sexta-feira, 15 de maio de 2009

CÂMARA MUNICIPAL DE BRAGA

Logo à entrada deste edifício barroco, no seu interior, deparamos com uma escadaria nobre de acesso à parte superior. As paredes laterais estão forradas com azulejaria, tipo barroco, azul e branca, com grinaldas e ramos. Subindo o primeiro lanço da escada nobre, vemos representados nos lambris diversos monumentos da cidade, a maior parte deles demolidos.
No primeiro patamar da escadaria a figura emblemática de Braga (uma dama emplumada que num braço segura uma lança e, no outro, um castelo). De cada lado duas inscrições em cartelas respectivas. Uma refere-se ao final da construção da primeira fase – 1756 e, a outra, tem as letras B. A. F. A. (Bracara Augusta fiel e antiga).
Nesta escadaria encontramos painéis de azulejos representando: de um lado a Torre da Ajuda, S. João da Ponte, o Castelo, os Antigos Paços do Concelho, a Capela Mór da Sé, a Senhora da Torre e o Chafariz da Galeria, a Sé de Braga e o Chafariz da Galeria; do outro lado a Misericórdia, a Porta de Santiago, a capela dos Coimbras, Alpendres e Pelourinho, Porta de Santo António, Chafariz do Campo de Santana, Torre de Nossa Senhora da Glória, Arco da Porta Nova e Arco e Torre do Postigo. No patamar cimeiro, ao centro, a entrada, na cidade, de D. José de Bragança, a quem se deve o edifício camarário.
No SALÃO NOBRE DA CÂMARA ( Sala das Sessões ) encontramos medalhões e ilustres varões (bracarenses, ou então, ligados à história da cidade). Entre eles: GABRIEL PEREIRA DE CASTRO (1571/1632); DIOGO DE TEIVE (Século XVI); D. FREI BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES (1594/1592); FRANCISCO SANCHES (século XVI); D.DIOGO DE SOUSA (Séculos XV/XVI); D. FREI CAETANO BRANDÃO ( 1790/1805); DOM RODRIGO DE MOURA TELLES (1704/1728); BARÃO DE SÃO MARTINHO (Século XIX).
No tecto e nas sancas deste pequeno mais extraordinário e belo salão, estão assinaladas algumas datas muito significativas não só para a história de Braga:
- 28-10-1110 – Doação, não confirmada, do Couto de Braga feita por Dona Teresa, mulher de Dom Henrique (pais do primeiro Rei de Portugal) ao Arcebispo D. Maurício, instituindo assim um senhorio que durou até ao século XVIII;
- 12-04-1112 – Confirmação pela Rainha Dona Teresa (por vezes usava este título) ao Arcebispo Dom Maurício (que ficou conhecido como Anti-Papa), do Couto de Braga;
- 27-05-1128 – Data em que Dom Afonso Henriques confirma, por sua vez, na pessoa do Arcebispo Dom Paio Mendes, a doação do Couto de Braga, ampliando essa doação com Privilégios de Capelania e Chancelaria, concedendo à Sé de Braga o poder de cunhar moeda para a conclusão da Catedral de Santa Maria;
- 11-12-1640 – Neste dia a Câmara reunida em Sessão Extraordinária com o Senado, nos Paços do Concelho, sitos então junto à Sé, depois de ouvidos os Três Estados – Clero, Nobreza e Povo – resolve aclamar D. João IV como Rei de Portugal e dos Algarves, dando assim o seu assentimento à Restauração da Independência de Portugal, proclamada em Lisboa no dia 1 do mesmo mês;
- 25-03-1793 – Graças ao Arcebispo D. Frei Caetano Brandão, que a tinha organizado, tem lugar neste dia o encerramento da 1ª Exposição Agrícola e Industrial de Braga, com distribuição de prémios aos expositores.

1.ª EXPOSIÇÃO-FEIRA E AGRÍCOLA PROMOVIDA POR frei caetano em braga


1755
antigo paço do concelho 1


antigo paço do concelho 2
arco da porta nova
BAFA

cortes de braga
Frei Caetano Brandão
senhora da torre 1
torre do postigo

quinta-feira, 14 de maio de 2009

BRAGA FLORIDA

O visitante da cidade dos arcebispos, nesta época, depara-se com a primavera florida nos diversos recantos da urbe, em especial, o Jardim de Santa Bárbara e os canteiros da Avenida da Liberdade.

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DO FEMINISMO AO FEMININO EM TIBÃES

No âmbito dos «encontros de imagem», encontra-se no Mosteiro de Tibães uma exposição subordinada à temática «do feminismo ao feminino» até ao dia 31 de Maio.
O evento deste ano tem como tema central «fronteiras de género».

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Política em Verso (18) - Zezão - 03-01-1924.

Perguntou-me o Director
Da nossa «Acção Social»
O motivo ou a razão,
Ou seja lá o que for
Do meu silêncio: então
Que tem você, seu Zezão…

Por vergonha não lhe disse
O que cá dentro sentia
E procurei-lhe ocultar
A minha grande perrice
E um sorrisinho alvar
Que me ficou a matar!

Mas a ti leitor amigo,
Se me prometes segredo,
Vou te abrir o coração
E tu vais chamar um figo
À bela da explicação,
Do silêncio do Zezão.

Se na semana passada,
Nada escrevi para o jornal
Foi por ‘star constantemente
À espera da consoada
Do meu leitor, que afinal
Deu em droga, deu em nada…

Ao ouvir bater à porta,
P’ra lá deitava a correr,
Mas, por mal dos meus pecados,
Ficava co’a cara torta,
Pois sempre via aparecer
Alguns credores irritados.

Sempre à espera – que arrelia,
Sem noutra cousa pensar,
Desde manhã, muito cedo,
Tè à noute, todo o dia…
E ficar sempre a chuchar…
Ficar a chuchar no dedo!...

Desespero torturante,
Co’a alma assim tão atada,
Como podia eu ‘screver?
Nem no Inferno de Dante
Se vê lá explicada
Pena, assim, um tal sofrer!

No meio disto, porém,
Sempre um conforto encontrei
P’ra as minhas penas dobradas,
Pois além de beber bem
E com gana me atirei
Às belas das rabanadas!

E aos mechidos e às filhós
E ao polvo e à batatada
E das trouchas tão tenrinhas…
Ai filhós! Aqui para nós,
Fiquei com a barriga inchada
E na cabeça… uns grilinhos…

É que a nossa pena e mágoa
Nunca se afogam com… água!
Zezão

UMA SUGESTÃO CONTRA O STRESS – HOTEL MONTE PRADO

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A Revista Sábado, de 8 de Abril de 2009, apresenta 52 destinos fins-de-semana, correspondendo a outros tantos Hotéis com SPA.

Um dos hotéis referidos na revista é o Hotel Monte Prado situado em Melgaço sobre o Rio Minho, numa das Portas do Parquehotel da Peneda Gerês.

Possui 43 quartos, 7 suites, sala multiusus, piscina coberta com Jacuzzi, ginásio, piscina exterior e SPA. A região é conhecida pelo Vinho Alvarinho e pela sua riqueza gastronómica. Tudo isto estão bem representados no restaurante do Hotel «Foral de Melgaço».

domingo, 3 de maio de 2009

Para Ti Mãe, com eterna saudade

AMOR DE MÃE

034Não há amor mais intenso,
Que o puro amor maternal,
Amor assim é de crer,
Terrena origem não ter,
Mas sim a celestial.

Oh que quadros tão sublimes,
Que cores, que tintas, que enleio,
Quando o filhinho querido,
O conserva adormecido
E encostado contra o seio.

Ela embala nos seus braços,
O fruto do seu amor.
Canta trovas amorosas,
Beija-lhe as faces mimosas,
Diz-lhe com sôfrego ardor:

«Ó filho da minha alma,
Enlêvo do coração,
Se te chegara a perder,
Não mais queria viver,
Morreria de paixão».

sexta-feira, 1 de maio de 2009

JANTAR ROMANO

No âmbito da semana da mobilidade, a EB 2/3 Frei Caetano Brandão organizou com sucesso, no dia 30 de Abril, um Jantar Romano. Este «cena» teve lugar no Museu D. Diogo de Sousa e recebeu uma adesão muito grande de toda a comunidade educativa. O menu dividia-se em três partes. Do gustatio faziam parte o garum de atum, ovos de codorniz, queijo com ervas aromáticas, nozes, avelãs, mel e azeitonas. Do Fercula constavam legumes salteados, boletus, mexilhão, lentilhas, feijão frade, grão, frango com tâmaras de Lúcio Aurélio e cómodo. Da Mensae Secundae as maçãs, uvas e tigelada de Apício. Tudo acompanhado com sangria, água e pão.

 


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quinta-feira, 30 de abril de 2009

JOGOS SEM FRONTEIRAS

A EB 2/3 Frei Caetano Brandão realizou no Campo da Vinha, em frente à Câmara Municipal de Braga, no dia 29 de Abril, pelas 21 horas, os primeiros «Jogos sem Fronteiras».
Esta actividade foi organizada pelo Projecto Comenius da escola e obteve a colaboração de várias entidades: Synergia, Câmara Municipal de Braga, Regimento de Cavalaria n.º 6 e Associação de Pais.
Neste projecto estiveram envolvidos muitos alunos e professores de vários países europeus.



JOGOS SEM FRONTEIRAS

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Política em Verso (17) - Zezão - 20-12-1923.

Por ter sido agraciado
«benemérito da Pátria»
Um sargento, o Gilman,
Vem daí todo escamado
O órgão da talassada
O «Correio da Manhã».

E lá desfia o rosário
Dos crimes que, na outubrada,
O figurão cometeu,
P’ra tirar o corolário:
- Agraciar tal patife
É crime que brada ao céu!...

E tem razão, sim, senhor,
O jornal supracitado
P’ra deixar explodir
A indignação e o horror!
Porque, aqui para nós, baixinho,
O caso não é de rir…

Na arenga, porém, que bota,
Há uma frase sibilina
E que não sei decifrar,
De que logo tomei nota
E em que, de dia e de noute,
Tenho andado a magicar…

Quando ele viu no chão
O saudoso coronel
Botelho de Vasconcelos,
O tal sargento Gilman
Proferiu certas palavras
D’arripiar os cabelos…

Com a pistola aperrada,
Fazendo o tiro partir,
Sem demonstrações de medo,
Gritou com voz alterada:
- «Até que, enfim, sempre pude
Fazer o gosto ao meu dedo».
Franquezinha, franquezinha,
O que ele dizer queria
Por sabê-lo inda estou eu…
Puxa tu, leitor, pela pinha…
Que gosto deu ele ao dedo?
Onde foi que ele o meteu?

Eu já vi um maçaneta
Por sinal espigadote,
Às escondidas e a medo,
Come quem toca corneta,
Matar saudades da chucha,
Metendo na boca o dedo…

E dizia que era o gosto
Maior que ele experimentava
Desde que a mãe lhe morreu!
Mas, também, agora, aposto
Em como não foi na boca
Que o tal sargento o meteu!

É que, desde o claro dia
Em que a República entrou
No nosso pobre país
É tal a patifaria,
Que é tudo sempre ao contrário
O que se faz e se diz!

Não foi, portanto, na boca
Que gosto deu ao seu dedo
O sargento vil e cru…
Mas a mim é que não toca
Dizer onde ele o meteu…
Anda leitor! Dize tu…

Leitor, não dês trato à bola!
… Foi no … cano da pistola!...

domingo, 26 de abril de 2009

GOSTAR DE TIBÃES

Todo o aglomerado populacional tem a sua história. Qualquer organização territorial, por mais pequena que seja, não existe sem os seus fundamentos históricos.

Como os indivíduos e as famílias, também as aldeias (freguesias, paróquias) carregam um passado (pormenores cheios de significado) que cada habitante conserva como recordação.

A partir dos farrapos da memória podemos construir narrativas, histórias, mitos que alimentam a imaginação e a cultura daqueles que nasceram à sombra do mosteiro.

São estes fios condutores de ténues realidades que nós usamos para fazer do tempo e da vida uma linha de continuidade e gostar do território onde nascemos.

De onde nasceram tantas «sodades»? (como dizem os habitantes do arquipélago das mornas). Acabo de revisitar (já não consigo contar as vezes) com o meu amigo Quelha, o Mosteiro de Tibães. Cada vez se impõe mais pela sua beleza, à medida que terminam os restauros.

VISITA DO BISPO A TIBÃES

No final do mês de Maio, a freguesia de Mire de Tibães receberá a visita do seu Bispo.

Na dinâmica da preparação dessa visita pastoral, a freguesia organizou três encontros a que deu o nome de «Conversas Paroquiais».

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quinta-feira, 23 de abril de 2009

TIBÃES – MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758

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GOLFE DE TIBÃES

Diário da República, 2.ª série — N.º 61 — 27 de Março de 2008

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domingo, 19 de abril de 2009

POLÍTICA EM VERSO (16) - Zezão - 06-12-1923.

António Ginestal Machado (1874-1940) foi um advogado, professor liceal e político português. Entre outras funções, foi deputado, Ministro da Instrução Pública e Presidente do Conselho de Ministros (primeiro-ministro).

Na acção parlamentar foi considerado por aliados e adversários um homem de postura requintada e de grande elegância na palavra e na acção, o que lhe granjeou uma respeito e celebridade no mundo político português do seu tempo.

A 23 de Maio de 1921 assumiu as funções de Ministro da Instrução Pública.

A 15 de Novembro de 1923 foi escolhido para formar governo, assumindo as funções de Presidente do Conselho de Ministros (hoje Primeiro-Ministro. Era um governo minoritário, que se manteria no poder por 33 dias, até 17 de Dezembro daquele ano).

Prevenindo o Sr. Ginestal Machado duma possível revolução grita-lhe da «República»

O Sr. Mesquita de Carvalho - «abra os olhos, Snr. Ginestal Machado! Tenha os olhos bem abertos».

Diante de uma visão, do espantalho,
Duma revolução piramidal,
No seu jornal, Mesquita de Carvalho
Previne o Presidente Ginestal.

Fá-lo, porém, em termos descabidos,
Mesmo até, a meu ver, inconvenientes…
Não são os consagrados, já sabidos,
E nem primam por falta de prudentes.

Como se exprime, então, o Sôr Mesquita
No decantado aviso ao maioral
Do governo que vai puxando a guita,
A que o país ‘stá preso por seu mal?

- «Abra os olhos! Os olhos bem abertos
Tenha-os sempre, aliás, pode bem ser
Que os revolucionários mais espertos
O engolem, lhe dêem que fazer!...»

- «Abra os olhos! Que tosca d’expressão!
Como é que saiu duma caneta,
Que tem sido elogiada, e com razão,
Pela sua correcção e… pela treta?

Quando alguém é astuto e previdente
E vê longe onde os outros não distinguem,
- «Tem faro de polícia!» diz a gente…
- «De polícia tem olho», assim se exprimem.

Não devia, portanto, Sôr Mesquita
O plural, no aviso, empregar,
Que a frase lhe sairia mais catita,
Se ele antes adoptasse o singular…

Mas, p’ra que disso dúvida não fique
E da verdade se convença o meu leitor,
Queira experimentar!... Não é mais chic?
Não tem mais força e não soa melhor?
Zezão.

sábado, 18 de abril de 2009

TIBÃES ACOLHE MISSIONÁRIAS DONUM DEI

Chegam, hoje, a Braga três missionárias da ordem terceira carmelita para gerirem uma hospedaria e um restaurante no Mosteiro de Tibães.

Brevemente chegarão mais duas carmelitas para darem vida à outrora casa-mãe da Ordem Beneditina em Portugal.

Este novo espaço hoteleiro, construído pela empresa Empreiteiros Casais, é constituído por nove quartos e m restaurante que deverão abrir portas em 11 de Julho, dia de S. Bento.

Até lá as religiosas terão de adaptar-se ao nosso ambiente, língua, cultura, costumes e tradições gastronómicas da região.

Sejam Bem-Vindas.

terça-feira, 14 de abril de 2009

PRAIA DE AREIA DOURADA

Habitualmente costumo viajar na época de Páscoa. O espírito pede, o bolso acede. É a recompensa ideal para o bem-estar do corpo e da alma.

Pela terceira vez aterrei na Madeira e retomei a viagem numa aeronave que, após quinze minutos de voo, nos plantou no porto de destino.

Várias marcas e imagens valorizam a beleza natural da ilha: a temperatura amena; os Picos, autênticas relíquias da natureza; as tonalidades singulares; os filões de basalto; a forma da lava; os trilhos pedonais; os ilhéus que a contornam; o vento incomodativo; a cantaria típica e o solo barrento.

Fica a promessa de um dia regressar, mas, agora, no verão, pois as memórias nunca se apagam enquanto o odor e o sabor a mar permanecerem bem vivos nos sentidos.

Que ilha, com uma população residente de 5.000 habitantes, estaremos a descrever?

PÉROLA DO ATLÂNTICO

quinta-feira, 2 de abril de 2009

POLÍTICA EM VERSO (15) - Zezão - 29-11-1923.

Desgraçado do velhinho
Que ninguém dele tem dó!
Ninguém lhe dá o cavaquinho!
Coitado! Deixam-no só!

Se fala no parlamento,
É como a voz no deserto…
Infligem-lhe esse tormento,
Ninguém o ouve! Isto é certo!

E se lhe escutam, acaso,
Da eloquência o torresmo,
É só para o porem raso,
Com insultos mil, a esmo…

Outro dia, se o toutiço,
Do ouvido não me enferma,
Alguém lhe disse «ora isso!
Cala a boca, seu palerma!»

Deixa-se o triste cair
No sofá desanimado…
E todos se põem a rir
Dum dito tão desalmado!

Não perde, porém, o alento!
D’ousadia num requinte,
A falar, no parlamento,
Volta no dia seguinte.

Leva um discurso estudado
Contra o Cunha Desleal
Onde há o tropo inflamado,
Que declama menos mal.

Mas, oh céus! O Senhor Cunha
Nem importância lhe dá!
E os outros gritam: «Á unha!
Salta velhinho p’ra cá!»

A todos numa berrata
Num clamor que sempre engrossa:
- Vai, já, já, meu patarata
Prantar couves p’ra Caroça!

- Abandonado de todos,
Ai! Que sorte Deus me deu!
Fartos desgostos a rodos…
É um inferno o viver meu!...

Como a Ofélia, contristada
E cheia de desalento,
Vou-me passar à privada
No mais escuro convento…

E, quando alguém se lembrar
Do que fui, do que sou eu,
Há-de dizer, a chorar;
- Pobre Velhino! Morreu!...

Tem razão, o infeliz!
Tudo lhe salta na pele
E tudo dele mal diz…
Como eu tenho pena dele!!!

Mas chorar?...É-me vedado
Aceder ao seu desejo!
Eu não fui contemplado!
Se o fosse… isso era queijo!
Zezão

quarta-feira, 1 de abril de 2009

CAMILO CASTELO BRANCO E FREI CAETANO BRANDÃO

Camilo Castelo Branco, a propósito de certos cavalheiros que tentam negar as suas origens, nomeadamente, os que passaram peCASA DE FRCBlos seminários, relata: «Pasmado das proezas destes homens, olhou para si, e achou-se miserável nos seus amores sertanejos a uma obscura filha de boticário. Não tinha façanha que contar quando lhe pediam casos da sua vida; via-se forçado a inventá-los para não ser ridículo, nem dar suspeitas que passara do Seminário de D. Fr. Caetano Brandão (Colégio de S. Caetano) para o Parlamento. Relatava então raptos e adultérios, pondo os maridos nas cenas grotescas das tragédias e caricaturando as desgraças para não desafinar do tom dos seus amigos».

Mas a admiração de Camilo Castelo Branco pelo insigne arcebispo bracarense Frei Caetano Brandão vai mais longe, a ponto de nomeá-lo como «O mais glorioso vulto das cristandades lusitanas».

domingo, 29 de março de 2009

ARQUITECTO DO BOM JESUS DO MONTE E DA PONTE DAS BARCAS

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Ao comemorarmos, em 29 de Março de 2009, duzentos anos do desastre da Ponte das Barcas, na Ribeira do Porto, por ocasião da segunda invasão francesa, onde a população desta cidade viveu momentos de verdadeira tragédia, ocorre-nos recordar o projectista bracarense da referida ponte.

O Arquitecto Carlos Amarante, natural de Braga, além de projectar o actual templo do Bom Jesus do Monte foi o autor da Ponte das Barcas, inaugurada em 15 de Agosto de 1806, constituindo-se como a primeira travessia a unir as duas margens do Rio Douro.

Esta ponte era constituída por 20 barcaças unidas por cabos de aço, ligadas entre si por uma plataforma de pranchas. Podia abrir ao meio para permitir o tráfego fluvial.

sábado, 28 de março de 2009

SOCIMORCASAL INAUGURA NOVAS INSTALAÇÕES


A SOCIMORCASAL, empresa com raízes na freguesia de Mire de Tibães, inaugura, hoje, as novas instalações na Rua 5 de Outubro, n.ºs 502 a 510, 4700-260, Frossos, Braga.
Com 30 anos de actividade, transformou-se, em poucos anos, numa das maiores empresas de prestações de serviços, do ramo da construção civil, da região e do país.
Orgulha-se por merecer a confiança e de colaborar com as maiores empresas de construção civil portuguesas, tendo, igualmente, conquistado uma posição de referência junto dos consumidores individuais.

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A Socimorcasal cresceu simultaneamente para áreas de negócio adjacentes, integrando um leque alargado de soluções das quais se destacam Socimor Pavimentos, Socimor Carpintarias, Socimor Pisos Radiantes, Socimor Painéis Solares, Socimor Materiais de Construção, Socimor Bricolage, Socimor Jardim.
A SOCIMORCASAL é uma empresa que presta serviços de excelência e desenvolve soluções inovadoras. Procura estimular relações de confiança e duradouras com clientes e parceiros. A qualidade dos serviços prestados está sempre em primeiro lugar.
Esta empresa bracarense possui sucursais no Porto, Lisboa e Algarve.




POLÍTICA EM VERSO (14) - Zezão - 25-11-1923.

Por causa do novo aumento
Da bela da circulação
Em notas do dinheirinho,
Tudo anda em movimento,
Em tremenda exaltação,
Contra o velhinho!

É que ninguém abre o bico
P’ra soltar duas piadas,
Ou na cidade ou na aldeia,
Que não pinte o mafarrico,
Em frases indignadas,
Contra o Correia!

Té mesmo no parlamento
Onde não há quem não meta
O nariz e o focinho,
Por causa do tal aumento,
‘stá todo o bicho careta
Contra o velhinho!

Vem o Carvalho e o desanca
Vem o Cunha e o aperta
E o amigo Silva o enleia…
Até o procópio o arranca
Do fundo este brado «alerta»!
Contra o Correia!

Ora bolas! Por favor;
Não façam tanto barulho!
Põem o homem tolinho
Ou o fazem morrer de dor!
Não peguem mais no estadulho,
Contra o velhinho!

Cá por mim, não vou na fita!
Salvo o devido respeito,
Não levem a mal que eu creia
E aqui o diga e repita:
Que tudo isto é fingido
Contra o Correia!

Pois tenho a convicção
Que ele a isto fim poria
Se das notas um massinho
Lhes fosse meter na mão…
Então tudo gritaria:
Viva o velhinho!
Zezão

segunda-feira, 23 de março de 2009

II CENTENÁRIO DA SEGUNDA INVASÃO FRANCESA

Não podíamos deixar passar este dia sem uma alusão ao segundo centenário da segunda invasão francesa.invasões francesas
Braga comemora este dia com uma mostra "Operações militares no Norte de Portugal durante as Invasões Francesas, conhecimento geográfico e defesa"; inauguração de uma lápide evocativa e um colóquio sobre esta temática.
Nestes dias de Março, de há 200 anos, os acontecimentos sucederam-se vertiginosamente: no dia 17, O general Bernardim Freire de Andrade foi massacrado perto de Braga, por populares que o acusavam de traição, trágico incidente provocado pelo falso rumor que se espalhou de que a vítima, que era um brilhante militar, estaria secretamente ao serviço dos franceses, nos dias 18 e 20 de Março, o corpo de exército de Soult vence as forças portuguesas que defendiam Braga em Carvalho d'Este.
Juntamos uma petição, em que se pede ao Comandante Ordenanças de Braga, Boaventura José da Cota, um atestado, em como os alunos e professores do Colégio de S. Caetano, trabalharam numa fábrica de fazer cartuxame e mosquetaria para a resistência aos franceses.

POLÍTICA EM VERSO (13) - Zezão - 18-11-1923.

Meio mundo, impaciente,
Há muito, pergunta em vão,
Quando se encontra co’a gente:
- Quando sai a revolução?

E a gente que anda às aranhas,
Mas que sabe, quer mostrar,
Responde, com artimanhas:
- Está aqui… está a rebentar…

E o meio mundo, contente,
Vai contá-lo ao outro meio,
Que o vem contar à gente
Com ares de certo receio…

Mas passam-se meses, dias,
Passa-se um ano até,
E quero que tu te rias!
Diz-nos incrédulo o Zé…

P’ra acabar co’esta encrenca,
Mandei ao meu secretário
Que fosse meter a penca
No meio… revolucionário.

Da missão no desempenho
Com pouca sorte ele andou
E, por isso, estampar venho
A nota que me enviou:

-«Obedecendo ao mandado
De você, Senhor Zezão,
Fui procurar apressado
O chefe da revolução».

- Seu Procópio Radical,
Diga-me lá, co’a maleita,
Se a cousa não corre mal,
Se a cousa sempre se ajeita!

- Não sei o que quer dizer
Na sua pergunta audaz!
Se quer que o possa entender
Fale claro, meu rapaz!

- Pois ponho os pontos nos is,
… A cousa… é a revolução!...
- ‘steve a sair por um triz,
Hoje mesmo, esta minhão!

Porém julguei mais prudente,
Eu que sou o chefe d’ela,
Adiá-la mais p’ra frente,
Por causa de certa aquela…

Mas juro, não esteja a rir!
Embora a demora enfade,
A cousa que há-de sair
Quando eu… tiver vontade…

Que tal ‘sta o da rabeca?
Ao ler isto, estive em risco
De apresentar ao careca
As armas de… S. Francisco!
Zezão

quarta-feira, 18 de março de 2009

VASCO DA COSTA MOREIRA (1950-2009)

VascoConheço o Mestre em Educação, Vasco da Costa Moreira, desde os meus 11 anos. A partir daí, raro foi o ano em que não tivemos oportunidade de conviver. Mas subitamente saiu do nosso meio. Ficamos privados do Homem Justo, Humanista e Bom Educador.

No nosso círculo era conhecido pelo «cronista mor», dada a excelência da sua escrita.

Já não me refiro ao seu notável percurso profissional, como professor da Escola Secundária

D. Sancho I, em Famalicão, como formador e escritor. Hoje, dia 18 de Março, juntamente com um mar de amigos, acompanhei-o até à sua última morada em S. Paio de Antas.

segunda-feira, 16 de março de 2009

POLÍTICA EM VERSO (12) - Zezão - 15-11-1923.

As últimas notícias dizem que, se o Sr. Catanho Menezes conseguir formar ministério, nele tomarão parte os seguintes snrs: Catanho de Menezes, Joaquim Ribeiro, Afonso Cerqueira, Ferrão Mendes e Rego Chaves (dos Jornais).

Se o Menezes das Castanhas
Levar a missão ao fim,
Com as costumadas manhas,
Que falham, contudo, às vezes,
Razão é, penso p’ra mim,
De a Republica se saudar
Por de certo ir remoçar
Co’as Castanhas do Menezes.

No ministério apontado,
Caso ele vá a galheiro,
Eu vejo realizado,
Duma maneira formal,
O nobre, o fim altaneiro,
Que tanto almeja a nação
- A feliz resolução
Do problema nacional.

Porque, leitores, a verdade
É que dos homens citados,
Por força concluir-se há-de,
Com todo o rigor da lógica,
Pelos seus significados,
Que para a nação salvar
Tudo se pode encontrar
Na gentinha demagógica.

- Agoniza a agricultura
Por haver muitos terrenos
Incapazes de cultura
Durante o ano inteiro
E sem poder ser por menos
Por falta da regasinha?
Pois água com farturinha
Pode lha dar o… Ribeiro.

- Não se faz em Portugal
A justiça desejada
Para castigo do mal,
Quer seja a Pedro ou a Sanches?
Pois isso é contada fava!
Para a justiça fazer
Respeitada e a valer,
Basta o Ferrão do Abranches…

-‘sta a Marinha num fio
E é preciso aumentá-la.
Pois a que temos, num rio,
Inda que, pequeno e esconso,
Possível é encerrá-la?
Não faltam materiais
P’ra aumentá-la muito mais
Na… Cerqueira do Afonso.

- Mas o preciso dinheiro
P’ra o orçamento equilibrar,
Não ficará no tinteiro?
- Mau caro leitor, não sabes
Que o há-de canalizar
Do tesouro p’ra o aconchego
O Sr. Chaves do Rego
Ou o seu Rego do Chaves?...

Não há, portanto, razão
P’ra gente desanimar!
‘sta salva a lusa nação!
Por ela, leitor, não rezes!
‘sta bem longe d’expirar!
E salva pelos democratas,
Como do Afonso as batatas
E as Castanhas do Menezes!

As batatas do Afonso?!
Ai! Filho, não digas mais!
Não faças de mim Alonso!
- Pois é verdade, leitor!
São aquelas, são as tais
Com que, terça, no Rossio,
Brindá-lo, com garbo e brio,
Quiseram os radicais…

Zezão

terça-feira, 10 de março de 2009

ANTÓNIO CÂNDIDO, EX-ALUNO DO COLÉGIO DE S. CAETANO

 

António Cândido Ribeiro da Costa, nasceu em Candomil, concelho de Amarante, a 30 de Março de 1852, foi Doutor em Direito pela Universidade de Coimbra e lente catedrátpd_antcandidoico da mesma faculdade, deputado, par do reino, conselheiro de Estado, ministro de Estado, procurador geral da coroa, sócio efectivo da Academia Real das Ciências e Ministro da Instrução Pública. Mas o nosso realce vai para a sua qualidade de antigo aluno do Colégio de S. Caetano.

Um dia, ao recordar a sua entrada nesta instituição, ele definia a felicidade como o sonho da adolescência realizado mais tarde na vida adulta: «N’um dos melhores dias da minha vida, sim. Reconheço-a agora mais uma vez, comparando o dia de hoje com outro da minha remota infância, em que saí daqui para iniciar em Braga os meus estudos».

segunda-feira, 9 de março de 2009

APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA

No Jornal Espanhol ABC, de 8 de Março de 2009, lemos que o navegador Cristóvão Colombo se chamava, afinal, Pedro Scotto, segundo o historiador espanhol Alfonso Enseñat de Villalonga.

A maioria dos especialistas acredita que Colombo (1451-1506), teria descoberto a América em 1492, era filho de um tecelão genovês enquanto que outros dizem que eracolombo português, catalão, galego ou corso.

Mas, como as novidades aparecem todos os dias, agora surge o trabalho de Enseñat, que o dá como filho de um comerciante e foi baptizado como Pedro e nasceu em Génova .

Por estas razões, também posso divulgar que, segundo a tradição, Cristóvão Colombo terá residido na Casa do Esmeraldo, na Ilha da Madeira. Julga-se ter vindo para o nosso país por volta de 1470 e sabe-se que decorrido algum tempo terá casado com Filipa Moniz, filha do primeiro donatário da Ilha de Porto Santo, Bartolomeu Perestrelo. Dominado pela febre dos descobrimentos terá feito algumas viagens às costas africanas. Talvez tenha visitado os Açores e a Madeira.

Sinth do Templo do Bom Jesus do Monte

quarta-feira, 4 de março de 2009

SINTH DO MOSTEIRO DE TIBÃES

domingo, 1 de março de 2009

BRAGA E FREI CAETANO BRANDÃO – UMA RELAÇÃO SEMPRE EM BRASA

As relações nem sempre foram as melhores. Os interesses das diferentes classes eram absolutamente divergentes, pelo que os Beneficiados pela sorte não lhe tornaram a vida fácil.
Numa carta dirigida ao Tribunal da Relação, datada de 22 de Novembro de 1789, Frei Caetano refere-se a Braga nestes termos: «Bem sabe Elle quanto he a minha insuficiencia para suster o pezo e manejar as rodas de hua maquina tão complicada e que incomparavelmente mais que o condutor do povo hebreu, eu tinha necessidade de hum congresso de homens sizudos e illustrados que unidos comigo em hum mesmo espirito contribuissem a facilitar-me o desempenho deste critico ministerio. Não duvidem Vossas merces que se a gloria de Braga dependesse somente de meus desejos e das minhas intençoens, nada seria mais bem fundado que a lisonjeira esperança que todos se prometem na presente translação, mas em fim são desejos descarnados de eficacia e por isso talves athe agora infrutiferos» (Inácio J. Peixoto, Memórias, Manuscrito do ADB-UM).
As quezílias entre Frei Caetano e a mitra (corpo capitular) renasceram, pois estes não perdoam a perda dos seus príncipes, a falta do perfume da corte e a extinção do senhorio. A mitra não se resignava com a perda do poder temporal dos prelados, nem com a pobreza evangélica e o afã catequético imprimidos pelo arcebispo: «este prelado veio despertar Braga do letargo em que jazia (...) (pois) não sabia muito que cousa era um pastor verdadeiramente bispo. Conhecia príncipes na verdade magníficos e benignos que queriam o bem, mas não se resolviam a segui-lo» ( Inácio J. Peixoto, Memórias, Manuscrito do ADB, cf. Memórias particulares de Inácio José Peixoto, Coord. de Viriato José Capela, Braga, ADB, 1992, p.115).
Frei Caetano chegou a preferir a cela monacal ao Paço de Braga. Por isso desfiou, muitas vezes, o rosário do seu inferno privado, não obstante a sua acção como reformador social ecoar junto às portas do paraíso.
Comparou o seu múnus pastoral em Braga com o Pará, deixando transpirar algumas dificuldades: «Eu que me queixava do Pará, mas em comparação de Braga fica a perder de vista, é a cabeça a andar sempre em urgir de negócios, vendo como há-de dar providência a todos, porque todos a reclamam à porfia»…
A cidade (Braga), sempre de ferro em brasa, era uma máquina complicadíssima, que nem andava, nem deixava andar, como rodas sempre a desconjuntar-se. Vai compor-se uma roda, desanda outra: é estar sempre em contínua fadiga e sobretudo como quem tem o garrote na garganta.

Política em Verso (11) - Zezão - 08-11-1923.

No correio da Manhã,
Um dos jornais lisboetas,
Em letras mui miudinhas
Vem umas noticiasinhas
Que, às vezes, p´ra mim eu julgo
Seriam bem metidinhas
No calhamaço das petas.

Imaginem os leitores
Que nele acabo de ler,
Nos tais caracteres usados,
E com olhos duplicados
Esta notícia d’arromba
Que, por mal dos meus pecados,
Vos sou forçado a dizer:

O Bernardino, pedreiro,
(onde mora, não aumenta)
Na polícia se queixou,
Num dia que já passou,
De que lhe tinha roubado
Alguém que não nomeou
A querida ferramenta.

Quem será Bernardino?
Se a minha mente não erra,
Creio já tê-lo matado…
Não será ele o Machado?
Deve ser! Embora haja,
Segundo afirma o ditado
Muitas Marias na terra…

O facto de ser pedreiro
Em ninguém confusão mete
Pois, sendo ele mação,
Pedreiro livre é, e, então,
Não espanta lhe roubasse
Qualquer esperto ladrão
O compasso e o malhête…

Por isso motivos tem
De ver a alma em tormenta
E o coração machucado.
Pois vê-se impossibilitado
De trabalhar – coitadinho!-
O Bernardino Machado,
Por falta de ferramenta…

Até, leitores, me parece
Que ele assim se não aguenta
Co’o testo no seu lugar;
Que, enquanto a não encontrar,
Noite e dia, o bom do homem,
Não deixará de berrar:
Que é da minha ferramenta?

E, daí, talvez quem sabe
É esta a opinião minha,
Se ela seria roubada?
Não ficaria arrumada
Como já tem sucedido,
E no avental embrulhada,
Na loja da … Viuvinha?
Zezão

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

D. FREITAS HONORATO IMITADOR DE FREI CAETANO BRANDÃO

O Arcebispo de Braga D. António José de Freitas Honorato, investido na cátedra bracarense em 1883 e sucessor de D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa, faleceu em 28 de Dezembro de 1898.
Registamos a sua intenção manifestada em testamento. O finado arcebispo solicitou que o sepultassem na Capela da Sr.ª da Piedade, nos claustros da Sé Catedral de Braga, onde jazem os arcebispos D. Frei Caetano Brandão e D. Diogo de Sousa.
Lemos na Gazeta das Aldeias de 1 de Janeiro de 1899 e 8 do mesmo mês, que houve problemas porque à vontade do extinto se opunham disposições legais pelo que teve de ser o governo a intervir. Acabou por prevalecer a vontade do arcebispo.

Política em Verso (10) - Zezão - 01-11-1923

Quem é o «Correia?». Foi o Ministro das Finanças a partir de 13 de Agosto de 1923. Chamava-se Francisco Gonçalves Velhinho Correia e pouco tempo lá esteve pois foi substituido por Vitorino Guimarães nas finanças em 24 de Outubro de 1923. Sendo assim certas palavras e expressões ganham outro sentido: velhinho, inflação, largar a correia, notas, dinheirinho.

Por ‘star tudo consternado
Co’o enterro do velhinho
Não vão Foguetes nem bichas,
Vai o Fado Choradinho.

Triste sorte a do velhinho
Um mau fado o perseguiu…
Quis largar a Correia
E a Correia… partiu!

Por causa da inflação
Das notas, do dinheirinho,
Deu com as ventas no chão,
Triste sorte a do velhinho!

Foi por qu’rer encher as burras
Dos amigos, que caiu.
Toda a gente lhe deu turras,
Um mau fado o perseguiu.

Tendo uma boa moela,
Não via a barriga cheia,
Para dar-lhe uma fartadela,
Quis alargar a … Correia.

Mas a pança tanto inchou,
Tão aflita se viu
Que o velhinho arrebentou
E a … Correia partiu.

Chorai, fadistas, chorai!
Seja o pranto maré cheia
E um Padre Nosso rezai
Pelo Velhinho Correia.

Morreu o nosso velhinho
Sem ter de dar um ai
Sofreu tanto coitadinho!
Chorai, fadistas, Chorai!

Por bem fazer, mal haver!
Deram-lhe tanta tareia…
Quem não se há-de enternecer?
Seja o pranto maré cheia!

Sobre a lousa funerária
Goivos, saudades ‘sfolhai,
Ponde os joelhos em terra
E um Padre Nosso Rezai.

Não ouvis o som plangente
Dos sinos, em légua e meia,
Soluçam em tom dolente,
Pelo Velhinho Correia!

Coradas, novas coradas,
P’ra o fastio é bom a urtiga!
Lhe meteram faca em costa,
E a bengala em barriga.
Zezão

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

DE PÉ, NUNCA DE CÓCORAS

Vem este título a propósito do tempo que passamos em reuniões. Estamos geralmente sentados, porém raramente dialogamos e partilhamos o que descobrimos, com o que concordamos ou não, e que poderá servir aos outros.
Será que falta aquilo a que hoje se costuma apelidar de "cultura de escola": uma escola reflexiva e solidária, onde os professores se sentam, às vezes, com outros parceiros educativos, para tentar encontrar uma luz ao fundo do túnel que muitos insistem não existir.
Estou convencido que a educação escolar desempenha um papel de sociabilização, contribuindo para a interiorização pelo indivíduo dos valores da sociedade. Neste sentido a escola constitui uma instituição de primeira linha na constituição de valores que indicam os rumos pelos quais a sociedade trilhará o seu futuro. A escola é, sem dúvida, uma instituição cultural que reflecte as ideologias impressas no contexto social e político.
Que fazemos diariamente na escola, como responsáveis pela arte de educar?
- Promovemos mudanças desejáveis e estáveis nos indivíduos;
- Evidenciamos na sala de aula, apenas, uma transmissão de saberes ou através destes trocamos conhecimentos e construímos o nosso próprio saber;
- Favorecemos o desenvolvimento integral do Homem e da Sociedade;
- Aprofundamos a compreensão sobre a forma como a cultura da escola (conjunto de valores e significados partilhados) influencia os processos de envolvimento e participação das famílias na vida escolar, através de um diálogo permanente, aberto e construtivo;
-Traduzimos a abertura da escola ao meio numa lógica cívica ou como uma mera possibilidade de captação de recursos.
Tendo em conta as nossas convicções, julgo que a escola onde trabalho tem dado passos largos na construção de uma «escola cultural», ressaltam, mesmo, linhas mestras que, ao longo de 26 anos de existência, configuram a existência de uma «cultura de escola».
De pé, frente a uma turma difícil, propunha numa das últimas aulas de Formação Cívica, a abordagem do conteúdo da letra de uma canção do álbum «cabeças no ar», intitulada «O Jardim da Mocidade», interpretada por Rui Veloso, Tim, João Gil e Jorge Palma. Neste poema de Carlos Tê, pode ler-se: «É preciso tratar bem, do jardim da mocidade, o mal que se lá deixar, noutra flor há-de medrar (…). Jardineiro olha para o mundo (…), é preciso até ter sorte, com a terra onde se nasce».
De pé, ao fundo da sala, enquanto entoávamos a canção lembrava-me das sábias palavras de António Sérgio «A escola não é um torno, o professor não é um oleiro e os alunos não são barro inerte (…). A faina do professor assemelha-se à do jardineiro que não obriga a rosa a ser glicínia ou buganvília antes cuida do ambiente dela para que ela possa florir» (Ensaios VII, Paideia).
Artigo publicado na Revista Andarilho, n.º 31, Fevereiro de 2009.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O ZEZÃO NO SEU TEMPO

Os escritos políticos, assinados por Zezão, entre 1923 e 1924, no Jornal O Dumiense, enquadram-se num período politicamente agitado. Os governos sucediam-se, não dando tempo a que as medidas sugeridas fossem aplicadas.
Entre 1910 e 1925, o país assistiu à tomada de posse de 45 governos e 8 presidentes da República. Estes números demonstram bem a instabilidade governativa de então.
Este ambiente tornou-se favorável à intervenção do exército que, em 28 de Maio de 1926, através do General Gomes da Costa, acabou com a primeira República e instaurou a ditadura militar. Os militares conservadores partiram de Braga, passaram pelo Porto e avançaram sobre Lisboa. Dissolveram o parlamento, suspenderam a constituição e entregaram a chefia do governo a um militar.

Política em Verso (9) - Zezão - 11-10-1923

Acabo de ler agora,
Num dos jornais da invicta,
Uma notícia catita
Mas que inspira dor e mágoa,
Das tais de molde e de jeito
A pôr-nos o testo em água!

Na Lisboa marmória e bela,
Os presos do limoeiro
Pensam levar a galheiro,
E querem que a sério os tome
Todo o mundo, uma parede,
Chamada greve de fome.

Valha-nos Nossa Senhora!
Neste mundo sublunar,
Por onde se anda a penar
A sorte mofina e dura,
Existem certos meninos
Que tem cada lembradura!...

Que se lembrassem da greve
Com a sua objectiva
De, na cama paparriba,
Soecar como uma catita…,
Ai, filhos! Não digo nada,
Era uma ideia bonita!...

Mas ir p´ra greve da fome,
Isto é, pôr em descanso,
Como um qualquer manipanso,
Os queixos que Deus nos deu,
É uma ideia dos diabos…
Nessa não caio eu!

E demais no Limoeiro
Onde há o limão a rodos,
Limão que faz fome a todos,
Afugentando o fastio…
Era de, passado algum tempo,
Pôr-nos o corpo… num fio!

Nada! Nada! Cebolório!
Se os tais presos a mania
Não perdem, passado um dia,
Hão-de sentir tal larica
Que depois engolem tudo
Nem té a marmita fica!

Deixem-se disso, senhores!
Comam-lhe bem, como dantes,
Mas não comidas picantes
Para não lhes suceder,
Por reservados motivos,
Andarem sempre… a correr…
Zezão

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A ESTÁTUA DE D. PEDRO V



Pelo meio-dia, de 31 de Julho de 1879, inaugurou-se, em Braga, a estátua levantada em honra de D. Pedro V.
Esta obra ficou a expensas do Barão da Gramosa e seu irmão o Cónego Costa Rebelo para o que deixaram um legado.
Levantado inicialmente no Campo de Santa Anna foi modelado pelo distinto escultor Teixeira Lopes.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

RAMALHO ORTIGÃO E FREI CAETANO BRANDÃO


José Duarte Ramalho Ortigão (na foto) foi escritor, jornalista, polemista, bibliotecário da Biblioteca da Ajuda e Oficial da Secretaria da Academia Real das Ciências.
Natural do Porto, frequentou o curso de Direito de Coimbra e foi professor no Colégio da Lapa, dirigido pelo pai, onde teve como aluno Eça de Queirós.
Envolve-se na «Questão Coimbrã», juntou-se aos jovens da geração de 70 e é autor das famosas «Farpas».
O insuspeito e anti-clerical Ramalho Ortigão numa carta dirigida a João do Amaral exprime-se assim em relação a Frei Caetano Brandão:
«A obra liberal de 1834 – convém nunca o perder de vista – foi inteiramente semelhante à obra republicana de 1910. Nos homens dessas duas invasões é idêntico o espírito de violência, de anarquismo e de extorsão. Dá-se todavia entre uns e outros uma considerável diferença de capacidade…
Tinham tido por mestres ou por companheiros de estudo homens tais como Anatónio Caetano de Sousa, o autor da História Genealógica; Barbosa Machado, o autor da Biblioteca Lusitana; Bluteau e os colaboradores do seu Vocabulário; Santa Rosa Viterbo, o autor do Elucidário; João Pedro Ribeiro, o admirável erudito iniciador dos altos estudos da nossa história e precursor de Herculano; António Caetano do Amaral, o infatigável investigador da História da Lusitânia; D. Frei Caetano Brandão, seguramente o mais elevado espírito e a mais formosa alma que deitou o século XVIII em Portugal; o padre Cenáculo, o mais prodigioso semeador de bibliotecas; o padre António Pereira de Figueiredo, o autor do famoso Método de Estudar; Félix de Avelar Brotero, o insigne naturalista; o polígrafo abade Correia da Serra, e outros que não menciono porque teria de reproduzir um copioso catálogo se quisesse dar mais completa ideia do que foi a cultura portuguesa nessa fase da nossa evolução literária.»

Política em Verso (8) - Zezão - 04-10-1923.

Anda tudo em sobressalto
Por causa dos ratoneiros
Que, à laia de cães rafeiros,
Assaltam os viandantes
E as casas dos cidadãos
A roubar os mealheiros
E as carnes dos fumeiros
E os pingues dos porrões.

E é tanto o seu descaro,
Sua audácia e impudor
Que, seja lá onde for,
Quer de noite, quer de dia,
Os figurões nem sequer
Sentem o menor horror
Em atentar contra o pudor
Da indefesa mulher.

E, o que é mais de estranhar
É o que dizem os jornais
Que autoridades locais
Não tomam as providências
Devidas, o que é urgente,
Dizendo uma das tais,
Entre muchas cosas mais:
- Nada quero com tal gente!

A resposta é das de arromba
De quem tem um fino tacto!
Entorna um carro de mato,
É um assombro de esperteza,
Causa pasmo à terra, ao céu!
Não a inventaria o rato
P´ra ver-se livre do gato!
É de tirar-lhe o chapéu!

Visto isto, que fazer?
O andar-se sempre armado
De escopeta e apetrechado
E o olho sempre alerta
E cá na mente este fito:
Logo que eu seja assaltado,
Por um qualquer desalmado
Largo-lhe logo um tirito…

Mas se um tiro não bastar
Para na ordem o meter
Que é que eu hei-de fazer?
Ora leitor, caro amigo,
Bem mostras que pouco vês!
Em lugar de só dar-lhe um,
Puxa o gatilho: Pum…Pum!
E larga-lhe duas ou três…
Mostra-lhe a ordem… a fugir!
Zezão

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O COLÉGIO DE S. CAETANO - A PRIMEIRA ESCOLA SALESIANA EM PORTUGAL

Em 31 de Janeiro de 1989 a família salesiana celebrou o primeiro centenário da morte de D. Bosco, sacerdote de Turim, beatificado em 1928 e canonizado em 1934. O Padre João Bosco funda a Sociedade de S. Francisco de Sales, ou simplesmente a Sociedade Salesiana, em 1859, sendo aprovada pela Santa Sé dez anos depois.
Os seguidores do legado educativo, vulgarmente apelidado de «Sistema Preventivo», celebraram, em 1994, o primeiro centenário da entrada em Portugal da Congregação Salesiana, estabelecida em Braga, no Colégio de S. Caetano.
O Padre João Cagliero, em Abril de 1881, após ter participado na abertura da 1.ª Casa Salesiana em Utrera, próximo de Sevilha, deslocou-se ao nosso país para fazer um levantamento das possibilidades de implantar aqui a Obra Salesiana. Nesta deslocação encontrou-se com a Rainha D. Maria Pia, filha do Rei de Itália, Vítor Manuel II e com Caetano António Masella, Núncio Apostólico.
Enquanto esta primeira comunidade salesiana se dedicou ao ensino e à recuperação da juventude transviada, de acordo com o espírito humanístico do seu fundador, o Colégio de S. Caetano teve a oportunidade de ver implantada uma educação exemplar, onde cada padre foi um pedagogo e um pai, onde cada professor foi um educador, onde o obediência passou a ser substituída pelo prazer de conviver, aprender, estudar, ser alguém.
O carisma salesiano foi implantá-lo, pela primeira vez em Portugal, no Colégio de S. Caetano, entre 1894 e 1911. A partir de Braga, alargou-se a outras zonas do continente e ilhas: Oficinas de S. José, em Lisboa (1896); Orfanato do Beato João Baptista Machado, em Angra do Heroísmo (1903); Real Oficina de S. José do Porto (1909); Seminário do S. Coração de Jesus, de Poiares da Régua (1924-56; 1975); Escola Técnica e Liceal Salesiana do Estoril (1932); Colégio Salesiano S. João Bosco, Mogofores (1938); Oratório S. José, Évora (1941); Convento de Santa Clara, em Vila do Conde (1944); Escola Salesiana de Artes e Ofícios, da Madeira (1950); Colégio dos Órfãos do Porto (1951); Colégio Salesiano de Manique do Estoril (1953); Externato N.ª S.ª do Rosário, Cascais (1960).

Política em Verso (7) - Zezão - 06-09-1923.

Depois de tão grande alarme,
Em que Lisboa se viu,
Voltou de novo o sossego,
Porque tudo entrou no rego,
Tudo nos eixos caiu.

A greve-revolução
Que prometia feroz
Derrubar este governo,
Já deu a alma ao inferno,
Foi mesmo de catrapóz!

É que o António Maria
Que nestas cousas, é um alho,
Abrindo o público erário
Conseguiu que operário
Voltasse todo ao trabalho.

Calou-se, pois imponente
A voz da bomba infernal
E o Lisboeta coitado,
Já a ela acostumado,
Tem saudades, passa mal…

E, para dar-se a ilusão
De, a cada passo, a ouvir
E com seu som se embalar,
Trata até de as fabricar
Em casa p’ra as não pedir!

Mas em vez do clorato,
Metralha, pregos e tudo,
Que mata e faz explosão,
Mete na bomba o ratão
… Cebola e feijão miúdo…

Efeito prodigioso!
De manhã, mal rompe o dia,
Não há palácio ou tegúrio
Onde não se ouça o murmúrio
De confusa bateria!

É nas salas, às janelas,
No pátio, no saguão
E nos quartos de dormir,
Onde se faz mais sentir
O estrondo da explosão!

Forte mania, leitores,
Que na loucura já tomba!
De alguns dias p’ra cá
Já alfacinha não há
Que não deite a sua bomba!

Nisto, afinal vem a dar,
Inda que alguém se quisil,
A arma preconizada
E pelo mesmo alcunhada
De… artilharia civil.
Zezão

domingo, 25 de janeiro de 2009

Política em Verso (6) - Zezão - 23-08-1923

Ai! Pobre Bernardino!
Cantou vitória bem cedo!
Andava mesmo num sino,
Pensava ser Presidente,
Mas, por um fatal destino,
Ficou a chuchar no dedo!

E daí todo espinhado,
Despeitado, furibundo,
Esquece que é cordeal,
Lambisgóia e et coetera,
E desata a dizer mal
Do Afonso e de todo o mundo.

Do Afonso por ter escrito
Aos vassalos democratas,
De bem conhecidos nomes;
- Votai no Teixeira Gomes!
Não voteis no Bernardino,
Mandai-o sachar batatas!

E dos outros deputados
Por não reconhecerem nele
O homem da situação
Que os ossos da votação
Lhe deram, aqueles míseros,
Já esburgados, sem pele…

Coitado do Bernardino,
Grande herói da Lusa Asneira
Isso foi chão que deu uvas:
Infeliz, velha criança,
Vai p´ro colo da viúva,
Pede chucha e mamadeira!...

domingo, 18 de janeiro de 2009

O SANTO PADRE CRUZ E O COLÉGIO DE S. CAETANO

Uma das grandes honras do colégio é, com certeza, a de haver tido como Director Interno o Dr. Francisco Rodrigues da Cruz, a quem Portugal inteiro carinhosamente chama o Santo Padre Cruz.
O magistério docente no Seminário de Santarém, como Professor de Filosofia, era deveras preocupante para a sua débil saúde. Por esta razão se afastou para gerir o Colégio dos Órfãos de S. Caetano, em Braga.
Viria a presidir aos desígnios desta instituição, durante oito anos (1886-1894), tendo grande influência nesta chamada D. António José de Freitas Honorato (1883-1898).
Vários episódios ilustram a sua preocupação pela educação dos alunos: as visitas à Falperra, seguidas de almoços melhorados e uma merenda, paga com as suas economias; as lágrimas que lhe corriam pelas faces, ao suplicar-lhes que se não deixassem escravizar pelos maus hábitos e os exemplos do Mestre, que correspondiam às virtudes que pregava. A educação que ministrava era um desafogo do braseiro de piedade que sempre ardeu no seu coração, dizia o Sr. P. Fernando Leite, sacerdote jesuíta. Cada manhã, antes da missa quotidiana, punha em evidência, durante quinze minutos, pontos nodais de reflexão sobre alguma passagem evangélica. Estimulava os alunos ao estudo e à aprendizagem dum ofício. Um dos maiores sucessos do Santo Padre Cruz consistiu nos 12 jovens que foram ordenados sacerdotes.
A sua actuação era discreta, eficaz e o seu zelo ia de sol a sol, do levantar ao deitar. As actas da CA descrevem, somente, os seus bons serviços e indicam a gratificação que durante anos usufruiu: 50$000 rs.
Mas a sua saúde não estava à altura das exigências de uma direcção eficiente. As continuadas dores de cabeça, associadas a um esgotamento cerebral, forçavam-no a permanecer no leito de dor dias seguidos. Desta forma o Director Interno Dr. Francisco Rodrigues da Cruz, atendendo ao seu estado de saúde, pede a exoneração do cargo, em 17 de Dezembro de 1894.
Nestas circunstâncias, apoderaram-se dele muitos escrúpulos por as forças não o ajudarem a desempenhar o lugar convenientemente. Dirigiu-se, assim, ao Superior dos Salesianos, entregando a Direcção aos filhos de S. João Bosco.
Alguns anos volvidos, seria o Provedor Dr. António Brandão Pereira a afirmar que «raro era o aluno que saía do colégio, que não derramasse lágrimas na despedida e que não ficasse escrevendo cartas sucessivas ao digníssimo director Dr. Francisco Rodrigues da Cruz». Um dos seus alunos, mais tarde sacerdote, testemunha: «Toda a sua santa vida era uma inspiração para todos nós».

Política em Verso (5) - Zezão - 09-08-1923

Os amigos democráticos
Da Lisboa marmória e bela
Revelaram-se uns fanáticos!
Armaram p’ra lá tal tenda
Que do Governo Civil
Arrancaram a gamela
Ao doutor Pedro Fazenda!

Quem é que pode entendê-los?
São uns turrões, uns nabiças,
(Também os há em Barcelos
E entre eles mui boa prenda)
Que nem conhecem que o Pedro,
No fumeiro, entre as chouriças,
É sempre a melhor… Fazenda!

Mostram bem ser uns telhudos,
Obstinados, teimosos
E, em suma, uns abelhudos,
Aliás podiam bem
Gramar do Doutor Fazenda
Os palos apetitosos
E até o Pedro também.

Pois que dizem os p’riódicos,
Que por hi andam à venda,
Que, em faro, são diabólicos
Nem deixam nada em tinteiro,
(E em termos categóricos),
Que do tal Pedro Fazenda
É bem sortido o fumeiro.

Pois, meninos, que vos preste
A vós e à vossa gente!
Em vós mesmo quinau deste,
Querendo o Filipe Mendes,
Que é mesmo um osso esburgado!
Pois aflui lá o dente
Que agora na boca o tendes…

Post-Scriptum
Nas Bichas ou nos Foguetes
Do número da «Acção» passado,
Do Cardinas General
Veio o nome estropiado.

Os tipógrafos que são
Amigos de brincadeiras,
Lá por sua conta e risco,
Arvoraram-no em Cardeiras.

Influência do nome
Que lhes subiu ao toutiço?
Não, leitores, são bons rapazes
Que nunca apanharam …
Zezão

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

CAI NEVE - 09 DE JANEIRO DE 2009

CAI NEVE - 09 DE JANEIRO DE 2009

MANTO BRANCO




Por volta das nove horas do dia 9 de Janeiro de 2009, um manto branco cobriu a região e a escola. Começou a cair intensamente e estendeu-se até ao fim da manhã. Para a maioria dos alunos, em idade escolar, foi a primeira vez que tiveram contacto com os flocos de neve, que erraticamente iam caindo e sobrepujando o chão de uma tonalidade mais branca de pálido. (A whiter shade of pale).
Difícil foi retirar o espírito dos alunos para os conteúdos programáticos. Era absolutamente normal, deixá-las cheirar, apalpar, visualizar e interiorizar sensações que raramente acontecem. Outros afoitaram-se a brincar aos bonecos de neve.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

75 ANOS DA PRESENÇA DE LA SALLE EM BRAGA


Em 24 de Janeiro de 2009, terá lugar a abertura oficial dos 75 anos de presença La Salle em Portugal. João Baptista de La Salle, filho de família nobre, nasceu em 1651 na cidade francesa de Reims. O Educador e Cónego de Reims, além de brilhar no céu da literatura francesa, foi beatificado e canonizado por Leão XIII. Este jovem cónego do tempo de Luís XIV, despojando-se de suas ricas prebendas e distribuindo os seus bens aos pobres, fez-se pobre com os necessitados e humildes. Para o efeito, em 1680, quase sem o pretender, viu-se embarcado na magna empresa da fundação duma congregação religiosa a que deu o nome de IRMÃOS DAS ESCOLAS CRISTÃS, hoje, também, mundialmente conhecidos por IRMÃOS DE LA SALLE.
Em Portugal, a presença dos Irmãos de La Salle, fez-se sentir em algumas localidades: em Abrantes, no Colégio La Salle, que funcionou de 1959 a 1975; em Lisboa, na Rua da Madalena, 89, 5.º, como residência de Irmãos estudantes universitários, entre 1970-71; no Porto, nas Oficinas de S. José, desde 1951 até 1975; em Leiria, no Externato D. Dinis, por espaço de dois anos, 1953 e 1954 e como noviciado, de 1954-60; em Lamego, durante três anos, onde deram apoio à Escola de Formação Social Rural; em Barcelos, onde funcionaram os Serviços Gerais de Formação entre 1954-57, 1966-69, 1975, o aspirantado em 1952, o escolasticado de 1956-58, o noviciado de 1960-66 e presentemente como externato misto.
Os Irmãos das Escolas Cristãs de João B. de La Salle entraram pela primeira vez em Portugal, através do Colégio de S. Caetano, em 7 de Setembro de 1933, a convite do Cónego Dr. José Martins Gonçalves e com as pertinentes diligências de D. António Bento Martins Júnior e D. Manuel Vieira de Matos. Os primeiros contactos para a entrada desta congregação em Portugal, mais concretamente, em Lisboa, remontam a 1854.

No entanto, só decorridos setenta e nove anos chegaram a Portugal.


Política em Verso (4) - Zezão - 02-08-1923

Em redor do Presidente,
Que Nosso Senhor fará,
Tem, por aí, toda a gente
Bordado mil conjecturas
Sobre quem ele será…

Uns dizem que é o Sr. Fulano,
Outros que Cicrano é;
Uns que é Paulo ou fabiano
Outros crêem que é o Rodas
E outros que é o Pirolé.

No mister de Jornalista,
Que me preso de o ser,
Inda não dei c’uma pista
Segura nem c’um indício
Que me deixe o véu romper!

Os ilustres pataratas
Que, na feira de S. Bento,
Só sabem vender batatas,
Não se entendem na escolha
E tem d’olho mais dum cento!

Eu, se fosse consultado,
Escolheria à feição
Candidato abalizado
P’ra cada um dos partidos
Inteiros da situação.

Diria aos nacionalistas
Que, da comida no tacho,
Mas só p’ra fogo de vistas,
Pusessem, sem mais delongas,
O senhor Limpo Camacho.

Aos radicais, que da breca
São levadinhos – qu’agouro!...
Não indicava uma careca,
Mas um de pelo na venta,
O honrado… Dente d’Ouro.

Aos sidonistas, se os há,
- E creio que não, por mim…
Diria assim, p…á, pá:
- Quem vos serve p’ra tal cargo
É o Barbosa Canarim.

Se eu fosse dos democratas,
Olha, leitor, vê se furas…
Em quem, votava? Não matas!...
- No ilustre parlapatão
Do Bernardino Mesuras.

Mas aos Talassas que são
Mesmo umas pombas sem fel,
Diria em voz de pregão:
- «P’ra Presidente, Senhoras,
Votai em… D. Manuel!».

- E aos amigos do Sá Pereira
Quem aconselhas, Zezinho?
- Ai, filhos, que pagodeira!
Que votem no predilecto…
No Senhor… Copo de Vinho!
Zezão

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

LEONARDO COIMBRA E O COLÉGIO DE S. CAETANO

José Leonardo Coimbra (1883-1936), figura proeminente da Renascença Portuguesa, que fundou juntamente com António Sérgio, Teixeira de Pascoaes e Raul Proença.
Nasceu na Lixa, em 29 de Dezembro de 1883, estudou em Penafiel, na Universidade de Coimbra, a Escola Naval de Lisboa, a Academia Politécnica do Porto e o Curso Superior de Letras.
O Anarquista, após uma experiência mal sucedida no Liceu Central do Porto, concorreu ao lugar de Director do Colégio dos Órfãos de S. Caetano, sob a protecção do Dr. Manuel Monteiro (Governador Civil) e do Dr. Domingos Pereira (Presidente da Câmara e Ministro do Interior), cargo a que foi provido.
A comissão administrativa do colégio decidiu em reunião efectuada em 16 de Setembro de 1911 pôr o cargo de Director Interno a concurso. Para o efeito, fez publicar dois anúncios, no Notícias do Norte, em 24 de Setembro de 1911 e 1 de Outubro de 1911.
Sendo o único concorrente, foi nomeado em 9 de Outubro de 1911 pela Comissão Administrativa. Foi recebido pelo corpo docente e pela Banda de Música do Colégio, pelas 14 horas do dia 27 de Outubro de 1911, na Estação dos Caminhos de Ferro. Segundo ele, foi recebido optimamente, como o Grande Elias do monólogo.
Implementou neste colégio a escola neutra e uma feição mais humanista (um colegial tinha sempre presença na sua mesa). Esta experiência, mal sucedida, foi muito curta.
Foi deputado, Ministro da Instrução Pública. Em 1913, filia-se no Partido Republicano e adere à Maçonaria.
A sua obra conduz-nos ao conceito de criacionismo, uma filosofia da liberdade que procura dar ênfase à capacidade criadora do pensamento.
Em 1935 adere à Igreja Católica e morre em 1936.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

FREI ANTÓNIO JOSÉ DA COSTA (FREI JOÃO DE S. MIGUEL)

Era irmão da minha pentavó. Filho de João José Gomes e de Ana Maria Peixoto, nasceu na Freguesia de São Miguel de Frossos, em 22 de Outubro de 1813. Neto paterno de Pedro Gomes Pereira do Lago e Teresa Maria da Silva, ambos naturais de Santa Cristina da Pousa. Neto Materno de António José da Costa e de Maria Peixota, naturais de Frossos. Foi baptizado pelo vigário António José da Ponte a 24 do mesmo mês e ano.
Ingressou na Ordem de S. Francisco.
Faleceu a 11 de Dezembro de 1888, com setenta e cinco anos. Foi sepultado na Igreja Paroquial de Frossos, quando era pároco o Padre Boaventura da Silva.

Política em Verso (3) - Zezão - 17-07-1923

Como é costume em gazetas,
Logo a gente ao começar
A escrever duas tretas,
Bem ou mal se apresentar,
Vou seguir na mesma esteira…
Direi quem sou, o que quero,
Embora faça uma asneira,
Em versos… a coxear…

Eu sou o tais… o que aqui,
Na nossa «Acção Social»,
Uma secção preenchi
E, por motivo da qual,
Leitor, só a ti to digo,
À traição e a cacete,
Me puseram como um figo…
Atrapalhado me vi!...

Tive uns cálc’los furados,
Saiu-me uma esp’rança morta,
Quis castigar uns malvados,
Deitei-lhes Bichas à porta…
Rabiaram, sim senhor,
Mas, oh céus, oh terra, oh nuvens!
Sempre apanhei … um calor…
Deixemos factos passados!

Olaréla! Eu sou teimoso!
Por isso continuarei
No mesmo trilho escabroso…
Mas, como agora já sei
O que a mim pode advir-me,
Vendo o caso mal parado,
Sempre deles hei-de rir-me!
De que modo? Eu bem sei…

Quando os vir muito exaltados
A esses perliquitetes,
Com ares de endemoninhados
Ou empunhando cacetes,
Fujo apressado e lampeiro…
E, na fuga, mostro meus brios,
Que, além de fogo rasteiro,
Largo-lhes mais uns… foguetes.

sábado, 3 de janeiro de 2009

POLÍTICA EM VERSO (2) - ZEZÃO - 10-07-1923

Tem-se esfalfado a «Verdade»
E o «Barcelense» também
A gritar – e com razão –
Contra essa imoralidade
Que do hospital da vila
Se chama a administração.

É uma vergonha! Diz um
Que à frente de casa tal
‘steja quem brios não tem!
(E eu torço o nariz… hum, hum…)
- Olho da Rua! Diz outro
(Anda por aí… que andas bem!...)

Caros colegas, olhai!
O que vos diz quem nos anos
A experiência bebeu,
- Isto a palavras não vai!
Quem não tem vergonha, julga
Que todo o mundo é seu…

Quereis cobrir-vos de glória
E já, já sem tardança,
Que tudo entre nos eixos?
Dos fracos não reza a história…
Tretas não adubam sopas…
Arrumai-lhes para os queixos!

Que, ao ver a pancadaria,
A rir-se como um perdido
- Vê lá bem na que te metes!...
Cá o Zé não resistia
A deitar-lhes umas bichas
E lhes largar uns foguetes…
Zezão

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

PARA A HISTÓRIA DO COLÉGIO DE S. CAETANO

ARTIGOS PUBLICADOS NOS JORNAIS, RELACIONADOS COM OS «NEGÓCIOS DA QUINTA DA MADRE DE DEUS» DO COLÉGIO DE S. CAETANO:
- Diário do Minho, 1 de Janeiro de 2009;
- Diário do Minho, 2 de Janeiro de 2009;
- Diário do Minho, 27 de Dezembro de 2008;
- Diário do Minho, 24 de Dezembro de 2008;
- Diário do Minho, 01 deNovembro de 2008;
- Diário do Minho, 06 de Agosto de 2008;
- Diário do Minho, 02 de Agosto de 2008;
- Diário do Minho, 26 de Julho de 2008;
- Diário do Minho, 13 de Julho de 2008;
- Correio do Minho, 28 de Fevereiro de 2007;
- Diário do Minho, 29 de Maio de 2008;
- Diário do Minho, 01 de Junho de 2008;
- Diário do Minho, 16 de Junho de 2008;
- Diário do Minho, 20 de Junho de 2008.