quarta-feira, 31 de março de 2010

A FONTE DO CORDEIRO

DSC06492

 

 

A Fonte do Anho (Fonte do Cordeiro) merece uma especial atenção, sobretudo pela mensagem contida na inscrição: «AD  FONTEM  QUICUMQUE  SITIS  ACCEDE  BENIGNUM  HAUD  UNDA  NOCET  DEFLUIT  UNDE  VIDE».

terça-feira, 30 de março de 2010

A LIVRARIA TIBANENSE

O Cadastro setecentista da livraria (biblioteca) tibanense incluía livros sobre Teologia (1770 obras), História (805), Literatura (454), Ciências e Artes (361), Jurisprudência (357), Poligrafia, História e Bibliografia (71), num total de 3218 obras.
A maioria dos livros era em Latim (47,3%). Em Língua Portuguesa eram 32,7% dos livros, em Espanhol 10,7%, em Francês 6,5%, em Italiano 2,3%, em Inglês 0,2%.
As obras são predominantemente dos séculos XVIII, XVII e XVI, distribuídas, assim, respectivamente, 40%, 35% e 20,3%.
Na Livraria figuram nomes como Montesquieu, Verney, Muratori, Melo Freire, Melo Franco, dalabella, Vandelli, Teodoro de Almeida, Filinto Elísio, Pereira de Figueiredo.

A ARCÁDIA TIBANENSE

Os Monges erigiram, em Tibães, no século XVIII, a Arcádia Tibanense, academia literária de pouca duração, adquirindo um apreciável prestígio cultural. Os coriféus deste movimento evolutivo foram Fr. Francisco de S. Luís e Fr. Vicente da Soledade e Castro, deputados e presidentes do Parlamento no Liberalismo.

domingo, 28 de março de 2010

D. AFONSO III E TIBÃES

No seu afã de libertar todo o herdamento a favor dos habitantes de Viana, D. Afonso III negociou também a cedência dos três casais que o convento de Tibães aí possuía (dois na vila de Vinha, mais um do que se referia no escambo com o Bispo de Tui, e outro na de Figueiredo), dando-lhe, em compensação, a quarta parte do reguengo de Donim, localizado na diocese de Braga, vindo a carta de escambo a ser assinada em Dezembro de 1265. Quanto a dois terços desse reguengo, o convento ficava dispensado do pagamento de voz e coima, privilégio de que usufruíam os dois casais de Vinha.

sábado, 27 de março de 2010

A ESTRADA DA GRAÇA

A chamada “Estrada da Graça” era administrada pelo Mosteiro de Tibães, que controlava, igualmente, a passagem do rio, no “Barco da Graça”, pois era um eixo viário de grande importância estratégica para o mosteiro.
Segundo Aurélio de Oliveira: «A importante passagem do Cávado, na Graça era de posse exclusiva da Abadia (...). Acresce que essa passagem não servia só para pessoas, mas também para cavalgaduras, além de carros, coches e liteiras. O preço do arrendamento do Barco da Graça é também índice da importância dessa passagem (...). Essa via atravessava aí o rio Cávado seguindo por S. Eulália de Cabanelas e penetrando em Cervães. Aqui encontrámos nós referência, em Prazos da Mitra de Braga dos séculos XVII e XVIII, a uma estrada que seguia para Viana do Castelo, e que deve ter constituído o prolongamento daquela importante passagem e da via do Couto, que deverá, naturalmente ter diminuído com a abertura e melhoramentos da Ponte do Prado (...)».
No século XVIII, foram realizados diversos melhoramentos: arranjo de todo o caminho que leva à passagem da Graça; uma nova calçada; e construção de um cais de pedra para fácil e segura acostagem da barca (...)».
A importância desta via nas épocas medieval e moderna decorre, evidentemente, da importância da Abadia de Tibães no contexto da região e da necessidade de manutenção e administração de um importante caminho que atravessava o Couto.

terça-feira, 23 de março de 2010

OS CASAIS NAS COMUNIDADES RELIGIOSAS

Segundo Maria Filomena Andrade (Entre Braga e Tui: uma fronteira diocesana de duzentos. O testemunho das inquirições), tendo como fonte as Inquirições de 1220 (publicadas em Portugaliae Monumenta Historica, vol. I, Lisboa, 1888), dos 2683 casais distribuídos pelas diferentes comunidades religiosas, são os beneditinos os mais representados: 42% são de mosteiros beneditinos, 16% de agostinhos, 10% de ordens militares, 4% da Sé de Braga, 2% de S. Tiago, 3% de Cister e 3% de outras observâncias.

clip_image002

clip_image004

segunda-feira, 22 de março de 2010

SITUAÇÃO DO MOSTEIRO DE TIBÃES EM 1864

Um decreto do ministro António Joaquim de Aguiar, em 1834, veio extinguir as Ordens Religiosas, tanto no Continente, como no Ultramar Português. Assim os bens, moradias, foros, e todas as pertenças do Convento de Tibães passaram para a posse do Estado. Mais tarde todas as pertenças e bens foram arrematados e vendidos.

Se consultarmos o Arquivo Municipal, mais propriamente o Copiador para a correspondência expedida - Representações da Câmara de Braga (1844-1869), deparamos com uma exposição dirigida ao poder real, por parte da vereação camarária, datada de 5 de Abril de 1864:

«Senhor: o Mosteiro de Tibães é um edifício que pela sua colocação só pode desafiar a ambição dos arrematantes, para ser demolido, e vendidos para outras edificações os materiais de que foi feito. E será justo que se deixe assim aniquilar um monumento que fará honra a esta terra pelas recordações que encerra da laboriosa actividade - incansável zelo - e inimitável dedicação que aqueles Monges, os primeiros agricultores desta formosa Província souberam ser úteis à sua Pátria e ao seu semelhante? Por certo que não. Esta Câmara por isso suplica e espera que o Governo de Vossa Majestade mandando ficar sem efeito a ordenada arrematação e ouvindo depois as muitas razões de conveniência pública que ela se reserva fazer subir ao conhecimento de Vossa Majestade adaptará providência que satisfazendo a expectativa dos povos deste conselho, aparte a ideia da destruição daquele monumento secular. Deus guarde Vossa Majestade por muitos anos. Braga em 5 de Abril de 1864. Vice-Presidente, Bento Miguel Leite Pereira, Vereadores…».

quinta-feira, 11 de março de 2010

FUNCIONÁRIOS DO COUTO DE TIBÃES

1486- Pedro de Lança, Tabelião do Couto de Tibães
1666- Custódio Dias Pereira, Tabelião do Couto de Tibães
1668- Luís de Oliveira da Rocha, Escrivão das Sisas do Couto de Tibães
1682- Tomásio do Vale, Escrivão do Público e Judicial do Couto de Tibães? Filiação: Lourenço do Vale
1695- Atanázio do Vale, Escrivão do Público, Judicial, Câmara, Órfãos e Almotaçaria do Couto de Tibães. Filiação: Lourenço do Vale
1715- Diogo de Araújo Costa, Inquiridor, Contador e Distribuidor do Couto de Tibães
1720- Domingos de Campos, Escrivão do Público, Judicial e Notas, Câmara, Órfãos e Almotaçaria do Couto de Tibães
1724- Luís Francisco Ferreira, Tabelião do Público, Judicial, Notas, Câmara, Órfãos, Almotaçaria do Concelho de S.Martinho de Tibães
1748- Francisco Miguel de Araújo e Paiva, Inquiridor Contador no Couto de Tibães
1803- Tomás Bernardino Vilaça
1810- Domingos José Carneiro
1841- Bento José Rodrigues, Professor de Ensino Primário do extinto Couto de Tibães, Distrito de Braga

quinta-feira, 4 de março de 2010

A INQUISIÇÃO PASSOU POR TIBÃES

Frei Francisco de Santa Gertrudes, professo da Ordem de São Bento, era natural da Aldeia de Cima, freguesia de São Romão, Bispado de Lamego.
Filho de João Pinto, da Aldeia de Cima e de Luísa Pereira, natural de São Cipriano.
Passou pelo Convento de São Bento da Saúde, em Lisboa.
Foi acusado de violação por tomada de ordens, o que seria uma proposição herética. Por isso foi preso em 25 de Agosto de 1750, tendo sido sentenciado em Auto de Fé, realizado na Igreja do Convento de São Domingos, em Lisboa, no dia 24 de Setembro de 1752.
Na sentença lê-se: «seja interdito de receber qualquer Ordem, seja degredado por dez anos para o Mosteiro e Casa Capitular da sua Ordem, tenha cárcere, com reclusão por um ano, a cumprir no mosteiro, com penitencias pro gravioribus, tenha mais penas e penitências espirituais, instrução na Fé e pague as custas. Ficava interdito de entrar em Lisboa».
Foi solto a 30 de Setembro de 1752.
Depois de cumprir pena em Tibães e, por motivo de saúde, pediu para ser transferido do Mosteiro de Tibães para o de Lisboa.

quarta-feira, 3 de março de 2010

BRAGA POR UM CANUDO

Braga por um canudo

 

 

 

Rafael Bordalo Pinheiro, alfacinha, republicano, anticlerical, várias vezes meteu os pés a caminho, para conhecer in loco, a vida e a sociedade bracarense. Na sua publicação, O António Maria, 1.ª série (1879/1885), a propósito do Centenário do Bom Jesus do Monte, envia para a capital o canudo com os desenhos que permite que Lisboa observasse Braga por um Canudo. Num dos desenhos o Arcebispo de Braga zela por um dos carros que tinha participado no cortejo do centenário.

segunda-feira, 1 de março de 2010

TIBÃES E A BATALHA DE ALJUBARROTA

Quem visita as Capelas anexas à Sé de Braga poderá encontrar o túmulo de D. Lourenço Vicente, trigésimo oitavo arcebispo de Braga, em muito bom estado de conservação.
Como cidadão amante da sua pátria, depois de Cristão era Português, deu provas da sua valentia e coragem na Batalha de Aljubarrota.
No auge do combate, recebeu na face direita um longo e profundo gilvaz, cuja cicatriz ainda hoje se nota distintamente.
D. Lourenço respondeu ao golpe arremessando o castelhano ao chão pagando com a própria vida.
Este e outros episódios da batalha são relatados por D. Lourenço Vicente numa célebre carta dirigida ao Abade de Tibães.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A NOSSA COLABORAÇÃO NA ARTE BARROCA

Depois de vários anos de preparação, o Museu Virtual à Descoberta da Arte Barroca está finalmente on line em www.museumwnf.org ou www.discoverbaroqueart.org, ou, simplesmente, em Museu Sem Fronteiras desde 21 de Janeiro de 2010. Oito países europeus, incluindo Portugal, participaram na criação deste segundo ciclo temático do Museu Virtual, implementado pelo Museu Sem Fronteiras, dando assim origem ao maior Museu Virtual de todo o mundo. Segundo os princípios orientadores do Museu Sem Fronteiras, que defendem a contextualização dos artefactos expostos e desvendam tesouros desconhecidos, trazendo-os para a ribalta, o Museu Virtual À Descoberta da Arte Barroca conjuga peças barrocas europeias, desconhecidas do grande público, com obras de arte universalmente conhecidas. Nós colaboramos, desde o início, em representação do Bom Jesus do Monte, de Braga,  como Curatorial Collaborators.
Ver http://www.discoverbaroqueart.org/mwnf_credit.php

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

GESTO SOLIDÁRIO COM A MADEIRA

APTOPIX Spain Soccer La Liga

Todos conhecem o Grupo de Jovens de Tibães, o seu trabalho, os seus objectivos, as suas vozes.
Ainda, recentemente, comemoraram mais um aniversário, pois foi fundado em 31 de Janeiro de 1987. 
Por solicitação do Rui Correia, informamos que o Grupo de Jovens de Tibães tomou a iniciativa de celebrar uma missa em memória das vítimas do temporal do Arquipélago da MADEIRA, no próximo dia 6 de Março, pelas 19.30 hs, na Capela da Sr.ª do Ó. Simultaneamente o Grupo de Jovens promoverá a recolha de donativos para as vítimas deste infortúnio. Os donativos serão entregues à Caritas.

FREI ANTÓNIO DO DESTERRO

Natural de Viana do Castelo. Foi formado na Escola Beneditina de Tibães. Frei António (António Malheiros Reimão) era Doutorado em Teologia pela Universidade de Coimbra. Foi nomeado Bispo do Rio de Janeiro no dia 18 de Janeiro de 1747. Foi o titular do Bispado de São Sebastião do Rio de Janeiro até 1773.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

TIBÃES E O CONDADO PORTUCALENSE

Mendo II Gonçalves, (945 - 1 de Outubro de 1008), foi morto num ataque Viking à Galiza. Mendo, casou com a Condessa Tudadomna. Foi Conde de 999 a 1008.
Alvito Nunes, casou com a Condessa Tudadomna. Foi Conde de 1008 a 1015.
Ilduara Mendes, filha de Mendo Gonçalves e de Tudadomna, casou com Nuno I Alvites, filho de Alvito Nunes e Gontina, foi Conde de 1015 a 1028.
Mendo III Nunes, foi Conde de 1028 a 1050. Morreu em combate.
Nuno II Mendes foi Conde de 1050 a 1071, último descendente conhecido de Vimara Peres, foi derrotado pelo rei Garcia II da Galiza. Era filho de Mendo III Nunes, a quem sucedeu em 1050. As suas aspirações a uma maior autonomia do Condado Portucalense em relação ao reino da Galiza, levaram ao confronto com o rei Garcia II; reclamou a independencia e o titulo de rei, em 1070. Foi  derrotado e morto na batalha  do Pedroso, perto do Mosteiro de Tibães.
O primeiro Condado Portucalense foi, assim, extinto e absorvido pelo reino da Galiza, na pessoa do rei Garcia II. O Condado seria restaurado na pessoa do Conde D. Henrique de Borgonha.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

FOTOS DA POPULAÇÃO DE TIBÃES

Fotos tiradas, aproximadamente, em 1928.
Na foto da direita, podemos observar, no primeiro plano, da esquerda para a direita: desconhecido, desconhecida, Manuel Peixoto, Aurora do Peixoto, Francisca Rosa (da Amieira), Maria Gomes (esposa do Zé do Anjo), José Coelho (do Anjo), Anjerca.
No segundo plano, da esquerda para a direita: desconhecido, desconhecida, Esposa de Manuel Maria Dias Gomes, Cândida Dias Gomes (Esposa do Peixoto), Maria Dias Gomes (esposa do José do Pinheiro), desconhecida, desconhecida, Cândida da Eira, Maria da Eira, Andresa da Amieira, Anjerca.
No terceiro plano, da esquerda para a direita: desconhecido, desconhecido, desconhecido, desconhecida, criança, Aurora Gonçalves, José Dias Gomes com filho Manuel ao colo, José da Conceição Peixoto (26-01-1898/17-01-1986), Manuel Gomes (Caniças) pai de José Dias Gomes, Jerónima Dias de Carvalho (Esposa de Manuel Gomes), Marques (Proprietário do Mosteiro de Tibães).
Em último plano da esquerda para a direita: Domingos Dias Gomes, Manuel Maria Dias Gomes, e um Indivíduo com apelido Maria Benta.

Mei Bisavó Meu avô e Bisavô

PASSEIO DO PATRONATO

Mostramos, agora, uma foto dos associados do Patronato de Tibães, por ocasião de um convívio ao Porto e à Póvoa de Varzim.
De entre o vasto grupo de elementos, pode observar-se o Silvestre Coelho, o Maroteira, o Gaspar Capa, o José Coelho, o Francisco Catrina, o Manuel Mouro, o Joaquim Sapateiro, entre outros.
Esta passeio ocorreu no dia 28 de Setembro de 1941.

28-09-1941, Patronato

BULAS PAPAIS SOBRE TIBÃES

- De 13 de Março de 1254:

INOCÊNCIO IV ao Arcediago de Barcarena, ao Chantre e Mestre-Escola João de Vila Verde (Itilaviridi) cónego em Lisboa. --- BULA Sua nobis em que lhes manda tomar conhecimento e resolverasdívidas que existiam entre o Arcebispo de Braga e os Abades e conventos dos Mosteiros de Tibães, Landim, Ozo e de outros, e os reitores e clérigos da diocese que se recusavam a pagar a terça parte dos mortuários dos defuntos que enterravam nas suas igrejas e cemitérios.
"Dat. Laterani III idus Mardi Pontificatus nostri Anno XI" (A.D.B., Gav. dos Mosteiros, doc. 58, orig. sem selo).
- De 8 de Fevereiro de 1417:
O CONCILIO DE CONSTANÇA ao Abade do Mosteiro de Tibães. --- BULA Exhibita nobis na qual lhe manda que obrigue, se necessário fôr com censuras, Martim Afonso e outros a restituir à mesa Arqulpiscopal os bens que dela tinham ilegitimamente em seu poder. "Dat. Constantie VI idus Februarii anno a nativitate domini M CD XVII Apostouca sede vacante" (A.D.B. , Rer. Mem., vol. 3, séc. XVII, fl. 21 lv.).
- De 4 de Junho de 1472:
SISTO IV a Fr. Egídio, Bispo de Titópolis, residente na cidade de Braga e aos Abades dos mosteiros de Tibães e Carvoeiro. --- BULA Sua nobis pela qual os encarrega de conhecerem o pleito que existia entre a Mesa Capitular de Braga e Diogo Ferreira, cidadão Bracarense, sobre a posse de umas casas pertencentes ao Cabido, e de resolverem sobre a legitimidade da sentença proferida. "Dat. Rome apud Sanctum Petrum Anno mc. dominice M CD LXX II Pridie Nonas Junji Pontificatus nostri Anno 1" (A.D.B., Gav. das Propriedades do Cabido, doc. 75, orig. com selo).
- De 12 de Junho de 1472:
SISTO IV a Fr. Egídio, Bispo de Titópolis, residente na cidade de Braga e aos Abades dos mosteiros de Tibães e Carvoeiro. --- BULA Sua nobis pela qual lhes manda tomar conhecimento e sentenciar a questão levantada entre a Mesa Capitular de Braga e os sucessores de Pedro Afonso, sobre o emprazamento feito a este pelo Cabido, mediante o pagamento de certo censo anual, dos frutos e demais proventos da igreja de S. Miguel das Marinhas, unida à referida Mesa e a esta pertencente. "Dar. Rome apud Sanotum Petrum Anno mc. dominice M CD LXX II Pridie idus Junii Pontificatus nostri Anno 1" (A.D.B., Gav. l.a das Igrejas, doc. 53, orig. com selo).
- De 22 de Novembro de 1488:
INOCÊNCIO VIII ao Bispo de Pamplona, ao Arcediago de Vimieiro e a Pedro gues, Cónego da Sé de Braga. --- BULA Romani Pontificis pela qual nomeia Abade comendatário dos mosteiros de Tibães e Vimieiro a D. Jorge da Costa, Cardeal de Alpedrinha, e encarrega, aqueles a quem se dirige, ou a qualquer deles, de executar a Bula. "Datum Rome apud Sauctum Petrum. Anuo incaruationis dominice M CD LXXX VIII decimo Kls Decembris. Poutificatus nostri anuo quinto" (A.D.B., Cx. das Bulas, u.0 5, doc. 140, orig. sem selo).
- De 19 de Maio de 1570:
PIO V ad futuram rei memoriam... --- BREVE Romani Pontificis pelo qual determina que se anulem todos os processos de suspeições instaurados pelo Cabido de Braga e outras entidades, contra o Arcebispo D. Fr. Bartolomeu dos Mártires, perante o Bispo do Porto, Juiz Apostólico, por causa de os obrigar à execução das determinações do Concílio Tridentino sobre as Visitações; que nenhuns autos de suspeição sejam admitidos contra o Arcebispo; e para evitar suspeições manda que neste negócio o Arcebispo despache com um dos adjuntos: Abade do Mosteiro de Tibães, Abade do Mosteiro de Bouro, e Reitor do Colégio dos Jesuítas de Braga. Se, porém, não agradar ao Arcebispo, levará as causas perante o Cardeal D. Henrique ou o Bispo de Lamego que as resolverão dentro de três meses. Finalmente, ordena ao Cardeal D. Henrique e ao Bispo de Coimbra ou a seu Vigário Geral, que façam executar o presente Breve. "Dat. Romne apud Sanctum Petrum sub annulo piscatoris die 19 Mau 1570. Anno quinto" (A.D.B., Gav. das Concórdias e Visitas, doc. 45 - 2 cóp. séc. XVII).
- De 12 de Fevereiro de 1596:
CLEMENTE VIII ad perpetuam rei memoriam. --- BREVE Ut ea pelo qual concede à Congregação dos beneditinos os privilégios de conferir ordens menores, de colocar vigários perpétuos ou ad nutum nas igrejas unidas ao seu mosteiro de Tibães, desde que sejam por eles nomeados e aprovados pelos Ordinários, e que as igrejas servidas por regulares sejam providas ad nutum pelos seus superiores. Ás igrejas do padroado eclesiástico, porém, seriam providas por concurso. "Dat. Rome apud Sanctum Petrum sub annulo piscatoris die XII Februani M D XC VI Pontificatus nostri Anno V." (A.D.B., Cx. das Bulas, n. 9, doc. 334, transcrito no Breve de Urbano VIII de 31 de Março de 1632).

CARNAVAL 2010 EM TIBÃES

Várias organizações da freguesia promoveram um desfile de Carnaval: Junta de Freguesia, Grupo Unidos, Associação Mulheres em Movimento, Associação de Pais, Grupo de Jovens e Rancho Folclórico no dia 14 de Fevereiro.

DSC00452 DSC00454
DSC00455 DSC00457

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

FREI JOAQUIM DE SANTA CLARA BRANDÃO

Natural do Porto, nasceu em 30 de Agosto de 1740 e faleceu em 1818. Aprendeu francês e inglês com o P.e António Vieira. Foi Doutor e Lente da Faculdade de Teologia e Arcebispo de Évora. Foi sócio da Academia das Ciências desde a sua fundação. Professou no Mosteiro de Tibães. A oração fúnebre que fez nas exéquias do Marquês de Pombal é tida como um modelo de eloquência no género. Por ordem de Pombal, admitia às suas lições estudantes seculares sendo o atestado passado por Santa Clara suficiente para dispensa da frequência da Universidade. Foi o reformador da sua Ordem. O Capítulo Geral da sua Ordem, de 1786, elege-o Director da Congregação. Em 1794 é nomeado deputado da Mesa da Comissão Geral que substituiu a Mesa Censória. Das suas várias obras, destaca-se o Plano e Regulamento dos Estudos para a Congregação de S. Bento.

FREI BERNARDO DA CRUZ

Reitor da Universidade entre 1541 e 1543.
Foi comendatário do Mosteiro de Tibães da Ordem de S. Bento.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

FREI JOÃO BAPTISTA DA SILVA

Frade beneditino, considerado o melhor aluno do seu tempo. Era natural da Casa de Paços da Freguesia de Rio Côvo Santa Eulália, Concelho de Barcelos. Foi duas vezes Abade de Tibães e Geral da Ordem. Tendo nascido em 1679 e falecido em 1765, edificou o Portal Sul da Casa de Paços, que está datado (1714), bem como parte da ala sul desta casa.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O REI ESTEVE EM TIBÃES

D. Afonso III, nasceu em Coimbra, em 5 de Maio de 1210 e faleceu, em Fevereiro de 1279. Teve o cognome de Bolonhês, por ter sido casado com a condessa Matilde II, de Bolonha. Foi o quinto rei de Portugal. Afonso III era o segundo filho do rei Afonso II e de sua mulher, D. Urraca de Castela. Sucedeu ao seu irmão Sancho, em 1248, depois de este ter falecido. Sucedeu-lhe seu filho D. Dinis.
D. Afonso III, em 1261, em princípios de Abril deixou Guimarães e, depois de ter visitado o Porto e Tibães (junto a Braga), seguiu para a Assembleia das Cortes de Coimbra, a pedido de alguns prelados, religiosos, nobres e cidadãos, para deliberar acerca da quebra da moeda.

GENERAL ALVES ROÇADAS EM BRAGA

ArcoEm vésperas da implantação da República, em Janeiro de 1908, o General Alves Roçadas, que se destacou pelas campanhas africanas, é recebido em Braga.
Foi recebido com todas as honras pelas Associações de Braga e respectivos estandartes, bandas de Música, Autoridades, Corporações e Academias.
A esta homenagem não foi estranho o facto de ter sido educado no Colégio de S. Caetano, onde esteve matriculado com o número 43.

O COUTO DE TIBÃES (3)

Para as cartas de doação de terras às igrejas e mosteiros passou a reservar-se a designação Cartas de Couto, cartas de foro a criar e defender as terras eclesiásticas, privilégio de igrejas e mosteiros (Couto). COUTO DE TIBÃES EM 1801
A essa terra privilegiada reservar-se-ia o termo Couto, sendo o donatório habilitado a cobrar certas prestações; por sua vez, os que dentro do perímetro do couto habitavam ficavam isentos da jurisdição régia e escusados da hoste, fossado, peitas e outras obrigações.
No período do Condado Portucalense, na região do Entre Douro e Minho, se bem que o Foral de Guimarães seja de 1096, o primeiro mosteiro beneditino a receber carta de couto foi o de Santo Tirso, em 1097.
Sabe-se, com efeito, que Dª Teresa, para dar provas de devoção religiosa e para ganhar o apoio de alguns nobres, favoreceu com cartas de couto alguns mosteiros, de que esses mesmos nobres eram patronos. Certos mosteiros, em pleno séc. XVIII, para realçar a antiguidade e nobreza de seus coutos recorreram a essas significativas e emblemáticas obras de arte, mandando fazer grandes quadros a atestar a antiguidade e nobreza do seu couto bem como o respectivo direito de posse de que nos restam o quadro de Tibães no Arquivo Distrital de Braga e o de Travanca na sacristia da respectiva igreja.
Eis algumas cartas de couto conferidas aos mosteiros beneditinos pelo Conde D. Henrique e Dona Teresa: 1097(1198)-11-23 – Couto de Santo Tirso; 1097-11-24-1098-02-26 – Couto de Rendufe; 1110-03-24 (25 ou 26) – Couto de Tibães; 1112-08-01 – Couto de Pombeiro; 1120-1122-1123-01-08 e 1127-10-16 – Minuta e carta do Couto de Alpendurada; 1121-1128-04-06 – Couto de Cete; 1127-05-23 – Doação de Vimieiro a Cluny.
D. Afonso Henriques, durante certo tempo, seguiu, de forma alargada, a política de seus pais na atribuição de coutos eclesiásticos a beneditinos e outras instituições religiosas, como o Couto de Donim, Guimarães, a Tibães (26-02-1135).
Segundo a tradição historiográfica, Parada de Tibães foi fundada com a sua congénere Mire de Tibães, em tempos da monarquia sueva. A documentação, porém, menciona a freguesia pelos inícios do século XII. Nas Inquisições de 1220, ao tempo de D. Afonso II, Parada de Tibães aparece já integrando o “Couto de Tiviães”. Este Couto obteria novo foral por volta de 1517, no reinado de D. Manuel.
O Lugar de Donim (Guimarães) terá sido parcialmente coutada para o mosteiro de Tibães, por D. Afonso Henriques e em 26 de Fevereiro de 1135, como registarão posteriormente as "Inquirições" de 1220, à época de D. Afonso II. Nas Inquirições de 1288, relativas à freguesia de São Salvador de Donim lê-se: «O paaço de Fernão Fernandes, irmão do bispo de Lamego... o vírom honrado dês que se acordam...; a terça parte desta freguesia é Couto do mosteiro de Tibães por cartas de el-rei e a outra terça do mosteiro de Adaúfe e é devassa e dão a renda a el-rei pola voz coima, e a outra terça é de homens filbos-de-algo, trazendo a terça do mosteiro de Tibães o prócer D. João Rodrigues de Briteiros certamente emprazada dele (in "Silva, João Belmiro Pinto da, Guimarães - Nas Raízes da Identidade, Anégia Editores, ed. lit., 1999».
Segundo alguns autores, o primeiro documento emitido por Afonso Henriques, onde se intitula "Rei de Portugal", foi precisamente a carta de Couto concedida à "vila de Mende", a 7 de Julho de 1140. Couto que se situaria numa área geográfica, como se pode aferir pelas confrontações descritas no documento, entre Apúlia, parte da freguesia de Necessidades e parte da freguesia de Estela.
D. Afonso Henriques concede a Carta de Couto de Santa Maria de Estela e da Vila de Mendo, aos 7 de Julho de 1140 (era de 1178) aos frades beneditinos de Tibães: «… Eu, Afonso, Rei de Portugal, filho do conde Henrique e da raínha Teresa e neto do rei Afonso, o grande, faço carta do couto da Vila de Mendo e de Santa Maria de Estela, em honra de Deus e de Santa Maria e de São Martinho, e de todos os santos, a vós, abade D. Ordonho e a vossos monges que no convento de Tibães perseveram numa vida santa, e a vossos sucessores que aí residem em virtude da promessa que fizestes de orar a Deus dia e noite pela salvação da minha alma e de meus pais e também pelos duzentos meios que me destes… Carta de couto feita a 7 de Julho da era de 1178. Eu, Afonso Rei de Portugal, esta carta de firmíssimo couto e grafide segurança rubrico pela minha própria mão, para vós, D. Ordonho, abade de Tibães, e para vossos monges, tanto presentes como futuros…».
Gondar, pequena freguesia do Concelho de Caminha, é mencionada nas Inquirições de 1258 conforme se verifica no livro “Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais (vol. II, Norte, Arquivos Nacionais/Torre do Tombo): Foi vigairaria da apresentação “ad nutum” do convento de Tibães».
A Freguesia de Encourados, concelho de Barcelos, vem nas Inquirições de D. Afonso II de 1220 com a designação – “De Santo Jacobo de Encoirados de Cauto de Martim”, nas Terras de Penafiel. Nelas se diz que o rei não tem aqui reguengo algum e não recebe qualquer foro; que esta Igreja tem sesmarias, Tibães 5 casais e Vilar de Frades 19 casais.
A freguesia de Lama, do Concelho de Barcelos, que nas Inquirições de 1258, surge com a designação "De Sancto Salvatore de Lama" do Julgado de Prado, eclesiasticamente, estava sob o protectorado do Mosteiro Beneditino de Tibães.
A capela de S. Pedro de Varais, situada no concelho de Caminha, constitui um dos casos mais surpreendentes dos monumentos românicos da ribeira Lima. Esta capela com todos os seus bens e rendas foi Incorporada no Convento de Tibães, em 1834.
Serreleis, freguesia do Concelho de Viana do Castelo, tem por orago São Martinho. Era então da apresentação do convento de Tibães, tornando-se mais tarde independente com o título de reitoria.
Em meados do século XVIII a freguesia de Vile, do concelho de Caminha, autonomizou-se da paróquia de São Pedro de Varais. Segundo Pinheiro Leal, em 1768, o direito de apresentação pertencia ao Convento Beneditino de Tibães. 
Na cópia de 1580 do Censual de D. Frei Baltasar Limpo diz-se que a Igreja da freguesia de Carreço, Conelho de Viana do Castelo, pertencia um quarto ao arcebispo, outro a São Salvador da Torre (sendo ambas, portanto  da mesa arcebispal) e as restantes a São Romão de Neiva e ao mosteiro de Tibães. Nas inquirições de D. Afonso III pode ler-se que Carreço era uma terra produtiva em géneros agrícolas, como trigo, linho, cevada, gado bovino e ovino, dos quais pagavam renda (no S. Miguel e em Janeiro) aos possidentes de uma quantidade considerável de casais. De entre os detentores desses casais destacam-se os mosteiros de S. Salvador da Torre, S. Cláudio de Nogueira, Tibães, S. Romão do Neiva e S. Bento de Cabanas.
Mostramos, acima, o Mapa referente à Divisão Administrativa de 1801, onde Tibães figura como cabeça do couto, constituído por 5 freguesias Mire de Tibães, Padim da Graça, Panóias, Parada e São Paio de Merelim (São Paio da Ponte).

QUANTOS ERAM EM TIBÃES

Os monges beneditinos gozavam de um certo prestígio no campo sócio-religioso, por serem jovens, letrados e ilustres.
Em 1569, no início da tomada de posse de alguns mosteiros pela congregação beneditina, eram oitenta e cinco, o número de religiosos beneditinos repartidos pelos seguintes mosteiros: Tibães (15 monges e 5 noviços), Pombeiro (7 monges e 1 noviço), Travanca (7), Refojos de Basto (14), Rendufe (10), Ganfei (4 monges e 1 noviço), Arnóia (3), Neiva (5), Alpendurada (6), Santo Tirso (13).
Decorridos vinte anos (1588-1589), depois da tomada de posse de todos os vinte e dois mosteiros que integravam a congregação, o número de monges subiu para 180.
Entre 1655-1696, ingressarão como noviços na congregação (Tibães, Porto e Lisboa) cerca de 452.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

PÁROCO REGENERADOR

O Pároco de Tibães, Manuel Joaquim Marques Coelho assina um manifesto público, em 29 de Abril de 1897, que integra uma Lista dos Regeneradores de Braga, no qual anunciam o abandono da disputa eleitoral, em sinal de protesto contra os abusos e ilegalidades cometidas pelas autoridades locais ao serviço dos progressistas, visando o controlo das mesas eleitorais. 

MIRE DE TIBÃES E A REPÚBLICA

Em 1914, começa a verificar-se alguma rivalidade entre as estruturas do Partido Republicano Português em Braga. Entretanto, as estruturas do P.R.P. disseminavam-se, registando-se a existência de Centros Republicanos Paroquiais em muitas freguesias do concelho.
Segundo o Notícias do Norte de 30-03-1914 e 6-04-1914 pode observar-se que, em Braga, havia muitas comissões paroquiais republicanas, designadamente, em S. Lázaro, Maximinos, Sé, S. João do Souto, S. Víctor, Palmeira, Tebosa, Celeirós, Parada, Mire de Tibães, Padim da Graça, Vimieiro, Ferreiros, Priscos, Cividade, Gondizalves e Gualtar.

TIBÃES MANIFESTA-SE

O Episcopado Português elaborou uma pastoral, em 24 de Dezembro de 1910, criticando a acção do Governo Provisório, saído da Revolução de 5 de Outubro de 1910, em resultado das tensões entre o Governo e o Clero, que passou a ser lida nas missas, a partir de Fevereiro de 1911, dias após a publicação da nova lei do registo civil, que desagradou muito à igreja. Nesta Pastoral são notórios os apelos aos esforços para remover da legislação tudo o que fosse contrário à religião.
O Governo reage fortemente através de Afonso Costa.
Em Fevereiro de 1913, o administrador do concelho remete para o governo civil, uma representação de diversas comissões paroquiais, nomeadamente, de Padim da Graça, Panóias, Parada e Mire de Tibães que reclamam o estabelecimento de um posto de registo civil em Padim da Graça, uma vez que as populações estavam habituadas a efectuar o registo de nascimento junto do pároco.

COMPANHIA FABRIL DO CÁVADO

No dia 28 de Outubro de 1891, o Rei D. Carlos inaugura uma exposição industrial, em Braga, aquando de uma visita à cidade, para se aperceber da paisagem económica bracarense.
Neste certame participou a Companhia Fabril do Cávado que contava, na ocasião, com 900 trabalhadores.
Esta realidade viria a decrescer por ocasião do final da Primeira República, em 1924, num tempo de crise marcado por um refluxo no consumo e pela escassez de matéria-prima, onde os trabalhadores encontravam trabalho, apenas, alguns dias da semana.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

TIBÃES NAS INQUIRIÇÕES DE D. AFONSO II

Com a independência de Portugal em 1143, as freguesias do Norte de Portugal iniciaram o seu processo de formação, ou seja, a partir do século XII.

Aqui remonta a Freguesia de Mire de Tibães, pois nas Inquirições de D. Afonso II, em 1220, podemos ler «De Saneto Pelágio de Merlim de Couto de Tibães». Nestas inquirições aparecem as designações de São Paio e Couto de Tibães.

Nestas Inquirições se diz que a igreja de Martim tem sesmarias e um casal, Vilar de Frades 9 casais, Tibães 15 casais e Braga 1 casal.

AS ORDENANÇAS DE TIBÃES

As Ordenanças foram instituídas em 1570 no reinado de D. Sebastião, após várias tentativas de criação de um sistema de organização militar controlado pelo Rei, realizadas nos reinados de D. Manuel I e D. João III, que viesse substituir a milícia concelhia dos Besteiros do Conto, extinta por D. Manuel. Foram restabelecidas em 1640, e a sua organização definitiva, como meio de recrutamento para o Exército, deu-se em 1643.

ordenanças de tibães

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

MANIFESTAÇÃO DA POPULAÇÃO DE TIBÃES

 

Em 9 de Março de 1916, a Alemanha declara formalmente guerra a Portugal. Portugal responde, no dia seguinte, com igual declaração.
Deste conflito resultou um aviltamento das condições de vida das massas populares. O medo e a fome fez tocar a rebate os sinos da aldeia.
Em 13 de Abril de 1916, tocam a rebate os sinos de Cabreiros pela saída de uma quantidade de milho de um proprietário local.
Em 28 de Maio de 1916, muitos populares de Mire de Tibães, Parada de Tibães, Padim da Graça e outras freguesias manifestaram-se em protesto na cidade de Braga, tendo as autoridades respondido com o envio de forças militares de Infantaria e Cavalaria e, ainda, da Guarda Republicana, para a Estação de Caminhos de Ferro receando que o povo quisesse roubar o milho que aí estava depositado.
A manifestação de protesto dirigiu-se, então, para o Governo Civil, onde reclamou das autoridades o milho que tanto escasseava.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

DEIXEM A BORBOLETA VOAR

As ideias nascem.
De início como pirilampos na noite.
Depois vão crescendo em brilho.
Por fim seguram a nossa mão e levam-nos à Aventura.
Assim nasceu a «borboleta» que acompanha a génese e a temática desta revista.
Não foram as poesias intituladas «borboletas» de Vinícius de Moraes, Marisa Monte, Sara Tavares ou de Olavo Bilac (Santos e Pecadores) que nos iluminaram, mas a beleza das diferentes espécies de borboletas, com variadas cores que parecem roubadas do arco-íris, com texturas nas asas, com um corpo ultra-leve, com asas muito largas. Mesmo, assim, a borboleta consegue pousar na flor aberta, de onde suga o néctar adocicado.
A borboleta é formosa, voa, porfia, cansa, treme, e respira a custo.
Também no ensino-aprendizagem há semelhanças com o mundo das «borboletas». Os professores e os alunos não podem passar a vida rastejando, de corpo murcho e asas encolhidas. Devem voar, dar asas à liberdade, ensinar e aprender a ser livres.
O trabalho do professor, junto do aluno, é semelhante ao da borboleta quando esta abandona a crisálida para voar, quando esta se abre e a borboleta sai do seu interior. Também o aluno deve ser a maravilhosa crisálida que brotará, que deve deixar o casulo e voar, libertar-se, autonomizar-se, ganhar o seu espaço.
A borboleta também simboliza a mudança, a metamorfose. À sua imagem, também o ser humano se transforma. Evolui fisicamente mas, sobretudo, assiste-se a uma alteração constante de comportamentos, atitudes, sentimentos e opiniões.
Como a borboleta, apetece-me dizer:
«Voou pelo mundo e foi colorindo tudo por onde passou».

(texto publicado na Revista Andarilho, n.º 33, Fevereiro, 2010)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A BARBEARIA DO MOSTEIRO

Segundo as regras em vigor entre os beneditinos, de doze em doze dias, o barbeiro deslocava-se ao Mosteiro de Tibães para barbear os monges.
A chegada do barbeiro era preparada de véspera. Um caldeirão de água fervia com carqueja na barbearia.

A barbearia estava equipada com todos os apetrechos necessários ao seu funcionamento. Ao seu dispor estava, igualmente, preparado um armário com a roupa indispensável.
Os honorários do barbeiro, no século XVIII, eram satisfatórios: soldada anual de 70 alqueires de pão meado, 1 marrã de 50 arráteis ou 1.000 reis, 500 reis de sabão e 4 alqueires de trigo como pitança.

O Barbeiro era polivalente, pois além da higiene com a barba e o cabelo, também procedia a sangrias, lançava sanguessugas e tirava dentes.

O espaço destinado à barbearia, em 1797, ficou reduzido pois na parte norte foi montada aí uma botica.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

FREI ANTÓNIO DE SANTA RITA CARVALHO

Nasceu na Régua e baptizou-se com o nome de António Feliciano Carvalho. Tomou o hábito beneditino, em Tibães, em 1800, sendo Abade Geral Frei Manuel de Santa Rita Vasconcelos, pelo que recebeu o sobrenome de Santa Rita.
Professou, em Tibães, em 1801. Foi escolhido pelos seus mestres para frequentar as aulas de Teologia, na Universidade de Coimbra (1806-1814). Ordenou-se presbítero em 1807.
Em Coimbra foi estadista ou relator dos estados do Colégio de S. Bento para o Capítulo Geral de Tibães, desde 1810 até 1822.

FREI JOSÉ DE JESUS MARIA DA SILVA TORRES

Nasceu no Porto e foi baptizado em 1800.
Com 17 anos entrou em Tibães, pelas mãos de Frei Francisco de S. Luís. Ordenou-se sacerdote em 1823. Doutorou-se em Teologia na Universidade de Coimbra em 1831.
Em 1843 foi nomeado, pela Rainha, Arcebispo de Goa (1843-1849).

PORTAS E MURALHAS

MURALHAS MEDIEVAIS

Durante a Idade Média, Braga era uma cidade muralhada. No século XII já havia uma "cerca" a proteger a Sé e zona envolvente. O castelo, na zona da actual Arcada, foi construído no tempo de D. Dinis; nessa altura, deverá também ter sido ampliada a muralha.
D. Fernando, no final do século XIV, mandou reparar o castelo já existente, devido ao clima de guerra quase permanente com Castela que se viveu durante o seu reinado. No século seguinte continuou a dedicar-se atenção a esta fortificação. A torre de Santiago, por exemplo, é dessa época.
A partir do século XVI esse tipo de defesa tornou-se obsoleto, face aos progressos da tecnologia militar, e, a pouco e pouco, a velha muralha foi sendo desmantelada para dar lugar a construções civis. O castelo, que tinha passado a funcionar como cadeia, foi demolido em 1905, tendo sido conservada apenas a torre de menagem, que actualmente funciona como sala de exposições.
A poucos metros é visível outra das torres do conjunto, sobre a qual foi mais tarde construído o campanário da Igreja que existe no local.
Junto ao Arco da Porta Nova existe uma terceira torre, envolvida pelo casario, na qual está instalado o Museu da Imagem, recentemente inaugurado. Além destas, permanecem de pé a Torre de Santiago, transformada no século XVIII em campanário da Igreja de S. Paulo, e a de S. Sebastião, além de alguns troços de muralha que servem de suporte a edificações civis.

 

PORTA DE S. JOÃO

PORTA DE JACOB

ARCO DA PORTA NOVA

PORTA DE S. SEBASTIÃO

TORRE DO CASTELO
 

TEATRO CIRCO DE BRAGA

 

 

MONUMENTOS EM BRAGA

MONUMENTO AOS IRMÁOS ROBY

Os Irmãos Roby, foram dois irmãos, nascidos em Braga, que morreram nas campanhas de pacificação de África no início do século XX. Os irmãos nasceram na família do Solar de Infías, em Braga. João Roby o mais velho nasceu a 30 de Dezembro de 1875. Alistou-se na marinha, tendo prestado serviço, em Angola, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e Portugal Continental. Em 1904 é organizada em Angola numa expedição contra os Cuanhamas, sob o comando do capitão Roque Aguiar, para pacificar a região. João Roby participa dum destacamento de 499 homens, comandado pelo capitão de Artilharia Luís Pinto de Almeida. Em 25 de Setembro, em Umpungo, o destacamento cai numa emboscada. Como resultado, dos 499 homens, 254 foram mortos ou ficaram desaparecidos, dos quais 16 oficiais. Ninguém conseguiu reconhecer os restos mortais de João Roby, que aos 28 anos terminava a sua carreira ao serviço da Pátria. João Roby recebeu várias condecorações, todas ganhas na linha de fogo, destacando-se as Medalhas de prata da Rainha D. Amélia, Cavaleiro da Ordem de Torre e Espada e Oficial da ordem de Torre e Espada. Sebastião Roby foi capitão de infantaria, morto numa emboscada na mesma região, em 10 de Julho de 1915.

ESTÁTUA A PIO XII

Estátua no Largo da Senhora-a-Branca. Inaugurada em 15 de Maio de 1957. Escultura de Raul Xavier.
Pio XII, de seu nome Eugenio Giuseppe Maria Giovanni Pacelli (Roma, 1876-1958). Foi papa do dia 2 de Março de 1939 até à data da sua morte. Foi o único Papa do século XX a exercer o Magistério Extraordinário da infalibilidade papal – invocado por Pio IX – quando definiu o dogma da Assunção em 1950 na sua encíclica Munificentissimus Deus. A sua acção durante a Segunda Guerra Mundial tem sido alvo de debate e polémica. Foi proclamando Venerável pelo Papa João Paulo II na década de 1990.

BUSTO A CONDE DE AGROLONGO
José Francisco Correia (1853-1929) foi um industrial, filantropo e mecenas português. Nasceu em São Lourenço de Sande, concelho de Guimarães a 14 de Fevereiro de 1853. Com 10 anos parte para o Brasil, estabelecendo-se em Niterói. Com 18 anos cria a sua própria indústria, no ramo de tabacos, a Fábrica de Fumos Veado. O seu sucesso foi imediato. A fábrica acabaria por ser absorvida no início do século XX pela Companhia Sousa Cruz. Dedicou-se à fotografia, tornando-se um dos pioneiros da fotografia amadora no país e um dos raros autores oitocentistas a realizar fotografias de nus no Brasil. O Conde de Agrolongo, José Francisco Correia (1853-1929) foi um industrial, filantropo e mecenas português.

BUSTO A FREI CAETANO BRANDÃO
Inaugurado em 1906.
Localizado nas instalações do Colégio de S. Caetano.

BUSTO A DOMINGOS LEITE PEREIRA
Situado no Largo de Infias. Domingos Leite Pereira (BRAGA, 1882-1956), foi um político português. Licenciou-se em Teologia e no Curso Superior de Letras na Universidade de Coimbra. Ao longo da sua vida ocupou muitos e variados cargos políticos, entre os quais se destacam: Presidente da Câmara Municipal de Braga depois da República; Deputado às constituintes pelo Partido Democrático; Presidente da Câmara dos Deputados; Ministro da instrução pública no governo de José Relvas em 1919.; Primeiro Ministro (Presidente do ministério) por três vezes: de 30 de Março a 29 de Junho de 1919; de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920; e de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925; Ministro dos negócios estrangeiros em vários governos: nos de Álvaro de Castro (de 20 a 30 de Novembro de 1920); Liberato damião Ribeiro Pinto (de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921); Bernardino Machado (de 2 de Março a 23 de Maio de 1921); António Maria da Silva (de 30 de Novembro de 1922 a 15 de Novembro de 1923); e, de novo, Álvaro de Castro (de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924). Depois da sua vida política, foi presidente da Companhia de Seguros Douro até à sua morte em 1956.

MONUMENTO AO PAPA
Erigido em 1987, em honra da visita do Papa J. Paulo II em 13/5/1982, é no dizer dos autores (Escultor Zulmiro de Carvalho e Arquitecto Domingues Tavares), uma “forma do nosso tempo” que engloba três elementos: uma placa circular, colocada no passo dos transeuntes, um muro como percurso do olhar e uma cripta, onde sobressaem três pirâmides, que poderão identificar como três sacro-montes de Braga (Bom Jesus, Sameiro e Falperra).

ESTÁTUA AO GENERAL GOMES DA COSTA
Inaugurada em 28 de Maio de 1966, na Praça Conde de Agrolongo (Campo da Vinha). Manuel de Oliveira Gomes da Costa (lisboa, 14 de Janeiro de 1863 - Lisboa, 17 de Dezembro de 1929), oficial do exército e político português, décimo Presidente da República e o segundo da Ditadura. Enquanto militar, destacou-se nas campanhas de pacificação das colónias, em África e na Índia, e ainda na Grande Guerra. Enquanto político, foi o líder que a direita conservadora encontrou para liderar a Revolução de 28 de Maio de 1926, com início em Braga (isto após a morte do general Alves Roçadas, que deveria ter sido o seu chefe). Não assumiu de início o poder, que foi confiado a Mendes Cabeçadas, o líder da revolução em Lisboa; como os revolucionários julgassem a atitude deste um pouco frouxa, Gomes da Costa viria, após sucessivas reuniões conspirativas mantidas no quartel-general de Sacavém, a alcançar o Poder, após um golpe ocorrido em 17 de Junho de 1926. No entanto, o seu governo não durou muito mais que o de Mendes Cabeçadas; em 9 de Julho do mesmo ano, uma nova contra-revolução, chefiada pelo general Óscar Carmona, derrubou Gomes da Costa, incapaz de lidar com os dossiers governativos.
Carmona, agora Presidente do Conselho de Ministros, enviou-o para o exílio nos Açores, e fê-lo Marechal do Exército português. Em Setembro de 1927 regressou à Metrópole, tendo falecido em condições miseráveis, sozinho e pobre.

ESTÁTUA AO COMENDADOR SANTOS DA CUNHA

Localizada na rotunda com o mesmo nome.
Santos da Cunha foi um profundo defensor dos interesses da cidade. Foi Governador Civil, Presidente da Câmara e Deputado.

ESTÁTUA A FRANCISCO SANCHES
Nasceu no território pertencente à diocese de Braga, em 1550 e foi baptizado na igreja paroquial de S. João do Souto, da mesma cidade, em 25 de Julho de 1551. Com 12 anos saiu de Portugal e foi para Bordéus, onde se matriculou e frequentou o famoso colégio de Guiana, que era um foco intenso de renovação intelectual, em que influíam o Renascimento italiano e o reformismo religioso. Em 1569 abalou de Bordéus para a Itália. Seguiu ali estudos de medicina, aprendendo a investigar em cadáveres. Mais tarde, de novo em França, prosseguiu essa prática no hospital de Toulouse (Tolosa), onde foi director dos serviços médicos durante mais de trinta anos. Em 1573 matriculou-se na Faculdade de Medicina de Mompilher e, dois anos depois, fixou residência em Toulouse, onde permaneceu até ao fim da vida, ensinando medicina, tendo sido considerado nesta universidade um dos mestres mais ilustres. Como homenagem póstuma foi colocado o seu retrato num dos ângulos da sala dos Actos e lá permanece. Também Braga não o esqueceu, levantando-lhe uma estátua e dando o seu nome a uma escola. Além de médico foi também um eminente filósofo: contestou a filosofia de Aristóteles e o pretenso saber da escolástica, mostrando o falível do testemunho dos sentidos, denunciando a ineficácia dos métodos tradicionais e tentou definir o seu próprio ideal de conhecimento. A sua obra principal saiu na I edição (Lião, 1581), com o título "Quod nihil scitur" (Que nada se sabe), mas a II edição (Francforte, 1518), trouxe o título mais condicente com o seu pensamento: "De multum nobili et prima universali scientia quod nihil scitur". Além deste e de muitos outros trabalhos filosóficos, que constituem a magnífica "Opera médica". Desapareceu do número dos vivos em 1622.

ESTÁTUA A D. JOÃO PECULIAR
Nasceu em Coimbra, em data desconhecida. Sabe-se que estudou em Coimbra e em Paris. Em 1123 fundou o Convento de São Cristovão de lafões, na beira, próximo de S. Pedro do Sul.
Foi Bispo do porto em 1136 e Arcebispo de Braga entre 1138 e 1175.
Foi quem coroou D. Afonso Henriques, Primeiro Rei de Portugal nas cortes celebradas em Lamego em 1143. Foi o organizador do encontro do rei português, com Afonso VII de Leão e castela em 4 e 5 de Outubro de 1143, do qual resultou o Tratado de Zamora, que marca a independência de Portugal. Acompanhou sempre o novo rei e assistiu à Conquista de Lisboa em 1147. D. João Peculiar fez 14 vezes a viagem de Braga a Roma, para convencer o Papa Inocêncio II a reconhecer a D. Afonso Henriques o título de rei – o que só viria a acontecer em Maio de 1179 pelo papa Alexandre III. O arcebispo faleceu em 3 de Dezembro de 1175 e foi sepultado na Sé de Braga.

ESTÁTUA A D. PEDRO V

Estátua inaugurada em 31 de Julho de 1879. Localizada no Campo Novo.

BUSTO A JOÃO PENHA
Nasceu em Braga em 1838. Foi um grande poeta tendo constituído as seguintes obras: Rimas (Lisboa, 1882), Viagem por Terra ao País dos Sonhos (Porto, 1898), Novas Rimas (Coimbra, 1905), Ecos do Passado (Porto, 1914), Últimas Rimas (Porto, 1919), Canto do Cisne (Lisboa, 1923). Morreu pobre, surdo e esquecido em 1919.

 
 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

CASAS E PALACETES DE BRAGA

CASA DO AVELAR

Que remontará à primeira metade do século XVI, era certamente na época, uma das construções civis mais importantes. Ao longo do tempo sofreu várias influências e intervenções e em 1942 foi objecto de grandes obras de restauro.

O PALACETE ROCHA VELLOZO
OU MATOS GRAÇA
Localiza-se no gaveto da Avª 31 de Janeiro com o largo da Senhora-a-Branca em Braga. Dele apenas resta a imponente fachada norte, parte da fachada poente e uma pequena secção da fachada nascente. É uma construção da segunda metade do século XIX. Casa de “brasileiro” que documentava exuberantemente uma época ricamente decorada nos seus interiores com pinturas murais (nomeadamente do artista bracarense Vicente José Silva e magníficos tectos em gesso de estilos e gostos epocais típicos. Foi mandada edificar por um torna-viagem que em 15-07-1871, tinha então 41 anos de idade, casou por procuração com uma sobrinha de 17 anos, de seu nome Maria Amélia de Rocha Vellozo, natural de S.Paio de Merelim, concelho de Braga. Deste casamento, nasceu Mariana da Rocha Vellozo em 19-09-1886, que por sua vez casou em 20-10-1902 com José Luís de Matos Graça. Daqui a razão da toponímia atribuída ao Palacete de Rocha Vellozo ou Matos Graça.

A CASA DA NAIA
Também conhecida como Casa da Quinta da Naia é um imóvel de arquitectura civil, inserido
em contexto rural e considerado Imóvel de interesse público. D. L. n.º 129/77 de 29 de Novembro. São escassas as informações acerca da casa e dos restantes elementos construídos que a rodeiam e que com ela, formam um interessante conjunto arquitectónico; no entanto, é possível situar a sua edificação entre os finais do século XVII e princípios do Século XVIII. Apesar dos evidentes sinais de degradação, a Casa da Naia possui uma grande beleza e equilíbrio, proporcionados pela fachada principal composta por três corpos, integrando o central, uma varanda alpendrada à qual se acede a partir de uma escadaria de lanços convergentes. A estes motivos de grande interesse, somam-se no espaço envolvente, fontes de jardim, um tanque, esculturas, azulejos e terreiros, bem como um imponente portal encimado por uma pedra d'armas com motivos eclesiásticos, sendo este, o único elemento visível a partir do exterior dos muros em granito que delimitam a quinta. Lamentavelmente é mais um caso de negligência e de falta de respeito pelo património bracarense, pois esta casa encontra~se há vários anos em estado de degradação completa.

CASA DA ORGE
Situada em Maximinos, é um palacete todo murado, com uma frente majestosa, do século XVIII. Foi construído em 1735, cujo portão de entrada nos oferecia uma bonita roseta talhada em pedra.
Recentemente, foi tentatada a classificação deste edifício setencentista - a Casa da Orge - de indiscutível valor patrimonial, embora não figure como tal no cadastro mandado fazer pela Câmara.
Ultimamente o IPPAR, em 15 de Maio de 2003, tomou a decisão de considerar a viabilidade de "classificação da Casa da Orge" (Processo nº03/03/24(001)CLS/2002), na Freguesia de Maximinos à saída da estrada para Barcelos, por esta casa setecentista, "merecendo protecção específica, se inscreveria na categoria de Imóvel de Interesse Municipal".
Mesmo salvaguardada por medidas cautelares, mesmo em pleno século XXI, onde se afirmam as elevadas responsabilidades políticas do nosso tempo em matéria de cultura, mesmo assim foi demolida em 2007, para dar lugar a outro edifício sem história, sem arte, sem autor e sem futuro.

PALÁCIO DO RAIO
Belo exemplar do rococó, o Palácio do Raio é uma jóia arquitectónica que, segundo Matos Sequeira, lembra uma bela peça de mobiliário. Foi inspirado nas gravuras que nos meados do século XVIII chegaram até Portugal, trazidas do Centro da Europa onde, após o Concílio de Trento, o barroco imperava como moda.
O Palácio do Raio, situado no Largo conhecido pelo mesmo nome, é uma obra atribuída a André Soares. Isto, porque foi feito ou riscado ao mesmo tempo que a Capela de Santa Maria Madalena da Falperra, cuja fachada do mesmo estilo rococó está documentada como sendo obra deste notável arquitecto bracarense. A reforçar esta atribuição, há o facto do Palácio do Raio ter sido mandado construir em 1754-55 por João Duarte de Faria, capitalista, mesário da Confraria de Santa Maria Madalena, altura em que decorriam também as obras de construção da fachada daquela Capela.
A fachada nobre é dinamizada por janelas e varandas de luxuriante recorte. O eixo central é verdadeiramente espectacular de fantasia, com estátuas sobre a varanda, integradas num jogo de curvas múltiplas que nascem junto ao solo e se projectam para o céu através do frontão brasonado, em ornatos indescritíveis.
A portada, ladeada por volutas dispostas em diagonal, compõe-se de nove camadas de elementos, sucessivamente retraídos, que lhe dão uma profundidade teatral. As pilastras emparelhadas dos cunhais e a balaustrada de fogaréus e jarras disciplinam a composição, conferindo-lhe também uma adequada solenidade.
No interior, um amplo átrio serve de entrada para uma escadaria nobre, (semelhante à dos Paços do Concelho, também ela, obra de André Soares), adornada com belos exemplares de azulejos figurativos do século XVIII, com motivos exóticos e de caçadas, idênticos aos do Panteão de S. Vicente de Fora, em Lisboa, e que, como estes, são de cabeceira.
No patamar existe a figura de um mexicano (razão por que esta casa também é conhecida por este nome) que segura um facho de vários lumes. O tecto pintado, e o lanternim (que projecta a sua luz na escadaria), apresentam vários motivos, pinturas sem grande primor ou grandiosidade na sua execução. Todo este conjunto mostra o gosto abrasileirado do seu primeiro proprietário.
O palácio ostenta o brasão do Visconde de S. Lázaro, Miguei José Raio, capitalista brasileiro que o comprou ao seu primitivo dono - João Duarte de Faria, tendo sido a partir de então, que esta casa passou a ser referendada com o nome do seu novo proprietário.
Este belo edifício é actualmente propriedade da Santa Casada Misericórdia de Braga, que o arrematou em praça pública ao Banco do Minho.

CASA DO ROLÃO
A meio da Av. Central sobressai a Casa do Rolão, com uma fachada «rocaille», que traduz uma evolução tranquila da arquitectura tradicional bracarense da época, em direcção ao «rococo». Outro belo exemplar artístico do mestre André Soares. Terá sido construída, entre 1759 e 1765 por um industrial bracarense. A sua fachada, que se encontra actualmente bastante degradada, apresenta assimetria entre as portas das varandas e as portas térreas, o que, de certa forma, lhe confere simetria entre o andar superior e o inferior. Trata-se de um belo exemplar de arquitectura civil do século XVIII, em estilo rococó. A balaustrada tem um vaso decorativo em cada extremo, pormenor que permite distingui-lo facilmente dos prédios próximos. Posteriormente foi acrescentado ao edifício um piso superior recuado, só visível à distância.

A CASA DOS CRIVOS

Esta Casa, situada na Rua de S. Marcos, é uma reminiscência da moda que, “a partir do século XVII, quando o ambiente de excessiva religiosidade fez cobrir as janelas de gelosias que dariam a Braga o aspecto de uma cidade muçulmana” (In Guia de Braga - Arte e Turismo, de Sérgio da Silva Pinto, edição da Câmara Municipal de Braga, 1959).
É um dos raros exemplares que resta de um género de arquitectura que dominou em Braga, nos séculos XVII e XVIII. As janelas de guilhotina, portadas com óculo ou com um pequeno espaço envidraçado e o uso de gelosias davam uma luz coada ao ambiente das salas ‘o respeito conventual de casas de rotulas, coscuvilheiras, por detrás das quais se cocavam vidas alheias” (In «O Ultimo Olhar de Jesus», de Cândido de Figueiredo).
Era de casas deste género que, ao principio da noite, depois do toque das Trindades, no escuro cerrado se ouvia, com lânguido clamor, recitar de janela para janela, a ladainha, o terço e o rosário, ao mesmo tempo que escondidas pelas gelosias, que cobrindo uma espécie de varanda, que avançava na fachada, iam soltando impropérios contra os noctívagos que se aventuravam a correr aquelas soturnas e escuras ruelas. A paga destes opróbios demorava algum tempo. Eram retribuídos para essas janelas encobertas, onde se encontravam as beatas, a ver mas sem serem vistas, durante a Semana Santa, no dia e hora da Procissão dos Fogaréus, a qual, precedida de temeroso bando de arruaceiros vingativos que, embuçados lançavam sobre elas delações infames, insinuações caluniosas, cobardes e impunes que anavalhavam almas pávidas (In «O Ultimo Olhar de Jesus», de Cândido de Figueiredo).

A CASA DOS COIMBRAS
Foi construída conjuntamente com a remodelação e ampliação do "Palacete dos Coimbras", em 1525-1528. A Casa dos Coimbras tem nas suas origens uma construção que já em 1471 servia de residência ao Deão D. Martim Anes, em 1477 ao bispo Titopolis D. Gil e em 1502 ao protonotário apostólico D. Luís Gonçalves Farto. Foi adquirida em 1505 por João de Coimbra, natural de Lisboa e Doutor em degredos. Era, igualmente, Provisor da Mitra de Braga. Esta casa sofreu diversas reconstruções. A primeira por artistas biscainhos presentes em Braga para a execução da capela-mor da Sé Catedral.
Em 1525, D. João de Coimbra manda edificar uma capela privada dedicada a Nossa Senhora da Conceição, que ficará conhecida como Capela dos Coimbras. A capela é da autoria dos mestres biscainhos, habitantes do Palácio dos Biscainhos. A capela possui o formato de uma torre quadrangular, e encontra-se dividida em dois espaços distintos, o galilé e a parte interior. O galilé, com ornamentos manuelinos, é da autoria de Filipe Odarte. A parte interior, da autoria João de Ruão, possui o tradicional altar-mor e as armas de D. João de Coimbra. A capela é coberta por uma abóbada de nervuras, e as paredes possuem imagens, em azulejos, alusivas ao Génesis.
Em 1906, as transformações urbanas ocorridas ditaram a destruição dos edifícios que se localizavam na fachada norte da Rua de S. João, desde a porta da muralha até à então designada Rua do Coelho, tendo o Palacete dos Coimbras sido trasladado para o Largo de Santa Cruz, aberto na mesma altura em virtude do derrube da porta da muralha, passando a ocupar parte do espaço pertencente à muralha medieval.
Os elementos arquitectónicos manuelinos são preservados, o novo edifício é então construído do lado oposto da rua, em continuidade com a capela. A casa dos Coimbras, possui as janelas e as portas do antigo palacete, tendo no entanto sido alterado o formato do edifício manuelino. Foi o arquitecto Vilaça, que projectou em 1924, a Casa dos Coimbras, aproveitando elementos da demolida primitiva construção manuelina, tendo sido reconstruído entre 1926 e 1931, no local onde hoje se encontra.

PALACETE DOS VILHENA COUTINHO
Peculiar casa nobre da segunda metade do século XVIII, delineada por Carlos Amarante, anexa à qual existem duas casas de traça setecentista que proporcionam um harmonioso sentido de conjunto (completado pela Igreja e Convento do Pópulo).

CASA DO IGO

Remonta ao século XVIII. Edificada pelos cónegos regrantes de Santa Cruz de Coimbra para servir de hospício. Foi leiloada, em 1834, e vendida novamente em 1872. Chegou a ser o «Hotel do Igo». É uma casa emblemática do Campo das Carvalheiras, no qual, também, se destacam a Casa do Pimentel e o cruzeiro seiscentista do Arcebispo D. Afonso Furtado de Mendonça.

 

CASA DA RODA

Imóvel no Século XVI, porventura a última casa da roda dos expostos de Braga (funcionou até 1897), a sua evidencia construção a reutilização de materiais mais antigos, que lhe conferem grande originalidade, vislumbrando-se um carácter renascentista de tom Florentino.

A CASA CUNHA REIS
Ou Casa Grande foi mandada construir no século XVIII, por D. António Alexandre da Cunha Reis Mota Godinho.
Trata-se do edifício mais marcante no Campo das Hortas, fechando o largo, no lado aposto à Porta Nova. Percebe-se que, na época da sua construção e depois, terá dominado todo aquele espaço com o seu aspecto imponente.
É um exemplar de arquitectura civil barroca, com dois pisos. A fachada apresenta duas portas e cinco janelas gradeadas no piso térreo e sete janelas com sacada no piso superior. O conjunto é rematado por um frontão triangular e uma balaustrada com dois vasos de coroamento nas extremidades.
A casa acolheu, em 1852, o rei D. Fernando, marido de D. Maria II, os príncipes e o Duque da Terceira, durante uma visita a Braga.

A CASA OU SOLAR MACIEL ARANHA
Também conhecido como Casa do Gato Bravo, é um solar situado na Praça Conde de Agrolongo, em Braga.
A entrada possui ainda a pedra d'armas onde estão as insígnias dos Maciel e Aranha.
O edifício está classificado como imóvel de interesse público desde 22 de Novembro de 1971.
Trata-se de um palacete barroco do segunda metade do século XVIII, da autoria do Arquitecto Carlos Amarante com planta em "U". O edifício tem dois pisos e possui uma varanda coberta que se dispõe ao longo das três fachadas em torno do pátio interior. O conjunto é fechado por um muro com portal que dá para o Campo da Vinha, nas proximidades do Convento do Pópulo.
Ao lado, mais próximas do convento, existem duas residências, também recuperadas, que formam com a Casa dos Maciéis Aranhas um belo conjunto. São construções simples, com escada de granito que conduz a um pequeno alpendre.

CASA DO PASSADIÇO
Cujo peculiar nome advém de uma passagem pública que se fazia através dos seus domínios. A fachada setecentista encerra um admirável e original trabalho de cantaria a nível das guarnições dos vãos.

CASA DE INFIAS OU VALE DE FLORES
Trata-se de um solar do final do século XVII, de planta em "U", situado junto a uma das saídas da cidade, próximo da Escola Secundária Sá de Miranda e da Igreja de S. Vicente. Apesar de já apresentar alguns elementos específicos do estilo barroco, ostenta ainda alguns traços renascentistas. Uma das alas laterais integra uma capela, na qual uma inscrição refere que foi mandada erigir, em 1687, por João Borges Pereira Pacheco, fidalgo de Sua Majestade, o qual se encontra sepultado no interior da capela. Trata-se de um belo exemplar da arquitectura civil seiscentista.

CASA DA TORRE OU DE S. SEBASTIÃO DAS CARVALHEIRAS

Uma das dez torres e torrões que integravam a muralha medieval e que constam da planta Geogius Braun de 1594. A casa que lhe está adossada é do século XVIII.
Casa setecentista, com ampla fachada rasgada por dez janelas de varandas emolduradas por granito. Nas portas, realce para o revestimento em granito com motivos decorativos e para a pedra de armas. Localiza-se no Largo Paulo Orósio.

CASA DOS FERRAZES
“Símbolo” dos portugueses regressados do Brasil, os chamados Brasileiros, insere-se num tipo de arquitectura difundida em Braga nos finais do século XIX e princípio do século XX, marcada pela exuberância e excesso, de uma tipologia cultural importada.