Em 1598, a passagem pela Ponte de Prado era arriscada. Nas margens fizeram-se portas para impedirem a passagem. Por causa da Jurisdição sobre esta ponte ocorreram desavenças entre os Senhorios de Braga e de Tibães pois ambos alegavam posse e o consequente direito de aí colocar os seus oficiais de saúde.
Seja bem-vindo a «História por um Canudo».
Aqui encontrarão diversas investigações e publicações sobre áreas do meu interesse:
as minhas impressões;
a minha terra, Mire de Tibães;
o pedagogo e pai dos pobres, Frei Caetano Brandão;
o património de Braga.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
A SITUAÇÃO SOCIAL E ECONÓMICA EM TIBÃES EM 1598
Frei Marcelino da Ascensão relata a situação económica e social no couto de Tibães:
«o ano de 1598 deve ser sempre chorado em Portugal … pois castigou todo o reino com uma horrível peste, de que morreu muita gente, não só pela malignidade como também pelo tempo que durou. Só foi extinta, em Maio de 1603».
quarta-feira, 9 de junho de 2010
SEDUZIR
«SEDUZIR» é o título de um nosso artigo publicado na Revista Andarilho, n.º 34, de 01 de Junho de 2010.
Antes fazer um exercício de sedução reportado à educação.
A relação professor-aluno deve ser motivadora, entusiasmante e cativante, pois não se consegue mudar o outro, se não houver fascínio, envolvimento, deslumbramento pela mensagem, pelos conteúdos e pela interiorização de competências.
Nesta relação entre o que se ensina e o que se aprende, todos os actos, todos os hábitos e costumes, todos os feitios e maneiras de ser, todas as omissões, todas as palavras, todos os silêncios estão ligados em cadeias infinitas de causas, que, por sua vez, são efeitos de outras causas. Nesta teia de causa-efeito, a dedicação e atenção do professor é crucial, para
Obviamente que é importante encontrar o registo adequado, diferenciado de aluno para aluno, e o perfil certo para cativar.
Pode-se ser simples, andar um pouco perdido, estar desmotivado por causa do sistema, mas ser simultaneamente apelativo, um líder junto dos alunos, que exerce uma atracção à qual é difícil de resistir e que aposta, de modo único, nas expectativas.
Com os pés assentes na terra, encontramos professores com um «je ne sais quoi» que interpela, prende a atenção, na fase da aprendizagem, da descoberta e do aprofundamento, que seduz pelas ideias, pelos exemplos, pela abordagem, pelas metodologias, pelo modo como expõe os assuntos, pelas causas, pelas actividades e pelos projectos.
Por vezes basta um sorriso, um olhar, um gesto, uma palavra, uma apresentação, o tom de voz, a persistência, o elogio, o cumprimento das regras, a organização, a disciplina assumida, para seduzir, para valorizar, para influenciar e para transmitir.
Recordamos os professores, sobretudo, pelo modo como nos influenciaram, pela sua atitude, alma, intuição, prática e valores.
Um bom professor encanta.
FREI BENTO VIEGAS DE VILAFRANCA
Frade Professo da Ordem de S. Bento, do Mosteiro de Santo Tirso, Bispado do Porto.
Filho de Francisco Vaz e Isabel Fernandes. Natural de S. Vicente de Vila Franca, diocese de Lisboa.
Foi ordenado presbítero por D. Frei Bernardo, Bispo de S. Tomé, comendatário perpétuo do Mosteiro de Tibães, no dito mosteiro, em 6 de Março de 1563, com licença do Arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires.
terça-feira, 8 de junho de 2010
PRAÇA DA REPÚBLICA
domingo, 6 de junho de 2010
FREI BALTASAR DE BRAGA
Foi ordenado subdiácono por D. Frei Bartolomeu dos Mártires, na Capela de S. Geraldo, na Sé de Braga em 1 de Março de 1561.
Foi ordenado presbítero em Tibães em 6 de Março de 1563.
terça-feira, 1 de junho de 2010
AUGUSTO LUÍS VIEIRA SOARES
DOMINGOS LEITE PEREIRA
ÁLVARO PIPA
ALBERTO FEIO SOARES DE AZEVEDO
domingo, 23 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
MANUEL JOAQUIM RODRIGUES MONTEIRO
terça-feira, 18 de maio de 2010
FÁBRICA DE LUVAS - LUVARIA MONTEIRO
segunda-feira, 17 de maio de 2010
RAÇÃO NO MOSTEIRO DE TIBÃES
Afonso Rodrigues de Magalhães, senhor da honra e torre de Magalhães (hoje a freguesia de Paço Vedro de Magalhães, no concelho de Ponte da Barca) e do couto de Fontarcada (Póvoa de Lanhoso), nasceu por volta de 1295 e tinha ração no mosteiro de Tibães em 1312. Casou com Alda Anes de Castelões, filha de João Martins de Castelões.
FREI JOSÉ DA APRESENTAÇÃO
Este beneditino de Tibães, nasceu no Porto em 1767 e era, igualmente, conhecido por José Teixeira Barreto. Em 1791 eram dados a conhecer, em Roma, muitas das suas gravuras, em traço de pena.
domingo, 16 de maio de 2010
JOÃO DE ANDRADE CORVO
Economista, homem de ciência, militar, parlamentar, político, dramaturgo, romancista, homem de grande cultura, formou-se na Escola Politécnica de Lisboa. Possui, também, o Curso Engenharia na Escola do Exército, chegando a atingir o posto de coronel. Fez igualmente estudos médicos.
Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, tendo desenvolvido leis proteccionistas e construído o caminho-de-ferro do Minho ao Douro.
Foi embaixador de Portugal , Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal durante o Governo de Fontes Pereira de Melo e Ministro da Marinha e Ultramar.
Colaborou em vários periódicos, entre os quais a Revista Universal Lisbonense, o Mosaico, o Arquivo Universal, a Revista Contemporânea de Portugal e Brasil ou A Época, onde publicou vários textos dramáticos: Nem tudo o que luz é ouro, Um conto ao serão, O astrólogo e O aliciador. Publicou o romance histórico em quatro volumes Um ano na corte, o romance Sentimentalismo e a colectânea Contos em viagem.
sábado, 15 de maio de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
FREI CRISÓSTOMO DE SANTO TOMÁS
Nasceu a 27 de Janeiro de 1724 e tomou o hábito de S. Bento, no mosteiro de Tibães, a 27 de Fevereiro de 1741. Transferido para o coristado de Pombeiro, ali demorou sete meses, até se mudar para S. Bento da Saúde, em Lisboa. Quando iam quase findos os quatro anos de coristado, foi frequentar o colégio que então abriu no mosteiro de Palme, onde cursou três anos de Filosofia. Os estudos de Teologia obrigaram-no a transferir-se para o Colégio da Estrela, vindo a concluir, finalmente, o novo curso no Colégio de Coimbra.
Faleceu no Mosteiro de Paço de Sousa pelo Natal de 1783.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
FREI ANTÓNIO DA SOLEDADE, VULGO MARECOS
Segundo a Memória da sua vida lançada no Livro dos óbitos do mosteiro de Paço de Sousa, onde foi conventual e ficou sepultado após a sua morte, em 1776, foi um grande estudioso e perito em Diplomática a que se «aplicou com infatigável trabalho como se mostra das multiplicadas memórias que deixou em todos os Mosteiros onde viveu, e neste [de Paço de Sousa] muito mais, onde, sem rebuço o digo, se lhe devia, levantar hum Busto à sua memória, pois a elle se deve toda a riqueza, deste Cartório onde immensos títulos estavão perdidos e dispersos».
Foi, igualmente, muito aplicado à leitura dos melhores autores, tanto de Teologia como de Moral, amador das Belas Artes e da História Eclesiástica e profana, versado na Geografia.
Completados os seus estudos menores no Porto, foi admitido, com 17 anos, no noviciado de Tibães, passando, a seguir, para o coristado de Rendufe.
Frequentou, de seguida, Filosofia, no mosteiro de Arnoia, e Teologia, no colégio de S. Bento de Coimbra.
sábado, 8 de maio de 2010
CONSIDERAÇÕES DO ABADE DE TIBÃES SOBRE MAFRA
O Palácio-Convento de Mafra tornou-se numa manifestação do regalismo joanino. Elevaram-se vozes discordantes, como as do Padre José Correia Leitão, de Frei Lucas de Santa Catarina ou, nomeadamente, do Abade beneditino de Tibães, exemplar numa exposição e nos argumentos: ao Convento de Mafra, a cuja sagração (galhofa) se recusa assistir, chama ele mesquita, isto é, templo de infiéis, o que o mesmo é dizer templo estranho ao grémio católico apostólico romano.
CAMILO E A ELEIÇÃO DOS ABADES GERAIS DE TIBÃES
A eleição dos Abades Gerais de Tibães e dos Prelados da Congregação nem sempre eram pacíficas, a acrescentar a este facto as reacções externas, concretamente, da Coroa e da Santa Sé. Camilo Castelo Branco sobre este processo eleitoral que se realizava, geralmente, no mês de Maio e trienalmente, emite algumas opiniões que devem ser confrontadas, tendo em conta o seu espírito fértil e anticlerical:
«Parecia mais um praça sitiada e posta em defesa que casa de religião»… ;
«D. João V mandaou desde Lisboa quatro monges veneráveis, com outros vogais, assistir ao Capítulo-Geral de Tibães, para impedir distúrbios iminentes»… ;
«Assim que os monges prudentemente se retiraram»… ;
«Ao findar o triénio, os galopins reuniam-se em Tibães, congregavam-se em consistório e gizavam a traça eleitoral. Se a lei implicava ao traçado, violência no caso (…) Se a oposição era rija, a situação armava-se no Claustro, e o terreiro da portaria coalhava-se de soldados armados, que afugentavam os interventores»… ;
«Baldaram-se as admoestações e ameaças do ministro»… ;
«Rebentou a represa do velho ódio»… .
quarta-feira, 5 de maio de 2010
INTERVENÇÃO PROFERIDA NA INAUGURAÇÃO DO CENTRO DE EXPOSIÇÕES CÓNEGO CÂNDIDO PEDROSA
Ex.mo e Reverendíssimo Sr. Arcebispo Primaz de Braga,
Ex. mo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Braga,
Ex.mo Sr. Juiz Presidente da Confraria do BJM,
Ex.mos Membros da Confraria do BJM,
Ex.ma Família do Sr. Cónego Cândido,
Ex.mos Amigos e Amigas do Sr. Cónego Cândido Pedrosa,
Meus Senhores e Minhas Senhoras.
Com este acto solene, a Mesa Administrativa da Confraria do Bom Jesus do Monte recorda com saudade e presta um singelo tributo ao Sr. Cónego Cândido Pedrosa, não esquecendo que a experiência de vida que nos transmitiu foi exemplar, estimulante e encorajadora. Foi uma vida marcada pelo serviço e entrega aos outros. Tivemos a grata experiência de conviver e trabalhar, com ele, numa causa, numa doação desinteressada, num afecto enorme que une todos os que gostam e admiram a Estância do Bom Jesus do Monte, deste ímpar património arquitectónico, ambiental, religioso e turístico, deste oásis encantador, maravilhosamente apropriado ao restauro das forças do espírito e do corpo. Como ele trabalhou incansavelmente no engrandecimento da formosa estância e no rejuvenescimento da devoção à Paixão e Morte do Senhor!
Todos os Mesários da Confraria do Bom Jesus do Monte realçam as virtudes do Cónego Cândido, que no exercício do seu múnus apostólico, bem como no seu contacto social, projectou um espírito de unidade entre todos, com o carisma que lhe era peculiar, de gerar um ambiente de serenidade e firmeza em opções assumidas no exercício de funções. A todos estimulava, congregava, e não só conferia o sentido de responsabilidade, como de confiança e autonomia.
A actual Mesa Administrativa da Confraria do Bom Jesus do Monte decidiu, por unanimidade, homenagear o seu anterior Juiz Presidente, através de três iniciativas:
- atribuir o nome Centro de Exposições Cónego Cândido Pedrosa ao espaço que, outrora, fora destinado a Museu;
- Publicar uma curta biografia que, também, tem por título «Centro de Exposições Cónego Cândido Pedrosa»;
- Promover uma exposição intitulada «Cruzes».
O tema desta exposição foi intencional. Está relacionado com o Dia da Invenção da Santa Cruz, que hoje é evocado no calendário litúrgico e que, no passado, era uma das grandes celebrações que ocorriam nesta estância, entre outras, a Ascensão do Senhor, o Espírito Santo, o Aniversário da Sagração do Templo e a Quaresma.
Não olvidamos, igualmente, que a escolha do título da exposição «Cruzes» se relaciona com a vida e a obra do homenageado. Para o Juiz Presidente da Confraria desta Colina Sagrada, «a Cruz seria uma escada que o levaria ao céu», conforme podemos retirar das suas palavras: «É preciso acreditar na Cruz. Escolher Jesus crucificado e acreditar que detrás da dor está o seu rosto, que é amor pessoal para mim e para todos».
O Sr. Cónego Cândido Pedrosa foi um homem de “causas e de lutas”, a maior delas contra a doença, nos últimos quatro anos, que o levou mais cedo do meio de nós, sem abandonar as suas comunidades e tarefas: quarenta anos de vida sacerdotal nesta terra, vividos intensamente como Pároco nas freguesias da Aguçadora, S.to Adrião e Nogueira, Prefeito e Professor do Seminário, Director Interno da Oficina de S. José, Conselheiro Espiritual nos Movimentos da Pastoral Familiar, Arcipreste, Juiz Presidente da Confraria do Bom Jesus do Monte, Presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Hotéis do Bom Jesus, Sacerdote Focolarino e Capitular do Cabido Bracarense.
É vã uma fé sem obras. E as suas obras falam, sobretudo, do seu modo particular de acreditar, na especial e sempre presente, providência de Deus, materializando-se na construção de algumas obras que o perpetuarão.
Diríamos que no curto espaço de tempo, 6 anos, que esteve à frente dos desígnios e vicissitudes da Confraria do Bom Jesus do Monte «fez muito em tão pouco tempo».
A sua obra, neste Ex-Líbris de Braga, do Norte e de Portugal, está à frente de todos e pode ser, agora, revisitada com outros olhos. Se a árvore é conhecida pelos seus frutos, o Sr. Cónego Cândido Pedrosa deixou a sua assinatura no lançamento e concretização dos projectos de reabilitação, pois o património da estância encontrava-se altamente degradado e, em alguns casos, em ruína. Tudo reclamava uma reabilitação inadiável: A reconstrução do Hotel do Templo e do Hotel do Lago; a recuperação total do elevador; a recuperação da colunata e salão de chá e respectiva transformação num Centro de Congressos; a reconstrução da Casa das Estampas / Museu; o restauro das Capelas do Santíssimo e das Relíquias; o restauro de telas; os arruamentos e caminhos; a pavimentação do adro; as vedações e entradas; a Iluminação monumental; a Iluminação geral; as águas e saneamento; a mata e Jardins. A estância do Bom Jesus apresenta-se, agora, após a implementação do projecto de reabilitação, mais renovada e mais atractiva para os devotos e visitantes, já que foram assegurados alguns equipamentos para melhor acolhimento das pessoas.
O Sr. Cónego Cândido Pedrosa esteve sempre ligado ao Mar. Talvez, por isso, ele tenha sido um verdadeiro timoneiro da reabilitação do Bom Jesus, fazendo rolar as ondas do tempo e as fraquezas dos lemes, nunca perdendo o sentido do porto. Sempre com o total apoio dos mesários da confraria, pescadores experimentados, batidos por todos os ventos e habituados às águas agitadas. Estes pescadores sentiram o bramir das ondas e o roncar dos ventos, mas nos diferentes momentos souberam, com o seu Mestre, guiar esta barca delicada, venerável na antiguidade, de uma riqueza patrimonial ímpar e que necessita de todo o nosso empenhamento para a sua conservação, reabilitação e engrandecimento.
José Carlos Gonçalves Peixoto, Mesário da Confraria do Bom Jesus do Monte
terça-feira, 4 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
LANÇAMENTO DE PUBLICAÇÃO
O Correio do Minho de 2-05-2010 divulga o lançamento da nossa publicação CENTRO DE EXPOSIÇÕES CÓNEGO CÂNDIDO PEDROSA que terá lugar no Bom Jesus do Monte, no dia 3 de Maio, pelas 18.30 hs.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
LANÇAMENTO DE PUBLICAÇÃO DA NOSSA AUTORIA
No próximo dia 3 de Maio, pelas 18.30 hs, vai ser lançada a publicação da nossa autoria «Centro de Exposições Cónego Cândido Pedrosa», no Bom Jesus do Monte, com concepção gráfica do Arquitecto Gerardo Esteves. Ver notícia do Diário do Minho de 28 de Abril de 2010.
ABADE DE TIBÃES CEDE TERRENO À SÉ DE BRAGA EM 1105
21 de Agosto. O Abade de Tibães cede à Sede de Braga um trato de terreno em Orjães (concelho de Braga) em compensação de a Sé renunciar a certas pretensões e perdoar ao mosteiro determinada coima.
«Carta Concambii de quadam hereditate de ordiales. In Dei nomine. Ego Nunnus Tibianensis cenobii abbas una cum omni eiusdem loci congregatione monacorum Kartam firmitatis facio vobis domno Geraldo Bracarensis sedis reverentíssimo archiepiscopo et qui huic sedi post vos successerint de illo petatio de terra quam vobis damus hic in Ordiales in alia nostra hereditate que iacet in ripa ipsius fluminis Aliste in illo loco ubi dicitur Paretes prope murum illius civitatis subtus monte custodias (...) »
quinta-feira, 29 de abril de 2010
DOAÇÃO EM TIBÃES EM 1077
Boa Gonçalves doa à Sé de Braga a sexta parte dos bens que possui em Tibães.
«De Hereditatibus de Villa de Teudilanes. Boa Gondisalvo … Do et concedo in illo predicto Villa Teudilanes ad ecclesiam Sancte Marie Virginis et est fundata ipsa villa prope alveum Cathavo et est in loco de ipsa villa ubi modo fundato est monasterio. Do inde VI.ª integra pro remedio anime mee ad ecclesiam Sancte Marie Virgines et episcopo domno Petro qui tenet Cathedram Bracarensem et fuit ipsa villa de aviorum et parentum meorum».
segunda-feira, 26 de abril de 2010
TIBÃES SOCORRE O PAUPERISMO ENTRE 1798 E 1813
Para fazer face ao pauperismo com origem na crise económica, de base agrícola, o Mosteiro de Tibães teve um papel fundamental no socorro às vítimas da fome da freguesia e das redondezas, distribuindo esmolas copiosas de pão.
À Portaria do Mosteiro de Tibães acorriam centenas de pessoas diariamente. Houve um dia em que se contaram na Portaria mais de 1000 pessoas, gastando-se com elas cerca de 15 alqueires de milho cozido.
Desde Maio de 1798 até Maio de 1799 consumiram-se 2404 alqueires de pão cozido, no Mosteiro de Tibães para enfrentar a pobreza.
Em Maio de 1799, para obviar aos efeitos da dura e cruel avareza dos rendeiros que se aproveitavam da miséria pública para enriquecerem à custa da pobreza, os Magistrados impuseram uma taxa ao pão de milho fazendo-o vender a 650 rs.
Foi autor desta iniciativa o Juiz de Fora de Guimarães Manuel Marinho Falcão, conhecido nesta província pela sua integridade, zelo e amor do bem público. Também o Príncipe fez chegar aos negociantes da Praça de Lisboa que seria do seu agrado que eles fizessem transportar para esta província milho, centeio, ou trigo a fim de socorrerem a miséria pública.
Tendo em conta os estragos causados pelas invasões francesas na região e o aumento de bocas para alimentar pela passagem dos exércitos, bem como as más colheitas, a crise vai sentir-se fortemente entre 1810 e 1811.
Tibães volta a prestar auxílio às pessoas que acorreram aos portões do Mosteiro. Nestes anos mais de 400 pessoas são aqui diariamente socorridas pelo Frei Manuel Inácio das Dores.
No ano seguinte, em 1812, os níveis de produção aumentam, mas os preços não melhoram e as dificuldades mantêm-se.
A partir de 1813, assiste-se a uma recuperação agrícola e a uma melhoria generalizada da situação.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
PÁROCO DE TIBÃES EM 1834
Escolheu o nome de Frei José de Nossa Senhora do Vale, que usou até à morte. Honrava assim um nome que desde cedo o influenciara na sua terra-natal: a pequenina Capelinha românica com aquele nome. Frei José ficou por Tibães durante muito tempo. Quando, em 1834, D. Pedro IV ordenou o encerramento e confisco dos Conventos, ainda lá estava e aí continuou, agora como Pároco.
Morreu em 29 de Outubro de 1850, com 62 anos. Foi sepultado na Igreja de Tibães, defronte do Altar de Nossa Senhora do Rosário. Mesmo ao lado, repousava já há 26 anos o Dom Abade Geral Frei Francisco dos Prazeres, que em 1806 o havia admitido na vida monástica beneditina.
domingo, 11 de abril de 2010
PRIMEIROS BENEDITINOS NA BAHIA ORIUNDOS DE TIBÃES
Em 1582, chegaram a Salvador, vindos da Abadia de São Martinho de Tibães vários membros da congregação: Frei António Ventura, Frei Pedro Ferraz, Frei João Porcalho, Frei Plácido da Esperança, Frei Manuel de Mesquita, Frei José, Frei Francisco, Frei João e Frei Bento.
FREI PEDRO DOS MÁRTIRES – DOM ABADE DE TIBÃES
Nasceu a 4 de Junho de 1645 e faleceu a 12 de Dezembro de 1719. Vestiu a cogula no mosteiro de Rendufe a 28 de Agosto de 1664. Escrevia com primor e era admirável nos cálculos de aritemética e na gramática. Foi prior e vigário no mosteiro de Refojos de Basto, fundado na época da dominação dos godos no nosso país, e daqui passou para o mosteiro de Lisboa, eleito pregador geral da Ordem. Em capítulo geral de 1713 foi eleito D. abade do mosteiro de Santo Tirso. Em 1716 foi eleito D. abade geral da Ordem. Enriqueceu a sacristia do mosteiro de Tibães com ricos ornamentos e mandou fazer para o de S. Bento em Lisboa uma Árvore da família beneditina à semelhança da de Tibães, que se encontra, quase perdida, ao subir da escada principal. Em 1717 recebeu de el-rei D. João V uma carta especial, em que o monarca lhe pedia, que fizesse celebrar a Conceição da Virgem com a maior solenidade. Em 1719 escolheu para seu sucessor frei José de Santa Maria, passando a viver em Tibães concentrado no exercício das virtudes, sem se eximir nunca das obrigações monacais.
sábado, 10 de abril de 2010
FREI MARTINHO DA APRESENTAÇÃO – DOM ABADE DE TIBÃES
Foi o primeiro filho que Guimarães deu à congregação beneditina. Nasceu a 28 de Outubro de 1561 e faleceu em 4 de Abril de 1631. Era filho de Lourenço Golias da antiga e nobre casa das Lamelas, junto a Guimarães. Recebeu no baptismo o nome de Simão, que depois mudar para o de Martinho em honra do padroeiro de Tibães, e na idade de 18 anos era um dos cavaleiros mais valentes e arrojados de Guimarães.
Esteve na América e serviu Portugal nas armas por quatro anos, embarcando em várias armadas. Sofrendo mais tarde graves padecimentos, resolveu abraçar a religião. Dirigiu-se dali ao mosteiro de Pombeiro, para tomar a cogula do Patriarca S. Bento; mas por ser limitado naquele convento o número de frades, dirigiu-se dali a Tibães, onde vestiu o hábito a 21 de Novembro de 1586. Acabado o noviciado, e não sendo ainda sacerdote, foi nomeado procurador do mosteiro de Rendufe, e depois transferido para o mosteiro de Pombeiro. Celebrou aqui a sua primeira missa. Em 1593 foi escolhido para secretário de frei António da Silva, 6º D. abade geral da Ordem. Em 1599 foi eleito D. abade de Rendufe. Em 1605 eleito D. abade do mosteiro de Paço de Sousa. Em 1608 foi nomeado visitador da Ordem. Em 1611 D. abade do mosteiro de Lisboa, que então era o da Estrela.
Em 1614 eleito definidor da congregação, recolheu-se ao mosteiro de Pombeiro, onde se entregou incessantemente ao exercício das virtudes cristãs. Em 1617 foi segunda vez eleito D. abade do mosteiro de Lisboa. Em 1620 foi eleito definidor-mor e finalmente em 1621 D. abade geral da Ordem beneditina, cargo que exerceu com prudência e rectidão, afabilidade e justiça. Em 1623 acabado o generalato recolheu-se ao mosteiro de Gonfey, donde saiu em 1626 para D. abade do mosteiro do Porto. Em 1629 eleito de novo definidor-mor em capítulo geral, recolheu-se ao mosteiro de Pombeiro.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
O SENHORIO NA IDADE MÉDIA – OS CASAIS
Na Idade Média, o Senhorio ou Domínio Senhorial era uma vasta propriedade, constituída pela Reserva e os Mansos ou Casais de que o senhor era o proprietário. Nela, o senhor, estabelecia a lei, exercia a justiça e cobrava aos camponeses rendas, impostos e serviços (corveias). Os camponeses podiam ser livres ou não (e, então, chamavam-se servos ou malados). Os servos trabalhavam nas terras directamente exploradas pelo senhor (a Reserva) e não podiam mudar-se ou abandoná-las. Para serem livres tinham de comprar a sua liberdade ao senhor ou, então, fugir, normalmente para a cidade. Se fossem apanhados eram severamente castigados.
O domínio senhorial não era apenas uma vasta extensão de terras pertencente a um senhor nobre poderoso. Era um mundo fechado e que procurava ser auto-suficiente produzindo o que era necessário ao senhor e à restante população que o habitava. Mais do que uma extensa propriedade, o domínio ou senhorio era um agrupamento de homens ligados por direitos e por deveres: o senhor dava protecção aos camponeses que lhe deviam obediência, trabalho e impostos.
Em regra, os mosteiros eram constituídos pela Igreja, claustros, dormitório, refeitório, biblioteca, albergaria e campos de cultivo.
O clero dividia-se em dois grupos: o clero regular (todos os que viviam numa ordem religiosa, num mosteiro) e o clero secular (bispos e padres).
No mosteiro, para além de cumprirem as regras impostas pela Ordem a que pertenciam, os monges dedicavam-se ao ensino, à cópia e feitura de livros, à assistência a doentes e peregrinos. Em algumas Ordens, os monges dedicavam-se também ao trabalho agrícola nas terras do mosteiro.
Diga-se, para começar, que o conceito de Quinta (enquanto espaço agrícola com habitação) tem a sua origem na Idade Média. No Mundo Romano, a palavra utilizada para designar uma grande propriedade, nos mesmos moldes em que nós entendemos Quinta, era a palavra villa e que traduzia uma realidade já com um elevado grau de complexidade uma vez que as villae eram autênticas unidades de produção agro-industrial, onde se cultivavam e simultaneamente transformavam, com o fito da exportação, produtos como o vinho, o azeite, o cereal ou os frutos secos. Com o fim do Império Romano, surge uma nova realidade, agora já no horizonte medieval: os Senhorios, grandes propriedades que a Nobreza e o Clero (através dos Mosteiros) recebiam dos Reis por doação. No caso dos senhorios da nobreza, os grandes senhores (duques, condes) geralmente dividiam-no em dois. A maior extensão de terra era dada em regime de arrendamento a vários casais de camponeses (daí o topónimo casal que de norte a sul do país encontramos a anteceder muitos nomes de terra). Uma parte mais pequena do senhorio, o Senhor reservava-a para si. Era lá que geralmente se localizava o paço, a Igreja e os vários equipamentos essenciais à economia da propriedade, como o celeiro, o estábulo, o forno, o lagar, assim como uma pequena porção de terra e por vezes um bosque, tudo sob a exploração directa do senhor, sendo certo contudo que o seu amanho era realizado através de um serviço gratuito e obrigatório prestado pelos camponeses: as corveias. Ora, é precisamente a esta porção de terra reservada a si próprio pelo senhor que ele dava o nome de Quintã, e que muito provavelmente até corresponderia a uma quinta parte de todo o senhorio. A verdade, porém, é que os senhores acabaram por dar pouca importância ao amanho das “suas” terras uma vez que, pelo arrendamento dos casais e pelo direito de habitar o senhorio, os camponeses eram obrigados a um conjunto de prestações como rendas, em dinheiro ou géneros, impostos e até multas, que no seu conjunto bastavam às necessidades dos “patrões”. Também os senhorios do clero, maioritariamente pertencentes a mosteiros, eram divididos de forma semelhante. Somente, a reserva (a tal Quintã) adquiria aqui o nome de Granja, sendo lá, ao invés das quintas, bastante visível o cuidado e o zelo que os eclesiásticos punham na exploração destas parcelas sob sua administração directa. Acrescente-se que na Idade Média as propriedades a que hoje associamos à ideia de Quinta eram as herdades.
Por outras palavras a tipologia da propriedade da terra no século XIII era formada desta maneira: casais, granjas, quintas.
A cada igreja andavam associadas múltiplas propriedades de variados tipos, consoante os casos: casas-torre, casas, casas para armazenamentos, quintas, casais, leiras, moinhos, etc.. A estes bens acresciam ainda seus rendimentos e foros. Ou seja, a cada igreja, associavam-se rendimentos mais ou menos vastos, conforme os casos.
Na Idade Média, os domínios da nobreza e do alto clero (bispos e abades) tinham dimensões variadas e eram, em geral, constituídos por várias propriedades. Para efeitos de exploração agrícola, o domínio dividia-se em duas partes: a reserva, explorada directamente pelo senhor; os mansos (casais em Portugal), pequenas parcelas de terreno, explorados por famílias de camponeses.
Na Idade Média surgem diversos documentos que dão conta de vários casais foreiros de diversos mosteiros. Os casais encabeçados eram largas propriedades, fragmentadas em múltiplas parcelas que poderiam não ser contíguas, que constituíam uma unidade administrativa. Aquele que num casal fosse o maior proprietário, em termos de superfície, era designado cabeça de casal, tornando-se responsável, perante a autoridade fiscal, pela cobrança das rendas e impostos de todo o casal. Estes casais corresponderiam aos núcleos de povoamento mais antigos, vindos da Idade Média, como é possível inferir, de entre outra documentação, pelas Inquirições mandadas efectuar por D. Afonso II, em 1220.
Em certas escrituras, notamos a intervenção de consortes dos referidos Casais, ali qualificados como "caseiros" e "rendeiros", os quais pertenciam às melhores famílias da localidade. O que não parece correcto é a equiparação do "foreiro" ( senhor do domínio útil) com o arrendatário ( aquele que recebe por contrato de arrendamento, mediante o pagamento de uma renda, bens que são pertença de outrem, seu pleno proprietário).
Aqui deixamos algum vocabulário próprio da Idade Média.
Villa: Grande exploração agrária constituída por vários tipos de terra (campos de cereais, vinhas, pomares, bosques, etc), parte explorada directamente pelo proprietário (o paço, que incluía a casa de morada, as casa dos trabalhadores, os estábulos, os celeiros e a igreja) e parte dividida em parcelas, aforadas ou arrendadas a vários tipos de detentores (casais, vilares).
Casal: unidade de exploração agrária, resultante do parcelamento da villa. Quintã: regra geral pertença da nobreza, a quintã é identificada, quer como prédio urbano (paço ou residência do senhor), quer como prédio rústico com residência paçã.
Honra: senhorio nobre.
Couto: concessões régias à Igreja, sendo que couto traduz o complexo dos privilégios e das imunidades do território. Imunidade define-se como a proibição de entrada de funcionários régios, a inexistência de impostos da Coroa e o exercício, pelo senhor, da autoridade pública, com autonomia administrativa, judicial e financeira.
Reguengo: Terras da Coroa, servidas por trabalhadores, colonos ou rendeiros (reguengueiros).
Paço: casa de morada do senhor.
Domínio senhorial - Propriedade fundiária pertencente a um senhor nobre ou eclesiástico, também chamada de senhorio; constituía a principal fonte do seu poder e dos seus rendimentos. Dividia-se em duas áreas; a reserva e os mansos (ou casais, em Portugal).
Reserva - Parte do domínio senhorial directamente explorada pelo senhor; constituíam-na as terras mais férteis. Nele estavam instalados: a igreja, o celeiro, o lagar, o moinho, o forno e o solar do senhor.
Mansos (Casais) - Parcelas em que estava dividido o senhorio; eram cultivados por camponeses em troca do pagamento de tributos e da prestação de serviços ao senhor.
Servo - Camponês não livre que trabalhava a terra do seu senhor.
Feudo - Bem concedido em troca de serviços. A partir do século XI, passou a designar uma propriedade fundiária concedida, a título hereditário, pelo Rei ou um grande senhor, a um vassalo. Concessões régias em forma de benefício.
Inquirições: Inquéritos ordenados pelo monarca, sobre o Portugal senhorial, a fim de conhecer pormenorizadamente os seus direitos de propriedade e rendas devidas, para, assim, estabelecer com firmeza a sua autoridade, impedindo abusos das classes senhoriais. Dotada desta forma de um cadastro rigoroso de grande parte do País (quase todo o Norte, com o Minho, Trás-os-Montes e Beira), a administração central mais facilmente podia impedir abusos e interferir em nome de uma justiça centralizada e de um sistema financeiro planificado. Iniciadas por D. Afonso II (1220), foram continuadas por D. Afonso III (1258) e por D. Dinis (1284, 1288, 1301, 1303 e 1307).
Padroado: Rendimentos e direitos que os senhores tinham sobre certas igrejas, mosteiros e capelas (na sua qualidade de fundadores ou descendentes de fundadores dessas instituições pias).
Foreiros: agricultores que, mediante cartas de aforamento ou emprazamento, recebiam herdades, a título de usufruto, mediante o pagamento de um foro de parte da produção do solo (1/4 a 1/3 geralmente), a prestação de serviços no paço senhorial e outras obrigações.
Na Idade Média era normal os Senhores nomearem Caseiros, para administrar Quintas, Granjas, Casais, herdades, devesas, soutos, chousas, vinhas, bacelos.
A SALA DO CAPÍTULO DO MOSTEIRO DE TIBÃES
O Mosteiro de Tibães é um contínuo apelo à memória e à beleza. Contido por fora e deslumbrante por dentro, explode em ondas de luz e ouro que o inevitável apelo à glorificação divina impunha aos homens no interior dos seus templos.
Foi abrigo de míticos anacoretas perdidos na voragem dos tempos.
Em todos os mosteiros havia o Capítulo que designava a "cabeça", o local das grandes decisões.
No Mosteiro de Tibães era na Sala do Capítulo, com a grande Mesa do Definitório, coberta de cordovão preto e guarnecida, em redor, de panos verdes com galão verde de lã, mais a grande cadeira de braços do Reverendíssimo, com assento e encosto de damasco preto e os quatro canapés com assentos e encostos de almofadas, que se reunia, de três em três anos, no terceiro dia do mês de Maio, dia da festa da Santa Cruz, a Congregação de S. Bento de Portugal e da Província do Brasil.
A esta sala acorriam Abades, Visitadores, Definidores, Padres Companheiros e Secretários, Priores, Mestres dos Noviços e Mestres de Teologia para elegerem o Geral, os Dom Abades e todas as prelazias de cada mosteiro e providenciar do governo trienal da ordem, quer no campo espiritual, quer no material.
A Sala do Capítulo do Mosteiro de Tibães caracteriza-se pelo equilíbrio, pelas proporções, pela copiosa luz do sul e do poente e inundada pelos intensos cheiros da Cerca.
A «Casa do Capítulo» é um dos espaços mais nobres e belos do Mosteiro. Apesar de construída em 1700, de cuja época mantém o bonito tecto de caixotões de madeira pintada, rematados por uma platibanda policromada de madeira entalhada, com mísulas, folhas, urnas, cabeças de anjos e pássaros, foi completamente reedificada no triénio 1783/1786. Então, rasgaram-se-lhe as amplas janelas com sacadas, com novo soalho constituído por grandes tábuas de pinho manso, montou-se um novo retábulo com risco de Frei José de Santo António Vilaça e um quadro alusivo ao Espírito Santo, decoraram-se as paredes com painéis de azulejo rococós sobre passos da vida de José do Egipto e puseram-se os grandes quadros com ricos caixilhos de madeira entalhada, pintada e dourada de S. Bento e de Santa Escolástica, de Frei Plácido Villa Lobos e de Frei Pedro de Chaves ( os reformadores quinhentistas da Ordem Beneditina); de D. Sebastião e do Cardeal D. Henrique; dos Papas Clemente XIV e Pio VI. Estes quadros, alguns da autoria de Frei José da Apresentação, vieram fazer companhia aos 50 retratos da «Galeria dos Gerais», mandada pintar em 1758.
terça-feira, 6 de abril de 2010
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DA ABADIA DE TIBÃES – SÉC. XVII
- Capítulo Geral
- Conselho de Visitadores
- D. Abade Geral
- Conselho da Abadia
- Padre Mordomo
- Padre Gastador
- Padre Gastador de obras
- Padre Recebedor
- Padre Dispenseiro
- Padre Sacristão
sexta-feira, 2 de abril de 2010
TIBÃES EM TERRAS BRASILEIRAS
O Mosteiro de S. Martinho de Tibães representa um elo de ligação com a acção dos Beneditinos em terras brasileiras.
Para avaliar essa acção, bem como a influência desta ordem religiosa, basta consultar os Relatórios trazidos do Brasil, de três em três anos, aos «Capítulos Gerais» realizados em Tibães.
O primeiro «Capítulo Geral» reuniu-se no Mosteiro de Tibães, em 1570. A partir desta data e até 1834, os Abades Gerais de Tibães, passarão a ser eleitos trienalmente e governarão as províncias de Portugal e do Brasil da rica, poderosa e influente Ordem Beneditina.
A expansão da Ordem de S. Bento no Brasil é realizada já sob os auspícios de Tibães. No domínio da arte barroca, são de salientar as estreitas relações entre o barroco minhoto e o barroco mineiro, com particular destaque para a influência directa do Bom Jesus do Monte, no Bom Jesus de Matosinhos e em Congonhas do Campo.
A partir de 1575, são enviados para terras brasileiras muitos monges beneditinos portugueses para avaliar a possibilidade concreta da fundação de um mosteiro em terras de além mar. O local indicado seria a Cidade de São Salvador da Bahia. Os monges fundadores, em número de nove, chegaram à Bahia na Páscoa de 1582, oriundos do Mosteiro de São Martinho de Tibães, Casa Geral da Congregação Lusitana, fixando-se num terreno fora da cidade, onde já havia uma pequena Ermida dedicada a São Sebastião. No ano de 1584, o Mosteiro foi elevado à condição de Abadia. Popularmente é conhecido com o título de Mosteiro de São Bento da Bahia.
quarta-feira, 31 de março de 2010
A FONTE DO CORDEIRO
A Fonte do Anho (Fonte do Cordeiro) merece uma especial atenção, sobretudo pela mensagem contida na inscrição: «AD FONTEM QUICUMQUE SITIS ACCEDE BENIGNUM HAUD UNDA NOCET DEFLUIT UNDE VIDE».
terça-feira, 30 de março de 2010
A LIVRARIA TIBANENSE
O Cadastro setecentista da livraria (biblioteca) tibanense incluía livros sobre Teologia (1770 obras), História (805), Literatura (454), Ciências e Artes (361), Jurisprudência (357), Poligrafia, História e Bibliografia (71), num total de 3218 obras.
A maioria dos livros era em Latim (47,3%). Em Língua Portuguesa eram 32,7% dos livros, em Espanhol 10,7%, em Francês 6,5%, em Italiano 2,3%, em Inglês 0,2%.
As obras são predominantemente dos séculos XVIII, XVII e XVI, distribuídas, assim, respectivamente, 40%, 35% e 20,3%.
Na Livraria figuram nomes como Montesquieu, Verney, Muratori, Melo Freire, Melo Franco, dalabella, Vandelli, Teodoro de Almeida, Filinto Elísio, Pereira de Figueiredo.
A ARCÁDIA TIBANENSE
Os Monges erigiram, em Tibães, no século XVIII, a Arcádia Tibanense, academia literária de pouca duração, adquirindo um apreciável prestígio cultural. Os coriféus deste movimento evolutivo foram Fr. Francisco de S. Luís e Fr. Vicente da Soledade e Castro, deputados e presidentes do Parlamento no Liberalismo.
domingo, 28 de março de 2010
D. AFONSO III E TIBÃES
sábado, 27 de março de 2010
A ESTRADA DA GRAÇA
A chamada “Estrada da Graça” era administrada pelo Mosteiro de Tibães, que controlava, igualmente, a passagem do rio, no “Barco da Graça”, pois era um eixo viário de grande importância estratégica para o mosteiro.
Segundo Aurélio de Oliveira: «A importante passagem do Cávado, na Graça era de posse exclusiva da Abadia (...). Acresce que essa passagem não servia só para pessoas, mas também para cavalgaduras, além de carros, coches e liteiras. O preço do arrendamento do Barco da Graça é também índice da importância dessa passagem (...). Essa via atravessava aí o rio Cávado seguindo por S. Eulália de Cabanelas e penetrando em Cervães. Aqui encontrámos nós referência, em Prazos da Mitra de Braga dos séculos XVII e XVIII, a uma estrada que seguia para Viana do Castelo, e que deve ter constituído o prolongamento daquela importante passagem e da via do Couto, que deverá, naturalmente ter diminuído com a abertura e melhoramentos da Ponte do Prado (...)».
No século XVIII, foram realizados diversos melhoramentos: arranjo de todo o caminho que leva à passagem da Graça; uma nova calçada; e construção de um cais de pedra para fácil e segura acostagem da barca (...)».
A importância desta via nas épocas medieval e moderna decorre, evidentemente, da importância da Abadia de Tibães no contexto da região e da necessidade de manutenção e administração de um importante caminho que atravessava o Couto.
terça-feira, 23 de março de 2010
OS CASAIS NAS COMUNIDADES RELIGIOSAS
Segundo Maria Filomena Andrade (Entre Braga e Tui: uma fronteira diocesana de duzentos. O testemunho das inquirições), tendo como fonte as Inquirições de 1220 (publicadas em Portugaliae Monumenta Historica, vol. I, Lisboa, 1888), dos 2683 casais distribuídos pelas diferentes comunidades religiosas, são os beneditinos os mais representados: 42% são de mosteiros beneditinos, 16% de agostinhos, 10% de ordens militares, 4% da Sé de Braga, 2% de S. Tiago, 3% de Cister e 3% de outras observâncias.
segunda-feira, 22 de março de 2010
SITUAÇÃO DO MOSTEIRO DE TIBÃES EM 1864
Um decreto do ministro António Joaquim de Aguiar, em 1834, veio extinguir as Ordens Religiosas, tanto no Continente, como no Ultramar Português. Assim os bens, moradias, foros, e todas as pertenças do Convento de Tibães passaram para a posse do Estado. Mais tarde todas as pertenças e bens foram arrematados e vendidos.
Se consultarmos o Arquivo Municipal, mais propriamente o Copiador para a correspondência expedida - Representações da Câmara de Braga (1844-1869), deparamos com uma exposição dirigida ao poder real, por parte da vereação camarária, datada de 5 de Abril de 1864:
«Senhor: o Mosteiro de Tibães é um edifício que pela sua colocação só pode desafiar a ambição dos arrematantes, para ser demolido, e vendidos para outras edificações os materiais de que foi feito. E será justo que se deixe assim aniquilar um monumento que fará honra a esta terra pelas recordações que encerra da laboriosa actividade - incansável zelo - e inimitável dedicação que aqueles Monges, os primeiros agricultores desta formosa Província souberam ser úteis à sua Pátria e ao seu semelhante? Por certo que não. Esta Câmara por isso suplica e espera que o Governo de Vossa Majestade mandando ficar sem efeito a ordenada arrematação e ouvindo depois as muitas razões de conveniência pública que ela se reserva fazer subir ao conhecimento de Vossa Majestade adaptará providência que satisfazendo a expectativa dos povos deste conselho, aparte a ideia da destruição daquele monumento secular. Deus guarde Vossa Majestade por muitos anos. Braga em 5 de Abril de 1864. Vice-Presidente, Bento Miguel Leite Pereira, Vereadores…».
quinta-feira, 11 de março de 2010
FUNCIONÁRIOS DO COUTO DE TIBÃES
1666- Custódio Dias Pereira, Tabelião do Couto de Tibães
1668- Luís de Oliveira da Rocha, Escrivão das Sisas do Couto de Tibães
1682- Tomásio do Vale, Escrivão do Público e Judicial do Couto de Tibães? Filiação: Lourenço do Vale
1695- Atanázio do Vale, Escrivão do Público, Judicial, Câmara, Órfãos e Almotaçaria do Couto de Tibães. Filiação: Lourenço do Vale
1715- Diogo de Araújo Costa, Inquiridor, Contador e Distribuidor do Couto de Tibães
1720- Domingos de Campos, Escrivão do Público, Judicial e Notas, Câmara, Órfãos e Almotaçaria do Couto de Tibães
1724- Luís Francisco Ferreira, Tabelião do Público, Judicial, Notas, Câmara, Órfãos, Almotaçaria do Concelho de S.Martinho de Tibães
1748- Francisco Miguel de Araújo e Paiva, Inquiridor Contador no Couto de Tibães
1803- Tomás Bernardino Vilaça
1810- Domingos José Carneiro
1841- Bento José Rodrigues, Professor de Ensino Primário do extinto Couto de Tibães, Distrito de Braga
quinta-feira, 4 de março de 2010
A INQUISIÇÃO PASSOU POR TIBÃES
Frei Francisco de Santa Gertrudes, professo da Ordem de São Bento, era natural da Aldeia de Cima, freguesia de São Romão, Bispado de Lamego.
Filho de João Pinto, da Aldeia de Cima e de Luísa Pereira, natural de São Cipriano.
Passou pelo Convento de São Bento da Saúde, em Lisboa.
Foi acusado de violação por tomada de ordens, o que seria uma proposição herética. Por isso foi preso em 25 de Agosto de 1750, tendo sido sentenciado em Auto de Fé, realizado na Igreja do Convento de São Domingos, em Lisboa, no dia 24 de Setembro de 1752.
Na sentença lê-se: «seja interdito de receber qualquer Ordem, seja degredado por dez anos para o Mosteiro e Casa Capitular da sua Ordem, tenha cárcere, com reclusão por um ano, a cumprir no mosteiro, com penitencias pro gravioribus, tenha mais penas e penitências espirituais, instrução na Fé e pague as custas. Ficava interdito de entrar em Lisboa».
Foi solto a 30 de Setembro de 1752.
Depois de cumprir pena em Tibães e, por motivo de saúde, pediu para ser transferido do Mosteiro de Tibães para o de Lisboa.
quarta-feira, 3 de março de 2010
BRAGA POR UM CANUDO
Rafael Bordalo Pinheiro, alfacinha, republicano, anticlerical, várias vezes meteu os pés a caminho, para conhecer in loco, a vida e a sociedade bracarense. Na sua publicação, O António Maria, 1.ª série (1879/1885), a propósito do Centenário do Bom Jesus do Monte, envia para a capital o canudo com os desenhos que permite que Lisboa observasse Braga por um Canudo. Num dos desenhos o Arcebispo de Braga zela por um dos carros que tinha participado no cortejo do centenário.
segunda-feira, 1 de março de 2010
TIBÃES E A BATALHA DE ALJUBARROTA
Quem visita as Capelas anexas à Sé de Braga poderá encontrar o túmulo de D. Lourenço Vicente, trigésimo oitavo arcebispo de Braga, em muito bom estado de conservação.
Como cidadão amante da sua pátria, depois de Cristão era Português, deu provas da sua valentia e coragem na Batalha de Aljubarrota.
No auge do combate, recebeu na face direita um longo e profundo gilvaz, cuja cicatriz ainda hoje se nota distintamente.
D. Lourenço respondeu ao golpe arremessando o castelhano ao chão pagando com a própria vida.
Este e outros episódios da batalha são relatados por D. Lourenço Vicente numa célebre carta dirigida ao Abade de Tibães.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
A NOSSA COLABORAÇÃO NA ARTE BARROCA
Depois de vários anos de preparação, o Museu Virtual à Descoberta da Arte Barroca está finalmente on line em www.museumwnf.org ou www.discoverbaroqueart.org, ou, simplesmente, em Museu Sem Fronteiras desde 21 de Janeiro de 2010. Oito países europeus, incluindo Portugal, participaram na criação deste segundo ciclo temático do Museu Virtual, implementado pelo Museu Sem Fronteiras, dando assim origem ao maior Museu Virtual de todo o mundo. Segundo os princípios orientadores do Museu Sem Fronteiras, que defendem a contextualização dos artefactos expostos e desvendam tesouros desconhecidos, trazendo-os para a ribalta, o Museu Virtual À Descoberta da Arte Barroca conjuga peças barrocas europeias, desconhecidas do grande público, com obras de arte universalmente conhecidas. Nós colaboramos, desde o início, em representação do Bom Jesus do Monte, de Braga, como Curatorial Collaborators.
Ver http://www.discoverbaroqueart.org/mwnf_credit.php
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
GESTO SOLIDÁRIO COM A MADEIRA
Todos conhecem o Grupo de Jovens de Tibães, o seu trabalho, os seus objectivos, as suas vozes.
Ainda, recentemente, comemoraram mais um aniversário, pois foi fundado em 31 de Janeiro de 1987.
Por solicitação do Rui Correia, informamos que o Grupo de Jovens de Tibães tomou a iniciativa de celebrar uma missa em memória das vítimas do temporal do Arquipélago da MADEIRA, no próximo dia 6 de Março, pelas 19.30 hs, na Capela da Sr.ª do Ó. Simultaneamente o Grupo de Jovens promoverá a recolha de donativos para as vítimas deste infortúnio. Os donativos serão entregues à Caritas.
FREI ANTÓNIO DO DESTERRO
Natural de Viana do Castelo. Foi formado na Escola Beneditina de Tibães. Frei António (António Malheiros Reimão) era Doutorado em Teologia pela Universidade de Coimbra. Foi nomeado Bispo do Rio de Janeiro no dia 18 de Janeiro de 1747. Foi o titular do Bispado de São Sebastião do Rio de Janeiro até 1773.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
TIBÃES E O CONDADO PORTUCALENSE
Mendo II Gonçalves, (945 - 1 de Outubro de 1008), foi morto num ataque Viking à Galiza. Mendo, casou com a Condessa Tudadomna. Foi Conde de 999 a 1008.
Alvito Nunes, casou com a Condessa Tudadomna. Foi Conde de 1008 a 1015.
Ilduara Mendes, filha de Mendo Gonçalves e de Tudadomna, casou com Nuno I Alvites, filho de Alvito Nunes e Gontina, foi Conde de 1015 a 1028.
Mendo III Nunes, foi Conde de 1028 a 1050. Morreu em combate.
Nuno II Mendes foi Conde de 1050 a 1071, último descendente conhecido de Vimara Peres, foi derrotado pelo rei Garcia II da Galiza. Era filho de Mendo III Nunes, a quem sucedeu em 1050. As suas aspirações a uma maior autonomia do Condado Portucalense em relação ao reino da Galiza, levaram ao confronto com o rei Garcia II; reclamou a independencia e o titulo de rei, em 1070. Foi derrotado e morto na batalha do Pedroso, perto do Mosteiro de Tibães.
O primeiro Condado Portucalense foi, assim, extinto e absorvido pelo reino da Galiza, na pessoa do rei Garcia II. O Condado seria restaurado na pessoa do Conde D. Henrique de Borgonha.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
FOTOS DA POPULAÇÃO DE TIBÃES
Fotos tiradas, aproximadamente, em 1928.
Na foto da direita, podemos observar, no primeiro plano, da esquerda para a direita: desconhecido, desconhecida, Manuel Peixoto, Aurora do Peixoto, Francisca Rosa (da Amieira), Maria Gomes (esposa do Zé do Anjo), José Coelho (do Anjo), Anjerca.
No segundo plano, da esquerda para a direita: desconhecido, desconhecida, Esposa de Manuel Maria Dias Gomes, Cândida Dias Gomes (Esposa do Peixoto), Maria Dias Gomes (esposa do José do Pinheiro), desconhecida, desconhecida, Cândida da Eira, Maria da Eira, Andresa da Amieira, Anjerca.
No terceiro plano, da esquerda para a direita: desconhecido, desconhecido, desconhecido, desconhecida, criança, Aurora Gonçalves, José Dias Gomes com filho Manuel ao colo, José da Conceição Peixoto (26-01-1898/17-01-1986), Manuel Gomes (Caniças) pai de José Dias Gomes, Jerónima Dias de Carvalho (Esposa de Manuel Gomes), Marques (Proprietário do Mosteiro de Tibães).
Em último plano da esquerda para a direita: Domingos Dias Gomes, Manuel Maria Dias Gomes, e um Indivíduo com apelido Maria Benta.
PASSEIO DO PATRONATO
Mostramos, agora, uma foto dos associados do Patronato de Tibães, por ocasião de um convívio ao Porto e à Póvoa de Varzim.
De entre o vasto grupo de elementos, pode observar-se o Silvestre Coelho, o Maroteira, o Gaspar Capa, o José Coelho, o Francisco Catrina, o Manuel Mouro, o Joaquim Sapateiro, entre outros.
Esta passeio ocorreu no dia 28 de Setembro de 1941.
BULAS PAPAIS SOBRE TIBÃES
- De 13 de Março de 1254:
INOCÊNCIO IV ao Arcediago de Barcarena, ao Chantre e Mestre-Escola João de Vila Verde (Itilaviridi) cónego em Lisboa. --- BULA Sua nobis em que lhes manda tomar conhecimento e resolverasdívidas que existiam entre o Arcebispo de Braga e os Abades e conventos dos Mosteiros de Tibães, Landim, Ozo e de outros, e os reitores e clérigos da diocese que se recusavam a pagar a terça parte dos mortuários dos defuntos que enterravam nas suas igrejas e cemitérios.
"Dat. Laterani III idus Mardi Pontificatus nostri Anno XI" (A.D.B., Gav. dos Mosteiros, doc. 58, orig. sem selo).
- De 8 de Fevereiro de 1417:
O CONCILIO DE CONSTANÇA ao Abade do Mosteiro de Tibães. --- BULA Exhibita nobis na qual lhe manda que obrigue, se necessário fôr com censuras, Martim Afonso e outros a restituir à mesa Arqulpiscopal os bens que dela tinham ilegitimamente em seu poder. "Dat. Constantie VI idus Februarii anno a nativitate domini M CD XVII Apostouca sede vacante" (A.D.B. , Rer. Mem., vol. 3, séc. XVII, fl. 21 lv.).
- De 4 de Junho de 1472:
SISTO IV a Fr. Egídio, Bispo de Titópolis, residente na cidade de Braga e aos Abades dos mosteiros de Tibães e Carvoeiro. --- BULA Sua nobis pela qual os encarrega de conhecerem o pleito que existia entre a Mesa Capitular de Braga e Diogo Ferreira, cidadão Bracarense, sobre a posse de umas casas pertencentes ao Cabido, e de resolverem sobre a legitimidade da sentença proferida. "Dat. Rome apud Sanctum Petrum Anno mc. dominice M CD LXX II Pridie Nonas Junji Pontificatus nostri Anno 1" (A.D.B., Gav. das Propriedades do Cabido, doc. 75, orig. com selo).
- De 12 de Junho de 1472:
SISTO IV a Fr. Egídio, Bispo de Titópolis, residente na cidade de Braga e aos Abades dos mosteiros de Tibães e Carvoeiro. --- BULA Sua nobis pela qual lhes manda tomar conhecimento e sentenciar a questão levantada entre a Mesa Capitular de Braga e os sucessores de Pedro Afonso, sobre o emprazamento feito a este pelo Cabido, mediante o pagamento de certo censo anual, dos frutos e demais proventos da igreja de S. Miguel das Marinhas, unida à referida Mesa e a esta pertencente. "Dar. Rome apud Sanotum Petrum Anno mc. dominice M CD LXX II Pridie idus Junii Pontificatus nostri Anno 1" (A.D.B., Gav. l.a das Igrejas, doc. 53, orig. com selo).
- De 22 de Novembro de 1488:
INOCÊNCIO VIII ao Bispo de Pamplona, ao Arcediago de Vimieiro e a Pedro gues, Cónego da Sé de Braga. --- BULA Romani Pontificis pela qual nomeia Abade comendatário dos mosteiros de Tibães e Vimieiro a D. Jorge da Costa, Cardeal de Alpedrinha, e encarrega, aqueles a quem se dirige, ou a qualquer deles, de executar a Bula. "Datum Rome apud Sauctum Petrum. Anuo incaruationis dominice M CD LXXX VIII decimo Kls Decembris. Poutificatus nostri anuo quinto" (A.D.B., Cx. das Bulas, u.0 5, doc. 140, orig. sem selo).
- De 19 de Maio de 1570:
PIO V ad futuram rei memoriam... --- BREVE Romani Pontificis pelo qual determina que se anulem todos os processos de suspeições instaurados pelo Cabido de Braga e outras entidades, contra o Arcebispo D. Fr. Bartolomeu dos Mártires, perante o Bispo do Porto, Juiz Apostólico, por causa de os obrigar à execução das determinações do Concílio Tridentino sobre as Visitações; que nenhuns autos de suspeição sejam admitidos contra o Arcebispo; e para evitar suspeições manda que neste negócio o Arcebispo despache com um dos adjuntos: Abade do Mosteiro de Tibães, Abade do Mosteiro de Bouro, e Reitor do Colégio dos Jesuítas de Braga. Se, porém, não agradar ao Arcebispo, levará as causas perante o Cardeal D. Henrique ou o Bispo de Lamego que as resolverão dentro de três meses. Finalmente, ordena ao Cardeal D. Henrique e ao Bispo de Coimbra ou a seu Vigário Geral, que façam executar o presente Breve. "Dat. Romne apud Sanctum Petrum sub annulo piscatoris die 19 Mau 1570. Anno quinto" (A.D.B., Gav. das Concórdias e Visitas, doc. 45 - 2 cóp. séc. XVII).
- De 12 de Fevereiro de 1596:
CLEMENTE VIII ad perpetuam rei memoriam. --- BREVE Ut ea pelo qual concede à Congregação dos beneditinos os privilégios de conferir ordens menores, de colocar vigários perpétuos ou ad nutum nas igrejas unidas ao seu mosteiro de Tibães, desde que sejam por eles nomeados e aprovados pelos Ordinários, e que as igrejas servidas por regulares sejam providas ad nutum pelos seus superiores. Ás igrejas do padroado eclesiástico, porém, seriam providas por concurso. "Dat. Rome apud Sanctum Petrum sub annulo piscatoris die XII Februani M D XC VI Pontificatus nostri Anno V." (A.D.B., Cx. das Bulas, n. 9, doc. 334, transcrito no Breve de Urbano VIII de 31 de Março de 1632).
CARNAVAL 2010 EM TIBÃES
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
FREI JOAQUIM DE SANTA CLARA BRANDÃO
Natural do Porto, nasceu em 30 de Agosto de 1740 e faleceu em 1818. Aprendeu francês e inglês com o P.e António Vieira. Foi Doutor e Lente da Faculdade de Teologia e Arcebispo de Évora. Foi sócio da Academia das Ciências desde a sua fundação. Professou no Mosteiro de Tibães. A oração fúnebre que fez nas exéquias do Marquês de Pombal é tida como um modelo de eloquência no género. Por ordem de Pombal, admitia às suas lições estudantes seculares sendo o atestado passado por Santa Clara suficiente para dispensa da frequência da Universidade. Foi o reformador da sua Ordem. O Capítulo Geral da sua Ordem, de 1786, elege-o Director da Congregação. Em 1794 é nomeado deputado da Mesa da Comissão Geral que substituiu a Mesa Censória. Das suas várias obras, destaca-se o Plano e Regulamento dos Estudos para a Congregação de S. Bento.
FREI BERNARDO DA CRUZ
Reitor da Universidade entre 1541 e 1543.
Foi comendatário do Mosteiro de Tibães da Ordem de S. Bento.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
FREI JOÃO BAPTISTA DA SILVA
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
O REI ESTEVE EM TIBÃES
D. Afonso III, em 1261, em princípios de Abril deixou Guimarães e, depois de ter visitado o Porto e Tibães (junto a Braga), seguiu para a Assembleia das Cortes de Coimbra, a pedido de alguns prelados, religiosos, nobres e cidadãos, para deliberar acerca da quebra da moeda.
GENERAL ALVES ROÇADAS EM BRAGA
Em vésperas da implantação da República, em Janeiro de 1908, o General Alves Roçadas, que se destacou pelas campanhas africanas, é recebido em Braga.
Foi recebido com todas as honras pelas Associações de Braga e respectivos estandartes, bandas de Música, Autoridades, Corporações e Academias.
A esta homenagem não foi estranho o facto de ter sido educado no Colégio de S. Caetano, onde esteve matriculado com o número 43.
O COUTO DE TIBÃES (3)
Para as cartas de doação de terras às igrejas e mosteiros passou a reservar-se a designação Cartas de Couto, cartas de foro a criar e defender as terras eclesiásticas, privilégio de igrejas e mosteiros (Couto).
A essa terra privilegiada reservar-se-ia o termo Couto, sendo o donatório habilitado a cobrar certas prestações; por sua vez, os que dentro do perímetro do couto habitavam ficavam isentos da jurisdição régia e escusados da hoste, fossado, peitas e outras obrigações.
No período do Condado Portucalense, na região do Entre Douro e Minho, se bem que o Foral de Guimarães seja de 1096, o primeiro mosteiro beneditino a receber carta de couto foi o de Santo Tirso, em 1097.
Sabe-se, com efeito, que Dª Teresa, para dar provas de devoção religiosa e para ganhar o apoio de alguns nobres, favoreceu com cartas de couto alguns mosteiros, de que esses mesmos nobres eram patronos. Certos mosteiros, em pleno séc. XVIII, para realçar a antiguidade e nobreza de seus coutos recorreram a essas significativas e emblemáticas obras de arte, mandando fazer grandes quadros a atestar a antiguidade e nobreza do seu couto bem como o respectivo direito de posse de que nos restam o quadro de Tibães no Arquivo Distrital de Braga e o de Travanca na sacristia da respectiva igreja.
Eis algumas cartas de couto conferidas aos mosteiros beneditinos pelo Conde D. Henrique e Dona Teresa: 1097(1198)-11-23 – Couto de Santo Tirso; 1097-11-24-1098-02-26 – Couto de Rendufe; 1110-03-24 (25 ou 26) – Couto de Tibães; 1112-08-01 – Couto de Pombeiro; 1120-1122-1123-01-08 e 1127-10-16 – Minuta e carta do Couto de Alpendurada; 1121-1128-04-06 – Couto de Cete; 1127-05-23 – Doação de Vimieiro a Cluny.
D. Afonso Henriques, durante certo tempo, seguiu, de forma alargada, a política de seus pais na atribuição de coutos eclesiásticos a beneditinos e outras instituições religiosas, como o Couto de Donim, Guimarães, a Tibães (26-02-1135).
Segundo a tradição historiográfica, Parada de Tibães foi fundada com a sua congénere Mire de Tibães, em tempos da monarquia sueva. A documentação, porém, menciona a freguesia pelos inícios do século XII. Nas Inquisições de 1220, ao tempo de D. Afonso II, Parada de Tibães aparece já integrando o “Couto de Tiviães”. Este Couto obteria novo foral por volta de 1517, no reinado de D. Manuel.
O Lugar de Donim (Guimarães) terá sido parcialmente coutada para o mosteiro de Tibães, por D. Afonso Henriques e em 26 de Fevereiro de 1135, como registarão posteriormente as "Inquirições" de 1220, à época de D. Afonso II. Nas Inquirições de 1288, relativas à freguesia de São Salvador de Donim lê-se: «O paaço de Fernão Fernandes, irmão do bispo de Lamego... o vírom honrado dês que se acordam...; a terça parte desta freguesia é Couto do mosteiro de Tibães por cartas de el-rei e a outra terça do mosteiro de Adaúfe e é devassa e dão a renda a el-rei pola voz coima, e a outra terça é de homens filbos-de-algo, trazendo a terça do mosteiro de Tibães o prócer D. João Rodrigues de Briteiros certamente emprazada dele (in "Silva, João Belmiro Pinto da, Guimarães - Nas Raízes da Identidade, Anégia Editores, ed. lit., 1999».
Segundo alguns autores, o primeiro documento emitido por Afonso Henriques, onde se intitula "Rei de Portugal", foi precisamente a carta de Couto concedida à "vila de Mende", a 7 de Julho de 1140. Couto que se situaria numa área geográfica, como se pode aferir pelas confrontações descritas no documento, entre Apúlia, parte da freguesia de Necessidades e parte da freguesia de Estela.
D. Afonso Henriques concede a Carta de Couto de Santa Maria de Estela e da Vila de Mendo, aos 7 de Julho de 1140 (era de 1178) aos frades beneditinos de Tibães: «… Eu, Afonso, Rei de Portugal, filho do conde Henrique e da raínha Teresa e neto do rei Afonso, o grande, faço carta do couto da Vila de Mendo e de Santa Maria de Estela, em honra de Deus e de Santa Maria e de São Martinho, e de todos os santos, a vós, abade D. Ordonho e a vossos monges que no convento de Tibães perseveram numa vida santa, e a vossos sucessores que aí residem em virtude da promessa que fizestes de orar a Deus dia e noite pela salvação da minha alma e de meus pais e também pelos duzentos meios que me destes… Carta de couto feita a 7 de Julho da era de 1178. Eu, Afonso Rei de Portugal, esta carta de firmíssimo couto e grafide segurança rubrico pela minha própria mão, para vós, D. Ordonho, abade de Tibães, e para vossos monges, tanto presentes como futuros…».
Gondar, pequena freguesia do Concelho de Caminha, é mencionada nas Inquirições de 1258 conforme se verifica no livro “Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais (vol. II, Norte, Arquivos Nacionais/Torre do Tombo): Foi vigairaria da apresentação “ad nutum” do convento de Tibães».
A Freguesia de Encourados, concelho de Barcelos, vem nas Inquirições de D. Afonso II de 1220 com a designação – “De Santo Jacobo de Encoirados de Cauto de Martim”, nas Terras de Penafiel. Nelas se diz que o rei não tem aqui reguengo algum e não recebe qualquer foro; que esta Igreja tem sesmarias, Tibães 5 casais e Vilar de Frades 19 casais.
A freguesia de Lama, do Concelho de Barcelos, que nas Inquirições de 1258, surge com a designação "De Sancto Salvatore de Lama" do Julgado de Prado, eclesiasticamente, estava sob o protectorado do Mosteiro Beneditino de Tibães.
A capela de S. Pedro de Varais, situada no concelho de Caminha, constitui um dos casos mais surpreendentes dos monumentos românicos da ribeira Lima. Esta capela com todos os seus bens e rendas foi Incorporada no Convento de Tibães, em 1834.
Serreleis, freguesia do Concelho de Viana do Castelo, tem por orago São Martinho. Era então da apresentação do convento de Tibães, tornando-se mais tarde independente com o título de reitoria.
Em meados do século XVIII a freguesia de Vile, do concelho de Caminha, autonomizou-se da paróquia de São Pedro de Varais. Segundo Pinheiro Leal, em 1768, o direito de apresentação pertencia ao Convento Beneditino de Tibães.
Na cópia de 1580 do Censual de D. Frei Baltasar Limpo diz-se que a Igreja da freguesia de Carreço, Conelho de Viana do Castelo, pertencia um quarto ao arcebispo, outro a São Salvador da Torre (sendo ambas, portanto da mesa arcebispal) e as restantes a São Romão de Neiva e ao mosteiro de Tibães. Nas inquirições de D. Afonso III pode ler-se que Carreço era uma terra produtiva em géneros agrícolas, como trigo, linho, cevada, gado bovino e ovino, dos quais pagavam renda (no S. Miguel e em Janeiro) aos possidentes de uma quantidade considerável de casais. De entre os detentores desses casais destacam-se os mosteiros de S. Salvador da Torre, S. Cláudio de Nogueira, Tibães, S. Romão do Neiva e S. Bento de Cabanas.
Mostramos, acima, o Mapa referente à Divisão Administrativa de 1801, onde Tibães figura como cabeça do couto, constituído por 5 freguesias Mire de Tibães, Padim da Graça, Panóias, Parada e São Paio de Merelim (São Paio da Ponte).
