Marcelo Rebelo de Sousa no programa «os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa», do Jornal da TVI, de 29 de Julho, apresentou o nosso livro Ascensor do Bom Jesus de Braga. Na ocasiou referiu «Para um bom passeio em Braga…».
Seja bem-vindo a «História por um Canudo».
Aqui encontrarão diversas investigações e publicações sobre áreas do meu interesse:
as minhas impressões;
a minha terra, Mire de Tibães;
o pedagogo e pai dos pobres, Frei Caetano Brandão;
o património de Braga.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
sábado, 21 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
APRESENTAÇÃO DO LIVRO ASCENSOR DO BOM JESUS DE BRAGA
Convido todos os amigos e interessados para a apresentação do livro Ascensor do Bom Jesus de Braga, de Miguel Louro e José Carlos G. Peixoto, no espaço cultural «Só Arte», a ter lugar na 6.ª feira, dia 20 de julho, à Rua de São Marcos, n.º 106.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
MINA DAS AVELEIRAS EM TIBÃES
Na Cerca do Mosteiro de Tibães e área envolvente, existe uma série de minas de água destacando-se a Mina do Moinho de Água, a Mina da Cabrita, a Mina da Preguiça, a Mina das Aveleiras e a Mina de S. Bento. A maioria das minas de água é constituída, na generalidade, por galerias de pequenas dimensões, baixas, estreitas e sem iluminação natural. A Mina das Aveleiras é uma antiga mina de volfrâmio, pertencente ao Mosteiro de São Martinho de Tibães, e localiza-se a Sul do lago da Cerca do Mosteiro de Tibães, abrangendo parte dos terrenos desta Cerca, prolongando-se para fora da mata, para a zona Sorte do Monte de S. Gens. A Mina das Aveleiras, construída pelos frades beneditinos, começou por ser uma mina de água.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
quinta-feira, 28 de junho de 2012
EXPOSIÇÃO E LIVRO SOBRE O ASCENSOR DO BOM JESUS
Convido os meus leitores para dois eventos sobre o Bom Jesus, no Espaço Cultural «Só Arte», sito na Rua de São Marcos, n.º 106, 1.º andar:
- 29 de junho, 6.ª feira, 21.30hs, inauguração da exposição de fotografia de Miguel Louro;
- 20 de Julho, 18.30 hs, apresentação do livro Ascensor do Bom Jesus de Braga, de Miguel Louro e José Carlos G. Peixoto.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
MINISTRO CHINÊS VISITA O BOM JESUS
O Sr. Ministro da Ciência e Tecnologia da República Popular da China, Wang Gang, visitou o Bom Jesus do Monte, na manhã do dia 26 de outubro, acompanhado pelo Sr. Ministro da Educação e da Ciência, de Portugal, Nuno Crato,
Nesta visita tivemos a oportunidade de apresentar este lugar cativante e paradisíaco, bem como toda a monumentalidade desta estância.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
NOTA COM IMAGEM DO BOM JESUS
Juntamos um vale, datado de 14 de fevereiro de 1920, no valor de 5 centavos, emitido pela Câmara Municipal de Braga, com a imagem do Bom Jesus do Monte.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
CAPELA DE S. SEBASTIÃO, PARADA DE TIBÃES
Como se constata pela inscrição, em redor da porta, a Capela de São Sebastião foi fundada, em 1569, por Afonso Gonçalves e sua mulher, num ano em que a Peste Negra se fez sentir, avassaladoramente, na região de Braga. Foi restaurada e aumentada em 1907, graças à intervenção de António Joaquim Gonçalves Azevedo.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Concerto e Seminário no Bom Jesus
Pelas 18 hs, do dia 17 de junho, na Sacristia do templo do Bom Jesus do Monte, decorrerá um seminário intitulado «O Barroco e a Polifonia Portuguesa».
Pelas 22 hs, do mesmo dia, terá lugar um concerto de polifonia portuguesa pela Cappella Musical de Cupertino de Miranda e pelo organista Ludger Lohman,, no âmbito do II Festival internacional de Polifonia Portuguesa, sob a direcção artística de Luís Toscano. A programação incluirá obras de Pedro de Escobar (c.1465-c.1535), Pedro de Cristo (c.1550-1618), Duarte Lobo (c.1565-1646), Pedro de Araújo (c.1615-1695), entre outros músicos de reconhecimento internacional.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
MINISTRO ALEMÃO VISITOU O BOM JESUS DO MONTE
De visita ao Bom Jesus do Monte, na tarde de 30 de Maio, Bernd Neumann, que é também representante do Governo Federal para a Cultura, ficou impressionado com a monumentalidade da estância.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
CAPELA DE NOSSA SENHORA DA GUIA
sábado, 26 de maio de 2012
HOSPITAL DE S. MARCOS
O Hospital de S. Marcos que vem prestado à população bracarense, desde há vários séculos, esteve para se instalar a partir de 1916, em Infias, conforme perspetiva geral que juntamos.
Esta perspetiva, do novo Hospital de S. Marcos, era do professor da Escola Industrial, da cidade de Braga, Domingos Rebelo Barbosa, enquanto que o projeto era de um distinto engenheiro sanitário de Lisboa. O Estado concorreria para esta obra com 150.000$000.
MANUEL DE CARVALHO ALAIO
Padre, distintíssimo artista musical, director do Órfeão de Braga e Professor. Autor de «Ecos do Santuário». Foto de 1928.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
PALÁCIO DA DONA CHICA, EM PALMEIRA
No lugar de São Sebastião, freguesia de Palmeira, estava em construção, em 1916, um acastelado solar dos proprietários João José Ferreira Rego e D. Francisca Peixoto do Rego na sua terra natal.
Este palácio, segundo o projeto do arquiteto Ernesto Korrodi, foi, sem dúvida, uma das mais artísticas e confortáveis vivendas da região, construída nos moldes medievais. O exterior do palácio é todo em cantaria, à exceção de algumas superfícies em alvenaria. No rés-do-chão predomina o granito azul da região, enquanto que nos pavimentos superiores o granito de Afife.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Demarcação da freguesia de Mire com a freguesia de Parada de Tibães em 1761
« …Dali vai à devesa chamada da Rainha onde se acha um marco de pedra que está na esquina da Quinta do Anjo que é do Governo do mesmo Mosteiro de Tibães…
vai ter a campos chamados Agras Velhas, que possuem várias há pessoas, onde se acha um marco de pedra, o qual sítio parte com a freguesia de Mire…
Daí, rosto direito, vai ter ao lugar da Casa Nova, que parte com a freguesia de Mire onde se acha um marco de pedra na terra que possui José Luís, da mesma freguesia de Mire…
Daí, continuando esta medição, rosto direito, vai ter ao Monte de Carrascal que parte com a mesma freguesia de Mire, onde se acha um marco de pedra na terra que possui Francisca de Araújo, desta freguesia…
Daí, rosto direito, vai ter ao sítio da Barrosa onde se acha um marco em terra maninha …».
domingo, 20 de maio de 2012
ANTÓNIO LUIZ DA COSTA PEREIRA DE VILHENA COUTINHO
sábado, 19 de maio de 2012
FESTA DO ESPÍRITO SANTO
Decorreu nos dias 27 e 28 de Maio de 1928, a tradicional Festa do Espírito Santo, no Bom Jesus do Monte, como decorre da notícia abaixo.
MANUEL BENTO DE CARVALHO
Faleceu em maio de1928, com 81 anos de idade, Manuel Bento de Carvalho, um dos maiores empresários de Braga e autor do livro Manuel Joaquim Gomes a sua ephoca e as suas emprezas, publicado em 1906, pela Associação Comercial de Braga, de que foi presidente.
Era natural de Vila Real. Era partiicular amigo do fundador do Elevador do Bom Jesus do Monte.
CONGRESSO LITÚRGICO DE BRAGA - 1928
O 1.º Congresso Litúrgico de Braga, realizou-se entre 26 de Junho a 1 de Julho de 1928. Simultaneamente decorreu uma Feira de Amostras, no edifício do Liceu, antigo Colégio do Espírito Santo. Um dos oradores, do congresso, foi Dom António Coelho, Doutor em Liturgia e futuro pároco de Mire de Tibães.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
QUINTA DO PEDROSO E BATALHA DE PEDROSO JUNTO A TIBÃES
O Mosteiro de Tibães tinha, em Parada de Tibães, a Quinta de Pedroso, onde ocorreu a Batalha de Pedroso, em 17 de Fevereiro de 1071, adquirida pelos monges no triénio de 1680-1682. Junto a esta quinta, existia outra propriedade, denominada a Devesa do Pedroso.
Diversos documentos falam da Batalha de Pedroso, junto a Tibães, mas nem todos os historiadores estão em sintonia com o seu resultado. Uns dão como vitorioso Dom Garcia (Monarquia Lusitana de Frei António Brandão, parte 3.ª; História de Portugal de Alexandre Herculano, vol. 1) e derrotado e morto o conde Nuno Mendes, outros seguem a opinião contrária.
Segundo Jerónimo da Cunha Pimentel (em Folhas soltas da história de Braga. 2. A Batalha de Pedroso. Junto a Tibães. 1871. «Regenerador», Braga, 5 e 8 de 1886), a batalha teve lugar em 18 de Janeiro, no entanto o Doutor Avelino de Jesus da Costa impõe a data de 17 de Fevereiro de 1071.
Junto descrição da Batalha de Pedroso (in Eduardo Pires de Oliveira, Parada de Tibães):
«Dom Garcia, tendo notícia de que o bando de revoltosos se aproximava de Braga pôs em acção todos os elementos de guerra de que podia dispor, a fim de reprimir os que tão ousadamente reagiam contra a sua autoridade.
As fortificações da cidade não davam nessa época uma segura garantia de defesa. Um castelo no lugar onde hoje existe a igreja de São Tiago da Cividade e outro nas vizinhanças de São Pedro de Maximinos, eram os únicos pontos defensivos de Braga, que sem muralhas então, e sem outras fortificações não oferecia resistência a qualquer assédio.
A antiga corte dos Suevos, outrora cidade importante e seguro, ainda não pudera levantar-se e restabelecer-se da ruína porque passara.
Dom Garcia empenhava-se na sua restauração de material e empregava os meios para restituir à sua antiga igreja a importância que havia perdido. Não era um curto espaço de tempo que se lhe podia fazer readquirir a grandeza que tivera, quando fora tão profunda a destruição que a assolou.
Não tendo, portanto, Braga os necessários meios de defesa e não querendo transformar as ruas em campo de batalha, resolveu D. Garcia ir de encontro aos revoltosos, que na tarde de 17 de Fevereiro de 1071 estavam junto às margens do Cávado, em caminho para a cidade.
Quando as sombras da madrugada se esvaíram aos primeiros clarões da manhã do dia 17 de Fevereiro, estava Dom Garcia e o seu exército no Lugar de Parada, já próximo a Tibães.
A manhã estava fria e húmida como era próprio da estação.
À luz do dia já se divisavam os campos que as chuvas de inverno tornavam alagadiços e pantanosos.
Um nevoeiro pouco denso levanta-se do lado do Cávado e um frio penetrante açoutava os soldados bracarenses.
Não arrefecia, porém, o ânimo aos heróicos descendentes dos que durante muitos anos arrastaram o poder de Roma e venceram em mil combates as aguerridas hostes dos serracenos.
Era nesse esforço tradicional que confiava D. Garcia, que tinha pela frente o valoroso conde Nuno Mendes com soldados descendentes dos mesmos heróis. As vigias que este colocara à distância do seu acampamento deram aviso que se aproximava o exército real.
Não lhe permitiu o seu ânimo aguardá-lo no ponto em que estacionava. Dirigia-se ao seu encontro e no lugar de Pedroso acharam em face um do outro os dois exércitos.
Principiou o combate; ambos se atiravam cegos e impetuosos à luta renhida e desesperada. Os cadáveres já alastravam os campos de sangue, juntando-se à água dos poços e dos atoleiros, fazia-os parecer um lago vermelho.
A batalha prosseguia com várias fortunas e à vitória indecisa continuavam uns e outros a imolar vidas naquela lide afanosa e sanguinolenta. À medida que rareavam os combatentes mais encarniçada e delirante se tornava a luta.
Nuno Mendes fez um último e denoado esforço na esperança de com ele alcançar a vitória, a que sempre o guiara a sua boa estrela. Desta vez a sorte foi-lhe adversa; o brilho dessa estrela empanara-se-lhe ali; a espada valente partiu-se em estilhaços e a lança sempre vitoriosa, caiu-lhe da mão desfalecida pela morte.
Do herói de tantos combates restava um cadáver!
A morte do campeão audaz pôs termo à luta. Dos seus soldados, os poucos que escaparam à morte ou ficaram prisioneiros ou procuraram salvação na fuga desordenada.
Dom Garcia entrou em Braga triunfante, mas a vitória tornou-o mais soberbo e mais despótico no seu governo.
O sangue derramado nos campos de Tibães não pôde sufocar a rebelião que lavrava funda entre os nobres oprimidos, Vernula ou verna, valido do rei.
A expulsão agora não se manifestou num campo de batalha; foi no própriopalácio real onde, na presença de Dom Garcia, foi pelos nobres assassinado o seu valido. Nem com isso se aplacaram os ânimos irritados e conhecendo-o Dom Sancho, rei de Castela e já então de Leão e das Astúrias, aproveitou-se desse descontentamento para mais facilmente vencer e destronar seu irmão Dom Garcia.
Declarou-se a guerra e na batalha de Água de Mayas, junto a Coimbra, ou noutra próximo a Santarém, Dom Garcia perdeu com a liberdade o domínio destes reinos que incorporando-se na monarquia de Espanha trouxeram a Dom Sancho a realização dos seus sonhos ambiciosos.
Dezanove anos depois da Batalha de Pedroso morreu Dom Garcia, a 22 de Março de 1090, sendo sepultado na Igreja Maior de Leão, onde na sepultura se gravou o seguinte epitáfio: « H. R. Domnus Garcia Rex Portugaliae et Galiciae, filius regis magni Ferdinandi. Hic ingenio captus a fratre suo invinculis obiit. Era MCXXVIII kalendis aprilis».
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Meu Tio na Festa de Parada de Tibães
Na festa principal da freguesia de Parada de Tibães, realizada em 27 de Setembro de 1925, na parte religiosa sobressaiu o meu Tio Padre José Peixoto de Oliveira. Lê-se numa notícia da época: «Realizam-se hoje, Domingo, 27 de Setembro, as festas a S. Paio, padroeiro da freguesia de Parada, deste concelho, havendo às 8 horas da manhã missa rezada, comunhão geral aos adultos e crianças e prática pelo distinto orador sagrado reverendo padre José Peixoto de Oliveira e assim termina o tríduo que o referido orador tem feito desde o dia 24 ao Santíssimo Sacramento… às 4 horas da tarde Sermão pelo mesmo orador sagrado».
A Quinta de Tibães, ou Quinta do Souto
A Quinta de Tibães, ou Quinta do Souto, localiza-se no lugar do Souto, freguesia de Parada de Tibães.
Possivelmente, no século XVIII, foi morada de Gonçalo Gomes da Costa, sua mulher Luísa Gomes, filha Josefa Maria Gomes e genro Manuel José Duarte, família rica desta freguesia.
Está inserida num ambiente rural e muito próximo do Mosteiro Beneditino de Tibães.
É composta de um pórtico de entrada, uma imensa eira em pedra, uma construção para habitação e um sequeiro.
É uma arquitectura civil residencial, barroca e oitocentista. Edifício de planta rectangular composta por um corpo principal de dois pisos integrando capela no seu interior, com retábulo neoclássico, com acesso na fachada principal por escadaria de pedra de lanço recto e único e na fachada posterior uma lójia fechada, e um corpo adossado de um só piso, com larga chaminé de cantaria no fachada posterior, altaneira e decorada com brincos e pináculos. O interior, com adega, lojas e cozinha no primeiro piso, tendo esta última forno, lareira, chaminé e mesa oval de cantaria. No segundo piso salões e quartos com pavimentos de cantaria e madeira e tectos de estuque e madeira. A quinta integra ainda edifícios de apoio à actividade agricola como um sequeiro, eira lageada e um espigueiro.
O sequeiro é composto de 4 corpos abertos ao centro, ladeados por um corpo fechado com janelas.
Foram, ainda, proprietários desta quinta a Família Ferreira Carmo, desde o século XIX, com fortuna originária do Brasil. Neste momento pertence à Família Casais.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
NETA DO FUNDADOR DO ELEVADOR FAZ 100 ANOS
Maria Isabel Gomes, neta de Manuel Joaquim Gomes, fundador do Elevador do Bom Jesus do Monte, era filha de Alfredo Vieira Gomes e de Isabel Machado. Comemorou, no passado dia 22 de abril, o centésimo aniversário.
Parabéns.
Junto artigo do Correio do Minho de 23-04-2012.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Dia Internacional dos Monumentos e Sítios
No âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a Confraria do Bom Jesus do Monte, no dia 19 de Abril, pelas 18 hs, vai apresentar publicamente os Estudos Prévios da candidatura do Santuário a Património Mundial, coordenados pela Sra. Prof.ª Teresa Andresen. A sessão publica de apresentação dos Estudos Prévios vai ser presidida pelo Sr. Arcebispo de Braga D. Jorge Ortiga e terá lugar no Salão de Chã do Bom Jesus do Monte.
segunda-feira, 26 de março de 2012
ALOCUÇÃO PROFERIDA NAS COMEMORAÇÕES DOS 130 ANOS DO ELEVADOR DO BOM JESUS
Comemora-se, hoje, 130 anos sobre a inaugu
ração do Elevador do Bom Jesus de Braga, concebido e projetado pelo empresário Manuel Joaquim Gomes e implantado sobre os flancos da pitoresca montanha da maior estância turística de Braga, onde os passos dolorosos da paixão estão ordenados no poema do sacrifício de Cristo.
Foi em 25 de Março de 1882, pela manhã, sob a presidência do Dr. João de Paiva de Faria Brandão, Presidente da CBJM, das autoridades, funcionários da estância, muito povo e convidados que se procedeu à bênção da via, das locomotivas, numa palavra, do Ascensor do BJM. Dirigiram-se, em seguida, ao Templo, onde se entoou um solene Te Deum, em ação de graças ao Altíssimo, pelo bom êxito de tão importante obra e melhoramento.
Pretende-se com esta comemoração homenagear duas personalidades, dois protagonistas que foram determinantes na construção de um meio de deslocação providencial para curtos e íngremes percursos, que conduziu ao investimento na estância do Bom Jesus do Monte, o que aumentou o fluxo de peregrinos e a transformou num centro de atração turística.
Estamos aqui, nesta romagem, para prestar uma reconhecida homenagem, a Manuel Joaquim Gomes fundador do Ascensor e ao Dr. António Brandão Pereira, mesário da CBJM, vedor do parque e das obras e que produziu relatórios defendendo a construção do elevador e dando conta da importância excecional do ascensor para o futuro da estância, ou seja, dois amigos que se apoiavam mutuamente e que contribuíram para que Braga tivesse a honra de ter o primeiro ascensor construído na Península Ibérica, atualmente, o mais antigo do mundo em serviço, no que concerne ao funcionamento por contrapeso de água. Ambos souberam, no século XIX, compreender, em Braga, o que era o verdadeiro progresso, empregando a sua inteligência na criação de empresas ou no serviço à comunidade. Ambos foram solidários, renunciando a vencimentos a que tinham direito, MJG na Companhia de Carris de Braga, ABP no CSC. Ambos alimentaram ou foram objeto de polémicas e intrigas nos principais jornais do último quartel do século XIX.
Manuel Joaquim Gomes nasceu para a ação, de paquete na área comercial passou a comandante na área empresarial. Distinguiu-se, fundamentalmente, como um grande empresário, no ramo dos tecidos, da panificação, da hotelaria e dos transportes. Distinguiu-se, também, como Secretário e Presidente da Associação Comercial de Braga, na vereação municipal e na defesa de causas e movimentos, concretamente, a Janeirinha e a questão da «integridade do distrito».
MJG avançou sem medo para esta grandiosa obra de engenharia, apesar dos riscos, dando voz aos «ecos do mundo», em rutura com os processos tradicionais. Se recuarmos à época e ao seu contexto, os adjetivos não serão suficientes para descrever com justiça e para avaliar a enormidade do seu projeto e a vastidão do seu horizonte.
António Brandão Pereira como responsável pelas obras e pelo parque na Comissão Administrativa da CBJM, realizou grandes melhoramentos, como a construção do lago, as grutas artificiais, as alamedas, o coreto, o ordenamento e a arborização do parque. Foi a única voz que, publicamente, se levantou dentro da própria Mesa e na Imprensa a favor da construção do Elevador do Bom Jesus.
Foi o primeiro Provedor do Colégio de S. Caetano, exercendo o cargo durante 11 anos. Era possuidor de um carácter austero, de coração magnânimo, elevada inteligência, honrado e católico convicto.
Exerceu um papel primordial na remodelação do CSC e, principalmente, na construção da bela Capela do Colégio, toda ela em granito, com uma grande rosácea monumental ao centro, decorada com um vitral trabalhado e, nas extremidades, dois torreões graciosos, coroados de cúpulas. Era a sua menina dos olhos, pois a delineou, iniciou e acompanhou os andamentos do seu leito de dor. Só não assistiu à sua inauguração, que aconteceu logo após a sua morte.
Durante mais de uma década trabalhou com o Santo Padre Cruz. O Dr. António Brandão Pereira como provedor e o santo Padre Cruz como Director Interno. Ambos deixaram as funções por doença. Ambos insistiram junto do prelado bracarense, para que os Salesianos viessem para Portugal. Foram bem sucedidos e, desta forma, o CSC viria a ser a primeira escola salesiana em Portugal. Após o seu falecimento, a Banda de Música do CSC quando passava à porta da casa onde tinha vivido, executava alguns acordes da marcha fúnebre de Chopin, em sinal de homenagem.
Todos os elevadores têm a sua história, por vezes atribulada, cheia de insólitas peripécias, com abundantes e graciosos pormenores. Também estes ingredientes não escasseiam no Ascensor do Bom Jesus, notável património afetivo, cheio de simbolismo, de história e de tradição, que muito honra a cultura, a cidade de Braga, a região e o país, pois influenciou, decisivamente, os elevadores «históricos» que vieram a construir-se na Cidade das Sete Colinas.
Em nome da CBJM quero agradecer, em especial, a presença dos familiares do Sr. Manuel Joaquim Gomes e do Dr. António Brandão Pereira, descendentes de duas proeminentes figuras do século XIX, das suas obras, do património que nos deixaram. Encontramo-nos numa espécie de momento epifánico, onde conjugamos todos os tempos, o passado criador, o presente e o futuro continuador. Compete-nos, agora, reconhecer o papel desses antepassados e assumir a salvaguarda e promoção de valores que pertencem ao nosso património coletivo e de lembranças que constituem a nossa memória, a vida e a cultura. Compete-nos preservar esse passado projetando-o no sentido do reconhecimento mundial.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Elevador do Bom Jesus faz 130 anos
Correio do Minho de 23-03-2012