Donde viria essa alcunha? Com certeza da sua erudição filosófica, científica e jurídica.
Chegou a frequentar a Universidade de Coimbra em Direito.
Pessoa muito viajada e cosmopolita. Em 1925 atravessava as águas do Atlântico.
O homicídio do seu irmão Manuel Gonçalves, em 5 de Março de 1924, é pretexto para a sua obra Psicologia de um processo-crime, editada nas Oficinas de O Commercio do Porto, em 1925.
Apesar da sua erudição, tornou-se uma personalidade típica da freguesia, agricultor e de trato fácil para a população.
Diariamente, dirigia-se a pé, à cidade, regressando, sempre, com o jornal debaixo do braço e sempre com uma palavra ou um poema, de improviso, para aquele que o abeirava.
Tive o privilégio de o conhecer e de privar com ele, na minha adolescência. Notava que ele via em mim, um dos poucos habitantes capazes de aguentar uma conversa filosófica, um debate científico. Em sua casa, não havia mais espaço para livros. Na sala de entrada, após ultrapassar umas íngremes escadas em pedra, deparávamos com estantes repletas de livros até ao tecto.
Quando o assunto despertava, ele tinha sempre o livro certo para me indicar. Não me esqueço que os seus livros estavam muito anotados e quase sempre com referências a discordar do autor.

O Bom Jesus do Monte e Raoul Mesnier du Ponsard

Raoul Mesnier du Ponsard, nasceu em São Nicolau, Porto, a 2 de Abril de 1848 e faleceu em Inhambane, Moçambique, em 1914.
Raul Mesnier formou-se em Matemática e Filosofia na Universidade de Coimbra e em Engenharia Mecânica na França. Percorreu a Suiça e a Alemanha onde frequentou as principais escolas-oficina, em contacto com projectistas e fabricantes de material ferroviário. Aprendiz de Gustave Eiffel.
Manuel Joaquim Gomes foi o criador do Ascensor do Bom Jesus do Monte, inaugurado em 25 de Março de 1882. Entre os vários sistemas de funiculares, Manuel Joaquim Gomes optou para o Bom Jesus do Monte, o que havia sido adoptado no Monte Giesbach, na Suiça, sendo encarregado do plano e da direcção da construção o Engenheiro Civil Raoul Mesnier du Ponsard, portuense e de ascendência francesa, bem como a colocação do material ao Sr. Mayer, empregado de Riggenback (Correspondência do Norte, 5 de Abril de 1882. O Ocidente, revista literária, 1 de Maio de 1882).
Este funicular foi o primeiro a ser implantado em Portugal, que partia do sopé da montanha, lado norte das primeiras capelas no local onde termina a linha dos carris americanos, finalizando ao nível do jardim situado no lado norte do escadório do Santuário do Bom Jesus do Monte. O seu mentor impulsionou grandes obras e projectos na cidade de Braga: uma modelar padaria (fundada em 1874); a Companhia dos Americanos (transporte urbano da cidade) e o Grande Hotel, da Avenida Central. Prestou valioso auxílio à Fábrica de Ruães. Montou no Porto a Padaria das Quatro Nações e chegou a tomar de arrendamento o Grande Hotel da Boa Vista, hoje Hotel do Elevador.
Para Manuel Joaquim Gomes a trilogia Eléctrico, Elevador e Hotel fariam convergir e prender a atenção dos forasteiros ao pitoresco e encantador lugar.
Sobre o ascensor do Bom Jesus do Monte aconselhamos a leitura do livro O Elevador do Bom Jesus do Monte, de J.M. Lopes Cordeiro e outros. Neste Livro, na pág. 127, em agradecimentos faz-nos uma menção, mas, por lapso, escreveram, Dr. João (José) Manuel (Carlos) Gonçalves Peixoto.
Mesnier é considerado o pai dos elevadores da capital portuguesa e fundador da Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa, nomeadamente, os elevadores de Santa Justa (inauguração a 10 de Julho de 1902), Glória (inauguração a 24-10-1885), Bica (1892) e Lavra (inauguração em 19-04-1884), no Porto o funicular dos Guindais e o Elevador da Nazaré (1889).

terça-feira, 4 de março de 2008

O Bom Jesus do Monte e a Fotografia

Foto de Emílio Biel

Numa época em que Braga, ainda, não tinha fotógrafos, o Fotógrafo Fritz, artista alemão, da cidade do Porto, foi o primeiro que divulgou fotografias sobre o Bom Jesus do Monte.
Em 1862, Fritz elaborou um álbum sobre o Bom Jesus do Monte para apresentar a El-Rei D. Luís, cf. Revista de Braga, anno 1, n.º 2, de 6 de Março.
Em 1868, Luís Vermell, Natural de Barcelona, conhecido pelo cognome de «el peregrino Espanol», apresentou uma exposição, nesta cidade, onde, também, se pode encontrar fotografias do Bom Jesus do Monte, cf. O Bracarense de 21 de Maio de 1868. Viveu durante algum tempo em Braga. Autor do oratório, que a princípio esteve no ângulo da rua do Forno Com a de S. João do Souto e que recorda um feroz combate que por ali teve lugar entre a divisão cabralista, comandada pelo general José de Barros e Abreu de Sousa Alvim e as forças legitimistas sob o comando do general Macdonell, no dia 20 de Dezembro de 1846.
Em 1878, o fotógrafo Fritz esteve alguns dias no BJM, a fotografar os locais de mais significado para serem postos à venda, segundo contracto com a confraria, O Commercio do Minho, 3 de Agosto.
Em 1883, A Confraria do Bom Jesus do Monte assina um contrato para obtenção de imagens da estância com Karl Emil Biel, conhecido como Emílio Biel (Amberg, 1838 - Porto, 14 de Setembro de 1915). Foi um negociante, editor e fotógrafo alemão, considerado um dos precursores da fotografia em Portugal. É considerado um dos introdutores da fototipia (processo de impressão com tinta forte em meio de gelatina bicromada e exposta ao sol) em Portugal. Em 1874 comprou a Casa Fritz (mais tarde conhecida por Casa Biel) na Rua do Almada, casa comercial dedicada à fotografia, iniciando, assim, a sua carreira no mundo da fotografia. Mais tarde, a "E. Biel & Cia" passou para o Palácio do Conde do Bolhão, no n.º 342 da Rua Formosa. No início da Primeira Guerra Mundial, pouco antes de falecer, viu todos os seus bens serem confiscados devido à sua origem alemã.
Em 1886, José da Costa Abreu (Fotógrafo), morador na cidade de Braga, venceu o primeiro concurso para o fornecimento de fotografias da estância (acta de 5 de Novembro).

segunda-feira, 3 de março de 2008

O Bom Jesus do Monte e Raul Lino

O Arquitecto Raul Lino foi um polifacetado artista, pensador e arquitecto português, nascido em 21 de Novembro de 1879. Ao longo da sua laboriosa e extensa vida, pois veio a falecer em Julho de 1974, foi sempre uma testemunha avisada e crítica das estruturais transformações que modificaram e caracterizaram o século XX.
Com a eventual destruição do coreto da esplanada do templo, construído a expensas do irmão benemérito Bernardo Sequeira, que se impunha gritantemente por afrontar a grandiosidade do local, impôs-se a construção de um novo coreto, nos finais da década de vinte, tendo a mesa aproveitado os desenhos e a memória descritiva que o arquitecto Raul Lino tinha apresentado há mais de uma dúzia de anos (em 21 de Novembro de 1913), juntamente com outros desenhos para a Casa das Estampas. Mas antes de iniciar as obras do coreto, a mesa voltou a pedir nova opinião do arquitecto Raul Lino que foi do seguinte teor: «O coreto tal como está, afronta o local e o templo. A sua situação é, todavia, aproveitável estando, no entanto, em igualdade de circunstâncias sem uma outra, mais em cima, próxima da gruta. Opto, todavia pela actual situação para poder fazer-se o aproveitamento da base granítica, o que, sob o ponto de vista económico, é muito importante, sendo, também, aconselhável, a localização actual por ser a que está mais em contacto com o público a quem o coreto tem de servir. Uma só dificuldade apareceria: é a de que o meu estudo antigo é sobre o redondo; mas eu modificá-lo-ei sobre o oitavado da base actual, não devendo ficar menos interessante».
A mesa, couraçada com esta opinião, vendeu, de imediato, a parte metálica do coreto para S. Bento da Porta Aberta por 6.000#00, substituindo-a por um encantador conjunto com 8 belas colunatas de granito, segundo concepção do arquitecto Raul Lino. Esta transformação, processou-se, ainda, com os donativos do Sr. Bernardo Sequeira, facto que justificou uma placa de homenagem.
Após obras de reconstrução dirigidas pelo arquitecto Raul Lino, a biblioteca passa a ocupar o espaço da Casa das Estampas, em 1926.
É sob o mandato de Lopes Gonçalves, na CMB, que se substitui o anacrónico comboio para o Bom Jesus, puxado por uma pequena máquina – a chocolateira – pelos eléctricos.
Também se deve a Lopes Gonçalves o convite ao Arquitecto Raul Lino para apresentar um estudo para o melhoramento da estância: Casa das Estampas, Novo Coreto, Casino. Além destas intervenções conhecemos outras da autoria de Raul Lino no Bom Jesus do Monte: Chalet dos Benfeitores, Casa dos Capelães, Hotel do Parque, Hotel Sul-Americano e Quiosque.
Infelizmente, no Arquivo da Confraria não encontramos os projectos do famoso arquitecto português. Mas, felizmente, não estão totalmente perdidos, pois a Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian possui o espólio do Arquitecto Raul Lino (1879-1974) doado pela família à Fundação Gulbenkian na década de 80, composto de 19 mil desenhos relativos a 667 projectos de Raul Lino que inclui memórias descritivas, fotografias, correspondência e recortes de imprensa.
Neste espólio encontramos os projectos de Raul Lino para a estância do Bom Jesus do Monte, que, logicamente, deveriam estar na posse do Arquivo da Confraria.
Vejamos o espólio de Raul Lino, relativo à estância do Bom Jesus do Monte e que faz parte do catálogo da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian:
- Alçados, plantas, pormenores: transformação da casa denominada "chalet dos benfeitores", 1929. 1 desenho original; 1:10, 1:100; 49x87 cm;
- alçados, corte, plantas, pormenores: transformação da Casa dos Capelães, 1929-1930. 4 desenhos originais; 1:5 a 1:100; 28 x 20,5 cm a 49 x 85,5 cm;
- Alçados, plantas, pormenores: Hotel do Parque, Hotel Sul Americano, [s.d.]. 4 desenhos originais; 1:1 a 1:100; 42,5 x 62 cm;
- Alçados, corte, plantas, pormenores: quiosques, [s.d.]. 3 desenhos originais; 1:1 a 1:50; 36 x 28,5 cm, 57 x 58 cm;

- Alçados, plantas, pormenores: estação do elevador, [s.d.]. 2 desenhos originais; 1:1 a 1:50; 30,5 x 71,5 cm;
- Memória descritiva: alterações, Hotel do Parque: [s.d.]. 2 folhas;
- Correspondência datada de 1932 e 1936. 2 documentos;
- Plantas: casino, [s.d.]. 5 desenhos (2 originais, 3 cópias); 1:100; 35 x 63 cm, 34 x 78 cm;
- Alçados, cortes, plantas: casino, 1925. 7 desenhos originais; 1:100; 26 x 32,5 cm a 29 x 81 cm;
- Pormenores: casino, 1929-1932. 10 desenhos originais; 1:1 a 1:100; 46 x 30,5 cm a 55,5 x 70 cm;
- Memória descritiva: obra do casino, projecto de decoração, nota prévia justificativa e descrição: 1930. 10 folhas;
- Memória descritiva: obra do casino, projecto de decoração, nota prévia justificativa e descrição: 1930. 9 folhas;

sábado, 23 de fevereiro de 2008

TEATRO EM TIBÃES

CENTRO DE CULTURA RECREIO E TEATRO DA CASA DO POVO DE MIRE DE TIBÃES
Sempre conhecemos, tanto no passado como no presente, as mais diversas associações que se dedicaram à cultura, ao social e ao desporto.
Em 1970, criamos o Centro de Cultura Recreio e Teatro da Casa do Povo de Mire de Tibães, conhecido pelas siglas CCRTT.
Tudo nasceu da necessidade de arranjar dinheiro para as festividades do Cerco do ano de 1970, por proposta da comissão de festas desse ano, na pessoa do Sr. Manuel Dias. Reunimos um conjunto de jovens (José Carlos Peixoto, Manuel Raul, António Capa, António Gonçalves, Glória Gonçalves, Maria Coelho, Teresa Fernandes, Deolinda Fernandes, Ana Araújo, Jasmim Peixoto), na segunda feira de Páscoa, junto ao cruzeiro e dessa reunião nasceu a ideia de criar um grupo de teatro e de promover rapidamente um espectáculo de promoção, com base numa passagem de modelos e sketchs humorísticos. Dado o sucesso da iniciativa, estava dado o primeiro passo para a criação do CCRTT.
Os sócios deste centro eram, na sua generalidade, adolescentes que procuraram no teatro uma forma de convívio e de divulgação na região,o seu interesse por esta forma de animação artística, o Teatro.
Na sua curta duração, ainda foi possível ensaiar e levar à cena várias peças de teatro: «A Morte da Marreca», «Luz que não se apaga», «Dois casamentos à pressa», «Bêbado», «Vigésimo» e «Tribunal».
Foram muitos os espectáculos dados, tanto na Casa do Povo de Mire de Tibães, como em outras localidades do concelho: em 9 de Agosto de 1970, em Mire de Tibães; em 13 de Setembro de 1970, na Pousa; em 3 de Janeiro de 1971, em Mire de Tibães; em 25 de Abril de 1971, em Trandeiras; em 1 de Maio de 1971, em Sequeira; em 23 de Maio de 1971, em Arentim; em 5 de Junho de 1971, em Sequeira; em 20 de Junho de 1971, em S. Mamede de Este.
Todos os jovens, pertencentes ao centro, preenchiam uma ficha de inscrição, a qual era actualizada constantemente, com os espectáculos em que participou, bem como o personagem que representou.
A vida militar da maioria dos jovens e a sua saída para combater nas colónias, talvez tenha sido a razão principal da curta duração deste grupo de teatro.

TEATRO EM TIBÃES

CENTRO DE CULTURA E RECREIO E TEATRO DA CASA DO POVO DE MIRE DE TIBÃES
Sempre conhecemos, tanto no passado como no presente, as mais diversas associações que se dedicaram à cultura, ao social e ao desporto.
Em 1970, criamos o Centro de Cultura Recreio e Teatro da Casa do Povo de Mire de Tibães, conhecido pelas siglas CCRTT.
Tudo nasceu da necessidade de arranjar dinheiro para as festividades do Cerco do ano de 1970, por proposta da comissão de festas desse ano, na pessoa do Sr. Manuel Dias. Reunimos um conjunto de jovens (José Carlos Peixoto, Manuel Raul, António Capa, António Gonçalves, Glória Gonçalves, Maria Coelho, Teresa Fernandes, Deolinda Fernandes, Ana Araújo, Jasmim Peixoto), na segunda feira de Páscoa, junto ao cruzeiro e dessa reunião nasceu a ideia de criar um grupo de teatro e de promover rapidamente um espectáculo de promoção, com base numa passagem de modelos e sketchs humorísticos. Dado o sucesso da iniciativa, estava dado o primeiro passo para a criação do CCRTT.
Os sócios deste centro eram, na sua generalidade, adolescentes que procuraram no teatro uma forma de convívio e de divulgação na região,o seu interesse por esta forma de animação artística, o Teatro.
Na sua curta duração, ainda foi possível ensaiar e levar à cena várias peças de teatro: «A Morte da Marreca», «Luz que não se apaga», «Dois casamentos à pressa», «Bêbado», «Vigésimo» e «Tribunal».
Foram muitos os espectáculos dados, tanto na Casa do Povo de Mire de Tibães, como em outras localidades do concelho: em 9 de Agosto de 1970, em Mire de Tibães; em 13 de Setembro de 1970, na Pousa; em 3 de Janeiro de 1971, em Mire de Tibães; em 25 de Abril de 1971, em Trandeiras; em 1 de Maio de 1971, em Sequeira; em 23 de Maio de 1971, em Arentim; em 5 de Junho de 1971, em Sequeira; em 20 de Junho de 1971, em S. Mamede de Este.
Todos os jovens, pertencentes ao centro, preenchiam uma ficha de inscrição, a qual era actualizada constantemente, com os espectáculos em que participou, bem como o personagem que representou.
A vida militar da maioria dos jovens e a sua saída para combater nas colónias, talvez tenha sido a razão principal da curta duração deste grupo de teatro.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

HISTÓRIA SEM TEIAS

Artigo publicado na Revista Andarilho, n.º 30, pág. 7, 2008
Comemoramos em 8 de Novembro de 2007, o vigésimo quinto aniversário da EB 2/3 Frei Caetano Brandão.
O pensamento sábio do Padre António Vieira: «Palavras sem obras são tiros sem bala; entre nós teve outra versão : «palavras e obras em acção são trovões que ecoam».
Destas comemorações restam palavras: as comunicações /colóquios, as notícias, as mensagens, as intervenções.
Destas comemorações restam, igualmente, obras: um «spot» em lona, à entrada da escola; um filme sobre os 25 anos da escola; uma exposição fotográfica; um sarau de ginástica acrobática; um lanche e uma Tshirt para todos os alunos e professores; prémios aos alunos de excelência; uma brochura; uma medalha comemorativa; uma sessão solene; um concerto de cordas; homenagem aos funcionários e professores com 25 anos de carreira na escola; um jantar comemorativo; actuação do grupo «Os Sinos da Sé»; missa de acção de graças e de sufrágio pelos alunos, funcionários e professores falecidos.
Restam, também, sensações indescritíveis, momentos irrepetíveis e, fundamentalmente, ideias, para o futuro.
Ponto um, a criação de uma Associação de Antigos Alunos;
Ponto dois, a necessidade de abrir a escola à comunidade, de dar a conhecer e conservar, nos diversos formatos disponíveis, a sua história, o seu patrono.
Ponto três, a construção de uma escola com valores, onde se afirma a amizade e a solidariedade acima dos efémeros interesses passageiros, tudo isto sem receios, ou não tivéssemos um patrono que sempre enfrentava os problemas de frente: em dado passo, o Intendente Pina Manique aconselhou-o «cuidado com os padres franceses». Mas como, se o poder da convicção e a lógica do argumento eram intrínsecos a Frei Caetano Brandão?
Ponto quatro, que a tão propalada «Avaliação de Desempenho» não seja factor de instabilidade e degradação da união entre o corpo docente, mas uma forma de, em conjunto, ultrapassarmos as dificuldades individuais. Tudo deve acontecer desinteressadamente, em espírito de equipa e de colaboração.
Ponto cinco e último, sonhar com os próximos 25 anos, não para conjecturar como será, mas para começar a marcar o rumo dessa comemoração. A vida «nada mais é que o espaço entre dois sonhos, dizia William Sheakespeare. Como seria bom, onde trabalhar na escola, fosse um sonhar ininterrupto. Este é um convite, pois todos somos feitos da mesma matéria dos sonhos.
A mudança cultural responsabiliza-nos.
Só o empenho e o compromisso de todos permitirá que a Escola aconteça quotidianamente.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Tibães na TV - Cimeira Ibérica

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Festa de Nossa Senhora do Ó

Festa católica, de origem espanhola, é conhecida na liturgia com o nome de “Expectação do parto de Nossa Senhora”, e entre o povo com o título de “Nossa Senhora do Ó”.
Expectação do parto é o desejo inspirado e sobrenatural, pois foi escolhida para Mãe Virgem do Redentor dos Homens.
Esta festa, celebra-se a 18 de Dezembro e foi instituída no século VI pelo décimo concílio de Toledo. Ainda hoje é celebrada em vários locais da arquidiocese de Braga.
Desde tempos imemoráveis que o povo desta freguesia tem uma especial devoção a Nossa Senhora do «Ó» ou da Expectação, cuja imagem se venera na capela de Mire, que lhe é consagrada e celebra com muita dedicação empenho a festividade.
Esta festa tem lugar imediatamente a seguir à Páscoa, geralmente, em Maio.
Ao lembrar a Senhora-do-Ó tenho presente a figura do meu pai, Pintor e Dourador de Arte Sacra. Recordo o tempo em que meu pai procedia ao Douramento da Capela da Senhora do Ó e à pintura da Imagem da Senhora.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Rancho Folclórico de S. Martinho de Tibães



Rancho Folclórico de S. Martinho de Tibães nasce entre as velhas Paredes do Convento Beneditino de Tibães. A sua existência deve-se ao grupo de Teatro Tony e CA, cujas receitas dos espectáculos serviam para oferecer uma festa de Natal a todas as crianças da terra e não só, oferecendo diversão, brinquedos, chocolates, balões, etc.
Em 1981, este grupo ofereceu um programa de variedades muito completo e apreciado, não só pelas crianças, como também pelos seus familiares.
O entusiasmo desse dia levou a que se formasse o Grupo Folclórico de S. Martinho de Tibães, em 1982. Tem percorrido todo o país, e além fronteiras, actuando em grandes Festas, Romarias, Hotéis, Casamentos, Baptizados, levando sempre o sentido da genuinidade do povo do Baixo Minho.
Este Grupo mostra através dos trajes a cultura dos seus antepassados, apresentando os trajes da Ribeira, Vale Oeste, Vale do Cávado, à Rico, Domingueiro, do Campo. É um projecto de revitalização e sensibilização das gentes locais para a nossa cultura e tradição, contribuindo para o crescimento e preservação do património local e regional.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

ESCADÓRIO DAS VIRTUDES






A “Rua das Fontes” também é conhecida como «escadório das virtudes»: prudência, justiça, fortaleza, temperança, fé, esperança e caridade. A sua construção situa-se entre 1725 e 1734.
É um dos primeiros escadórios construídos no norte do país.
Representa uma alegoria tipicamente barroca, encenando a subida ao céu emprestando-lhe uma grande carga sensorial, jogando com os sentidos humanos como a visão, tacto, gosto, audição e olfacto.
É constituído por sete fontes trabalhadas e intercaladas por escadas e patamares, culminando na Capelinha de S. Bento.
Segundo John Bury, Late Baroque an Rococo in North Portugal, «Journal of the society of the architectural historians», Octubre 1956, vol. 15, n.º 3, pp. 10 e 11, o escadório dos cinco sentidos e respectiva escadaria de fontes do Bom Jesus do Monte ter-se-ia inspirado na escadaria do Mosteiro de Tibães.

A CERCA DO MOSTEIRO DE TIBÃES

A Cerca do Mosteiro de Tibães, com cerca de 40 hectares, localizada na encosta norte do Monte de S. Gens, é um espaço de importância fundamental para a compreensão do quotidiano monástico, delineado à luz da estética barroca.
A Cerca do Mosteiro estava intrinsecamente ligada à manutenção da comunidade religiosa beneditina. Deste espaço vinham os produtos necessários para a comunidade, os alimentos, a madeira, os moinhos, os engenhos, não deixando de ser um belo lugar de meditação e lazer. A vegetação abundante e variada, nomeadamente, de carvalho do norte, o carvalho negral, o sobreiro, azereiro, bordo, medronheiro, aveleira, pilriteiro, azevinho e amieiro negro, contribuíam, de certo modo, para o bem estar dos beneditinos.
No interior da cerca podemos admirar um lago elíptico (no sitio das Aveleiras (1795-1798) todo de cantaria em volta com cascata e bancos laterais. Era alimentado por quatro novas minas de água, que também alimentava um engenho de serra acabado de construir. Para drenar terrenos pantanosos, reduzindo-os a terrenos de cultivo, fizeram-se obras de hidráulica, modelaram-se socalcos e fizeram-se aterros, ADB FMC, Tibães, Livros do Depósito, 606), um escadório talhado no monte, a Capelinha de S. Bento (reformada em 1725, com o seu azulejo historiado, joanino; a pintura do tecto, com a balaustrada envolvendo nuvens, anjos, cartelas e plumas que envolvem a figura de S. Bento, o retábulo, infelizmente desaparecido, e as diversas imagens que a decoravam, tornavam esta capela uma pequena mas preciosa peça do barroco português), a Casa do Hortelão, as Fontes das Aveleiras, dos Tornos e do Pevidal, a Fonte de S. Beda (desconhecemos a sua localização primitiva. Em 1733, foi transferida para junto do local donde partia o escadório. Actualmente, esta fonte barroca embeleza os jardins do Museu Nogueira da Silva.
Quando nos dirigimos para a Cerca conventual, não podemos deixar de referir a construção da Fonte de S. Pedro, em 1727, que permitia aos monges observarem quer as hortas e pomares, quer o escadório, construído neste período em direcção à capela de S. Bento.
Os monges de S. Bento na sua forma de viver em consonância com a Natureza, souberam no século XVIII, associar o poder económico à estética barroca; implantaram eixos formados por sebes de buxo, muros, caminhos e ramadas, que direccionam o espaço para um ponto de água enquadrado por majestosa fonte ou tanque de pedra lavrada, ou então para a “rua das fontes”.
O Jardim da Cerca do Mosteiro de S. Martinho de Tibães, recebeu o Prémio Internacional Carlo Scarpa, atribuído pela Fundação Benetton Studi Ricerche. Este prémio, reconhece o mérito de uma década de trabalhos de manutenção e recuperação da Cerca e do Mosteiro de Tibães.
Progressivamente, ao longo dos séculos XVII e XVIII, a Cerca vai sendo arroteada, dando cumprimento a um projecto agrícola verdadeiramente notável. Reduzindo "muita terra dos muros adentro para se poder cultivar como está cultivada de tal maneira que forao semeados este ano cento e trinta alqueires de centeio fora o trigo e a cevada "( ADB., Fundo Monástico Conventual, Conv. e Most., Tibães, Livros do Depósito, 537); trazendo águas de dentro e fora da Cerca "com grande custo, para unir lameiras e rega de campos"( ADB., Fundo Monástico Conventual, Conv. e Most., Tibães, Livros do Depósito, 584) e fazendo-as circular por uma elaborada rede, de alcatruzes de barro, caleiros de pedra e canos de chumbo; secando pântanos; fazendo plantações intensivas de vinha, em latadas e em uveiras, de pomares, de olivais, de castanheiros, de sobreiros, de carvalhos e montando viveiros, prática verdadeiramente inovadora, para pomares e vinha; transformaram a Cerca numa importante fonte de riqueza, mas também num objecto de arte, subtil e delicadamente criado.
Nesta cerca encontramos uma harmonia perfeita entre o Homem e a Natureza, muito bem relatada pelos cronistas beneditinos: em 1728 sobre a transformação da Fonte do Pátio do Galo "por tal forma e arte que do pátio della se vêm,as ortas e pomares que se não viam dantes pelo que nella estava ser mto larga e tomar toda a vista"; em 1816 quando "abriu-se uma nova e larga Rua em direitura à Porta do Anjo, sustentada por um grande paredão e guarnecido pelos lados de úteis castanheiros e árvores de recreio: esta mesma Rua se continuou em volta de toda a Cerca junto ao Muro, plantando-se no lado oposto grandes quantidades de sobreiros e carvalhos em toda a sua grande extensão para o passeio dos Monges e Utilidade do Mosteiro ".
No fim do século XIX, a Cerca do Mosteiro de Tibães estava dividida em duas partes: uma pertencente à Ex.ma viúva do Sr. Comendador Manuel Joaquim Marques Murta, secretário geral do governo civil, vendida pouco tempo depois da expulsão dos frades por 2 contos de réis e a outra conjuntamente com uma grande parte do edifício pertencente ao Ex.mo Sr. Comendador José António Vieira Marques. Esta última parcela foi comprada pelo pai do comendador, o qual introduziu notáveis melhoramentos ( Correspondência do Norte, 14 de Julho de 1894.




Para quando o restauro do Órgão de Tubos de Tibães

O Órgão, construído pelo mestre organeiro Francisco António Solha, em 1784, é composto de um grande órgão, um realejo e, na fachada, 51 tubos flautados e 177 tubos de palhetas. É suportado por dois sátiros atlantes. A caixa de talha dourada foi desenhada por Frei José de Santo António Vilaça e executada pelos entalhadores Luís de Sousa Neves e João Bernardo da Silva.
Na parte superior avistamos as imagens das Três virtudes e no remate e na bacia de sustentação esculturas caricaturais.
Tem este órgão 2 teclados, mais de 1400 tubos de metal e grande número de registos, alguns de belo efeito, oboés, trombetas de batalhas, flautas transversais e napolitanas, pífaros.
Além do órgão principal um outro mais pequeno dentro de uma caixa, cujos tubos imitam os sons de rabecas, violoncelos e rabecões e sons longínquos ou ecos. Tem um bombo e um tambor muito afinado e na imitação do canto das aves.
Foi restaurado em 1889 pelo hábil organista Snr. Augusto Claro, por uma insignificante gratificação que lhe foi oferecida. Para esta restauração concorreram muitas pessoas com suas generosas esmolas («Órgão de Tibães», Commercio do Minho, 31/12/1889).
O majestoso órgão de Tibães encontra-se inutilizado pelos estragos causados pelo desuso e abandono.
Em 1998, o IPPAR lançou um concurso internacional para o restauro do Órgão, mas, segundo se diz, a obra não foi adjudicada à empresa vencedora alegando falta de idoneidade.
Entre os famosos fabricantes de órgãos de tubos, na cidade de Braga, conta-se o organeiro Lagonsinha, falecido em 1846, de nome Manuel de Sá Couto, residente junto da ponte de Lagonsinha ou Lagoncinha, na freguesia de Lousado, em Famalicão. Este fabricante de órgãos de tubos teve como mestre um frade do Convento de Tibães. A ele é atribuído o órgão do Bom Jesus, o da Igreja do Hospital de S. Marcos, que era do coreto da Capela Mor do Convento de Tibães, o da Igreja de S. Victor, o da Igreja da Lapa (Arcada), o da Igreja de Maximinos e o da Senhora-a-Branca.
Cheguei a tocar neste órgão, acompanhado pelo grupo coral, nas novenas do Menino Jesus, na Missa de Natal, na Festa do «Cerco». Não espero vir novamente a tocar nesse órgão, mas espero, ansiosamente, que o restauro esteja para breve, para que os seus sons ecoem no vasto templo da nossa freguesia.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

MULHERES EM MOVIMENTO NO CARNAVAL

Não existe uma tradição de Carnaval em Tibães.
Episodicamente, alguns grupos têm organizado alguns desfiles, que não passam de uma desorganizada exteriorização de sentimentos, um passatempo sem qualquer significado, um aglomerado de fantasias sem grande criatividade. No entanto, pode divertir, momentaneamente, a quem eles assiste.
Nos últimos anos, as Mulheres em Movimento, no âmbito de congregar os conterrâneos para as suas causas nobres, de assistência social e solidariedade, têm organizado alguns desfiles carnavalescos. Este ano, o desfile de carnaval terá lugar no dia 5 de Março, com início em Ruães pelas 15.00hs, dirigindo-se, em seguida, para a Rotunda de Seixido. O tema é o futebol. Este grupo simpático, trabalhador, criativo, de Mulheres em Movimento convidam todas as pessoas a participar, revelando os seus dotes artísticos aliados ao humor característico da quadra.
Esta festa popular tem algum significado, mais pelo feriado de terça-feira, pelos bailes de carnaval dispersos pela região e pela gastronomia típica da época (orelheira, cozido à portuguesa, enchidos), um pouco de festejo profano antes do período da quaresma, uma despedida à carne (carne+vale).

domingo, 27 de janeiro de 2008

CULTO DA MEMÓRIA - 2.º CENTENÁRIO DA MORTE DE FREI CAETANO BRANDÃO

No rescaldo das comemorações do bicentenário da morte de D. Frei Caetano Brandão, publicamos no Jornal Passo a Passo da Escola Profissional de Braga, Ano XIII, n.º 32, de 27 de Janeiro de 2006, inserto do Correio do Minho, o artigo «Culto da Memória, 2.º centenário da Morte de Frei Caetano Brandão».

sábado, 26 de janeiro de 2008

O JORNAL DA PARÓQUIA




Muitas freguesias têm um jornal, em regra, dirigido pelo Pároco, que se constituem como uma forma de comunicação entre os seus paroquianos.
Melhores ou piores, antigos ou recentes, com mais qualidade e apresentação ou simples folha A4 fotocopiada, são um instrumento ao serviço da Igreja, pois bem precisa, no tempo em que os mass-media possuem um poder avassalador.
A freguesia de Mire de Tibães também possui um Jornal da Paróquia «Os Sinos de Tibães», simples, sem grandes pretensões e distribuído na eucaristia dominical, apresentado num formato A4.
A aprtir de 1933, esta freguesia passou a ter um Boletim «A Vida Paroquial» de grande prestígio e divulgação, que, curiosamente, era também visado pela comissão de censura.
Era uma publicação mensal, editada nas oficinas gráficas da PAX e, em média, tinha 24 páginas.
Foi seu Director D. António Coelho, que fazia desta revista, também, o órgão oficial da «Opus Dei». Apresenta um carácter informativo, mas, maioritariamente, apresentava muitos artigos que visavam a formação dos seus leitores.





TOPONÍMIA DE TIBÃES


A freguesia de Mire de Tibães apresenta uma iconografia mais parecida com um rectângulo. É bastante alongada em comprimento e estreita em largura, com cerca de 5,07 km2 de área.


No passado os moradores conheciam-se por pertencerem a este ou àquele lugar, presentemente, as suas moradas reportam-se ao número da porta e nome da rua, devido, com certeza ao crescimento imobiliário, bem como ao aparecimento de loteamentos, urbanizações e bairros.


A Junta de Freguesia, para maior comodidade e facilidade, desenvolveu um Mapa das Ruas de Mire de Tibães, que, agora, apresentamos.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

TVI TRANSMITE EUCARISTIA DOMINICAL

A TVI transmitiu, no dia 20-01-2008, a missa dominical das 11 horas da freguesia, directamente do Mosteiro de S. Martinho de Tibães.
Em dia de S. Sebastião, Santo muito querido na freguesia, a TVI deu voz ao pulsar da população.
Foi uma oportunidade para ouvir o excelente Grupo Coral que solenizou a eucaristia.
No final, em directo dos claustros, a TVI transmitiu o programa «Oitavo Dia», coordenado pelo Cónego António Rego, que divulgou um pouco da cultura da freguesia, concretamente, através da exibição do Rancho Folclórico de S. Martinho de Tibães.

sábado, 19 de janeiro de 2008

REVISITAR O SÉCULO XIX



Os Directores das Turmas 1 e 2 do 6.º ano de escolaridade, organizaram, no âmbito da disciplina de História e Geografia de Portugal, uma visita de estudo, subordinada ao tema «a segunda metade do século XIX».
Esta actividade teve lugar no dia 18 de Janeiro, com o seguinte programa:
- Viagem de comboio, Braga – Porto;
- Viagem de autocarro dos STCP do Porto;
- Visita ao Museu Romântico da Quinta da Macieirinha com projecção de slydes sobre «o século XIX no Porto»;
- Visita à Exposição Leonardo da Vinci no Pavilhão Rosa Mota.

sábado, 12 de janeiro de 2008

BRAGA NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

CIMEIRA LUSO ESPANHOLA EM TIBÃES

Sócrates e Zapatero juntos em Braga, nos dias 18 e 19, na 23.ª cimeira realizada entre os dois países.
Os dois dias de Cimeira Luso Espanhola terão lugar no Mosteiro de Tibães de Braga, monumento nacional que tem sido alvo de intervenções de recuperação ao longo dos últimos anos.
"Esta cimeira vai decorrer numa momento de excelentes relações entre Portugal e Espanha". Irão assistir à apresentação do projecto do Laboratório Internacional de Nanotecnologia, sedeado em Braga e discutir temas de carácter bilateral como os projectos rodo-ferroviários entre os dois países, questões relacionados com a energia, energias renováveis, alterações climáticas, recursos hídricos, controlo de fronteiras e combate à imigração clandestina.
Espera ainda que os dois governos ibéricos discutam políticas de cooperação nas áreas da saúde, segurança social e educação.

O BOM JESUS DO MONTE NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

ROBERT SMITH EM TIBÃES

Conheci Robert Smith quando andava na antiga quarta classe. Um dia, quando brincava junto ao Mosteiro de Tibães, abordou-me no sentido de o acompanhar para carregar a sua pesada máquina fotográfica (com um grande fole e um pesado tripé). Durante vários dias, nas férias, acompanhei aquela figura simples, alta e magra. Lembro-me de algumas imagens que se encontram nos seus livros, serem tiradas, nomeadamente, o figurado da sacristia, pois, naquele dia começamos bem cedo a trabalhar para apanhar o sol que entrava pelas janelas voltadas para o Sameiro. No fim do dia era bastante generoso, oferecendo-me algumas moedas. Só o viria a encontrar, alguns anos depois, no Salão Nobre da Biblioteca Pública, por ocasião de uma conferência que produziu sobre Tibães. Lembro-me de ter referido que Tibães «era o museu do barroco em Braga».
Robert Chester Smith (1912-1975), norte-americano, da Universidade da Pensilvânia, foi um dos pioneiros da história da arte. A sua vastíssima obra, explora e documenta o património artístico e arquitectónico de Portugal e do Brasil. Os seus estudos abrangem vários géneros, da arquitectura à talha e azulejo.
Em 20 de Novembro de 1973, Robert Smith viria a ser condecorado com a medalha de mérito em ouro.
Indicamos, de seguida, uma pequeníssima amostra de toda a sua obra e vasta bibliografia: The art of Portugal, 1500-1800. London, 1968; A talha em Portugal, Lisboa, Horizonte, 1962; André Soares: arquitecto do Minho. Lisboa, Horizonte, 1973; Frei Cipriano da Cruz: Escultor de Tibães. Porto, Livraria Civilização, 1968;Frei José de Santo António Ferreira Vilaça. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1972. 2 vol.; As grades de Tibães e a sua prol. “Belas Artes”, Lisboa, 2ª série, 28-29, 1975, p. 17-44; Marceliano de Araújo escultor bracarense. Porto, Nelita Ed., 1970. Inclui um capítulo sobre a capela das Almas, em Mazagão; Três estudos bracarenses. Braga, Liv. Cruz, 1972. Inclui um estudo sobre a talha da capela mor do Bom Jesus do Monte.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

TIBÃES – EXPULSÃO DAS ORDENS RELIGIOSAS



O decreto de José da Silva Carvalho, de 5 de Agosto de 1833, viria a atingir em cheio o Mosteiro de Tibães, pois suprimia os «Conventos, mosteiros, casas religiosas e hospícios com menos de doze indivíduos professos».
Um decreto assinado por D. Pedro IV e Joaquim António de Aguiar, em 28 de Maio de 1834, conhecido por «Mata-Frades», os monges e todos os religiosos foram banidos de Portugal e tornaram-se «egressos» dos mosteiros, ou indo residir para casas de familiares ou incorporando-se nos serviços pastorais da diocese.
De nada valeu o depoimento de Francisco José do Carmo Ferreira, defendendo para a população a vantagem da conservação deste mosteiro por causa da utilidade da escola, da botica e da paróquia.
O Mosteiro de Tibães, cabeça da Congregação Beneditina, o «Monte Cassino» de Portugal foi vendido ao desbarato.
Com a extinção das Ordens Religiosas, o mosteiro é encerrado em 1833/1834 e os seus bens inventariados e vendidos. A igreja, a sacristia, o claustro do cemitério e uma parte do edifício e da cerca (passal) ficam em uso paroquial. A cerca conventual (1838) e o edificado monástico (1864) passam para mãos particulares após venda em hasta pública. O Defensor do Catholicismo de 2 de Abri de 1864 publicita esse mesmo projecto de venda.
Por portaria, de 20 de Junho de 1834, a Igreja é autonomizada e confiada às autoridades religiosas para servir de paróquia «uso que hoje se mantém e se articula com a sua fruição cultural». Ou seja, a Igreja do Mosteiro, com a sua bela talha barroca, tornou-se a matriz de Mire de Tibães.
As remissões e vendas de foros são a resultante de toda a política de então. Nesta data, foram avaliados, pelos louvados fazendeiros Manuel José Gomes e José Fernandes, segundo o «valor do actual estado dos géneros» pelo montante anual de 2.381#268 rs os foros, desse ano e foram arrematados em hasta pública, em 28 de Julho de 1834, nos Paços do Concelho da Cidade de Braga, pelo valor de 3.000#000 (três contos de reis). Foi arrematante Pedro José da Silva Ferreira da Cidade do Porto que apresentou abonados e fiados. Os pagamentos, metade em metal, metade em papel, teriam de ser feitos à fazenda pública pelo Natal e Páscoa.
Os foros arrematados diziam respeito, para além de uma quantia em dinheiro 126#040 rs; a géneros cerealíferos (segunda, trigo e cevada branca); à palha (painço, milho e trigo); ao vinho, animais mortos ou vivos (desde o «marran» ao leitão, carneiro, cabrito, galinha, frango, cepões e perdizes; ao feijão; aos alhos; ao linho e a serviços (geiras).
A existência de 370 geiras e meia (1 dia de trabalho gratuito imposto aos camponeses em actividades agrícolas directas ou noutras tarefas nas terras do mosteiro ) denota a sobrevivência, das relações de dependência servil e adscritícia (Torre do Tombo, Arq. Hist. do Min. das Fin., Lei de 30/5/1834, inv. n.º 393, Tibães).
Que lucra o Governo em vender o Convento de Tibães? A esta pergunta havemos de responder, logo que soubermos que se efectuou a venda, o modo como e por quanto (O Defensor do Catolicismo, 2/4/1864, 6/4/1864, 20/4/1864).
Em 1864 o estado entregaria, em hasta pública, este cenário de alta beleza a mãos particulares.
Quem conservaria um imóvel de tais dimensões e uma cerca de quarenta hectares, pelo que a ruína e o abandono aí se instalaram.
No entanto, o Mosteiro de Tibães com sua cerca foi vendido definitivamente em 13 de Junho de 1864, em hasta pública a António de Moura Monteiro pela verba insignificante de 3.605#000 rs, após terem sido dispersos os seus bens culturais (museu, pinacoteca, biblioteca, objectos preciosos, alfaias litúrgicas e outro recheio móvel).
Por morte de António de Moura Monteiro, o mosteiro passou para António Inácio Marques. Por falecimento deste, o mosteiro passou para seu filho José António Vieira Marques e, mais tarde, para seus netos José António Monteiro Vieira Marques e Maria Amália Monteiro Marques de Pádua.
O Decreto nº 33587, de 27 de Março de 1944, classifica como imóvel de interesse público, o conjunto formado pela Igreja e Mosteiro de Tibães, magnífico exemplar de arquitectura monástica de setecentos com as fontes e construções arquitectónicas da respectiva quinta.
Em 19 de Agosto de 1986, o Estado adquire o imóvel por cento e dez mil contos e é afecto ao Instituto Português do Património Cultural em 1987 em avançado estado de degradação.
Em 1990 foi criado o Museu do Mosteiro de S. Martinho de Tibães, estrutura como garante da conservação e preservação da memória histórica. O Mosteiro de Tibães mantendo a sua função religiosa, começa a surgir no presente como um espaço cultural. Ressurgindo do abandono de anos, começa a cumprir no presente, a sua função do passado: um espaço cultural, uma “escola”, um veículo de difusão estilística.

O COUTO DE TIBÃES (1)

No Boletim da Biblioteca e Arquivo Distrital de Braga, II volume, pág। 16, lê-se a transcrição de um documento que diz «…o pequeno Couto de Tibães, (foi) doado aos Monges Beneditinos pelo Conde Dom Henrique e Dona Teresa em 24 de Março de 1110 …», «por amor de Deus e de Pedro Pais (Escacha) e Paio Pais, filhos de Dom Payo Guterres da Sylva que sempre nos sérvio com grande sayisfação».
Este facto significa que o Mosteiro e a sua terra coutada fica imune, ou seja, o senhorio é exclusivo dos Monges de S. Bento. A existência de um couto trazia um conjunto de benefícios:
- Os limites do couto, definidos por marcos de pedra, pela orografia e linhas de água, impediam a entrada dos funcionários régios (juízes, meirinhos e mordomos);
- os seus moradores estavam isentos de cumprir serviço militar no exército do rei;
- os moradores estavam isentos de pagar multas ou imposto braçal ou pecuniário ao fisco;
- era de sua livre nomeação os juízes ordinários quer do cível, quer do crime e nomeavam, também, o capitão das ordenanças e demais funcionários do couto.
Quando os Cavaleiros da Reconquista aqui ergueram o seu cenóbio, os condes D. Teresa e D. Henrique, reconhecendo a sua importância, outorgaram-lhe a Carta de Couto aos 8 das Kalendas de Abril (25 de Março) da era de 1148 (ano de 1110). O Convento era detentor de grandes poderes, doações, senhor de bens e vastas propriedades, que se estendiam entre os Rios Cávado e o Minho. Os Pais do nosso primeiro rei coutaram o mosteiro e a sua cerca nestes termos: «Por amor de Deus e de D. Pedro Paes e Payo Paes, filhos de D. Payo Guterres, que sempre nos serviu com grande satisfação...».
D. Afonso Henriques confirmou essa concessão da carta de couto, em 1135, reunindo-lhe o Lugar de Donim, junto do Rio Ave, logo a seguir, uma vez que Mendo Bofino vendera, em 1161, por 25 maravediz as suas propriedades no Lugar da Estela, D. Afonso Henriques anexou ao Mosteiro de Tibães, na era de 1178 (ano de 1140) o Couto de Mendo ou de Santa Maria da Estela e, mais tarde, o antigo Couto de Vimieiro.
A partir de então o Mosteiro de Tibães, ou os seus monges, passaram a ter uma grande influência não só no seu couto como até em toda a zona do nascente Condado Portucalense, fomentando a agricultura e por arrastamento a revolução hidráulica com o aproveitamento da força da água dos rios e ribeiros, numerosos na região, que faziam movimentar as azenhas, serrações e lagares de azeite.
Com os rendimentos que passaram a obter, de certo que principiaram por restaurar as ruínas do antigo cenóbio visigótico que, talvez tivesse sido destruído não só pelas sevícias do tempo, como pelas invasões sarracenas, que em pleno século VIII tudo devastaram e levaram à sua frente.
Em 21 de Agosto de 1105, verifica-se uma permuta de terras entre D. Nuno, Abade de Tibães e S. Geraldo, Arcebispo de Braga e, em 1189 (ano de 1154) Pelágio Soares vendeu por 4 maravediz tudo o que possuía (uma quinta rural na Vila de Palmeira).
Pelas inquirições de D. Afonso II (1220), no que se refere aos bens das ordens monásticas, verifica-se que Tibães era detentora de um enorme conjunto de bens: uma quinta, 236 casais espalhados por 48 freguesias (do termo de Guimarães, Terras de Bouro, Penafiel de Bastuço, Prado, Neiva, Faria, Vermoim e Braga).
Em 1220 eram Igrejas do Mosteiro, as de S. Martinho de Tibães, de Santo Adrião de Padim da Graça, São Salvador de Reguela (Pousa), São Paio de Parada e Santa Maria de Panóias. Ao Couto de Tibães pertenciam as seguintes paróquias: Santo Adrião de Padim da Graça, Santa Maria do Couto de Tibães (Panoias), São Paio de Parada, S. Martinho de Tibães, Santa Maria de Mire (Senhora do Ó), São Paio de Merelim.
D. Diniz isentou os moradores do couto, em 1334, de irem ao seu serviço e mandamento ( como todos os do seu reino eram obrigados), exceptuando os que tivessem herdades fora do dito couto.
El-Rei D. Fernando, em 5 de Agosto de 1372, estando em Braga, confirmou ao D. Abade de S. Martinho de Tibães, beneditino, os seus privilégios, usos e bons costumes.
Estando D. Afonso V em Évora, no ano de 1444, isentou do trabalho os moradores deste couto, em relação às obras de barbacans da cidade de Braga, tendo nisso atenção aos seus privilégios e a pagarem anualmente 36 soldos brancos para as ditas obras.
El-Rei D. Manuel deu-lhe foral em 4 de Setembro de 1517 (Livro dos Foraes Novos do Minho, fl. 143, col.1ª), em vista do que se acha em Francisco Nunes Franquelim, na sua Memoria para servir d’indice dos foraes do reino e seus dominios, p. 147 .
D. Filipe II de Espanha e I de Portugal, confirmou este contrato, em 1582, no Dom Abade Frei Plácido de Vilalobos, natural de Lisboa, que já havia governado o Mosteiro por ordem do Cardeal D. Henrique, desde 1565 até 22 de Julho de 1569.
Ao redor do mosteiro, até aos limites da freguesia, os terrenos eram grangeados pelos monges, criados e feitores, os outros eram trabalhados pelos caseiros, mediante o pagamento de foros, rendas e pensões sobre o usufruto das terras. Do primeiro caso faziam parte, além da cerca do mosteiro, as quintas da Amieira, do Anjo, do Pedroso e de Mire. Esta última, aonde se fizeram as casas e benfeitorias, em 1623, gozava de especial predilecção. Era estância de repouso e recreio dos religiosos. O Livro das Alfayas de todas Oficinas e Quintas deste Mosteiro de S. Martinho de Tibaens feito no anno de 1750, descreve-a do seguinte modo: «É esta toda cercada de muros. Tem a sua entrada ao sul com seu pórtico de pedra e assentos do mesmo e pelo lado oriental uma fonte que se divide em dois registos de água, uma para dentro com sua taça e bocal de bronze e outra para a estrada com seu nicho e cano de ferro. Esta água tem sua nascente no Seixido, do qual vem por baixo da terra em aquedutos de barro».
O mosteiro detinha a posse total de toda a água do Rio Torto que regava as Veigas do Sobrado e Argaçal, através de uma levada , mandada construir em 1624. Pelo uso dos regos de Mire, pagava-se em 1635, 35 alqueires de milho e centeio e 11 alqueires de milho. Para além do seu papel de irrigação, as águas do Rio Torto faziam andar os moinhos, propriedade do mosteiro, de Panóias (Penelas e Pontesinhas) e de Mire (os de Sobrado).
Braamcamp Freire («Povoação d’Entre Doiro e Minho no XVI século», Archivo Historico Portuguez, III, (1905), p. 263) descreve a contagem de fogos, em 1527, determinada por D. João III: «Este couto é do Mosteiro de Tibães, o cível e o crime del-Rei nosso Senhor e tem de termo dentro de si meia légua e jaz entre os termos de Barcelos e o de Braga e o de Prado e corre o Rio Cávado ao longo dele entre Prado e o Couto e não tem povoação nenhuma junta somente por casais apartados vivem os moradores seguintes nestas freguesias, S. paio de Merelim, 38 moradores, Santa Maria de Panoias, 21, S. Paio de Parada, 17, Santa Maria de Mire, 28, Santo Adrião e o Mosteiro, 22 moradores. Somam os moradores deste couto por todos os fogos 126 moradores. Item haverá mancebos homens solteiros, 90 mancebos».
O crescimento patrimonial do mosteiro é perfeitamente constatável nos registos, tombos de 1528,1555 e, outros, livros de prazos, vedorias, recibos e sentenças.
A importância de algumas freguesias que pertenciam ao couto de Tibães:
- a freguesia da Estela é uma das terras mais antigas do concelho da Póvoa de Varzim. Foi pertença do conde Dom Mem Pais Boufinho, descendente de Azevedos e também do senhor de Vila do Conde, o qual, com seu filho Hermenegildo, venderam a freguesia da Estela a Dom Mendo III Abade de Tibães. D. Afonso Henriques, em 1140 a coutou a Dom Ordonho IV, abade de S. Martinho de Tibães e a seus religiosos por 600 alqueires de pão. A carta de couto da freguesia de Santa Maria da Estela, concedida por D. Afonso Henriques em 7 de Julho de 1140 ao referido convento de Tibães, é o documento original mais antigo até agora encontrado em que o primeiro monarca português emprega o título de Rei de Portugal. Esta carta encontra-se na torre do Tombo em Lisboa, e é elemento preciosíssimo para a história desta freguesia. A freguesia da Estela desde a concessão desta carta de couto até ao ano de 1834, data da extinção das Ordens Religiosas, em Portugal, por Joaquim António de Aguiar (mata frades), esteve na independência do Mosteiro de Tibães, o qual dela recebia todos os anos boa parte da respectiva produção agrícola. O lugar de Vila Mendo, nome pela qual foi conhecida a freguesia da Estela, durante algum tempo Villa Menendi, é muito conhecido por ali se terem encontrado importantes peças arqueológicas da época pré-romana. Elas foram o chamado “tesouro” da Estela, que no momento, está depositado no Museu Soares dos Reis. É constituído por um colar de ouro, duas arrecadas e parte partem dum torquês do mesmo metal e fragmentos de ouro e prata;
- assim, é apenas em 1220 que aparece a designação de S. Paio de Merelim. Lê-se nas inquirições de D. Afonso II o seguinte: "De Saneto Pelágio de Merlin de Couto de Tibães". Encontramos duas designações novas: S. Paio e Couto de Tibães. Pois bem, S. Paio é o Padroeiro mártir natural de Tui-Espanha, que foi martirizado com 13 anos de idade no ano de 925 por ordem do Califa de Córdova. A sua fama de mártir expandiu-se e a população de Merelim tornou-o seu Padroeiro;
- Panóias era uma freguesia importantíssima no Couto de Tibães no séc.XVI, porque era muito forte em relação à agricultura. Também tinha moinhos junto ao rio e azenhas para produzir o azeite, os moinhos produziam a farinha, as terras eram férteis porque tinham o rio perto, para se poder irrigar os campos.

BRAGA - OFÍCIOS NOS FINAIS DO SÉCULO XIX